De contratação questionada a xodó da torcida: Richardson relembra sua trajetória

CORINGA DO VOVÔ

De contratação questionada a xodó da torcida: Richardson relembra sua trajetória

O jogador atuou com volante e lateral-direito, em quase todos os jogos da campanha histórica do Ceará em 2017

Por Lyvia Rocha em Futebol cearense

6 de dezembro de 2017 às 06:45

Há 1 semana
O jogador virou xodó da torcida em pouco tempo (FOTO: Lucas Moraes/Cearasc.com)

O jogador virou xodó da torcida em pouco tempo (FOTO: Lucas Moraes/Cearasc.com)

O sorriso dentro da sala de imprensa não nega o grande acontecimento da carreira: um acesso à Série A. O jogador que chegou sem alarde, com uma desconfiança da torcida, aos poucos conseguiu se tornar um dos xodós da massa alvinegra. Assim é visto Richardson, atleta que atuou na Série B como 1º volante, 2º volante e até lateral-direito.

Antes de mais um treino, dessa vez mais relaxado, já que o Vovô já tinha garantindo o objetivo (palavra tão falada pelos jogadores durante todas as rodadas da Segundona), o jogador falou sobre os anos no América-RN, a passagem pela base do São Paulo e como chegou ao Alvinegro, em entrevista ao Tribuna do Ceará.

Tribuna do Ceará: O início da carreira foi em Natal. Como foi essa caminhada?
Richardson: Comecei desde pequeno mesmo. Sou de Natal, mas fui criado em São José de Niribu. Fui ao América de Natal com 12 para 13 anos, quando meu pai me levou para a escolinha e tudo se iniciou lá.

TC: Sempre atuou como volante?
R: Não! Primeiramente comecei como meia nas categorias de base. Mas coisas do destino me fizeram levar para ser volante. Eu era mais novo que a idade, mas já estava na sub-15, porém não jogava. Mas dois meninos acabaram com problema de lesão e o professor me chamou sabendo se eu já tinha jogado de volante, e foi assim que comecei.

TC: Tem preferência de ser primeiro ou segundo volante?
R: A questão de primeiro ou segundo caracteriza muito pela equipe e o treinador que está à frente. Eu comecei como segundo volante, porque já jogava como meia mais avançado, depois recuei para volante. Mas começaram as trocas de técnicos e fui me adaptando nas duas funções. Graças a Deus nunca tive problema, o importante é estar jogando.

TC: Você resolveu não assinar o contrato no América/RN e foi para a base do São Paulo. Por que não deu certo no time paulista?
R: Eu tive a oportunidade de assinar meu primeiro contrato aos 17 anos. Mas acabei não assinando e acabei indo para a base do São Paulo fazer testes, apesar de passar, mas o time era muito bom na época e acabei sendo emprestado para um time Águas de Lindoia, o Brasilis, e fiquei por lá no juvenil. Mas acabei voltando para o América/RN e assinei meu primeiro contrato.

TC: Você não teve chances no América/RN, foi para o Baraúnas e conseguiu o 1º acesso. Confere?
R: Sim. Antes do Confiança passei pelo Baraúnas para disputar o Estadual. Graças a Deus fui bem, mas acabei voltando para o América e não tive chances novamente por lá, retornei para o Baraúnas onde consegui meu primeiro acesso da Série D para a C.

TC: Foi nesse momento que surgiu o Confiança.
R: Isso. No final de 2012 eu tive a possibilidade de renovar com o América, mas eu resolvi ir para o Confiança para mudar de ares e também por achar que não ia ter oportunidades no América, pelo bom tempo que passei e não tive. Quis mudar e deu tudo muito certo no Confiança.

TC: Após muitos anos o Confiança foi campeão e vocês conseguiram um acesso. Qual a importância do time na sua trajetória?
R: Foi onde praticamente as portas começaram a se abrir. Eu tinha mais visibilidade. Fazia um tempo que o time não era campeão. Fomos campeões em 2014 e 2015. Conseguimos o acesso histórico da Série D para Série C, e lá as coisas começaram a acontecer e surgiu o convite para o Ceará.

