O Pentacampeonato do Brasil em 2002

Rodolfo Jakov relebra a conquista do Brasil na Copa do Mundo do Japão/Coréia do Sul diante da Alemanha

Cafu ergue a taça ao conquista o pentacampeonato mundial pela seleção brasileira

Cafu ergue a taça ao conquista o pentacampeonato mundial pela seleção brasileira

*Por Rodolfo Jakov

Quando fui convidado para escrever sobre um momento inesquecível no esporte, eu pensei: puxa, são tantos momentos que eu nem sei dizer qual foi o mais inesquecível, o mais emocionante. Depois de pensar bastante, optei por um que até hoje não sai da minha cabeça: o pentacampeonato do Brasil em 2002.

A Seleção Brasileira vinha desacreditada para a Copa. No ano anterior, na Copa América, havia sido desclassificada de forma vexatória para Honduras nas oitavas-de-final e se classificou para a Copa do Mundo na última rodada das Eliminatórias, precisando da vitória. Somado a tudo isso, Ronaldo e Rivaldo eram incógnitas e Romário, que vivia grande fase, não foi convocado, além de várias denúncias de corrupção dentro da CBF e problemas extracampo que afetava a seleção.

Entretanto, no decorrer da Copa, o Brasil vinha fazendo uma ótima campanha, com seis jogos e seis vitórias, chegando à final, onde o adversário era a temida Alemanha, que tinha no gol o paredão Oliver Kahn, eleito o melhor jogado daquela competição. O interessante que logo na primeira final de Copa do Mundo do século XXI, os dois maiores vencedores do século XX se enfrentavam, o que nunca tinha acontecido. Em campo estavam sete títulos mundiais. Brasil x Alemanha tinha tudo pra ser um grande jogo.

O dia era 30 de julho de 2002. Lembro muito desta data. Acordei cedo, ansioso para assistir ao jogo que começava às 8 horas da manhã. A família estava toda reunida em casa, na cidade de Juazeiro do Norte, esperando para acompanhar a grande final. Antes de o jogo começar, vi uma frase que me deixou arrepiado: “meu avó foi tri, meu pai foi tetra e eu quero ser penta”. Eu tinha 15 anos e aquela frase traduziu o meu sentimento. Eu já tinha visto o Brasil ser tetra, mas era muito novo, não lembrava muito bem, então eu queria ver o Brasil ser campeão do mundo novamente.

Quando a bola rolou, Brasil e Alemanha fizeram um primeiro tempo tenso. As equipes se estudavam bastante, o Brasil precavido e a Alemanha fria, como se não estivesse em uma grande final. Veio o intervalo, as incertezas só aumentavam. Começava o segundo tempo igual ao primeiro, embora o Brasil mais agressivo, mas estava difícil romper aquela barreira alemã, até que aos 21 minutos, Ronaldo briga para roubar a bola, consegue e toca para Rivaldo, que chuta para o gol . O até então “homem de gelo” Oliver Kahn falha e Ronaldo estava lá só para empurrar para o gol. É gol do Brasil! Parece que o penta vai acontecer! Aos 33 minutos, vem a certeza. Ronaldo recebe a bola, ajeita e manda para o gol. Agora sim! Depois, o Brasil consegue segurar a Alemanha até o fim e, finalmente, o Brasil é penta!.

Cafu sobe no pódio bem alto e diz: “Regina eu te amo”, depois levanta a taça, onde só o troféu aparece, mais ninguém, nenhum dirigente. Aparece apenas ela, a tão cobiçada taça FIFA. Essa imagem eu tenho certeza que ficou marcada na memória de muitos brasileiros. Viva o futebol pentacampeão do mundo. Viva o Brasil!!!

*Rodolfo Jakov é doutorando em Administração de Empresas pela FGV, foi comentarista do Esporte União, além de amante e estudioso do futebol.

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