Ceará teve 14 chuvas com mais de 200mm em 6 anos de seca. Fenômeno pode se repetir em 2018

MUITA ÁGUA

Ceará teve 14 chuvas com mais de 200mm em 6 anos de seca. Fenômeno pode se repetir em 2018

Em 2018, a maior chuva no Ceará foi em Pindoretama, com 104mm. O cenário é favorável a chuvas de alta intensidade neste ano

Por Crisneive Silveira em Ceará

19 de Fevereiro de 2018 às 07:15

Há 7 meses

De acordo com a Funceme, a tendência é que o volume de água aumente. (FOTO: Fidel Viana)

Em seis anos de seca, o Ceará registrou 14 grandes chuvas acima de 200mm, entre os anos de 2012 e 2017, período que marcou uma das maiores estiagens do estado. De acordo com o meteorologista Raul Fritz, as condições do clima neste início de ano permitem que esse “fenômeno” se repita em 2018.

A primeira grande chuva nesse tempo de seca foi em 2013, na cidade de Itapipoca, quando se registrou 229mm. Já a maior ocorrência foi em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza, que chegou aos 280mm, em 2015.

A cidade, aliás, foi a única que recebeu grande volume de água no ano, quando o fenômeno se repetiu por mais vezes. Foram quatro grande chuvas entre os meses de março e abril.

“Alta instabilidade atmosférica na região, alta umidade do ar que alcança uma extensão vertical grande desde a superfície até altas altitudes. É uma convexão profunda, subida do ar úmido, instável, que alcança altos níveis atmosféricos e formam essa chuva de desenvolvimento vertical, é o que propicia mais chuva”, explicou o meteorologista Raul Fritz.

Na relação, os menores números ficaram em Icapuí, no ano de 2014, e em Caucaia, em 2015. Aqui, os dois registros foram de 209mm. Os dados da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) indicam que nenhum desses registros foi na capital Fortaleza.

Raul Fritz explica que as condições para as grandes chuvas são variáveis e raras.

“Nesse período de seca, a gente esperaria até menos ocorrências desse tipo. Mas, vez por outra, se formam condições meteorológicas que permitem o desenvolvimento de nuvem de grande potencial de chuva. Essas condições surgem repentinamente. Aí, cai aquela chuva intensa, num período de tempo relativamente curto. E isso acontece principalmente em regiões perto do litoral”, esclareceu Raul Fritz.

E em 2018?

O nível de chuva no estado vem aumentando. Na última semana, a Funceme registrou 104mm em Pindoretama, no litoral leste. Ainda de acordo com o meteorologista, reunindo condições atmosféricas, climáticas e de geografia, existe a possibilidade de surgir uma nova grande chuva acontecer.

“Se a zona de convergência intertropical atuar de forma intensa, pode propiciar mais chuvas assim. Isso facilita mais. Nos anos de seca, não havia uma condição tão favorável da zona de convergência intertropical. 2018 é, teoricamente, ano das chuvas intensas aparecerem”, concluiu o meteorologista.

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Ceará teve 14 chuvas com mais de 200mm em 6 anos de seca. Fenômeno pode se repetir em 2018

Em 2018, a maior chuva no Ceará foi em Pindoretama, com 104mm. O cenário é favorável a chuvas de alta intensidade neste ano

Por Crisneive Silveira em Ceará

19 de Fevereiro de 2018 às 07:15

Há 7 meses

De acordo com a Funceme, a tendência é que o volume de água aumente. (FOTO: Fidel Viana)

Em seis anos de seca, o Ceará registrou 14 grandes chuvas acima de 200mm, entre os anos de 2012 e 2017, período que marcou uma das maiores estiagens do estado. De acordo com o meteorologista Raul Fritz, as condições do clima neste início de ano permitem que esse “fenômeno” se repita em 2018.

A primeira grande chuva nesse tempo de seca foi em 2013, na cidade de Itapipoca, quando se registrou 229mm. Já a maior ocorrência foi em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza, que chegou aos 280mm, em 2015.

A cidade, aliás, foi a única que recebeu grande volume de água no ano, quando o fenômeno se repetiu por mais vezes. Foram quatro grande chuvas entre os meses de março e abril.

“Alta instabilidade atmosférica na região, alta umidade do ar que alcança uma extensão vertical grande desde a superfície até altas altitudes. É uma convexão profunda, subida do ar úmido, instável, que alcança altos níveis atmosféricos e formam essa chuva de desenvolvimento vertical, é o que propicia mais chuva”, explicou o meteorologista Raul Fritz.

Na relação, os menores números ficaram em Icapuí, no ano de 2014, e em Caucaia, em 2015. Aqui, os dois registros foram de 209mm. Os dados da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) indicam que nenhum desses registros foi na capital Fortaleza.

Raul Fritz explica que as condições para as grandes chuvas são variáveis e raras.

“Nesse período de seca, a gente esperaria até menos ocorrências desse tipo. Mas, vez por outra, se formam condições meteorológicas que permitem o desenvolvimento de nuvem de grande potencial de chuva. Essas condições surgem repentinamente. Aí, cai aquela chuva intensa, num período de tempo relativamente curto. E isso acontece principalmente em regiões perto do litoral”, esclareceu Raul Fritz.

E em 2018?

O nível de chuva no estado vem aumentando. Na última semana, a Funceme registrou 104mm em Pindoretama, no litoral leste. Ainda de acordo com o meteorologista, reunindo condições atmosféricas, climáticas e de geografia, existe a possibilidade de surgir uma nova grande chuva acontecer.

“Se a zona de convergência intertropical atuar de forma intensa, pode propiciar mais chuvas assim. Isso facilita mais. Nos anos de seca, não havia uma condição tão favorável da zona de convergência intertropical. 2018 é, teoricamente, ano das chuvas intensas aparecerem”, concluiu o meteorologista.