Controle emocional e precisão na mira: projeto da UFC pode auxiliar no treinamento de policiais

Controle emocional e precisão na mira: projeto da UFC pode auxiliar no treinamento de policiais

Segundo o coordenador do Laboratório de Estudos da Violência (LEV), César Barreira, o sistema auxiliaria e muito o treinamento de policiais

Por Hayanne Narlla em Ceará

19 de abril de 2013 às 18:15

Há 5 anos

Um lugar em que os policiais são bem preparados, realizando abordagens precisas e priorizando a vida das vítimas. Tudo sem erro e sem morte. Quem não gostaria de viver com essa segurança? Esse é o objetivo do Grupo de Pesquisa de Computação Gráfica, Realidade Virtual e Animação (CRAB) do Departamento de Computação da Universidade Federal do Ceará (UFC).

O grupo desenvolveu um protótipo, chamado de Estande Virtual de Técnicas Operacionais, com a finalidade de auxiliar no treinamento de policiais, não só na capacidade de acertar um alvo com tiros, mas na questão da abordagem e no controle emocional. “De acordo com as pesquisas, ele não substitui [a simulação real], mas contribui bastante para treinamento dos policiais”, considera o professor George Gomes, um dos coordenadores do grupo.

Estande Virtual de Técnicas Operacionais

O projeto Estande Virtual de Técnicas Operacionais vai além do treinamento de tiro (IMAGEM: Divulgação/UFC)

O sistema é um dos primeiros simuladores de tiros desenvolvidos no Brasil para treinamento da segurança pública. O desenvolvimento do projeto teve como parceiro a Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), destinando-o à Academia Estadual de Segurança Pública (AESP).

Treinamento de policiais

Segundo o coordenador do Laboratório de Estudos da Violência (LEV), César Barreira, o sistema auxiliaria e muito o treinamento de policiais. “Quando eu era diretor [da AESP], colocamos ao máximo para frente esse projeto. Valorizamos muito no meu tempo, pois o tiro virtual não só barateia os custos do tiro em si, que para treinar é caro, mas possibilita um leque maior de cenários”, considerou.

Para George Gomes, o sistema deveria ser utilizado antes da simulação real. Dessa forma, o policial saberia o movimento que faz antes e depois de atirar, para uma auto avaliação. Além disso, a possibilidade de customizar, inserindo vídeos pessoais, até com atuações do Ronda do Quarteirão, potencializa a funcionalidade do sistema.

De acordo com o diretor geral da AESP, coronel John Roosevelt Rogério de Alencar, o sistema é importante, pois ajuda ao profissional atirar com consciência e ter melhor preparo emocional, já que vivenciou uma situação semelhante, mesmo que virtual. “Além do repasse do conhecimento técnico científico, é importante a valorização profissional a fim de que possamos alcançar os resultado operacionais satisfatórios de enfrentamento à violência social”, disse.

Idealização do projeto

Tudo começou com um interesse da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social em um simulador de tiros americano que a academia de polícia de Manuas havia comprado. De acordo com um dos idealizadores do projeto professor Creto Vidal, tal treinamento já acontece em outros lugares do mundo, principalmente nos Estados Unidos e em Israel.

“O Tarcísio Pequeno, presidente da Funcap, sabendo do interesse da SSPDS, ficou interessado em que pesquisas no Ceará pudessem gerar empresas e recursos para o estado. Como ele já foi do departamento de Computação da UFC, ele conversou com o pessoal da SSPDS e sugeriu que a secretaria desenvolvesse com a gente. Nós fomos a Manuas ver o sistema da polícia. Fomos, experimentamos…”, contou.

Mal preparavam o relatório e checavam as possibilidades do projeto, um empecilho surgiu. “O problema é que os filmes eram em inglês, os comandos em inglês. Isso ai é terrível para o treinamento do policial. E após treinar várias vezes, o cara memorizava aquilo e ficava ruim”, disse. Mesmo assim, um grupo de professores se reuniu para desenvolver o sistema.

Com a ajuda do coronel aposentado da Marinha Fernando Lessa, que acompanhou o desenvolvimento, o protótipo foi evoluindo, sendo patrocinado por um período de dois anos. De acordo com o professor George, o sistema está em fase final, atualmente. Além disso, há um interesse da empresa cearense Fujitec em comercializar o produto final.

