Regime militar teve influência sobre federação e clubes cearenses - Esportes


Regime militar teve influência sobre federação e clubes cearenses

O Golpe Militar de 1964 fez com que os militares tivessem forte poder e influência no futebol cearense

Por Caio Costa em Outros Esportes

1 de Abril de 2014 às 13:00

Há 5 anos
A Federação Cearense de Futebol (FCF) não escapou da influência dos militares Foto: Divulgação

A Federação Cearense de Futebol (FCF) não escapou da influência dos militares Foto: Divulgação

 

Esta terça-feira (1) marca os 50 anos do Golpe Militar, que instaurou uma ditadura que comandou o Brasil, com mãos de ferro, de 1964 a 1985. O poder dos generais não se restringiu aos palácios de Brasília, estendendo-se em todas as esferas sociedade brasileira. O esporte, claro, não se livrou disso.

Durante o período de exceção que viveu o país, a então Federação Cearense de Desportos (FCD), que em 1972 seria rebatizada de Federação Cearense de Futebol (FCF), também ficou a mercê do poder vindo da capital federal, que usava o futebol como ferramenta de propaganda.

“As federações de futebol eram também dirigidas por aliados do regime, não raro, militares”, lembra o historiador Airton de Farias, autor de livros que contam as trajetórias de Ceará, Fortaleza e Ferroviário.

Clubes também ficaram sob a influência do regime

Não foram somente as federações que tiveram de ser submetidas ao poder dos militares. “Os clubes de futebol passaram a submeter ao governo o nome de qualquer postulante a cargo de dirigente”, pontua o historiador.

Farias complementa citando que os diretores que não se adequavam ou contestavam o regime eram sumariamente excluídos das agremiações.

O time que foi extinto

O Usina Ceará Atlético Clube era bancado pela fábrica Siqueira Gurgel, pertencente ao deputado federal Moisés Pimentel. A empresa passou a sofrer dificuldades financeiras após os militares tomarem o poder, uma vez que seu proprietário possuía fortes ligações com os movimentos de esquerda.

A perseguição ao dono, que teve o seu mandato cassado, causou a falência da fábrica e por consequência, o fechamento do clube, que foi quatro vezes vice-campeão estadual.

Dentro de campo

Airton de Farias ainda lembra que, até mesmo dentro das quatro linhas, os militares ganharam destaque, uma vez que vários membros das forças armadas compuseram parte de comissões técnicas de clubes pelo país.

Um exemplo disso é Cláudio Coutinho. Capitão do Exército, foi um dos preparadores físicos da Seleção Brasileira na Copa de 1970 e como técnico comandou a Canarinho no Mundial de 1978, na Argentina, que também vivia uma ditadura.

>LEIA MAIS

A construção do Castelão

Durante o chamado “Milagre Econômico”, período de crescimento acelerado da economia, o regime militar realizou diversas obras grandiosas em todo o território nacional, dentro da concepção do “Brasil Potência”, “País do Futuro”. Uma delas foi o estádio Castelão, em Fortaleza.

O nome oficial do equipamento esportivo é estádio Plácido Alderado Castelo, que era o governador do Ceará, no final de 1969, quando foi anunciada a obra.

O Castelão foi inaugurado em 1973, com um Clássico-Rei entre Ceará e Fortaleza, mas ainda incompleto.

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Regime militar teve influência sobre federação e clubes cearenses

O Golpe Militar de 1964 fez com que os militares tivessem forte poder e influência no futebol cearense

Por Caio Costa em Outros Esportes

1 de Abril de 2014 às 13:00

Há 5 anos
A Federação Cearense de Futebol (FCF) não escapou da influência dos militares Foto: Divulgação

A Federação Cearense de Futebol (FCF) não escapou da influência dos militares Foto: Divulgação

 

Esta terça-feira (1) marca os 50 anos do Golpe Militar, que instaurou uma ditadura que comandou o Brasil, com mãos de ferro, de 1964 a 1985. O poder dos generais não se restringiu aos palácios de Brasília, estendendo-se em todas as esferas sociedade brasileira. O esporte, claro, não se livrou disso.

Durante o período de exceção que viveu o país, a então Federação Cearense de Desportos (FCD), que em 1972 seria rebatizada de Federação Cearense de Futebol (FCF), também ficou a mercê do poder vindo da capital federal, que usava o futebol como ferramenta de propaganda.

“As federações de futebol eram também dirigidas por aliados do regime, não raro, militares”, lembra o historiador Airton de Farias, autor de livros que contam as trajetórias de Ceará, Fortaleza e Ferroviário.

Clubes também ficaram sob a influência do regime

Não foram somente as federações que tiveram de ser submetidas ao poder dos militares. “Os clubes de futebol passaram a submeter ao governo o nome de qualquer postulante a cargo de dirigente”, pontua o historiador.

Farias complementa citando que os diretores que não se adequavam ou contestavam o regime eram sumariamente excluídos das agremiações.

O time que foi extinto

O Usina Ceará Atlético Clube era bancado pela fábrica Siqueira Gurgel, pertencente ao deputado federal Moisés Pimentel. A empresa passou a sofrer dificuldades financeiras após os militares tomarem o poder, uma vez que seu proprietário possuía fortes ligações com os movimentos de esquerda.

A perseguição ao dono, que teve o seu mandato cassado, causou a falência da fábrica e por consequência, o fechamento do clube, que foi quatro vezes vice-campeão estadual.

Dentro de campo

Airton de Farias ainda lembra que, até mesmo dentro das quatro linhas, os militares ganharam destaque, uma vez que vários membros das forças armadas compuseram parte de comissões técnicas de clubes pelo país.

Um exemplo disso é Cláudio Coutinho. Capitão do Exército, foi um dos preparadores físicos da Seleção Brasileira na Copa de 1970 e como técnico comandou a Canarinho no Mundial de 1978, na Argentina, que também vivia uma ditadura.

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A construção do Castelão

Durante o chamado “Milagre Econômico”, período de crescimento acelerado da economia, o regime militar realizou diversas obras grandiosas em todo o território nacional, dentro da concepção do “Brasil Potência”, “País do Futuro”. Uma delas foi o estádio Castelão, em Fortaleza.

O nome oficial do equipamento esportivo é estádio Plácido Alderado Castelo, que era o governador do Ceará, no final de 1969, quando foi anunciada a obra.

O Castelão foi inaugurado em 1973, com um Clássico-Rei entre Ceará e Fortaleza, mas ainda incompleto.