Grupo de mulheres de Juazeiro faz bolos e doces com alimentos que iriam para o lixo
FUNÇÃO SOCIAL

Grupo de mulheres de Juazeiro faz bolos e doces com alimentos que iriam para o lixo

O projeto Sonhos de Maria, iniciativa de universitários, incentiva a autonomia econômica e social das mulheres.

Por Deborah Tavares em Ceará

16 de março de 2017 às 06:30

Há 1 mês

Hoje, as mulheres da comunidade também são geradoras de renda. (FOTO: Reprodução)

Quando um grupo de alunos percebeu que as sobras de alimentos da feira da comunidade do Sítio Salobra, em Juazeiro do Norte, na Região do Cariri, poderia ter outro destino que não o desperdício, nasceu o Sonhos de Maria. O projeto, além do papel ecológico, dá autonomia econômica e social para 17 mulheres que vivem na comunidade.

Frutas e verduras que iriam para o lixo viram doces e bolos nas mãos de mulheres, que têm entre 21 e 46 anos. Elas geram, com a venda dos produtos, uma receita bruta de R$ 6 mil por mês para suas famílias. A missão do projeto é que essas mulheres sejam protagonistas de sua própria história e do seu lar, fazendo um papel que antes era só do marido, o de gerador de renda.

A Enactus é uma organização internacional sem fins lucrativos dedicada a inspirar os alunos a melhorar o mundo através da Ação Empreendedora. Um grupo de estudantes universitários de Juazeiro do Norte resolveu trazer a iniciativa para sua faculdade, a Leão Sampaio.

Eles, que vêm de diversos cursos, trabalham em projetos para empoderar ecologicamente, economicamente e socialmente comunidades de baixa renda no município. A instituição tem uma função de sede, todas as iniciativas partem dos universitários e o grupo é autogerido.

Reutilizar para empreender

A vivência no Sítio Salobra, por meio de um projeto voltado para os homens da comunidade, fez com que os alunos notassem outras necessidades.

“A gente percebeu que depois da feira, onde os homens iam vender sua produção, sobravam alimentos que seriam jogados fora e que dariam para fazer doces, por exemplo. Aí surgiu a ideia do Sonhos de Maria”, explica Isaura Caroline Abrante Silva, aluna de psicologia, 21 anos, vice-diretora do departamento de RH da Enactus Leão Sampaio.

O projeto tem quase um ano e a ideia é que os estudantes auxiliem a comunidade por dois anos, a partir daí ela continua os trabalhos sem o grupo. “Apresentamos a proposta para as famílias da comunidade e selecionamos as mulheres interessadas”, conta Isaura.

Uma cozinha comunitária foi construída no sítio, com recursos da organização, para que as mulheres pudessem trabalhar. Os alunos orientam as mulheres dando oficinas e treinamentos em gestão administrativa, gestão de produção, gastronomia e tudo mais o que for preciso para que as mulheres tomem a frente do seu negócio.

Mulheres de comunidade no Cariri geram sua renda a partir de sobras de alimentos que seriam jogadas fora
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Mulheres de comunidade no Cariri geram sua renda a partir de sobras de alimentos que seriam jogadas fora

FOTO: Reprodução

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Mulheres de comunidade no Cariri geram sua renda a partir de sobras de alimentos que seriam jogadas fora

FOTO: Reprodução

Mas o projeto abrange além de questões econômicas. “O nosso objetivo é fazer com que essas mulheres sejam independentes”, afirma a estudante. Faz parte da proposta o debate sobre questões de gênero e violência contra a mulher, as rodas de discussões são constantes não só com as mulheres, mas também com os homens.

“Conseguimos discutir gênero de uma maneira tão legal que eles já entenderam que lugar de mulher não é só na cozinha e de homem não é só na roça. O que eu vejo mudando são as piadas machistas. Os homens começaram a entender que as mulheres deles podem viajar sem eles, ter sua independência”, comemora Isaura.

Segundo a estudante, as mulheres tiveram, desde o começo, a “cabeça muito aberta” para os debates. “Elas perceberam tudo que elas passam, o aprisionamento que elas nem percebiam que passavam. Perceberam que não precisam só servir seus maridos, podem servir clientes, podem ser donas do seu negócio. Que elas não têm dono. Elas começaram a relatar dores que nem sabiam que eram dores. Elas discutem e passam para outras mulheres e colocam em ação. Eu não esperei que elas fossem ser tão abertas”, finaliza.