Testando

Com três telas de projeção (2,4 metros x 1,8 metros), que apresentam ações do cotidiano, os policiais observam o momento adequado para o tiro e, ao disparo, acionam marcas em laser na tela. O sistema registra cada ação e, ao final, emite um relatório para avaliação do desempenho dos alunos. Confira:

A forma inovadora e interativa de treinamento ainda beneficia o aperfeiçoamento da pesquisa brasileira na área, já que o CRAB tem interesse de aprimorar o projeto a partir dos resultados e observações obtidas pela AESP e, junto com empresas parceiras, comercializar o produto.

Dentre as maiores dificuldades, o professor George cita a falta de prática em mexer com hardware. “Sabíamos fazer o software, mas tivemos que mexer com hardware, com sistema de captura laser. Experimentamos lasers e deu um trabalho muito grande. Foi quase um ano para achar um sistema de captura ideal”, relembrou.

Além disso, outro problema que dificultou o progresso da pesquisa foi o rodízio de pessoas inseridas no trabalho, tendo que treinar sempre aqueles que iniciavam na pesquisa já em curso. “O fato de estar na universidade dificulta, porque não podemos contar com profissionais, mas com bolsistas e há uma rotatividade”, considerou.

Implementação

De acordo com o coronel John Roosevelt, ainda não há data precisa para a implementação do sistema. “Já temos o Termo de Cooperação Técnica, que vai ser encaminhado logo para a assinatura do reitor da UFC”, explicou. Com o termo assinado, a universidade passa a ceder o projeto para a academia.

Quanto à implementação do sistema, coronel Alencar afirmou que ele será usada de forma complementar no treinamento. Além disso, tantos o profissionais que em formação inicial quanto aqueles que voltam à AESP para curso de ascensão profissional terão treinamento de tiro virtual.

Segundo o diretor da AESP, a Assessoria de Pesquisa e Inovação juntamente com a Célula de Práticas e Atividades Educacionais vão realizar um acompanhamento maior com o sistema.

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Controle emocional e precisão na mira: projeto da UFC pode auxiliar no treinamento de policiais

Segundo o coordenador do Laboratório de Estudos da Violência (LEV), César Barreira, o sistema auxiliaria e muito o treinamento de policiais

Por Hayanne Narlla em Ceará

19 de abril de 2013 às 18:15

Há 5 anos

Um lugar em que os policiais são bem preparados, realizando abordagens precisas e priorizando a vida das vítimas. Tudo sem erro e sem morte. Quem não gostaria de viver com essa segurança? Esse é o objetivo do Grupo de Pesquisa de Computação Gráfica, Realidade Virtual e Animação (CRAB) do Departamento de Computação da Universidade Federal do Ceará (UFC).

O grupo desenvolveu um protótipo, chamado de Estande Virtual de Técnicas Operacionais, com a finalidade de auxiliar no treinamento de policiais, não só na capacidade de acertar um alvo com tiros, mas na questão da abordagem e no controle emocional. “De acordo com as pesquisas, ele não substitui [a simulação real], mas contribui bastante para treinamento dos policiais”, considera o professor George Gomes, um dos coordenadores do grupo.

Estande Virtual de Técnicas Operacionais

O projeto Estande Virtual de Técnicas Operacionais vai além do treinamento de tiro (IMAGEM: Divulgação/UFC)

O sistema é um dos primeiros simuladores de tiros desenvolvidos no Brasil para treinamento da segurança pública. O desenvolvimento do projeto teve como parceiro a Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), destinando-o à Academia Estadual de Segurança Pública (AESP).

Treinamento de policiais

Segundo o coordenador do Laboratório de Estudos da Violência (LEV), César Barreira, o sistema auxiliaria e muito o treinamento de policiais. “Quando eu era diretor [da AESP], colocamos ao máximo para frente esse projeto. Valorizamos muito no meu tempo, pois o tiro virtual não só barateia os custos do tiro em si, que para treinar é caro, mas possibilita um leque maior de cenários”, considerou.

