Menino vende dindin para pagar mensalidade da escolinha de futebol do Ceará
FORÇA DE VONTADE

Menino vende dindim para pagar mensalidade da escolinha de futebol do Ceará

Vancy Diniz vende dindins por R$ 1 para pagar a mensalidade de R$ 105. Seu sonho é virar lateral-direito do Ceará, time de coração

Por Lyvia Rocha em Futebol cearense

8 de fevereiro de 2017 às 07:00

Há 2 meses
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Vancy sonha em ser jogador de futebol e treina na escolinha do Ceará (FOTO: Lyvia Rocha/Tribuna do Ceará)

Uma criança que deseja ser jogador de futebol não é novidade no Brasil. Alguns realizam o sonho, jogam primeiro na base, chegam ao profissional, mas nem sempre valorizam o objetivo alcançado. Por isso, chama a atenção a história do garoto Vancy Diniz, de 12 anos, que vende dindins para pagar sua própria escolinha de futebol do Ceará.

De sorriso fácil, mas uma certa timidez, o garoto é firme nas palavras e não se envergonha em dizer que paga a escolinha de futebol do Ceará com o dinheiro da venda de dindins.

“Desde os 10 anos eu vendo dindim. Por dia eu trago uns 30 dindins, vendo no colégio e também aqui (nas imediações do Ceará, localizado no bairro Porangabuçu)”, revela o garoto, que completa sua renda aos sábados quando ajuda os feirantes na feira do São Cristóvão”.

A matrícula da escolinha custa R$ 200 e, mensalmente, R$ 105. Ao se matricular, o aluno ganha o uniforme, exceto a chuteira. Sobre o valor que ganha diariamente, Vancy disse que é cerca de R$ 7, já na feira aos sábados, ganha R$ 30.

Surpreendentemente, o menino fala com maturidade o porquê começou e foi para o futebol. “Eu jogava futsal no colégio, mas eu não via muito futuro, sabe? Então, quis entrar na escolinha, porque acho que o futebol pode me dar mais futuro”, acredita.

Morando com sua avó materna e a irmã de 19 anos, o menino dá orgulho a avó pelo esforço e a garra para se tornar um jogador de futebol. “Ele é muito esforçado, mas não deixa de lado o estudo. É muito responsável. Doido por futebol, a brincadeira dele é jogar bola. Eu faço todos os dias os dindins, e ele vende, não tem vergonha. O dinheiro da aposentadoria não dá para quase nada. Ele teve a ideia de levar dindim para vender e pagar a própria escolinha”, explica Luci Santos.

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Vancy sonha em ser jogador de futebol e treina na escolinha do Ceará (FOTO: Lyvia Rocha/Tribuna do Ceará)

A avó se preocupa com o fato de alguém achar que há exploração do menino, já que a lei diz que criança não pode trabalhar. Contudo, ela garante que a vontade vem dele próprio. “Ele diz que isso é necessário para realizar o sonho de ser jogador de futebol”, explica.

O garoto começou a torcer Ceará quando notou que seu pai, já falecido, assistia e torcia pelo Alvinegro. “Meu pai sempre assistia os jogos do Ceará, e comecei a torcer e me apaixonar pelo time também. Eu acho que tinha uns 5 anos, e agora tento ver os jogos, mas nem sempre consigo”, lamenta o garoto, que sonha em ser lateral-direito, mas nunca foi a um estádio de futebol.

Sobre o desejo de ser jogador de futebol, não há dúvida. Mas para quem imagina que ele deseja ser um atacante, engana-se, Vancy quer ser lateral-direito. E o ídolo está bem próximo a ele: Tiago Cametá. “Eu gosto do Cametá, acho que ele joga bem, e quero ser da mesma posição. Não sei bem o porquê, mas quero ser lateral”, revelou o garoto.

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Vancy sonha em ser jogador de futebol e treina na escolinha do Ceará (FOTO: Lyvia Rocha/Tribuna do Ceará)

Esperança no futuro

Vancy não vende seus dindins apenas próximo ao Ceará, mas também no colégio durante a hora do intervalo. De forma justa, o garoto divide o que ganha todos os dias com a avó, que é responsável por fazer os dindins. “Se eu ganhar R$ 30, são R$ 15 dela e R$ 15 para colocar no meu cofrinho, até porque se não fosse ela não podia vender”, afirma o garoto, que vende cada dindim por R$ 1.

O menino segue todas as terças e quintas, das 19h às 20h, para a escolinha do Ceará. Ele vai sozinho de ônibus, já que mora no Bairro Conjunto Esperança, distante de Porangabuçu. “Pego o ônibus aqui perto, e paro próximo de casa, não tem perigo”, diz o menino.

A esperança em se tornar um jogador de futebol é grande, por isso ele não mede esforços para conseguir o objetivo de ser jogador. “Ele não tem preguiça de nada, acho muito bonito o jeito de se esforçar e não esquecer os estudos. Eu acredito, se Deus quiser, que ele vai conseguir ser um jogador”, espera a avó, a primeira fã do garoto.