TC: Sua amizade com Éverson foi importante para você vir ao Ceará?
R: Ele me incentivou sim. Sempre falava muito bem daqui. E Ele (Éverson) veio primeiro naquela batalha do Ceará para não ser rebaixado. Nós temos um contato muito bom e ficava mandando mensagem dizendo que estava acompanhando e torcendo para o que Ceará conseguisse escapar. Ele sempre foi contactando dizendo que aqui era muito bom pelo meu estilo de jogo.

TC: Chegando aqui você veio com desconfiança da torcida. Como foi isso para você?
R: Eu cheguei sem alarde. Claro que tinha a desconfiança por eu vir de um time da Série C e não ser tão conhecido. Eu tive as primeiras experiências de nem ir para os jogos, de não ser relacionado, mas sabia que quando eu tivesse oportunidade de jogar ia agarrar a oportunidade. Hoje a relação é bem diferente. Muitos torcedores dizem para eu não sair do Ceará que gostam muito do meu futebol.

TC: Qual foi o diferencial do ano de 2016 que o Ceará começou bem a Série B, mas caiu de rendimento no 2º turno e esse ano que conseguiu o acesso?
R: Nós queríamos o máximo colocar o Ceará na Série A para escrever nossa própria história. O ano passado tivemos muitas lições. Um primeiro semestre conturbado. Já no segundo semestre um primeiro turno excelente, mas um segundo que caímos de rendimento e não esperávamos. Mas eu não sei dizer realmente o que aconteceu.

TC: E porque aconteceu esse ano?
R: Esse ano foi completamente diferente. Apesar de alguns probleminhas, mas fizemos uma temporada excelente. Um título estadual e com o acesso. O nosso grupo é excelente, tivemos muitos jogos que foram decididos por jogadores que não eram titulares. Rafael Carioca, Arthur resolveu jogos para a gente. O próprio Magno Alves ficou alguns jogos sem atuar. Então, o que tenho que falar que esse ano o grupo e elenco foi muito forte.

Richardson ao lado de um ídolo alvinegro: João Marcos (FOTO: Reprodução/Instagram)

Richardson ao lado de um ídolo alvinegro: João Marcos (FOTO: Reprodução/Instagram)

TC: Você atuou esse ano também como lateral-direito. Você gosta?
R: Para falar a verdade, não (brincou). É difícil. Não é que não goste, eu não tenho dificuldades para jogar, sempre que joguei conseguir dar contar do recado, graças a Deus. Mas a gente está acostumado a participar mais do jogo e como lateral só participa quando a bola vai para o seu lado. Mas independente da posição, sempre que atuar com a camisa do Ceará me dedicarei para fazer meu melhor futebol.

TC: O desejo é seguir no Ceará?
R: Eu tenho um contrato longo e sim quero ficar no Ceará. Agora que conseguimos o acesso vai ser muito importante para nós, um campeonato bem difícil que é a Série A. Com pouco tempo estou com uma identificação muito grande com o clube. A ficha as vezes não cai que o torcedor gosta da gente. Mas recebi muitas informações nas redes sociais de carinho e comecei a entender mais sobre isso.

TC: Falando um pouco sobre a vida pessoal. Reparei que você tem várias tatuagens e algumas religiosas. Você tem alguma religião?
R: Todas as minhas tatuagens tem um significado. A primeira foi em homenagem a minha mãe Iolanda, uma de São Miguel Arcanjo e outra de “eu pertenço a Jesus”. Também tenho outras, no total são 7. Sobre religião eu não pertenço a nenhuma. Frequento qualquer local que me faça bem.

TC: O que mais você gosta na cidade?
R: São muitas coisas. Mas certamente a diversidade de restaurantes é muito boa. São várias opções de comida, tem de todo o tipo e isso eu gosto demais. Nas horas vagas gosto de frequentar esses lugares como minha esposa.

