Tradicional no Ceará, América ressurge das cinzas com ajuda de farmácia


Tradicional no Ceará, América ressurge das cinzas com ajuda de farmácia

O América, duas vezes campeão cearense, vai reaparecendo no cenário do futebol cearense, após parceira com farmácia, que cedeu funcionários para o time

Por Caio Costa em Futebol

4 de Abril de 2014 às 13:00

Há 5 anos
Após parceira com uma rede de farmácias, o América conquistou o título da Terceirona Cearense Foto: http://america-football-club-ce.webnode.pt

Após parceira com uma rede de farmácias, o América conquistou o título da Terceirona Cearense Foto: http://america-football-club-ce.webnode.pt

De um lado, um clube jogando a terceira divisão do Campeonato Cearense há mais de 10 anos. Do outro, a maior rede de farmácias do país. Resultado: uma camisa importante do futebol alencarino voltando às manchetes. O tradicional América, campeão cearense de 1935 e 1966, se aliou ao Grupo Pague Menos e, aos poucos, vai retomando o lugar na elite local.

Na temporada passada, com um time basicamente formado por funcionários da empresa, a Águia – mascote adotado nos anos 90, em substituição ao Diabo – ganhou a Série C do Campeonato Cearense, garantindo o acesso à segunda divisão, que não disputava desde 2003.

À frente desse projeto vitorioso está Savyo Souza, que acumula as funções de farmacêutico e de coordenador técnico do Grupo Pague Menos.  “Formamos um time para disputar campeonatos amadores. Depois, para acrescentar, montei uma comissão técnica e o time começou a dar resultados”, lembra.

Parceria acidental

Entretanto, a parceria com o América surgiu de forma quase acidental. O presidente do clube, Cleston Sousa, foi convidado para conhecer o CT da empresa, chamado de Grêmio Recreativo Pague Menos, localizado no bairro Jacarecanga, na periferia de Fortaleza.

Ao conhecer os atletas, o mandatário americano fez a proposta do time formado por funcionários da empresa, todos amadores, disputassem a Série C do estadual com a camisa rubra. “Ele precisava de uma equipe, nós queríamos disputar uma competição profissional: juntou tudo”, esclarece o coordenador.

Desta forma, com o América bancando as despesas administrativas – como taxas com a Federação Cearense de Futebol (FCF), arbitragem, inscrições dos atletas –  e usando o material humano cedido pela farmácia, o clube conseguiu o título e o acesso.

“Dos 11 titulares, nove eram jogadores amadores, funcionários da Pague Menos. E do elenco inteiro, apenas quatro eram profissionais”, conta Souza.

>LEIA MAIS

Reforços na Série B

Para a disputa da Série B, o número de atletas profissionais cresceu. Dos 11 atuais titulares, apenas cinco não são funcionários da empresa. Entretanto, nem mesmo os novos reforços saem da média salarial de R$ 700. “Este ano, por ser uma segunda divisão, além da parceira, a empresa patrocina o clube”, complementa.

Mesmo não podendo treinar em tempo integral e sofrendo com a sequência de jogos, o América é o segundo colocado do Grupo A1, e está bem perto de se classificar para a fase final.

“O fato dos atletas só treinarem duas horas por dia, uma vez que seguem com os seus empregos normais, somado a maratona de três jogos por semana nos causou uma queda de rendimento”, pontua Souza, lamentando que o América teve muitos jogos adiados pela FCF.

América comemorando o título da Série C do Campeonato Cearense
1/2

América comemorando o título da Série C do Campeonato Cearense

Formado basicamente por funcionários da Pague Menos, Mequinha ressurge no futebol cearense

América ressurge com parceria de farmácia
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América ressurge com parceria de farmácia

O time da Pague Menos, que formou o “novo’ América

Acordo de cavalheiros

Savyo Souza disse ao Tribuna do Ceará que a parceria é um acordo de cavalheiros entre a Pague Menos e o América. “Não existe contrato assinado”, revela. Entretanto, garante que a relação tem sido benéfica tanto para o clube, quanto para a empresa.

“Um time de jogadores amadores conseguindo bons resultados contra clubes profissionais chama a atenção e gera exposição para os dois”, comenta o farmacêutico, que também lembrou dos triunfos sobre Ferroviário e Tiradentes na Copa Fares Lopes do ano passado.

Sonho de elite

Apesar das dificuldades, Savyo acredita que o América pode surpreender e conseguir uma das vagas na primeira divisão do Campeonato Cearense de 2015.

“A diferença não é tão grande. Por exemplo, vencemos Maranguape e Maracanã, ambos profissionais e com maior apoio financeiro”.

A última participação do Mequinha, que além dos dois títulos acumula quatro vice-campeonatos estaduais, na elite do futebol cearense foi em 1997.

