Acesso do Fortaleza não veio por acaso: foi fruto de um sopro de renovação no Pici
OPINIÃO

Acesso do Fortaleza não veio por acaso: foi fruto de um sopro de renovação no Pici

O publicitário Marcel Pinheiro, diretor do Fortaleza, analisa o papel da nova diretoria no retorno do clube à Série B

Por Tribuna do Ceará em Futebol cearense

25 de setembro de 2017 às 09:32

Há 4 semanas
O Leão está de volta a Série B (FOTO: Reprodução/Facebook)

O Leão está de volta à Série B depois de 8 anos (FOTO: Reprodução/Facebook)

* Por Marcel Pinheiro

Há alguns meses, eu conversava com a Toinha, a célebre funcionária com 47 anos de Fortaleza, sobre as condições do clube.

– Meu filho, o nosso destino era a Série D. A gente estava há 3 meses sem receber. A sede aqui era terrível.

E continuou:

– Essa janela aí – apontou para a janela da cozinha – estava emperrada. Eu nem lembrava que ela abria.

E não foi aquela a única janela que se abriu. Com a liderança discreta e inteligente de Luís Eduardo Girão, um sopro de renovação entrou no Pici. Não foi por sorte que o Fortaleza subiu. Não foram coisas do futebol. O Tricolor voltou à Série B porque, nos últimos três meses, fez tudo certo fora de campo.

Na nova gestão, cada diretoria é ocupada por um membro de perfil técnico, com papel bem definido. O diretor de futebol não dá pitaco nas finanças, o diretor de marketing não se intromete no jurídico. Assim como o Boeck não se aventura na lateral esquerda, nem o Hiago tenta pegar no gol.

Nesta gestão, o certo é o certo. Salários em dia, premiações acertadas com muita antecedência e um ajuste fiscal simples: se não entra receita, não se gera despesa. Hoje, nenhum recurso sai do Pici sem autorização por escrito do diretor do setor. Se o Papa pedir uma camisa, é capaz de o funcionário dizer:

– Ô Santidade, cadê a autorização do diretor?

Com muitas caras novas – novas mesmo, o Omar deve ter uns 18 anos -, a nova gestão não teve medo de inovar. Promoveu a paz e o bem em todos os jogos. Teve policial dando abraço grátis em torcedor, ingresso-família para levar as famílias de volta para o estádio, anúncio de jornal desejando feliz aniversário ao maior rival e teve, principalmente, o perdão. Além do regresso à Série B, 2017 vai ficar marcado por mais um retorno: Clodoaldo, o maior ídolo do clube dos últimos 20 anos, voltou para casa.

É claro que, mais cedo ou mais tarde, tudo isso ia se refletir em campo. E refletiu mais que a careca do Zago. A torcida começou a entender o trabalho, e a desconfiança virou apoio. O torcedor não perdeu nenhum treino. O Ligger não perdeu nenhuma bola. E o Bruno Melo, feito um veterano, pegou a bola e disse: deixa que eu bato. E a bola entrou, como o sol pela janela nova da Toinha.

Ferran Soriano, ex-dirigente do Barcelona, tem razão: futebol não é acaso. Acesso também não.

* Marcel Pinheiro é publicitário e Diretor Social e de Relações Públicas do Fortaleza.

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25 de setembro de 2017 às 09:32

Há 4 semanas
O Leão está de volta a Série B (FOTO: Reprodução/Facebook)

O Leão está de volta à Série B depois de 8 anos (FOTO: Reprodução/Facebook)

* Por Marcel Pinheiro

Há alguns meses, eu conversava com a Toinha, a célebre funcionária com 47 anos de Fortaleza, sobre as condições do clube.

– Meu filho, o nosso destino era a Série D. A gente estava há 3 meses sem receber. A sede aqui era terrível.

E continuou:

– Essa janela aí – apontou para a janela da cozinha – estava emperrada. Eu nem lembrava que ela abria.

E não foi aquela a única janela que se abriu. Com a liderança discreta e inteligente de Luís Eduardo Girão, um sopro de renovação entrou no Pici. Não foi por sorte que o Fortaleza subiu. Não foram coisas do futebol. O Tricolor voltou à Série B porque, nos últimos três meses, fez tudo certo fora de campo.

Na nova gestão, cada diretoria é ocupada por um membro de perfil técnico, com papel bem definido. O diretor de futebol não dá pitaco nas finanças, o diretor de marketing não se intromete no jurídico. Assim como o Boeck não se aventura na lateral esquerda, nem o Hiago tenta pegar no gol.

Nesta gestão, o certo é o certo. Salários em dia, premiações acertadas com muita antecedência e um ajuste fiscal simples: se não entra receita, não se gera despesa. Hoje, nenhum recurso sai do Pici sem autorização por escrito do diretor do setor. Se o Papa pedir uma camisa, é capaz de o funcionário dizer:

– Ô Santidade, cadê a autorização do diretor?

Com muitas caras novas – novas mesmo, o Omar deve ter uns 18 anos -, a nova gestão não teve medo de inovar. Promoveu a paz e o bem em todos os jogos. Teve policial dando abraço grátis em torcedor, ingresso-família para levar as famílias de volta para o estádio, anúncio de jornal desejando feliz aniversário ao maior rival e teve, principalmente, o perdão. Além do regresso à Série B, 2017 vai ficar marcado por mais um retorno: Clodoaldo, o maior ídolo do clube dos últimos 20 anos, voltou para casa.

É claro que, mais cedo ou mais tarde, tudo isso ia se refletir em campo. E refletiu mais que a careca do Zago. A torcida começou a entender o trabalho, e a desconfiança virou apoio. O torcedor não perdeu nenhum treino. O Ligger não perdeu nenhuma bola. E o Bruno Melo, feito um veterano, pegou a bola e disse: deixa que eu bato. E a bola entrou, como o sol pela janela nova da Toinha.

Ferran Soriano, ex-dirigente do Barcelona, tem razão: futebol não é acaso. Acesso também não.

* Marcel Pinheiro é publicitário e Diretor Social e de Relações Públicas do Fortaleza.

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Funcionária do Fortaleza há 46 anos percorre gramado de joelhos em agradecimento ao acesso

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