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CORINGA DO VOVÔ

De contratação questionada a xodó da torcida: Richardson relembra sua trajetória

O jogador atuou com volante e lateral-direito, em quase todos os jogos da campanha histórica do Ceará em 2017

Por Lyvia Rocha em Futebol cearense

6 de dezembro de 2017 às 06:45

Há 1 semana
O jogador virou xodó da torcida em pouco tempo (FOTO: Lucas Moraes/Cearasc.com)

O jogador virou xodó da torcida em pouco tempo (FOTO: Lucas Moraes/Cearasc.com)

O sorriso dentro da sala de imprensa não nega o grande acontecimento da carreira: um acesso à Série A. O jogador que chegou sem alarde, com uma desconfiança da torcida, aos poucos conseguiu se tornar um dos xodós da massa alvinegra. Assim é visto Richardson, atleta que atuou na Série B como 1º volante, 2º volante e até lateral-direito.

Antes de mais um treino, dessa vez mais relaxado, já que o Vovô já tinha garantindo o objetivo (palavra tão falada pelos jogadores durante todas as rodadas da Segundona), o jogador falou sobre os anos no América-RN, a passagem pela base do São Paulo e como chegou ao Alvinegro, em entrevista ao Tribuna do Ceará.

Tribuna do Ceará: O início da carreira foi em Natal. Como foi essa caminhada?
Richardson: Comecei desde pequeno mesmo. Sou de Natal, mas fui criado em São José de Niribu. Fui ao América de Natal com 12 para 13 anos, quando meu pai me levou para a escolinha e tudo se iniciou lá.

TC: Sempre atuou como volante?
R: Não! Primeiramente comecei como meia nas categorias de base. Mas coisas do destino me fizeram levar para ser volante. Eu era mais novo que a idade, mas já estava na sub-15, porém não jogava. Mas dois meninos acabaram com problema de lesão e o professor me chamou sabendo se eu já tinha jogado de volante, e foi assim que comecei.

TC: Tem preferência de ser primeiro ou segundo volante?
R: A questão de primeiro ou segundo caracteriza muito pela equipe e o treinador que está à frente. Eu comecei como segundo volante, porque já jogava como meia mais avançado, depois recuei para volante. Mas começaram as trocas de técnicos e fui me adaptando nas duas funções. Graças a Deus nunca tive problema, o importante é estar jogando.

TC: Você resolveu não assinar o contrato no América/RN e foi para a base do São Paulo. Por que não deu certo no time paulista?
R: Eu tive a oportunidade de assinar meu primeiro contrato aos 17 anos. Mas acabei não assinando e acabei indo para a base do São Paulo fazer testes, apesar de passar, mas o time era muito bom na época e acabei sendo emprestado para um time Águas de Lindoia, o Brasilis, e fiquei por lá no juvenil. Mas acabei voltando para o América/RN e assinei meu primeiro contrato.

TC: Você não teve chances no América/RN, foi para o Baraúnas e conseguiu o 1º acesso. Confere?
R: Sim. Antes do Confiança passei pelo Baraúnas para disputar o Estadual. Graças a Deus fui bem, mas acabei voltando para o América e não tive chances novamente por lá, retornei para o Baraúnas onde consegui meu primeiro acesso da Série D para a C.

TC: Foi nesse momento que surgiu o Confiança.
R: Isso. No final de 2012 eu tive a possibilidade de renovar com o América, mas eu resolvi ir para o Confiança para mudar de ares e também por achar que não ia ter oportunidades no América, pelo bom tempo que passei e não tive. Quis mudar e deu tudo muito certo no Confiança.

TC: Após muitos anos o Confiança foi campeão e vocês conseguiram um acesso. Qual a importância do time na sua trajetória?
R: Foi onde praticamente as portas começaram a se abrir. Eu tinha mais visibilidade. Fazia um tempo que o time não era campeão. Fomos campeões em 2014 e 2015. Conseguimos o acesso histórico da Série D para Série C, e lá as coisas começaram a acontecer e surgiu o convite para o Ceará.

