Especialistas defendem que termelétricas do Pecém parem imediatamente
SITUAÇÃO DRAMÁTICA

Especialistas defendem que termelétricas do Pecém parem imediatamente

A desativação temporária das usinas do Pecém é uma das alternativas apontadas para a grave estiagem no Ceará

Por Tribuna Bandnews FM em Ceará

17 de dezembro de 2016 às 07:00

Há 2 meses
Segundo especialistas, a discussão já é tardia (FOTO: Divulgação)

Segundo especialistas, a discussão já é tardia (FOTO: Divulgação)

As duas usinas termelétricas do Pecém têm autorização para usar, por dia, um volume de água que dá para abastecer uma cidade de 600 mil habitantes, o que equivale a 3 vezes a população do município de Maracanaú.

Enquanto isso, o Açude Castanhão, que abastece a população da Grande Fortaleza e também as usinas, está apenas com 5,17% da capacidade total, segundo o Portal Hidrológico do Ceará.

Para o professor de Hidrologia da UFC, José Carlos de Araújo, a discussão sobre o gasto de água das termelétricas do Pecém é tardia, já que a crise hídrica não é recente. “Nós já estamos além de qualquer medida de escassez, ou seja, já passaram-se todos os limites imagináveis. Já deveria ter começado um racionamento, óbvio que não poderia começar pelo abastecimento humano, já que ele é prioridade”.

O que está em jogo sobre a permanência do funcionamento das usinas do Pecém é o custo da produção de energia, que é inferior ao de outras termelétricas do país. Desativar as usinas instaladas no estado, portanto, aumenta os custos do sistema elétrico nacional, o que pode fazer com que o Governo Federal rejeite a suspensão temporária das atividades.

Para José Carlos de Araújo, o Governo do Estado não deveria propor a alternativa de aceitar custeio de obras emergenciais contra a seca, já que a prioridade é o abastecimento humano. “O que seria efetivo seria um racionamento começando pelo que não é prioridade, como as usinas. Hoje em dia, ferir a Constituição parece que é regra. A constituição diz claramente que a prioridade é o abastecimento humano, não diz que é o abastecimento energético”.

A Constituição Federal é irrefutável e resguarda o governo, destaca este outro especialista, José Carlos Parente de Oliveira, professor do Instituto Federal do Ceará, IFCE . Para ele, o estado do Ceará deveria desativar as usinas do Pecém independente de autorização. 

Ao criticar o gasto de água do Pecém, José Carlos Parente de Oliveira entende que medidas para reuso de água recém-anunciadas já deveriam ter sido implementadas há muito tempo, antes da proximidade do colapso hídrico.

“O governo poderia ter resolvido essa questão junto às companhias há muito tempo. Existe em Fortaleza uma fonte de água para a industria, que é o esgoto. Ele poderia ser aproveitado. Acontece que o governo esperou, esperou e, pelo visto, está tentando fazer isso agora, quando a gente está com uma condição dramática”.

A desativação temporária das usinas do Pecém é uma das alternativas apontadas esta semana pela comissão parlamentar da Assembleia Legislativa que monitora as obras de transposição do Rio São Francisco para amenizar os efeitos da estiagem.

Confira a reportagem de Jackson de Moura, com narração de Dina Sampaio:

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SITUAÇÃO DRAMÁTICA

Especialistas defendem que termelétricas do Pecém parem imediatamente

A desativação temporária das usinas do Pecém é uma das alternativas apontadas para a grave estiagem no Ceará

Por Tribuna Bandnews FM em Ceará

17 de dezembro de 2016 às 07:00

Há 2 meses
Segundo especialistas, a discussão já é tardia (FOTO: Divulgação)

Segundo especialistas, a discussão já é tardia (FOTO: Divulgação)

As duas usinas termelétricas do Pecém têm autorização para usar, por dia, um volume de água que dá para abastecer uma cidade de 600 mil habitantes, o que equivale a 3 vezes a população do município de Maracanaú.

Enquanto isso, o Açude Castanhão, que abastece a população da Grande Fortaleza e também as usinas, está apenas com 5,17% da capacidade total, segundo o Portal Hidrológico do Ceará.

Para o professor de Hidrologia da UFC, José Carlos de Araújo, a discussão sobre o gasto de água das termelétricas do Pecém é tardia, já que a crise hídrica não é recente. “Nós já estamos além de qualquer medida de escassez, ou seja, já passaram-se todos os limites imagináveis. Já deveria ter começado um racionamento, óbvio que não poderia começar pelo abastecimento humano, já que ele é prioridade”.

O que está em jogo sobre a permanência do funcionamento das usinas do Pecém é o custo da produção de energia, que é inferior ao de outras termelétricas do país. Desativar as usinas instaladas no estado, portanto, aumenta os custos do sistema elétrico nacional, o que pode fazer com que o Governo Federal rejeite a suspensão temporária das atividades.

Para José Carlos de Araújo, o Governo do Estado não deveria propor a alternativa de aceitar custeio de obras emergenciais contra a seca, já que a prioridade é o abastecimento humano. “O que seria efetivo seria um racionamento começando pelo que não é prioridade, como as usinas. Hoje em dia, ferir a Constituição parece que é regra. A constituição diz claramente que a prioridade é o abastecimento humano, não diz que é o abastecimento energético”.

A Constituição Federal é irrefutável e resguarda o governo, destaca este outro especialista, José Carlos Parente de Oliveira, professor do Instituto Federal do Ceará, IFCE . Para ele, o estado do Ceará deveria desativar as usinas do Pecém independente de autorização. 

Ao criticar o gasto de água do Pecém, José Carlos Parente de Oliveira entende que medidas para reuso de água recém-anunciadas já deveriam ter sido implementadas há muito tempo, antes da proximidade do colapso hídrico.

“O governo poderia ter resolvido essa questão junto às companhias há muito tempo. Existe em Fortaleza uma fonte de água para a industria, que é o esgoto. Ele poderia ser aproveitado. Acontece que o governo esperou, esperou e, pelo visto, está tentando fazer isso agora, quando a gente está com uma condição dramática”.

A desativação temporária das usinas do Pecém é uma das alternativas apontadas esta semana pela comissão parlamentar da Assembleia Legislativa que monitora as obras de transposição do Rio São Francisco para amenizar os efeitos da estiagem.

Confira a reportagem de Jackson de Moura, com narração de Dina Sampaio: