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O Tribuna do Ceará percorreu quase 1.000 quilômetros por estradas do Ceará para conhecer a rotina de seis das 24 escolas públicas que ocupam os primeiros lugares no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) no Brasil. No que diz respeito aos cinco primeiros anos do ensino fundamental, 77 das 100 melhores escolas do País estão no Ceará.

Reportagem e Foto: Jéssica Welma

Entrevista: Roberta Tavares

Filmagens: Nasion Frota

Design: Mayara Kiwi

Animação: Adriano Paiva

Edição: Rafael Luis Azevedo

Na sala de aula da escola São Joaquim, no distrito de Canto, em Coreaú, o livro de Geografia estava fechado sobre uma carteira vazia de aluno. As mesas foram afastadas para as laterais da sala para abrir espaço ao centro. Com as mãos sujas de cola e tinta guache, sete alunos do 6° ano não desgrudavam os olhos das maquetes que faziam para explicar a diferença entre metrópole e campo. Nenhum deles já visitou uma metrópole, mas nada que a leitura e a imaginação não propiciem o mínimo de conhecimento.

Foi esse mesmo grupo de alunos que, em 2015, obteve uma das mais altas médias na Prova Brasil, avaliação do Ministério da Educação (MEC) que analisa a aprendizagem dos alunos brasileiros em português e matemática. A nota da prova juntamente com o fluxo escolar (taxa de aprovação) são as bases do resultado do Ideb.

Neste ano, escolas de Coreaú e Sobral dispararam para o primeiro lugar no ranking nacional do MEC, com a média 9.8. Os municípios garantiram, respectivamente, outras duas e cinco escolas entre os 24 primeiros lugares do País.

Além delas, chama atenção a presença do município de Granja com três escolas entre as 24 melhores. Lá, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é o penúltimo mais baixo do Ceará, mas, nos últimos 10 anos, a Educação foi o índice que mais cresceu em termos absolutos na cidade.

Em todas as seis escolas visitadas, soluções simples - mas planejadas e executadas a rigor - desmistificam discursos de que, para avançar, a educação precisa de muito dinheiro e investimento em tecnologias.

Entre os exemplos da rotina das escolas, atividades tradicionais e semelhantes em todas elas: controle rigoroso da frequência escolar, reforço para alunos com dificuldades, avaliação constante, dever de casa, correção de tarefas em sala de aula, garantia da merenda escolar e do material didático.

Outras ações voltadas para a gestão também são partilhadas entre as escolas: consultorias educacionais, capacitação de professores, aumento salarial, premiação em dinheiro e autonomia da direção escolar.

A escolha do termo “rapadura” se dá pela presença do doce no cardápio das escolas de ensino fundamental, estabelecido no Programa Nacional de Educação Alimentar (Pnae) e disponibilizado pela Secretaria da Educação do Estado.

O Ceará é o maior produtor brasileiro da rapadura, que é fonte de energia, e rica em carboidrato, minerais como ferro, cálcio, potássio, fósforo e magnésio, vitaminas do complexo B e muito mais.

Como fonte de energia importante para o desempenho de atividades, a rapadura muito bem se relaciona com a disposição de alunos e professores do Ceará para mudar a realidade de pobreza no sertão, através da educação.

vALE DA RAPADURA É UMA ALUSÃO AO VALE DO SILÍCIO, IMPORTANTE POLO DE TECNOLOGIA NORTE-AMERICANO.

