Brasil 2x0 Uruguai - 1993 - 20 anos do dia de Romário - Esportes


Brasil 2×0 Uruguai – 1993 – 20 anos do dia de Romário

Caio Costa relembra o show de Romário, contra o Uruguai, que garantiu o Brasil na Copa do Mundo de 1994

Por Caio Costa em Futebol

20 de setembro de 2013 às 14:53

Há 5 anos
Brasil tinha grandes nomes como Taffarel, Ricardo Rocha, Dubnga, Bebeto e Raí. Mas foi o camisa 11 que decidiu Foto: Reprodução

Brasil tinha grandes nomes como Taffarel, Ricardo Rocha, Dunga, Bebeto e Raí. Mas foi o camisa 11 que decidiu Foto: Reprodução

*Por Caio Costa

Estádio Maracanã, 19 de setembro de 1993, Brasil 2×0 Uruguai. O dia em que Romário salvou a Seleção Brasileira do fiasco de ficar fora de uma Copa do Mundo e de quebra, teve a maior atuação de sua vencedora carreira (para mim, a melhor atuação individual de um jogador que vi).

Antes de tudo, é preciso entender o contexto daquele jogo. Por terem feito campanhas bem irregulares, Brasil e Uruguai foram superados pela surpreendente Bolívia, da dupla Marco ‘El Diablo” Etcheverry e Erwin ‘Platini’ Sánchez, que garantiu a sua presença no mundial com uma rodada de antecipação, enquanto os dois gigantes do continente brigariam pela outra vaga.

Por ter pedido dispensa de um amistoso contra a Alemanha, no ano anterior, Romário foi limado por Parreira da equipe durante as eliminatórias. Entretanto, o risco de ficar fora de uma Copa do Mundo e a pressão da torcida fizeram com que o “Pé de Uva” recorresse ao Baixinho.

O adversário

O Uruguai, apesar da campanha irregular, tinha um grande time. Liderados por Enzo Francescolli (esse jogava tanto que Zinedine Zidane batizou o seu filho de Enzo. Precisa falar mais alguma coisa?), a geração que tinha grandes nomes como Ruben Sosa, Daniel Fonsceca e Pablo Bengochea tentava se classificar para a sua última Copa do Mundo.

O jogo

Com oito anos de idade, eu não conhecia muito sobre Romário. Tudo que sabia era muito por conta de um vizinho vascaíno, que era louco pelo futebol do baixinho de 1,68, que surgira no clube de São Januário anos antes e naquela temporada se transferiu para o Barcelona.

Bastou o apito inicial para que eu tivesse certeza: esse cara é especial. Naquele domingo de setembro, o camisa 11 só não fez chover. Dribles em profusão, toques de classe, movimentação extrema. Sério, parecia um profissional brincando contra juvenis, tamanha a sua facilidade perante os demais.

Lembro até hoje da minha raiva do goleiro uruguaio Siboldi. Não fosse pelo sucessor de Rodolfo Rodriguez, o Brasil teria resolvido a partida já no primeiro tempo. Aliás, o travessão também teve grande participação para que o placar seguisse 0 a 0.

Apesar do domínio, e do show de Romário, o empate (que favorecia à Canarinho) seguia lá e o fantasma da Copa de 1950 voltava à assombrar. Afinal, a situação era similar e com um único gol a Celeste Olímpica se garantiria na Copa do Mundo. Caso isso ocorresse, os até então tricampeões do mundo ficariam de fora da festa pela primeira vez.

Até que aos 28 minutos do segundo tempo, Jorginho lançou Bebeto, que cruzou com perfeição para que um verdadeiro GIGANTE DE 1,68 cm, de cabeça, demolisse o paredão chamado Sibodi e fizesse 1 a 0 para o Brasil. Aliviando a pressão de outros 150 milhões de brasileiros, que a esta altura já apelavam para calmantes.

Como todo grande espetáculo tinha de ter um “grand finale”, este teve. Aos 38, Mauro Silva, dos maiores e melhores coadjuvantes da História,  roubou no meio de campo e lançou Romário. O baixinho driblou o outrora intransponível arqueiro uruguaio e, com o pé direito, fez 2 a 0, chutou para longe do Maracanã o fantasma de 1950 e marcou o primeiro gol do tetra, que seria conquistado no ano seguinte.

Já fazem 20 anos daquele dia, e as únicas certezas que tenho são: estou ficando velho e que aquela foi a maior atuação individual de um jogador que vi na minha vida.

