Sebo nas canelas

Espinafre do Popeye que nada; no Ceará, é rapadura que dá o gás

Basta flagrar a alegria de um atleta corredor de rua, por exemplo, quando se depara com um pedaço no fim de uma prova

Espinafre do Popeye que nada; no Ceará, é rapadura que dá o gás

Já é clichê a máxima de que a rapadura é doce, mas não é mole, não. A iguaria nordestina, no entanto, pode ser percebida exclusivamente como uma benesse. Basta flagrar a alegria de um atleta corredor de rua, por exemplo, quando se depara com um pedaço no fim de uma prova. E um nordestino tem o grau de satisfação maior ainda devido o consumo constante.

Na primeira vez que enfrentou o percurso de dez quilômetros, o atleta Glauber Andrade sentiu as dificuldades de praxe de quem sai da distância inicial dos 5k. A soma de calor forte na cidade de Maranguape; o próprio peso; a irregularidade do piso e o cansaço proporcionaram um mal estar. A vista escureceu um pouco, e ele revela ao blog que sentiu medo.

Acompanhado de perto e bem assessorado, logo seu treinador o socorreu com um pedaço da legítima rapadura de engenho, produzida ali na Região Metropolitana de Fortaleza.”Tive a mesma sensação do Popeye quando tomava seu espinafre”, compara o alívio que sentiu a força que ganhava o protagonista do desenho nos anos oitenta.

“Foi uma molezinha mastigar aquela rapadura”, relembra o corredor ao contradizer o ditado popular. A satisfação foi tamanha na iminência de um desmaio. Ele completou a prova e comemorou a entrega das medalhas saboreando o doce ao lado dos companheiros de treinos, que o homenagearam pela superação alcançada. Se bem que cearense nem precisa muito de motivo pra comer rapadura.

Homem produz rapaduraCOTIDIANO
O doce artesanal tem uma fonte de riqueza glicêmica considerável e é bem mais nutritiva que o açúcar tradicional, do qual sua produção é oriunda. Fato curioso: o produto que deriva de outro é bem mais benéfico quando consumido. Não a toa, é indicada para pré e pós treino. Qualquer nutricionista esportivo assina embaixo.

No dia a dia, tem sempre uma lasquinha pra gente beliscar como sobremesa. Mas em tempos de “gourmetização” já pode se pedir a pizza ou o sorvete de rapadura. Há quem misture no açaí também. Já experimentei como substituto do açúcar no preparo de um suco e gostei do resultado. Ficou bom, viu!? Mas é bem calórico: duas colheres de sopa da raspa de rapadura equivale a cerca de 110 calorias.

PARA ATLETAS
A nutricionista Carla Linhares reforça e informação de que o alimento, por ser obtido da cana de açúcar, é altamente energética. Fonte de minerais como o ferro, cálcio, potássio, magnésio e fósforo e, vitaminas do complexo B.

“Ser rica em carboidratos simples faz da rapadura um aliado para quem precisa de energia extra”, indica a profissional. “Isso tanto para treinar como para competir ou recuperar-se após exercício intenso e prolongado” reforça.

Linhares destaca que para atividades abaixo de 1h, é recomendado o consumo de carboidratos antes do treino como fonte energética para a execução e após o treino. “Isso associada a boas fontes de proteína para potencializar recuperação muscular, como fonte energética para a recuperação dos estoques de glicogênio muscular e hepático”, pontua.

Já para atividades mais longas, acima de 1h, a nutricionista recomendado, além da ingestão pré e pós atividade, a ingestão durante o treino/prova (aproximadamente 30_60g por hora), “prevenindo a fadiga e melhorando a performance”, indica.

Carla Linhares garante que, pelo seu potencial energético, “a rapadura pode ser um recurso ergogênico e facilmente substituir os famosos géis de carboidrato, barras energéticas e, juntamente com uma boa ingestão de água, substituir as bebidas esportivas, água de Coco e frutas”. A quantidade a ser ingerida vai depender de fatores individuais como idade, gênero, modalidade esportiva, tolerância e deve ser ajustada pelo seu nutricionista.

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