excelencia
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  • Coreaú

    1° lugar: São Joaquim, nota 9,8

    13° lugar: Coração de Jesus EMEIF, nota 9,2

    21° lugar: Pedro Conrado EMEIF, nota 9,0

  • Sobral

    1° lugar: Emílio Sendim, nota 9,8

    14° lugar: Antônio Custódio, nota 9,7

    10° lugar: Frederico Auto Correia, nota 9,3

    11° lugar: José da Matta e Silva, nota 9,3

    17° lugar: Vicente Antenor, nota 9,2

    18° lugar: Raimundo Pimentel Gomes, nota 9,2

  • Fortim

    3° lugar: Artur Lira EEF, nota 9,7

  • Massapê

    5° lugar: Francisco Severo de Araújo, nota 9,6

    9° lugar: Centro Comunitário São João Batista EEF, nota 9,3

  • Novo Oriente

    6° lugar: Francisco Rufino EEF, nota 9,5

  • Pedra Branca

    7° lugar: Joaquim Viana de Lima EEIF, nota 9,5

    16° lugar: José Mendes da Silva EEIF, nota 9,2

  • Granja

    8° lugar: Eliezer Arruda EEF, nota 9,3

    15° lugar: Dona Arzilia Mota EEF, nota 9,2

    22° lugar: Teodorico Guilherme Pereira EEF, nota 8,9

  • Brejo Santo

    12° lugar: Clotildes Moreira Tavares, nota 9,2

    20° lugar: José Francisco Nogueira, nota 9,0

  • Frecheirinha

    14° lugar: Nair Cunha Aguiar, nota 9,2

  • Reriutaba

    19° lugar: Antonio Alves de Sousa EEIF, nota 9,1

  • Independência

    23° lugar: Maria do Carmo Cardoso EEF, nota 8,9

  • Mombaça

    24° lugar: Maria Ambrozina Cavalcante EEF, nota 8,9

  • IDEB 2015

    Entenda o índice

    O que é o Ideb?

    O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica foi criado para avaliar a qualidade de escolas e das redes de ensino. Ele combina a taxa de aprovação escolar com o desempenho dos alunos.

    Como esse desempenho é medido?

    São usados os resultados de dois exames oficiais (Saeb e Prova Brasil), aplicados a cada dois anos no 5o e no 9o ano do ensino fundamental e no 3o ano do médio.

    Como são as provas?

    Elas avaliam os conhecimentos dos estudantes em português e matemática e acontecem em todas as escolas públicas com pelo menos 20 matriculados. No ensino médio e na rede privada, a aplicação é por amostragem.

    Fonte: Inep/MEC

    SOBRAL - CE

    “Seja bem-vindo à melhor escola do Brasil!”: essa é a primeira frase que se lê ao entrar na escola Emílio Sendim, no Centro de Sobral (a 250 quilômetros de Fortaleza). Às duas horas da tarde o ambiente é silencioso. As crianças estão nas salas de aula, todas lotadas de alunos em séries do primeiro ao quinto ano. Do lado de fora das salas, a coordenação e a cantina seguem à todo vapor. Por volta das 15 horas, quando disparar o sinal de intervalo, é preciso que a merenda esteja pronta, o pátio limpo, os brinquedos a postos e o espaço de leitura repleto de livros à disposição de quem quiser sentar-se numa almofada.

    A escola respira um mesmo objetivo: propiciar um ambiente saudável à educação, desde o portão de entrada aos banheiros, para que o resultado seja visto no desempenho dos alunos. Não por acaso, a escola Emílio Sendim obteve a nota mais alta (9.8) no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2015.

    Primeiro lugar no Brasil, a escola está inserida numa realidade educacional que já é referência no País. Sobral, há mais de 15 anos, investe incessantemente em políticas educacionais.

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    Escola Emilio Sendim, em Sobral: 1ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

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    Escola Emilio Sendim, em Sobral: 1ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

    A mudança começou quando uma avaliação interna do Município, no início dos anos 2000, mostrou que 48% dos alunos entre 7 e 8 anos eram analfabetos funcionais. “A partir dessa tomada de consciência de que os meninos não aprendiam a ler e a escrever no tempo certo e que também estavam, por todo o ensino fundamental, em uma condição de não-leitor, Sobral tomou a decisão de estruturar um projeto para dar conta das metas prioritárias que permanecem até hoje”, explica a secretária da Educação, Iracema Sampaio.

    Para contornar o problema, o município cearense apostou em um plano de gestão diferenciado. De acordo com o presidente do Instituto Alfa e Beto, João Batista Araújo, Sobral utilizou ferramentas cientificamente comprovadas para alfabetizar: no caso, o método fônico.

    “Em seguida trabalhou em questões de gestão escolar, com foco na frequência dos alunos, ensino estruturado e no uso de resultados para melhorar o desempenho dos alunos. Em paralelo, foi desenvolvendo estratégias cada vez mais eficazes para apoiar os professores, sempre no sentido de ajudá-los a assegurar o sucesso de cada aluno”.

    O foco era erradicar o analfabetismo, diminuir a evasão escolar, valorizar o professor e estabelecer a meritocracia, sempre no sentido de ajudar os professores a assegurar o sucesso de cada aluno.

    “Nas séries finais, os avanços só foram possíveis depois de garantir que os alunos chegassem em um nível adequado, o que faz poucos anos. O primeiro passo foi estruturar um currículo, oxigenar a escola e criar espaços para a maior participação e envolvimento dos alunos e instrumentalizar os professores no uso de técnicas eficazes de ensino”, indica João Batista.

    O resultado? Em 2009, o Ideb de Sobral superou a meta federal prevista para 2021, de 6,1 pontos. “Se fosse fácil, muita gente já teria copiado”.