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Menino vende dindim para pagar mensalidade da escolinha de futebol do Ceará

Vancy Diniz vende dindins por R$ 1 para pagar a mensalidade de R$ 105. Seu sonho é virar lateral-direito do Ceará, time de coração

Por Lyvia Rocha em Futebol cearense

8 de fevereiro de 2017 às 07:00

Há 2 meses
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Vancy sonha em ser jogador de futebol e treina na escolinha do Ceará (FOTO: Lyvia Rocha/Tribuna do Ceará)

Uma criança que deseja ser jogador de futebol não é novidade no Brasil. Alguns realizam o sonho, jogam primeiro na base, chegam ao profissional, mas nem sempre valorizam o objetivo alcançado. Por isso, chama a atenção a história do garoto Vancy Diniz, de 12 anos, que vende dindins para pagar sua própria escolinha de futebol do Ceará.

De sorriso fácil, mas uma certa timidez, o garoto é firme nas palavras e não se envergonha em dizer que paga a escolinha de futebol do Ceará com o dinheiro da venda de dindins.

“Desde os 10 anos eu vendo dindim. Por dia eu trago uns 30 dindins, vendo no colégio e também aqui (nas imediações do Ceará, localizado no bairro Porangabuçu)”, revela o garoto, que completa sua renda aos sábados quando ajuda os feirantes na feira do São Cristóvão”.

A matrícula da escolinha custa R$ 200 e, mensalmente, R$ 105. Ao se matricular, o aluno ganha o uniforme, exceto a chuteira. Sobre o valor que ganha diariamente, Vancy disse que é cerca de R$ 7, já na feira aos sábados, ganha R$ 30.

Surpreendentemente, o menino fala com maturidade o porquê começou e foi para o futebol. “Eu jogava futsal no colégio, mas eu não via muito futuro, sabe? Então, quis entrar na escolinha, porque acho que o futebol pode me dar mais futuro”, acredita.

Morando com sua avó materna e a irmã de 19 anos, o menino dá orgulho a avó pelo esforço e a garra para se tornar um jogador de futebol. “Ele é muito esforçado, mas não deixa de lado o estudo. É muito responsável. Doido por futebol, a brincadeira dele é jogar bola. Eu faço todos os dias os dindins, e ele vende, não tem vergonha. O dinheiro da aposentadoria não dá para quase nada. Ele teve a ideia de levar dindim para vender e pagar a própria escolinha”, explica Luci Santos.

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Vancy sonha em ser jogador de futebol e treina na escolinha do Ceará (FOTO: Lyvia Rocha/Tribuna do Ceará)

A avó se preocupa com o fato de alguém achar que há exploração do menino, já que a lei diz que criança não pode trabalhar. Contudo, ela garante que a vontade vem dele próprio. “Ele diz que isso é necessário para realizar o sonho de ser jogador de futebol”, explica.

O garoto começou a torcer Ceará quando notou que seu pai, já falecido, assistia e torcia pelo Alvinegro. “Meu pai sempre assistia os jogos do Ceará, e comecei a torcer e me apaixonar pelo time também. Eu acho que tinha uns 5 anos, e agora tento ver os jogos, mas nem sempre consigo”, lamenta o garoto, que sonha em ser lateral-direito, mas nunca foi a um estádio de futebol.

Sobre o desejo de ser jogador de futebol, não há dúvida. Mas para quem imagina que ele deseja ser um atacante, engana-se, Vancy quer ser lateral-direito. E o ídolo está bem próximo a ele: Tiago Cametá. “Eu gosto do Cametá, acho que ele joga bem, e quero ser da mesma posição. Não sei bem o porquê, mas quero ser lateral”, revelou o garoto.

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Vancy sonha em ser jogador de futebol e treina na escolinha do Ceará (FOTO: Lyvia Rocha/Tribuna do Ceará)

Esperança no futuro

Vancy não vende seus dindins apenas próximo ao Ceará, mas também no colégio durante a hora do intervalo. De forma justa, o garoto divide o que ganha todos os dias com a avó, que é responsável por fazer os dindins. “Se eu ganhar R$ 30, são R$ 15 dela e R$ 15 para colocar no meu cofrinho, até porque se não fosse ela não podia vender”, afirma o garoto, que vende cada dindim por R$ 1.

O menino segue todas as terças e quintas, das 19h às 20h, para a escolinha do Ceará. Ele vai sozinho de ônibus, já que mora no Bairro Conjunto Esperança, distante de Porangabuçu. “Pego o ônibus aqui perto, e paro próximo de casa, não tem perigo”, diz o menino.

A esperança em se tornar um jogador de futebol é grande, por isso ele não mede esforços para conseguir o objetivo de ser jogador. “Ele não tem preguiça de nada, acho muito bonito o jeito de se esforçar e não esquecer os estudos. Eu acredito, se Deus quiser, que ele vai conseguir ser um jogador”, espera a avó, a primeira fã do garoto.