Escolas indígenas de Caucaia mantêm viva cultura da tribo tapeba

A Escola Indígena Índios Tapeba, localizada em Caucaia, é uma das 13 escolas da comunidade Tapeba

Se em alguns colégios a sexta-feira é dia de educação física, na Escola Indígena Índios Tapeba é a vez de um ritual próprio da comunidade: o Toré. A cerimônia acontece duas vezes ao dia, no início das aulas da manhã e no fim do expediente da tarde. “O ritual dura 30 minutos, cantamos nossas músicas e dançamos”, explica Rita de Cássia, diretora da escola.

A instituição de Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza, já começou com um contato especial com a natureza. O início foi embaixo de um cajueiro. “A escola foi criada em 1990, foi crescendo aos poucos e agora está aqui, nesse espaço, desde 2006”, conta Sheiliana do Prado, professora da escola, cheia de orgulho.

Por algum tempo esta foi a única escola do grupo indígena. Hoje o número cresceu: são 13 instituições de ensino, divididas entre as comunidades tapebas. A tribo conta com 6.400 índios, que vivem em Caucaia. “São 17 comunidades dentro de um território de 5.800 hectares”, enumera Weibe Tapeba, presidente da Associação da Comunidade dos Índios Tapebas.

A escola está no novo espaço desde o ano de 2006 (FOTO: Marcella Ruchet / Tribuna do Ceará)

A escola está no novo espaço desde o ano de 2006 (FOTO: Marcella Ruchet / Tribuna do Ceará)

Sheiliana, professora do 6° ano até o ensino médio, explica que na escola os alunos são ensinados a partir do método convencional, com matérias como português, matemática e ciências. E os estudantes saem de lá prontos para entrar na universidade. Mas eles também têm professores próprios para ensinar a cultura indígena. “Nós passamos para eles, além do conhecimento comum, o conhecimento dos índios”, esclarece.

Na escola são cerca de 230 alunos. Eles se dividem nas sete salas de aula, que a professora revela que não comportam a demanda. “A sala dos professores virou sala de aula e o almoxarifado também.” Segundo ela, a Secretaria da Educação do Ceará (Seduc) já prometeu a ampliação da escola, mas até agora nada foi feito. Eles prometeram também um novo laboratório e uma quadra de esportes. “A gente já recebeu as cadeiras para os alunos, mas ainda não temos as salas. E precisamos também de uma quadra, porque os alunos fazem educação física no campo da comunidade, no sol e sem estrutura”, conta.

Rita de Cássia está no cargo de diretora da escola há cinco anos, e por 17 anos foi professora. Ela relembra com orgulho das conquistas da instituição de ensino. “Hoje os alunos têm aula de artesanato, onde desenvolvem as peças que participam de exposições no fim do ano e também são vendidas”, conta.

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Escola Indígena Índios Tapeba (FOTO: Marcella Ruchet / Tribuna do Ceará)

Escola Indígena Índios Tapeba (FOTO: Marcella Ruchet / Tribuna do Ceará)

No mês de abril, em comemoração ao Dia do Índio, a escola vai desenvolver uma semana diferente e no encerramento uma festa com exposição de artesanato, comidas típicas e brincadeiras indígenas. A festa é aberta ao público e acontece na Lagoa do Tapeba, que pertence a comunidade. O mês de abril é especial, porque além da festa do Dia do Índio a Escola Tapeba comemora 24 anos de existência e, como todos os anos, os profissionais e alunos vão fazer parte de uma grande festa.

A diretora explica que por conta do ensino um pouco diferenciado, os professores precisam de formação diferente também. Para ser professor da escola, que conta com 24 profissionais, além da formação em Pedagogia, é necessário um curso de magistério indígena. “A Seduc inclusive está finalizando mais uma turma do magistério”, finaliza.

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