Empresa cearense transforma vísceras e carcaças de tilápia em combustível e adubo

BIODIGESTÃO

Empresa cearense transforma vísceras e carcaças de tilápia em combustível e adubo

O gás produzido no processo de biodigestão pode ser convertido em energia elétrica utilizada pela própria empresa para o funcionamento dos equipamentos

Por Tribuna do Ceará em Ceará

28 de agosto de 2017 às 07:00

Há 3 meses
No Castanhão, por exemplo, o volume de carcaças de peixes mortos pode chegar a 5 toneladas por dia (FOTO: Benjamim Lucas)

No Castanhão, por exemplo, o volume de carcaças de peixes mortos pode chegar a 5 toneladas por dia (FOTO: Benjamim Lucas)

Uma empresa localizada em Jaguaribara, no Ceará, desenvolveu um sistema de biodigestão para processamento das vísceras e carcaças da tilápia do Nilo, um peixe bastante produzido no Nordeste.

O projeto, coordenado pelo pesquisador André Siqueira, contou com o apoio da Funcap através do edital Pappe. Segundo ele, este apoio foi fundamental para viabilizar a concretização do projeto idealizado pela empresa Piscis.

“A fundação financiou todos os estudos necessários para execução e custeou a aquisição de materiais que foram utilizados na fabricação do biodigestor”, relata.

A taxa de mortandade aceitável durante o processo de produção de peixes é entre 5% e 7%. Considerando a produção do açude Castanhão, em Jaguaribara, cidade a aproximadamente 227 km de Fortaleza, a pesquisa concluiu que em 2015, o volume de carcaças de peixes mortos pode chegar a 5 toneladas por dia.

O acúmulo dessa matéria orgânica nas margens do açude pode causar poluição do lençol freático e da água do reservatório. De acordo com André, para os piscicultores, responsáveis por dar a destinação correta aos resíduos, a biodigestão se torna uma alternativa. “Isso permite que eles atendam às exigências ambientais”, comenta.

Aproveitamento total dos resíduos

A biodigestão é um método de reciclagem que consiste na produção de biogás combustível e também de adubos a partir de compostos orgânicos, nesse caso os resíduos de peixe. Mas, segundo André, o principal item resultante do processo de reutilização de resíduos desenvolvido pela Piscis é o óleo de vísceras de tilápia, uma fonte de nutrientes rica em ômega-6, componente que é classificado como um dos tipos de gorduras saudáveis.

A pesquisa realizada pela Piscis mostrou que o óleo de tilápia apresenta melhor desempenho nutricional, quando comparado a outras fontes de energia, como os óleos de origem vegetal. Além disso, é uma gordura insaturada, que é mais saudável. O óleo extraído através da biodigestão pode ser aplicado como fonte energética na formulação de rações para alimentação animal.

“Vale ressaltar que o uso de ingredientes ricos em ômega-6 na alimentação de porcas em período reprodutivo aumenta o potencial ovulatório e restabelece a taxa de ovulação”, afirma André.

O gás produzido no processo de biodigestão poderá ser convertido em energia elétrica utilizada pela própria empresa para o funcionamento dos equipamentos. “Caso haja excedente, ela poderá ser comercializada com a Enel, companhia de fornecimento de eletricidade do Estado”, afirma o pesquisador, destacando a autossuficiência energética da empresa como outra vantagem do aproveitamento dos resíduos.

Além disso, a matéria orgânica sólida gerada na biodigestão, o biocomposto, pode ser comercializada na forma de adubo. Isso significa que há potencial para aproveitamento integral dos resíduos gerados pela piscicultura.

Curiosidade

A produção e o consumo de pescado vêm crescendo no Brasil. A grande quantidade de resíduos (ossos, pele, nadadeira, vísceras e cabeça) gerada pode, caso não tenha o tratamento e o descarte adequados, se tornar um problema ambiental.

De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), com base em um relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o brasileiro consome, em média, 14,4 kg de peixe por ano, superando a quantidade recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de 12 kg.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país produziu 483 mil toneladas de peixe em 2015, o que significa um crescimento de 1,5% em relação ao ano anterior.

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Empresa cearense transforma vísceras e carcaças de tilápia em combustível e adubo

O gás produzido no processo de biodigestão pode ser convertido em energia elétrica utilizada pela própria empresa para o funcionamento dos equipamentos

Por Tribuna do Ceará em Ceará

28 de agosto de 2017 às 07:00

Há 3 meses
No Castanhão, por exemplo, o volume de carcaças de peixes mortos pode chegar a 5 toneladas por dia (FOTO: Benjamim Lucas)

No Castanhão, por exemplo, o volume de carcaças de peixes mortos pode chegar a 5 toneladas por dia (FOTO: Benjamim Lucas)

Uma empresa localizada em Jaguaribara, no Ceará, desenvolveu um sistema de biodigestão para processamento das vísceras e carcaças da tilápia do Nilo, um peixe bastante produzido no Nordeste.

O projeto, coordenado pelo pesquisador André Siqueira, contou com o apoio da Funcap através do edital Pappe. Segundo ele, este apoio foi fundamental para viabilizar a concretização do projeto idealizado pela empresa Piscis.

“A fundação financiou todos os estudos necessários para execução e custeou a aquisição de materiais que foram utilizados na fabricação do biodigestor”, relata.

A taxa de mortandade aceitável durante o processo de produção de peixes é entre 5% e 7%. Considerando a produção do açude Castanhão, em Jaguaribara, cidade a aproximadamente 227 km de Fortaleza, a pesquisa concluiu que em 2015, o volume de carcaças de peixes mortos pode chegar a 5 toneladas por dia.

O acúmulo dessa matéria orgânica nas margens do açude pode causar poluição do lençol freático e da água do reservatório. De acordo com André, para os piscicultores, responsáveis por dar a destinação correta aos resíduos, a biodigestão se torna uma alternativa. “Isso permite que eles atendam às exigências ambientais”, comenta.

Aproveitamento total dos resíduos

A biodigestão é um método de reciclagem que consiste na produção de biogás combustível e também de adubos a partir de compostos orgânicos, nesse caso os resíduos de peixe. Mas, segundo André, o principal item resultante do processo de reutilização de resíduos desenvolvido pela Piscis é o óleo de vísceras de tilápia, uma fonte de nutrientes rica em ômega-6, componente que é classificado como um dos tipos de gorduras saudáveis.

A pesquisa realizada pela Piscis mostrou que o óleo de tilápia apresenta melhor desempenho nutricional, quando comparado a outras fontes de energia, como os óleos de origem vegetal. Além disso, é uma gordura insaturada, que é mais saudável. O óleo extraído através da biodigestão pode ser aplicado como fonte energética na formulação de rações para alimentação animal.

“Vale ressaltar que o uso de ingredientes ricos em ômega-6 na alimentação de porcas em período reprodutivo aumenta o potencial ovulatório e restabelece a taxa de ovulação”, afirma André.

O gás produzido no processo de biodigestão poderá ser convertido em energia elétrica utilizada pela própria empresa para o funcionamento dos equipamentos. “Caso haja excedente, ela poderá ser comercializada com a Enel, companhia de fornecimento de eletricidade do Estado”, afirma o pesquisador, destacando a autossuficiência energética da empresa como outra vantagem do aproveitamento dos resíduos.

Além disso, a matéria orgânica sólida gerada na biodigestão, o biocomposto, pode ser comercializada na forma de adubo. Isso significa que há potencial para aproveitamento integral dos resíduos gerados pela piscicultura.

Curiosidade

A produção e o consumo de pescado vêm crescendo no Brasil. A grande quantidade de resíduos (ossos, pele, nadadeira, vísceras e cabeça) gerada pode, caso não tenha o tratamento e o descarte adequados, se tornar um problema ambiental.

De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), com base em um relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o brasileiro consome, em média, 14,4 kg de peixe por ano, superando a quantidade recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de 12 kg.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país produziu 483 mil toneladas de peixe em 2015, o que significa um crescimento de 1,5% em relação ao ano anterior.