Ideia de Bolsonaro não é novidade no Nordeste, mas ajuda de Israel seria bem-vinda, analisa especialista

DESSALINIZAÇÃO DE ÁGUA

Ideia de Bolsonaro não é novidade no Nordeste, mas ajuda de Israel seria bem-vinda, analisa especialista

A medida anunciada pelo presidente eleito pode beneficiar o Ceará, que tem 68 municípios em situação de emergência devido à seca

Por Tribuna Bandnews FM em Ceará

27 de dezembro de 2018 às 14:25

Há 4 semanas
seca-ceara

Ceará pode enfrentar mais um ano de seca em 2019. (FOTO: Reprodução/TV Jangadeiro)

A possível parceria entre Brasil e Israel para projeto de dessalinização de água nos Estados do Nordeste é bem vista por um especialista consultado pela Tribuna BandNews FM. O Governo Brasileiro, no entanto, poderia expandir em outras áreas os estudos e implementação de projetos para resolver o problema da escassez hídrica nas regiões mais atingidas pela seca.

O presidente eleito Jair Bolsonaro, do PSL, anunciou esta semana que quer firmar cooperação técnica com o Governo Israelense e pretende, já em janeiro, em local ainda não anunciado, desenvolver projeto piloto para retirar água salobra de poço, dessalinizá-la e distribuí-la para agricultura familiar.

A medida pode beneficiar o Ceará, que tem 68 municípios em situação de emergência devido à seca reconhecida pelo Governo Federal ou homologada pelo Governo do Estado. Apesar de não ser novidade, o projeto de dessalinização é bem avaliado pelo professor do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental da Universidade Federal do Ceará, Suetônio Mota.

O especialista ressalta que é bem vinda toda ação voltada de convivência com a seca no semiárido brasileiro. Ele reforça a necessidade do país seguir se baseando em experiências estrangeiras como a de Israel, no Oriente Médio, e de Dubai, nos Emirados Árabes, em que mais de 90% da água para o consumo humano é dessalinizada.

O professor, no entanto, destaca como desafiador implementar a tecnologia de alto custo de forma menos onerosa, e que, de todo modo, o investimento é necessário, mas o Governo deve levar em conta as especificidades regionais.

“Provavelmente será viável em muitas situações, inclusive no Ceará, que nós temos uma extensão litorânea muito grande. Agora, como eu disse, cada situação é um caso a ser estudado principalmente sob aspecto econômico, social e considerando também o aspecto sanitário, de saúde da população”, explicou Suetônio.

Dessalinizadores de poços já são utilizados desde a década de 1990 no país. No Ceará, mais de mil itens do tipo já foram implantados na época. Em 2004, o Ministério do Meio Ambiente lançou o projeto Água Doce, que atua na implantação, recuperação e gestão de sistemas de dessalinização de águas salobras e salinas no Semiárido Brasileiro.

Suetônio Mota também destaca outro desafio do Governo Bolsonaro que é atuar em novas frentes na convivência com a seca. Umas delas está na necessidade de se avançar em estudos de reúso de água, aproveitando o recurso natural dos esgotos.

A alternativa seria voltada para atender as atividades produtivas, poupando o uso de água de mananciais e priorizá-los para o consumo humano. O especialista destaca que em Israel existe experiência semelhante.

“Como também é importante que, se pudesse se aproveitar de Israel, a experiência que eles vêm desenvolvendo de aproveitar o esgoto, de fazer o reuso da água, usar o esgoto, a água que já foi utilizada, tratar com tratamentos adequados, e utilizar – como eles fazem lá, quase 80% do esgoto urbano, de origem tratável, utilizar na irrigação, inclusive de culturas alimentícias. Logicamente é um tratamento muito rigoroso que garante a qualidade da água para esse fim”, explicou o professor.

Em 2013, a Cagece firmou cooperação técnica com a estrangeira Mekorot, Companhia Nacional de Águas de Israel. A medida tinha como finalidade executar ações conjuntas para o desenvolvimento e implementação de serviços de água, esgoto e projetos, entre eles o tratamento e reúso de águas residuais.

Nossa produção entrou em contato com a Companhia para abordar no que resultou a cooperação cinco anos depois, mas não tinha entrevistado disponível.

A Cagece também está envolvida no processo de instalação uma usina de dessalinização, após escolha no meio do ano de uma empresa sul-coreana para executar o projeto, que tem custo estimado em R$ 600 milhões. A conclusão do equipamento está prevista para 2020.