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Grupo de mulheres de Juazeiro faz bolos e doces com alimentos que iriam para o lixo

O projeto Sonhos de Maria, iniciativa de universitários, incentiva a autonomia econômica e social das mulheres.

Por Deborah Tavares em Ceará

16 de março de 2017 às 06:30

Há 1 mês

Hoje, as mulheres da comunidade também são geradoras de renda. (FOTO: Reprodução)

Quando um grupo de alunos percebeu que as sobras de alimentos da feira da comunidade do Sítio Salobra, em Juazeiro do Norte, na Região do Cariri, poderia ter outro destino que não o desperdício, nasceu o Sonhos de Maria. O projeto, além do papel ecológico, dá autonomia econômica e social para 17 mulheres que vivem na comunidade.

Frutas e verduras que iriam para o lixo viram doces e bolos nas mãos de mulheres, que têm entre 21 e 46 anos. Elas geram, com a venda dos produtos, uma receita bruta de R$ 6 mil por mês para suas famílias. A missão do projeto é que essas mulheres sejam protagonistas de sua própria história e do seu lar, fazendo um papel que antes era só do marido, o de gerador de renda.

A Enactus é uma organização internacional sem fins lucrativos dedicada a inspirar os alunos a melhorar o mundo através da Ação Empreendedora. Um grupo de estudantes universitários de Juazeiro do Norte resolveu trazer a iniciativa para sua faculdade, a Leão Sampaio.

Eles, que vêm de diversos cursos, trabalham em projetos para empoderar ecologicamente, economicamente e socialmente comunidades de baixa renda no município. A instituição tem uma função de sede, todas as iniciativas partem dos universitários e o grupo é autogerido.

Reutilizar para empreender

A vivência no Sítio Salobra, por meio de um projeto voltado para os homens da comunidade, fez com que os alunos notassem outras necessidades.

“A gente percebeu que depois da feira, onde os homens iam vender sua produção, sobravam alimentos que seriam jogados fora e que dariam para fazer doces, por exemplo. Aí surgiu a ideia do Sonhos de Maria”, explica Isaura Caroline Abrante Silva, aluna de psicologia, 21 anos, vice-diretora do departamento de RH da Enactus Leão Sampaio.

O projeto tem quase um ano e a ideia é que os estudantes auxiliem a comunidade por dois anos, a partir daí ela continua os trabalhos sem o grupo. “Apresentamos a proposta para as famílias da comunidade e selecionamos as mulheres interessadas”, conta Isaura.

Uma cozinha comunitária foi construída no sítio, com recursos da organização, para que as mulheres pudessem trabalhar. Os alunos orientam as mulheres dando oficinas e treinamentos em gestão administrativa, gestão de produção, gastronomia e tudo mais o que for preciso para que as mulheres tomem a frente do seu negócio.

Mulheres de comunidade no Cariri geram sua renda a partir de sobras de alimentos que seriam jogadas fora
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FOTO: Reprodução

Mas o projeto abrange além de questões econômicas. “O nosso objetivo é fazer com que essas mulheres sejam independentes”, afirma a estudante. Faz parte da proposta o debate sobre questões de gênero e violência contra a mulher, as rodas de discussões são constantes não só com as mulheres, mas também com os homens.

“Conseguimos discutir gênero de uma maneira tão legal que eles já entenderam que lugar de mulher não é só na cozinha e de homem não é só na roça. O que eu vejo mudando são as piadas machistas. Os homens começaram a entender que as mulheres deles podem viajar sem eles, ter sua independência”, comemora Isaura.

Segundo a estudante, as mulheres tiveram, desde o começo, a “cabeça muito aberta” para os debates. “Elas perceberam tudo que elas passam, o aprisionamento que elas nem percebiam que passavam. Perceberam que não precisam só servir seus maridos, podem servir clientes, podem ser donas do seu negócio. Que elas não têm dono. Elas começaram a relatar dores que nem sabiam que eram dores. Elas discutem e passam para outras mulheres e colocam em ação. Eu não esperei que elas fossem ser tão abertas”, finaliza.