Para George Gomes, o sistema deveria ser utilizado antes da simulação real. Dessa forma, o policial saberia o movimento que faz antes e depois de atirar, para uma auto avaliação. Além disso, a possibilidade de customizar, inserindo vídeos pessoais, até com atuações do Ronda do Quarteirão, potencializa a funcionalidade do sistema.

De acordo com o diretor geral da AESP, coronel John Roosevelt Rogério de Alencar, o sistema é importante, pois ajuda ao profissional atirar com consciência e ter melhor preparo emocional, já que vivenciou uma situação semelhante, mesmo que virtual. “Além do repasse do conhecimento técnico científico, é importante a valorização profissional a fim de que possamos alcançar os resultado operacionais satisfatórios de enfrentamento à violência social”, disse.

Idealização do projeto

Tudo começou com um interesse da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social em um simulador de tiros americano que a academia de polícia de Manuas havia comprado. De acordo com um dos idealizadores do projeto professor Creto Vidal, tal treinamento já acontece em outros lugares do mundo, principalmente nos Estados Unidos e em Israel.

“O Tarcísio Pequeno, presidente da Funcap, sabendo do interesse da SSPDS, ficou interessado em que pesquisas no Ceará pudessem gerar empresas e recursos para o estado. Como ele já foi do departamento de Computação da UFC, ele conversou com o pessoal da SSPDS e sugeriu que a secretaria desenvolvesse com a gente. Nós fomos a Manuas ver o sistema da polícia. Fomos, experimentamos…”, contou.

Mal preparavam o relatório e checavam as possibilidades do projeto, um empecilho surgiu. “O problema é que os filmes eram em inglês, os comandos em inglês. Isso ai é terrível para o treinamento do policial. E após treinar várias vezes, o cara memorizava aquilo e ficava ruim”, disse. Mesmo assim, um grupo de professores se reuniu para desenvolver o sistema.

Com a ajuda do coronel aposentado da Marinha Fernando Lessa, que acompanhou o desenvolvimento, o protótipo foi evoluindo, sendo patrocinado por um período de dois anos. De acordo com o professor George, o sistema está em fase final, atualmente. Além disso, há um interesse da empresa cearense Fujitec em comercializar o produto final.

Testando

Com três telas de projeção (2,4 metros x 1,8 metros), que apresentam ações do cotidiano, os policiais observam o momento adequado para o tiro e, ao disparo, acionam marcas em laser na tela. O sistema registra cada ação e, ao final, emite um relatório para avaliação do desempenho dos alunos. Confira:

A forma inovadora e interativa de treinamento ainda beneficia o aperfeiçoamento da pesquisa brasileira na área, já que o CRAB tem interesse de aprimorar o projeto a partir dos resultados e observações obtidas pela AESP e, junto com empresas parceiras, comercializar o produto.

Dentre as maiores dificuldades, o professor George cita a falta de prática em mexer com hardware. “Sabíamos fazer o software, mas tivemos que mexer com hardware, com sistema de captura laser. Experimentamos lasers e deu um trabalho muito grande. Foi quase um ano para achar um sistema de captura ideal”, relembrou.

Além disso, outro problema que dificultou o progresso da pesquisa foi o rodízio de pessoas inseridas no trabalho, tendo que treinar sempre aqueles que iniciavam na pesquisa já em curso. “O fato de estar na universidade dificulta, porque não podemos contar com profissionais, mas com bolsistas e há uma rotatividade”, considerou.

Implementação

De acordo com o coronel John Roosevelt, ainda não há data precisa para a implementação do sistema. “Já temos o Termo de Cooperação Técnica, que vai ser encaminhado logo para a assinatura do reitor da UFC”, explicou. Com o termo assinado, a universidade passa a ceder o projeto para a academia.

Quanto à implementação do sistema, coronel Alencar afirmou que ele será usada de forma complementar no treinamento. Além disso, tantos o profissionais que em formação inicial quanto aqueles que voltam à AESP para curso de ascensão profissional terão treinamento de tiro virtual.

Segundo o diretor da AESP, a Assessoria de Pesquisa e Inovação juntamente com a Célula de Práticas e Atividades Educacionais vão realizar um acompanhamento maior com o sistema.