Ouça entrevista à Rádio Tribuna Band News FM:

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DESSALINIZAÇÃO DE ÁGUA

Ideia de Bolsonaro não é novidade no Nordeste, mas ajuda de Israel seria bem-vinda, analisa especialista

A medida anunciada pelo presidente eleito pode beneficiar o Ceará, que tem 68 municípios em situação de emergência devido à seca

Por Tribuna Bandnews FM em Ceará

27 de dezembro de 2018 às 14:25

Há 4 semanas
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Ceará pode enfrentar mais um ano de seca em 2019. (FOTO: Reprodução/TV Jangadeiro)

A possível parceria entre Brasil e Israel para projeto de dessalinização de água nos Estados do Nordeste é bem vista por um especialista consultado pela Tribuna BandNews FM. O Governo Brasileiro, no entanto, poderia expandir em outras áreas os estudos e implementação de projetos para resolver o problema da escassez hídrica nas regiões mais atingidas pela seca.

O presidente eleito Jair Bolsonaro, do PSL, anunciou esta semana que quer firmar cooperação técnica com o Governo Israelense e pretende, já em janeiro, em local ainda não anunciado, desenvolver projeto piloto para retirar água salobra de poço, dessalinizá-la e distribuí-la para agricultura familiar.

A medida pode beneficiar o Ceará, que tem 68 municípios em situação de emergência devido à seca reconhecida pelo Governo Federal ou homologada pelo Governo do Estado. Apesar de não ser novidade, o projeto de dessalinização é bem avaliado pelo professor do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental da Universidade Federal do Ceará, Suetônio Mota.

O especialista ressalta que é bem vinda toda ação voltada de convivência com a seca no semiárido brasileiro. Ele reforça a necessidade do país seguir se baseando em experiências estrangeiras como a de Israel, no Oriente Médio, e de Dubai, nos Emirados Árabes, em que mais de 90% da água para o consumo humano é dessalinizada.

O professor, no entanto, destaca como desafiador implementar a tecnologia de alto custo de forma menos onerosa, e que, de todo modo, o investimento é necessário, mas o Governo deve levar em conta as especificidades regionais.

“Provavelmente será viável em muitas situações, inclusive no Ceará, que nós temos uma extensão litorânea muito grande. Agora, como eu disse, cada situação é um caso a ser estudado principalmente sob aspecto econômico, social e considerando também o aspecto sanitário, de saúde da população”, explicou Suetônio.

Dessalinizadores de poços já são utilizados desde a década de 1990 no país. No Ceará, mais de mil itens do tipo já foram implantados na época. Em 2004, o Ministério do Meio Ambiente lançou o projeto Água Doce, que atua na implantação, recuperação e gestão de sistemas de dessalinização de águas salobras e salinas no Semiárido Brasileiro.

Suetônio Mota também destaca outro desafio do Governo Bolsonaro que é atuar em novas frentes na convivência com a seca. Umas delas está na necessidade de se avançar em estudos de reúso de água, aproveitando o recurso natural dos esgotos.

A alternativa seria voltada para atender as atividades produtivas, poupando o uso de água de mananciais e priorizá-los para o consumo humano. O especialista destaca que em Israel existe experiência semelhante.

“Como também é importante que, se pudesse se aproveitar de Israel, a experiência que eles vêm desenvolvendo de aproveitar o esgoto, de fazer o reuso da água, usar o esgoto, a água que já foi utilizada, tratar com tratamentos adequados, e utilizar – como eles fazem lá, quase 80% do esgoto urbano, de origem tratável, utilizar na irrigação, inclusive de culturas alimentícias. Logicamente é um tratamento muito rigoroso que garante a qualidade da água para esse fim”, explicou o professor.

Em 2013, a Cagece firmou cooperação técnica com a estrangeira Mekorot, Companhia Nacional de Águas de Israel. A medida tinha como finalidade executar ações conjuntas para o desenvolvimento e implementação de serviços de água, esgoto e projetos, entre eles o tratamento e reúso de águas residuais.

Nossa produção entrou em contato com a Companhia para abordar no que resultou a cooperação cinco anos depois, mas não tinha entrevistado disponível.

A Cagece também está envolvida no processo de instalação uma usina de dessalinização, após escolha no meio do ano de uma empresa sul-coreana para executar o projeto, que tem custo estimado em R$ 600 milhões. A conclusão do equipamento está prevista para 2020.

Ouça entrevista à Rádio Tribuna Band News FM: