Locutor cearense narra jogos no meio da torcida


Locutor cearense narra jogos no meio da torcida

Jota Rômulo, radialista há 25 anos, trabalha nos jogos do Ceará na própria arquibancada dos estádios Castelão e Presidente Vargas, em Fortaleza

Por Lucas Catrib em Futebol cearense

17 de setembro de 2014 às 10:00

Há 4 anos
Jota Rômulo narrou a eliminação inacreditável do Ceará na Copa do Brasil (FOTO: Lucas Catrib)

Jota Rômulo narrou a eliminação inacreditável do Ceará na Copa do Brasil (FOTO: Lucas Catrib)

 

“Alvinegro desde que fui gerado”. Com esses dizeres, de forma vibrante, Jota Rômulo ostenta paixão pelo Ceará diretamente das arquibancadas do Presidente Vargas ou Castelão, em Fortaleza. Aos 54 anos, a voz número 1 do futebol da rádio A3 FM é responsável por embalar a emoção aos ouvidos dos torcedores. O narrador se posiciona em todos os jogos junto da galera. A ideia é ocupar o espaço de um fã qualquer. Há quatro anos, o ritual é o mesmo: uma hora e meia antes das partidas, chega carregando uma mesinha para auxiliar no trabalho exercido.

“Iniciou quando eu comecei a dividir a responsabilidade de comandar uma equipe esportiva. Os chefes das emissoras (locais onde ele trabalhou) tinham medo: ‘E se o time perder?’. Sou apenas o narrador, não tenho culpa pelas derrotas. Em 2010, eu disse: ‘Vou para a galera, para o meio da torcida’. Na verdade eu queria sentir a sensação do torcedor, as dificuldades. Algo assim a gente faz na amizade. Quando nós começamos, não tínhamos microfone sem fio. O próprio torcedor ajudava a carregar os fios de mais de 100 metros”, indica Jotinha, como é carinhosamente chamado pelos conhecidos.

Jota Rômulo chega cedo ao Castelão para trabalhar (FOTO: Lucas Catrib)

Jota Rômulo chega cedo ao Castelão para trabalhar (FOTO: Lucas Catrib)

Jota Rômulo passou por quase todas as grandes emissoras da capital cearense. No total, desde quando debutou na mídia, em 1989, na Uirapuru, o radialista acumula 12 empresas no currículo. Contudo, nem sempre o apego pelo Ceará foi ênfase. O ex-vendedor não trabalhava de forma exclusiva em jogos do Alvinegro de Porangabuçu. No ar, a preferência clubística apareceu na rádio Cidade. Tempos depois, quando ajudou a montar o Canal do Vovô, um espaço na própria A3 FM, o sucesso explodiu. A simpatia pelo Vovô é herança do pai, Raimundo Camelo Nogueira, de 90 anos.

Eclético, o narrador também é diretor da Horizonte FM, onde também apresenta programas esportivos e policiais. Durante as empolgadas locuções, principalmente em tempos de ‘vacas magras’ alvinegras, Jota demonstra a disposição ao caráter religioso. Um dos bordões do profissional é: “Abençoa, meu Deus”. “Homem sem Deus não é nada”, explica. Pai de três filhos, o radialista também levou a atual esposa para trabalhar no meio da comunicação.

Jogos históricos

Ao longo dos anos , Jota Rômulo cobriu diversos momentos do Vovô, sensações inesquecíveis: “Eu narrei a decisão (da Copa do Brasil) de 1994 no (estádio) Olímpico. Eu não enquadro como uma decepção, foi algo desonesto por parte da arbitragem”, relembra o narrador. O radialista faz referência ao possível pênalti em cima de Sérgio Alves. Mais um gol daria o título ao Ceará.

Em 2o11, também pela própria competição eliminatória, o locutor transmitiu Ceará e Brasiliense, último jogo antes da reforma do Castelão para a Copa do Mundo. Aos 47 minutos do segundo tempo, Marcelo Nicácio marcou o gol da classificação. Jota foi à loucura.

Ouça a narração de Jota Rômulo (Ceará 2 x 1 Brasiliense – 31/03/2011 – Canal do Vovô)

Trabalha tranquilo

Desde o início dos trabalhos nas arquibancadas, Jota recebeu elogios por parte dos torcedores. “Eles ficam com celulares e me mostram que estão sintonizados”, explica. Apesar do conforto das cabines com ar condicionado, o alvinegro dispensa a honraria. Segundo o narrador, só tem conhecimento de um profissional italiano que fazia esse tipo de trabalho.

“Não causou espanto, ninguém se opôs. Só tem o carinho da torcida, o que é o mais relevante. Passam lá e ninguém fala nada. Eu espero que ninguém proíba. Não faz mal a ninguém. Eu tento fazer diferente. Não é para querer ser o melhor, mas sim para sair do trivial. Já virou marca registrada”, completa.

Mesmo com a longa carreira, Jota ainda pretende encaminhar alguns desejos. “Eu tenho muitos sonhos. Quero narrar o acesso (possível subida do Ceará à Série A). Queria narrar um título em nível nacional do Ceará. Voltar a narrar na Primeira Divisão. Narrar em uma Copa do Mundo, que ainda não tive o prazer pela dificuldade de pagar os direitos da Fifa”, finaliza.

