Economista considera ampliação da RMF um grande equívoco


Economista considera ampliação da RMF um grande equívoco

Projeto de Lei que tramita na Assembleia Legislativa adicionaria os municípios de Paracuru, Paraípaba, Trairi e São Luís do Curu

Por Hayanne Narlla em Ceará

25 de outubro de 2013 às 18:23

Há 4 anos

Após a apresentação de um Projeto de Lei, que visa ampliar a Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), o Tribuna do Ceará entrou em contato com o economista Alex Araújo para avaliar as consequências dessa ampliação. Os municípios adicionados seriam os de Paracuru, Paraípaba, Trairi e São Luís do Curu.

O economista explicou que o conceito de região metropolitana compreende municípios cujas áreas urbanas são fisicamente integradas, o que não acontece na RMF

O economista explicou que o conceito de região metropolitana compreende municípios cujas áreas urbanas são fisicamente integradas, o que não acontece na RMF (FOTO: Falcão Jr.)

O economista explicou que o conceito de região metropolitana compreende municípios cujas áreas urbanas são fisicamente integradas, processo conhecido como “conurbação”, em que a oferta de serviços públicos precisa estar integrada para ser efetiva. “A proposta de inclusão de novos municípios à RMF não leva essa premissa fundamental em conta, pois nenhum dos municípios possui integração urbana com a atual RMF, o que torna a proposta tecnicamente equivocada”, considerou.

Por isso, ele afirmou que as vantagens são mínimas com essa adição, por não termos uma política específica para a RMF. “Um exemplo é o aumento do valor para aquisição de habitação no âmbito do Programa Minha Casa, Minha Vida”.

Ganhos e perdas

Ainda de acordo com Araújo, a estratégia desvirtua o conceito de metropolização, criando um artificialismo sem propósito. Ele ressaltou que planos de ordenamento territorial, por exemplo, seriam mais eficazes para a RMF, como transporte e mobilidade urbana, saneamento, segurança, desenvolvimento econômico. “Infelizmente, fazemos de conta que tais problemas não existem e tentamos simular vantagens para ludibriar programas federais. Não há ganhos, só perdas”.

Além disso, o economista aponta que não evidências para o aumento de gastos públicos, já que não há políticas específicas para a RMF. “É possível até que o gasto per capita caía, já que estamos aumentando a população total da região metropolitana”.

Empregos

“Nada muda”, foi assim que Araújo definiu a situação. É pensando no processo de migração da base econômica do Ceará, com o setor terciário, gerando 72,1% do PIB estadual, que ele define seu argumento: “Esse setor se aproveita da aglomeração para crescer, mas não temos nenhuma estratégia econômica para a RMF. Seremos um hub logístico regional? Seremos um centro de excelência em serviços de saúde? Devemos atrair sedes de empresas, ofertando infraestrutura e qualidade de vida? Não temos as respostas porque não pensamos nessas questões e deixamos questões críticas como a geração de emprego nos braços do mercado”.

Proposta

O Projeto de Lei foi apresentado, na última quarta-feira (23), na Assembleia Legislativa do Ceará. O deputado Lula Morais (PC do B), que é autor do projeto, justifica a proposta afirmando que a RMF necessita ser atualizada em razão das novas áreas de influência da capital cearense e do Complexo Industrial e Portuário do Pecém.

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Economista considera ampliação da RMF um grande equívoco

Projeto de Lei que tramita na Assembleia Legislativa adicionaria os municípios de Paracuru, Paraípaba, Trairi e São Luís do Curu

Por Hayanne Narlla em Ceará

25 de outubro de 2013 às 18:23

Há 4 anos

Após a apresentação de um Projeto de Lei, que visa ampliar a Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), o Tribuna do Ceará entrou em contato com o economista Alex Araújo para avaliar as consequências dessa ampliação. Os municípios adicionados seriam os de Paracuru, Paraípaba, Trairi e São Luís do Curu.

O economista explicou que o conceito de região metropolitana compreende municípios cujas áreas urbanas são fisicamente integradas, o que não acontece na RMF

O economista explicou que o conceito de região metropolitana compreende municípios cujas áreas urbanas são fisicamente integradas, o que não acontece na RMF (FOTO: Falcão Jr.)

O economista explicou que o conceito de região metropolitana compreende municípios cujas áreas urbanas são fisicamente integradas, processo conhecido como “conurbação”, em que a oferta de serviços públicos precisa estar integrada para ser efetiva. “A proposta de inclusão de novos municípios à RMF não leva essa premissa fundamental em conta, pois nenhum dos municípios possui integração urbana com a atual RMF, o que torna a proposta tecnicamente equivocada”, considerou.

Por isso, ele afirmou que as vantagens são mínimas com essa adição, por não termos uma política específica para a RMF. “Um exemplo é o aumento do valor para aquisição de habitação no âmbito do Programa Minha Casa, Minha Vida”.

Ganhos e perdas

Ainda de acordo com Araújo, a estratégia desvirtua o conceito de metropolização, criando um artificialismo sem propósito. Ele ressaltou que planos de ordenamento territorial, por exemplo, seriam mais eficazes para a RMF, como transporte e mobilidade urbana, saneamento, segurança, desenvolvimento econômico. “Infelizmente, fazemos de conta que tais problemas não existem e tentamos simular vantagens para ludibriar programas federais. Não há ganhos, só perdas”.

Além disso, o economista aponta que não evidências para o aumento de gastos públicos, já que não há políticas específicas para a RMF. “É possível até que o gasto per capita caía, já que estamos aumentando a população total da região metropolitana”.

Empregos

“Nada muda”, foi assim que Araújo definiu a situação. É pensando no processo de migração da base econômica do Ceará, com o setor terciário, gerando 72,1% do PIB estadual, que ele define seu argumento: “Esse setor se aproveita da aglomeração para crescer, mas não temos nenhuma estratégia econômica para a RMF. Seremos um hub logístico regional? Seremos um centro de excelência em serviços de saúde? Devemos atrair sedes de empresas, ofertando infraestrutura e qualidade de vida? Não temos as respostas porque não pensamos nessas questões e deixamos questões críticas como a geração de emprego nos braços do mercado”.

Proposta

O Projeto de Lei foi apresentado, na última quarta-feira (23), na Assembleia Legislativa do Ceará. O deputado Lula Morais (PC do B), que é autor do projeto, justifica a proposta afirmando que a RMF necessita ser atualizada em razão das novas áreas de influência da capital cearense e do Complexo Industrial e Portuário do Pecém.