*Caio Costa é repórter do portal Tribuna do Ceará e comentarista do programa Jangadeiro Esporte Clube Debate

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Brasil 2×0 Uruguai – 1993 – 20 anos do dia de Romário

Caio Costa relembra o show de Romário, contra o Uruguai, que garantiu o Brasil na Copa do Mundo de 1994

Por Caio Costa em Futebol

20 de setembro de 2013 às 14:53

Há 5 anos
Brasil tinha grandes nomes como Taffarel, Ricardo Rocha, Dubnga, Bebeto e Raí. Mas foi o camisa 11 que decidiu Foto: Reprodução

Brasil tinha grandes nomes como Taffarel, Ricardo Rocha, Dunga, Bebeto e Raí. Mas foi o camisa 11 que decidiu Foto: Reprodução

*Por Caio Costa

Estádio Maracanã, 19 de setembro de 1993, Brasil 2×0 Uruguai. O dia em que Romário salvou a Seleção Brasileira do fiasco de ficar fora de uma Copa do Mundo e de quebra, teve a maior atuação de sua vencedora carreira (para mim, a melhor atuação individual de um jogador que vi).

Antes de tudo, é preciso entender o contexto daquele jogo. Por terem feito campanhas bem irregulares, Brasil e Uruguai foram superados pela surpreendente Bolívia, da dupla Marco ‘El Diablo” Etcheverry e Erwin ‘Platini’ Sánchez, que garantiu a sua presença no mundial com uma rodada de antecipação, enquanto os dois gigantes do continente brigariam pela outra vaga.

Por ter pedido dispensa de um amistoso contra a Alemanha, no ano anterior, Romário foi limado por Parreira da equipe durante as eliminatórias. Entretanto, o risco de ficar fora de uma Copa do Mundo e a pressão da torcida fizeram com que o “Pé de Uva” recorresse ao Baixinho.

O adversário

O Uruguai, apesar da campanha irregular, tinha um grande time. Liderados por Enzo Francescolli (esse jogava tanto que Zinedine Zidane batizou o seu filho de Enzo. Precisa falar mais alguma coisa?), a geração que tinha grandes nomes como Ruben Sosa, Daniel Fonsceca e Pablo Bengochea tentava se classificar para a sua última Copa do Mundo.

O jogo

Com oito anos de idade, eu não conhecia muito sobre Romário. Tudo que sabia era muito por conta de um vizinho vascaíno, que era louco pelo futebol do baixinho de 1,68, que surgira no clube de São Januário anos antes e naquela temporada se transferiu para o Barcelona.

Bastou o apito inicial para que eu tivesse certeza: esse cara é especial. Naquele domingo de setembro, o camisa 11 só não fez chover. Dribles em profusão, toques de classe, movimentação extrema. Sério, parecia um profissional brincando contra juvenis, tamanha a sua facilidade perante os demais.

Lembro até hoje da minha raiva do goleiro uruguaio Siboldi. Não fosse pelo sucessor de Rodolfo Rodriguez, o Brasil teria resolvido a partida já no primeiro tempo. Aliás, o travessão também teve grande participação para que o placar seguisse 0 a 0.

Apesar do domínio, e do show de Romário, o empate (que favorecia à Canarinho) seguia lá e o fantasma da Copa de 1950 voltava à assombrar. Afinal, a situação era similar e com um único gol a Celeste Olímpica se garantiria na Copa do Mundo. Caso isso ocorresse, os até então tricampeões do mundo ficariam de fora da festa pela primeira vez.

Até que aos 28 minutos do segundo tempo, Jorginho lançou Bebeto, que cruzou com perfeição para que um verdadeiro GIGANTE DE 1,68 cm, de cabeça, demolisse o paredão chamado Sibodi e fizesse 1 a 0 para o Brasil. Aliviando a pressão de outros 150 milhões de brasileiros, que a esta altura já apelavam para calmantes.

Como todo grande espetáculo tinha de ter um “grand finale”, este teve. Aos 38, Mauro Silva, dos maiores e melhores coadjuvantes da História,  roubou no meio de campo e lançou Romário. O baixinho driblou o outrora intransponível arqueiro uruguaio e, com o pé direito, fez 2 a 0, chutou para longe do Maracanã o fantasma de 1950 e marcou o primeiro gol do tetra, que seria conquistado no ano seguinte.

Já fazem 20 anos daquele dia, e as únicas certezas que tenho são: estou ficando velho e que aquela foi a maior atuação individual de um jogador que vi na minha vida.

*Caio Costa é repórter do portal Tribuna do Ceará e comentarista do programa Jangadeiro Esporte Clube Debate