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Locutor cearense narra jogos no meio da torcida

Jota Rômulo, radialista há 25 anos, trabalha nos jogos do Ceará na própria arquibancada dos estádios Castelão e Presidente Vargas, em Fortaleza

Por Lucas Catrib em Futebol cearense

17 de setembro de 2014 às 10:00

Há 4 anos
Jota Rômulo narrou a eliminação inacreditável do Ceará na Copa do Brasil (FOTO: Lucas Catrib)

Jota Rômulo narrou a eliminação inacreditável do Ceará na Copa do Brasil (FOTO: Lucas Catrib)

 

“Alvinegro desde que fui gerado”. Com esses dizeres, de forma vibrante, Jota Rômulo ostenta paixão pelo Ceará diretamente das arquibancadas do Presidente Vargas ou Castelão, em Fortaleza. Aos 54 anos, a voz número 1 do futebol da rádio A3 FM é responsável por embalar a emoção aos ouvidos dos torcedores. O narrador se posiciona em todos os jogos junto da galera. A ideia é ocupar o espaço de um fã qualquer. Há quatro anos, o ritual é o mesmo: uma hora e meia antes das partidas, chega carregando uma mesinha para auxiliar no trabalho exercido.

“Iniciou quando eu comecei a dividir a responsabilidade de comandar uma equipe esportiva. Os chefes das emissoras (locais onde ele trabalhou) tinham medo: ‘E se o time perder?’. Sou apenas o narrador, não tenho culpa pelas derrotas. Em 2010, eu disse: ‘Vou para a galera, para o meio da torcida’. Na verdade eu queria sentir a sensação do torcedor, as dificuldades. Algo assim a gente faz na amizade. Quando nós começamos, não tínhamos microfone sem fio. O próprio torcedor ajudava a carregar os fios de mais de 100 metros”, indica Jotinha, como é carinhosamente chamado pelos conhecidos.

Jota Rômulo chega cedo ao Castelão para trabalhar (FOTO: Lucas Catrib)

Jota Rômulo chega cedo ao Castelão para trabalhar (FOTO: Lucas Catrib)

Jota Rômulo passou por quase todas as grandes emissoras da capital cearense. No total, desde quando debutou na mídia, em 1989, na Uirapuru, o radialista acumula 12 empresas no currículo. Contudo, nem sempre o apego pelo Ceará foi ênfase. O ex-vendedor não trabalhava de forma exclusiva em jogos do Alvinegro de Porangabuçu. No ar, a preferência clubística apareceu na rádio Cidade. Tempos depois, quando ajudou a montar o Canal do Vovô, um espaço na própria A3 FM, o sucesso explodiu. A simpatia pelo Vovô é herança do pai, Raimundo Camelo Nogueira, de 90 anos.

Eclético, o narrador também é diretor da Horizonte FM, onde também apresenta programas esportivos e policiais. Durante as empolgadas locuções, principalmente em tempos de ‘vacas magras’ alvinegras, Jota demonstra a disposição ao caráter religioso. Um dos bordões do profissional é: “Abençoa, meu Deus”. “Homem sem Deus não é nada”, explica. Pai de três filhos, o radialista também levou a atual esposa para trabalhar no meio da comunicação.

Jogos históricos

Ao longo dos anos , Jota Rômulo cobriu diversos momentos do Vovô, sensações inesquecíveis: “Eu narrei a decisão (da Copa do Brasil) de 1994 no (estádio) Olímpico. Eu não enquadro como uma decepção, foi algo desonesto por parte da arbitragem”, relembra o narrador. O radialista faz referência ao possível pênalti em cima de Sérgio Alves. Mais um gol daria o título ao Ceará.

Em 2o11, também pela própria competição eliminatória, o locutor transmitiu Ceará e Brasiliense, último jogo antes da reforma do Castelão para a Copa do Mundo. Aos 47 minutos do segundo tempo, Marcelo Nicácio marcou o gol da classificação. Jota foi à loucura.

Ouça a narração de Jota Rômulo (Ceará 2 x 1 Brasiliense – 31/03/2011 – Canal do Vovô)

Trabalha tranquilo

Desde o início dos trabalhos nas arquibancadas, Jota recebeu elogios por parte dos torcedores. “Eles ficam com celulares e me mostram que estão sintonizados”, explica. Apesar do conforto das cabines com ar condicionado, o alvinegro dispensa a honraria. Segundo o narrador, só tem conhecimento de um profissional italiano que fazia esse tipo de trabalho.

“Não causou espanto, ninguém se opôs. Só tem o carinho da torcida, o que é o mais relevante. Passam lá e ninguém fala nada. Eu espero que ninguém proíba. Não faz mal a ninguém. Eu tento fazer diferente. Não é para querer ser o melhor, mas sim para sair do trivial. Já virou marca registrada”, completa.

Mesmo com a longa carreira, Jota ainda pretende encaminhar alguns desejos. “Eu tenho muitos sonhos. Quero narrar o acesso (possível subida do Ceará à Série A). Queria narrar um título em nível nacional do Ceará. Voltar a narrar na Primeira Divisão. Narrar em uma Copa do Mundo, que ainda não tive o prazer pela dificuldade de pagar os direitos da Fifa”, finaliza.