Ceará é o 2º estado do Nordeste e o 6º do país que mais assassinou LGBTs em 2016
CRIMES CONTRA MINORIAS

Ceará é o 2º estado do Nordeste e o 6º do país que mais assassinou LGBTs em 2016

Ao todo foram 15 homicídios no ano passado, segundo o Grupo Gay da Bahia, entidade que coleta e divulga, anualmente, os homicídios de gays, trans, lésbicas e bissexuais no Brasil

Por Tribuna Bandnews FM em Ceará

7 de março de 2017 às 06:20

Há 3 semanas

A morte da travesti Dandara dos Santos, de 42 anos, no mês passado, ganhou repercussão nos últimos dias (FOTO: Reprodução)

A morte da travesti Dandara dos Santos, de 42 anos, no mês passado, ganhou repercussão nos últimos dias, após o compartilhamento do vídeo que mostra ela sendo agredida brutalmente, por um grupo de homens, em Fortaleza. O que trouxe à tona a discussão de como anda o combate aos crimes contra as minorias sexuais no estado.

O levantamento do Grupo Gay da Bahia, entidade que coleta e divulga, anualmente, os homicídios de gays, trans, lésbicas e bissexuais no Brasil, revela que o Ceará é o segundo estado do Nordeste e o sexto do país que mais assassinou LGBTs, no ano passado. Foram 15 homicídios no ano passado, número maior que em 2015, quando foram registradas 11 mortes.

Devido à comoção pelo caso de Dandara, que está sob investigação da polícia, o governador Camilo Santana se pronunciou nas redes sociais, em repúdio ao crime, e disse que determinou uma reunião, nesta terça-feira, entre a Secretaria de Segurança Pública e a Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para LGBT do Estado, com o objetivo de elaborar um plano de proteção às minorias.

O coordenador do órgão, Narciso Junior, destaca que existem dois centros de referência em Fortaleza, para acolhimento desses grupos que sofrem algum tipo de violação, além da campanha permanente de divulgação do disque 100. No entanto, ele reconhece que o investimento em equipamentos e ações voltadas ao público LGBT no interior do estado ainda está longe do ideal.

Apesar dos dados alarmantes, os relatórios do Grupo Gay da Bahia mostram que os assassinatos de LGBTs diminuíram na Capital cearense. Em 2015, foram seis mortes, contra três, no ano passado.

Segundo a coordenadora executiva da Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual de Fortaleza, Dediane Souza, em 2015, foram denunciados 125 casos de violência física e psicológica contra LGBTs. Ainda não há dados quanto aos casos ocorridos em 2016. Ela afirma que deverá ser implementada este ano uma rede de proteção para atuar junto ao centro de referência LGBT Janaina Dutra, na capital.

“Que ofereça minimamente o resgate da cidadania da população LGBT, que repare esse contexto de vulnerabilidade”, esclarece.

Mas para Juliana Fernandes, psicóloga e pesquisadora em sexualidade, as políticas públicas aplicadas pelos governos ainda são principiantes. Ela acredita que a diversidade sexual precisa ser uma discussão ampliada a todas as áreas da sociedade, desde o ambiente familiar.

“A gente está falando de questões que estão para além de somente discutir isso em uma sala de aula, isso precisa ser discutido dentro de casa, precisa ser discutido na rua. A visibilidade é uma forma que talvez seja o primeiro passo para a gente vir a desconstruir essa rede que sustenta a violência”, opina Juliana.

O prefeito Roberto Cláudio também manifestou solidariedade aos familiares e amigos de Dandara dos Santos, e anunciou apoio às investigações e punição dos criminosos envolvidos na sua morte.

A Defensoria Pública do Estado publicou uma nota de repúdio e informou que realizará, por seu Núcleo de Direitos Humanos, uma audiência pública sobre a questão para propor ações preventivas e apuração rigorosa de qualquer atitude discriminatória e criminosa.

Além do caso de Dandara, em fevereiro, uma outra travesti havia sido espancada, na volta de uma festa de pré-carnaval, em Fortaleza.

Um ato público exigindo políticas públicas para LGBT’s está sendo organizado pelas redes sociais no próximo dia 10 de março, às 9h, na praça Luíza Távora, na Avenida Santos Dumont.

Saiba os detalhes nas entrevistas concedidas à Tribuna Band News FM:

Acompanhe o caso:

4 de março – Não iremos tolerar esse tipo de violência, diz governador do Ceará sobre morte de travesti
4 de março – Vídeo mostra travesti Dandara à espera de socorro antes de ser morta
6 de março – Polícia está perto de identificar homens que mataram travesti brutalmente e filmaram crime

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CRIMES CONTRA MINORIAS

Ceará é o 2º estado do Nordeste e o 6º do país que mais assassinou LGBTs em 2016

Ao todo foram 15 homicídios no ano passado, segundo o Grupo Gay da Bahia, entidade que coleta e divulga, anualmente, os homicídios de gays, trans, lésbicas e bissexuais no Brasil

Por Tribuna Bandnews FM em Ceará

7 de março de 2017 às 06:20

Há 3 semanas

A morte da travesti Dandara dos Santos, de 42 anos, no mês passado, ganhou repercussão nos últimos dias (FOTO: Reprodução)

A morte da travesti Dandara dos Santos, de 42 anos, no mês passado, ganhou repercussão nos últimos dias, após o compartilhamento do vídeo que mostra ela sendo agredida brutalmente, por um grupo de homens, em Fortaleza. O que trouxe à tona a discussão de como anda o combate aos crimes contra as minorias sexuais no estado.

O levantamento do Grupo Gay da Bahia, entidade que coleta e divulga, anualmente, os homicídios de gays, trans, lésbicas e bissexuais no Brasil, revela que o Ceará é o segundo estado do Nordeste e o sexto do país que mais assassinou LGBTs, no ano passado. Foram 15 homicídios no ano passado, número maior que em 2015, quando foram registradas 11 mortes.

Devido à comoção pelo caso de Dandara, que está sob investigação da polícia, o governador Camilo Santana se pronunciou nas redes sociais, em repúdio ao crime, e disse que determinou uma reunião, nesta terça-feira, entre a Secretaria de Segurança Pública e a Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para LGBT do Estado, com o objetivo de elaborar um plano de proteção às minorias.

O coordenador do órgão, Narciso Junior, destaca que existem dois centros de referência em Fortaleza, para acolhimento desses grupos que sofrem algum tipo de violação, além da campanha permanente de divulgação do disque 100. No entanto, ele reconhece que o investimento em equipamentos e ações voltadas ao público LGBT no interior do estado ainda está longe do ideal.

Apesar dos dados alarmantes, os relatórios do Grupo Gay da Bahia mostram que os assassinatos de LGBTs diminuíram na Capital cearense. Em 2015, foram seis mortes, contra três, no ano passado.

Segundo a coordenadora executiva da Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual de Fortaleza, Dediane Souza, em 2015, foram denunciados 125 casos de violência física e psicológica contra LGBTs. Ainda não há dados quanto aos casos ocorridos em 2016. Ela afirma que deverá ser implementada este ano uma rede de proteção para atuar junto ao centro de referência LGBT Janaina Dutra, na capital.

“Que ofereça minimamente o resgate da cidadania da população LGBT, que repare esse contexto de vulnerabilidade”, esclarece.

Mas para Juliana Fernandes, psicóloga e pesquisadora em sexualidade, as políticas públicas aplicadas pelos governos ainda são principiantes. Ela acredita que a diversidade sexual precisa ser uma discussão ampliada a todas as áreas da sociedade, desde o ambiente familiar.

“A gente está falando de questões que estão para além de somente discutir isso em uma sala de aula, isso precisa ser discutido dentro de casa, precisa ser discutido na rua. A visibilidade é uma forma que talvez seja o primeiro passo para a gente vir a desconstruir essa rede que sustenta a violência”, opina Juliana.

O prefeito Roberto Cláudio também manifestou solidariedade aos familiares e amigos de Dandara dos Santos, e anunciou apoio às investigações e punição dos criminosos envolvidos na sua morte.

A Defensoria Pública do Estado publicou uma nota de repúdio e informou que realizará, por seu Núcleo de Direitos Humanos, uma audiência pública sobre a questão para propor ações preventivas e apuração rigorosa de qualquer atitude discriminatória e criminosa.

Além do caso de Dandara, em fevereiro, uma outra travesti havia sido espancada, na volta de uma festa de pré-carnaval, em Fortaleza.

Um ato público exigindo políticas públicas para LGBT’s está sendo organizado pelas redes sociais no próximo dia 10 de março, às 9h, na praça Luíza Távora, na Avenida Santos Dumont.

Saiba os detalhes nas entrevistas concedidas à Tribuna Band News FM:

Acompanhe o caso:

4 de março – Não iremos tolerar esse tipo de violência, diz governador do Ceará sobre morte de travesti
4 de março – Vídeo mostra travesti Dandara à espera de socorro antes de ser morta
6 de março – Polícia está perto de identificar homens que mataram travesti brutalmente e filmaram crime