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Tradicional no Ceará, América ressurge das cinzas com ajuda de farmácia

O América, duas vezes campeão cearense, vai reaparecendo no cenário do futebol cearense, após parceira com farmácia, que cedeu funcionários para o time

Por Caio Costa em Futebol

4 de Abril de 2014 às 13:00

Há 5 anos
Após parceira com uma rede de farmácias, o América conquistou o título da Terceirona Cearense Foto: http://america-football-club-ce.webnode.pt

Após parceira com uma rede de farmácias, o América conquistou o título da Terceirona Cearense Foto: http://america-football-club-ce.webnode.pt

De um lado, um clube jogando a terceira divisão do Campeonato Cearense há mais de 10 anos. Do outro, a maior rede de farmácias do país. Resultado: uma camisa importante do futebol alencarino voltando às manchetes. O tradicional América, campeão cearense de 1935 e 1966, se aliou ao Grupo Pague Menos e, aos poucos, vai retomando o lugar na elite local.

Na temporada passada, com um time basicamente formado por funcionários da empresa, a Águia – mascote adotado nos anos 90, em substituição ao Diabo – ganhou a Série C do Campeonato Cearense, garantindo o acesso à segunda divisão, que não disputava desde 2003.

À frente desse projeto vitorioso está Savyo Souza, que acumula as funções de farmacêutico e de coordenador técnico do Grupo Pague Menos.  “Formamos um time para disputar campeonatos amadores. Depois, para acrescentar, montei uma comissão técnica e o time começou a dar resultados”, lembra.

Parceria acidental

Entretanto, a parceria com o América surgiu de forma quase acidental. O presidente do clube, Cleston Sousa, foi convidado para conhecer o CT da empresa, chamado de Grêmio Recreativo Pague Menos, localizado no bairro Jacarecanga, na periferia de Fortaleza.

Ao conhecer os atletas, o mandatário americano fez a proposta do time formado por funcionários da empresa, todos amadores, disputassem a Série C do estadual com a camisa rubra. “Ele precisava de uma equipe, nós queríamos disputar uma competição profissional: juntou tudo”, esclarece o coordenador.

Desta forma, com o América bancando as despesas administrativas – como taxas com a Federação Cearense de Futebol (FCF), arbitragem, inscrições dos atletas –  e usando o material humano cedido pela farmácia, o clube conseguiu o título e o acesso.

“Dos 11 titulares, nove eram jogadores amadores, funcionários da Pague Menos. E do elenco inteiro, apenas quatro eram profissionais”, conta Souza.

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Reforços na Série B

Para a disputa da Série B, o número de atletas profissionais cresceu. Dos 11 atuais titulares, apenas cinco não são funcionários da empresa. Entretanto, nem mesmo os novos reforços saem da média salarial de R$ 700. “Este ano, por ser uma segunda divisão, além da parceira, a empresa patrocina o clube”, complementa.

Mesmo não podendo treinar em tempo integral e sofrendo com a sequência de jogos, o América é o segundo colocado do Grupo A1, e está bem perto de se classificar para a fase final.

“O fato dos atletas só treinarem duas horas por dia, uma vez que seguem com os seus empregos normais, somado a maratona de três jogos por semana nos causou uma queda de rendimento”, pontua Souza, lamentando que o América teve muitos jogos adiados pela FCF.

América comemorando o título da Série C do Campeonato Cearense
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América comemorando o título da Série C do Campeonato Cearense

Formado basicamente por funcionários da Pague Menos, Mequinha ressurge no futebol cearense

América ressurge com parceria de farmácia
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América ressurge com parceria de farmácia

O time da Pague Menos, que formou o “novo’ América

Acordo de cavalheiros

Savyo Souza disse ao Tribuna do Ceará que a parceria é um acordo de cavalheiros entre a Pague Menos e o América. “Não existe contrato assinado”, revela. Entretanto, garante que a relação tem sido benéfica tanto para o clube, quanto para a empresa.

“Um time de jogadores amadores conseguindo bons resultados contra clubes profissionais chama a atenção e gera exposição para os dois”, comenta o farmacêutico, que também lembrou dos triunfos sobre Ferroviário e Tiradentes na Copa Fares Lopes do ano passado.

Sonho de elite

Apesar das dificuldades, Savyo acredita que o América pode surpreender e conseguir uma das vagas na primeira divisão do Campeonato Cearense de 2015.

“A diferença não é tão grande. Por exemplo, vencemos Maranguape e Maracanã, ambos profissionais e com maior apoio financeiro”.

A última participação do Mequinha, que além dos dois títulos acumula quatro vice-campeonatos estaduais, na elite do futebol cearense foi em 1997.