TC: Sua amizade com Éverson foi importante para você vir ao Ceará?
R: Ele me incentivou sim. Sempre falava muito bem daqui. E Ele (Éverson) veio primeiro naquela batalha do Ceará para não ser rebaixado. Nós temos um contato muito bom e ficava mandando mensagem dizendo que estava acompanhando e torcendo para o que Ceará conseguisse escapar. Ele sempre foi contactando dizendo que aqui era muito bom pelo meu estilo de jogo.

TC: Chegando aqui você veio com desconfiança da torcida. Como foi isso para você?
R: Eu cheguei sem alarde. Claro que tinha a desconfiança por eu vir de um time da Série C e não ser tão conhecido. Eu tive as primeiras experiências de nem ir para os jogos, de não ser relacionado, mas sabia que quando eu tivesse oportunidade de jogar ia agarrar a oportunidade. Hoje a relação é bem diferente. Muitos torcedores dizem para eu não sair do Ceará que gostam muito do meu futebol.

TC: Qual foi o diferencial do ano de 2016 que o Ceará começou bem a Série B, mas caiu de rendimento no 2º turno e esse ano que conseguiu o acesso?
R: Nós queríamos o máximo colocar o Ceará na Série A para escrever nossa própria história. O ano passado tivemos muitas lições. Um primeiro semestre conturbado. Já no segundo semestre um primeiro turno excelente, mas um segundo que caímos de rendimento e não esperávamos. Mas eu não sei dizer realmente o que aconteceu.

TC: E porque aconteceu esse ano?
R: Esse ano foi completamente diferente. Apesar de alguns probleminhas, mas fizemos uma temporada excelente. Um título estadual e com o acesso. O nosso grupo é excelente, tivemos muitos jogos que foram decididos por jogadores que não eram titulares. Rafael Carioca, Arthur resolveu jogos para a gente. O próprio Magno Alves ficou alguns jogos sem atuar. Então, o que tenho que falar que esse ano o grupo e elenco foi muito forte.

Richardson ao lado de um ídolo alvinegro: João Marcos (FOTO: Reprodução/Instagram)

Richardson ao lado de um ídolo alvinegro: João Marcos (FOTO: Reprodução/Instagram)

TC: Você atuou esse ano também como lateral-direito. Você gosta?
R: Para falar a verdade, não (brincou). É difícil. Não é que não goste, eu não tenho dificuldades para jogar, sempre que joguei conseguir dar contar do recado, graças a Deus. Mas a gente está acostumado a participar mais do jogo e como lateral só participa quando a bola vai para o seu lado. Mas independente da posição, sempre que atuar com a camisa do Ceará me dedicarei para fazer meu melhor futebol.

TC: O desejo é seguir no Ceará?
R: Eu tenho um contrato longo e sim quero ficar no Ceará. Agora que conseguimos o acesso vai ser muito importante para nós, um campeonato bem difícil que é a Série A. Com pouco tempo estou com uma identificação muito grande com o clube. A ficha as vezes não cai que o torcedor gosta da gente. Mas recebi muitas informações nas redes sociais de carinho e comecei a entender mais sobre isso.

TC: Falando um pouco sobre a vida pessoal. Reparei que você tem várias tatuagens e algumas religiosas. Você tem alguma religião?
R: Todas as minhas tatuagens tem um significado. A primeira foi em homenagem a minha mãe Iolanda, uma de São Miguel Arcanjo e outra de “eu pertenço a Jesus”. Também tenho outras, no total são 7. Sobre religião eu não pertenço a nenhuma. Frequento qualquer local que me faça bem.

TC: O que mais você gosta na cidade?
R: São muitas coisas. Mas certamente a diversidade de restaurantes é muito boa. São várias opções de comida, tem de todo o tipo e isso eu gosto demais. Nas horas vagas gosto de frequentar esses lugares como minha esposa.