Técnico cego comanda time de subúrbio em Fortaleza


Técnico cego comanda time de subúrbio em Fortaleza

O cearense Flávio Aurélio comanda o Juventude, do bairro Bom Jardim, e supera as dificuldades com o amor que tem pelo futebol

Por Lyvia Rocha em Futebol cearense

24 de junho de 2015 às 06:00

Há 4 anos
Cego, ele comanda o time com os olhos do coração (Foto: Fernanda Moura/Verminosos por Futebol)

Cego, ele comanda o time com os olhos do coração (Foto: Fernanda Moura/Verminosos por Futebol)

“Eu tenho alegria de viver, enxergo com o coração”, assim Flávio Aurélio Silva explica como comanda um time de futebol com uma dificuldade a mais que os outros: ser cego. Aos 20 anos de idade, uma entrada forte do jogador adversário no olho de Flávio o fez ter descolamento de retina e consequentemente sem enxergar de um olho. No outro ano, a enfermidade passou para o outro olho, assim o deixando totalmente sem visão.

A história foi descoberta pelo Verminosos Por Futebol, site que conta curiosidades do futebol.

Mesmo com o impacto ele não abandonou o futebol. Ao contrário, ficou ajudando a equipe que ajudou a fundar no bairro Bom Jardim, na periferia de Fortaleza. Sem atuar dentro dos gramados Flávio ficou fazendo tudo fora das quatro linhas. Auxiliar do técnico, despesas com material esportivo, transporte, entre outras atividades. “Mesmo cego eu não desanimei. Continuei no Juventude e depois da morte do ex- técnico assumi o posto”, afirma Flávio.

Ex- volante, o treinador não tem auxiliares e organiza tudo sozinho. Desde a marcação de jogos a aluguel de ônibus, mas ele não reclama de nada isso, ao contrário, orgulha-se. “Marco jogos, digo quem vai ficar em cada posição, isso tudo para mim é uma paixão, um grande lazer”, diverte-se.

Morador do bairro Curió o técnico se desloca todos os dias para a sede do clube para organizar tudo. Material esportivo, próximas partidas, e sempre conversar com amigos que fez durante anos morando no Bom Jardim. “Morei aqui por muitos anos, mas tive a graça de ganhar minha casa e agora moro um pouco distante do time. Mas isso não impede que venha todas as tarde aqui. Sou muito conhecido por aqui”, reitera.

Desafios

No último campeonato disputado o prêmio foi dividido para os dois primeiros colocados. R$1.500 para cada equipe. Agora as competições voltam em agosto ou setembro. Mas para quem pensa que o Juventude fica parado, engana-se. “Todo domingo tem jogo, domingo passado jogamos em Munguba, no próximo domingo vamos para um piquenique e também terá uma partida por lá. Não falta jogo”, comenta.

Sobre lidar com pessoas e saber das dificuldades de comandar um time de futebol, Flávio Aurélio afirma que a convivência é tranquila. “Tenho a sorte de todos me respeitarem na minha equipe. Os jogadores aceitam meu comando, não se importam com a minha deficiência e me ajudam muito também”, relata.

Porém, ele não fala a mesma coisa sobre a estrutura. O técnico diz que faltam materiais. Bola, meiões e uniformes. “O grande problema mesmo é a falta de verba. Domingo mesmo perdemos uma bola e agora será um grande sacrifício para repor. Não tenho ajuda, nem apoio financeiro de ninguém. E nós precisamos. O Juventude tirar muitos garotos da ociosidade”, desabafa.

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Técnico cego comanda time de subúrbio em Fortaleza

O cearense Flávio Aurélio comanda o Juventude, do bairro Bom Jardim, e supera as dificuldades com o amor que tem pelo futebol

Por Lyvia Rocha em Futebol cearense

24 de junho de 2015 às 06:00

Há 4 anos
Cego, ele comanda o time com os olhos do coração (Foto: Fernanda Moura/Verminosos por Futebol)

Cego, ele comanda o time com os olhos do coração (Foto: Fernanda Moura/Verminosos por Futebol)

“Eu tenho alegria de viver, enxergo com o coração”, assim Flávio Aurélio Silva explica como comanda um time de futebol com uma dificuldade a mais que os outros: ser cego. Aos 20 anos de idade, uma entrada forte do jogador adversário no olho de Flávio o fez ter descolamento de retina e consequentemente sem enxergar de um olho. No outro ano, a enfermidade passou para o outro olho, assim o deixando totalmente sem visão.

A história foi descoberta pelo Verminosos Por Futebol, site que conta curiosidades do futebol.

Mesmo com o impacto ele não abandonou o futebol. Ao contrário, ficou ajudando a equipe que ajudou a fundar no bairro Bom Jardim, na periferia de Fortaleza. Sem atuar dentro dos gramados Flávio ficou fazendo tudo fora das quatro linhas. Auxiliar do técnico, despesas com material esportivo, transporte, entre outras atividades. “Mesmo cego eu não desanimei. Continuei no Juventude e depois da morte do ex- técnico assumi o posto”, afirma Flávio.

Ex- volante, o treinador não tem auxiliares e organiza tudo sozinho. Desde a marcação de jogos a aluguel de ônibus, mas ele não reclama de nada isso, ao contrário, orgulha-se. “Marco jogos, digo quem vai ficar em cada posição, isso tudo para mim é uma paixão, um grande lazer”, diverte-se.

Morador do bairro Curió o técnico se desloca todos os dias para a sede do clube para organizar tudo. Material esportivo, próximas partidas, e sempre conversar com amigos que fez durante anos morando no Bom Jardim. “Morei aqui por muitos anos, mas tive a graça de ganhar minha casa e agora moro um pouco distante do time. Mas isso não impede que venha todas as tarde aqui. Sou muito conhecido por aqui”, reitera.

Desafios

No último campeonato disputado o prêmio foi dividido para os dois primeiros colocados. R$1.500 para cada equipe. Agora as competições voltam em agosto ou setembro. Mas para quem pensa que o Juventude fica parado, engana-se. “Todo domingo tem jogo, domingo passado jogamos em Munguba, no próximo domingo vamos para um piquenique e também terá uma partida por lá. Não falta jogo”, comenta.

Sobre lidar com pessoas e saber das dificuldades de comandar um time de futebol, Flávio Aurélio afirma que a convivência é tranquila. “Tenho a sorte de todos me respeitarem na minha equipe. Os jogadores aceitam meu comando, não se importam com a minha deficiência e me ajudam muito também”, relata.

Porém, ele não fala a mesma coisa sobre a estrutura. O técnico diz que faltam materiais. Bola, meiões e uniformes. “O grande problema mesmo é a falta de verba. Domingo mesmo perdemos uma bola e agora será um grande sacrifício para repor. Não tenho ajuda, nem apoio financeiro de ninguém. E nós precisamos. O Juventude tirar muitos garotos da ociosidade”, desabafa.