    Alfabetização na Idade Certa

    A evolução de Sobral inspirou, em 2007, a criação, pelo Governo do Estado, do Programa de Alfabetização na Idade Certa, o Paic, com a meta de alfabetizar até o 2° ano. À época, o Ceará contabilizava 15, de 184 municípios, com nível adequado de alfabetização.

    Em 2015, a Avaliação da Educação Básica (Spaece) mostrou que 180 municípios encontram-se no padrão desejável, e os outros quatro, no padrão suficiente no que diz respeito à aprendizagem dos estudantes do 2° ano do Ensino Fundamental. Os dados foram divulgados em dezembro de 2016.

    Esta é a primeira vez que o Ceará alcança avaliação positiva em todos os municípios, nesse nível de ensino. Ao todo, 86% dos alunos finalizaram o 2º ano alfabetizados em 2015. Em 2007, este percentual era de apenas 39,9%, segundo a Secretaria da Educação do Estado.

    Reflexos

    Aos 12 anos, Gustavo Cauã Mendonça se vê num dilema: não quer deixar a escola Emílio Sendim quando concluir o 5° ano do ensino fundamental. Em 2016, Gustavo praticamente “morou” na escola: aulas regulares pela manhã e reforço no contraturno. “Ele vai em casa, almoça e volta”, conta a mãe, Gilvânia Mendonça, que atua no ramo de reciclagem.

    A família mudou-se para Sobral há pouco mais de um ano, e a qualidade da educação no município tem sido a principal razão para desistirem de retornar à Juazeiro do Norte, na Região do Cariri. Gilvânia se recorda da dificuldade do filho, no início das aulas, para acompanhar o ritmo. Hoje, no entanto, o prazer por estudar está incorporado à rotina de Gustavo. Mesmo que, em 2017, ele precise ser matriculado em outra escola o mais importante estará garantido: o direito de uma educação de qualidade.

    Quando toca o sinal do recreio, uma multidão de crianças começa a sair das aulas, as mais novas em fileiras que logo começam a ser desfeitas dada a ansiedade dos pequenos em ir brincar no pula-pula, jogar xadrez ou futebol de botão, correr para a quadra de esportes e, principalmente, merendar. No prato do dia, macarrão. Apesar de tantos avanços, ainda há crianças que fazem a primeira ou a melhor refeição do dia na escola.

    A diretora da Emílio Sendim há três anos, Mílvia Carvalho, conhece bem a realidade de cada aluno da escola. Enquanto observa as crianças no recreio, Mílvia pontua exemplos de alunos que, quando não estão na escola, os pais mandam para as ruas; alunos que vive em situação de extrema pobreza ou em famílias desestruturadas; e alunos pelos quais já foi necessário ir até a casa dos pais cobrar atenção à rotina escolar.

    Enquanto a realidade fora dos muros da escola não melhora, o esforço se mantém para garantir a qualidade das horas voltadas à educação.

    “Hoje, as escolas municipais (de Sobral) têm três autonomias: pedagógica, financeira e administrativa. Recebemos o Fundai, que é um fundo de manutenção que a secretaria disponibiliza na conta da escola para pagarmos todos os utilitários. A escola tem autonomia de elaborar seus projetos, de fazer seu acompanhamento dentro da escola. Eu, como diretora, se você me perguntar como é a aprendizagem de um aluno, tenho como dizer”, ressalta Mílvia.

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    Escola Antônio Custódio, em Sobral: 14ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

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    Escola Antônio Custódio, em Sobral: 14ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

    Aluno individualizado

    O discurso da diretora da escola Emílio Sendim se repete quando a conversa é com a diretora Rosa Maria Ferreira de Araújo, que já soma 15 anos de atuação na educação. Há quatro anos na gestão da escola Antônio Custódio, cuja nota no Ideb 2015 foi 9,7, Rosa também pontua o esforço desde a alfabetização, a seleção criteriosa de professores, as aulas no contraturno das crianças, o acompanhamento diferenciado a alunos e professores do 5° ano, dentre outras ações.

    “A gente tem um perfil, aluno por aluno, para ter uma ideia de onde a criança precisa melhorar”, afirma Rosa.

    Individualizar, minimamente, a atenção ao aluno é uma das atitudes comuns nas escolas melhor avaliadas. A Secretaria da Educação de Sobral fornece material básico de apostilas e livros didáticos do Governo Federal, e a escola produz o material que necessita de acordo com o aluno.

    “Na verdade, existem os níveis e as aprendizagens diferentes. Entretanto, quando uma criança faz um turno regular com uma professora e o contraturno com a mesma professora, em oito horas, é possível solucionar esse déficit de aprendizagem”, destaca a diretora.

    Auxiliadora Ferreira Araújo, de 35 anos, é coordenadora pedagógica do 5° ano na Antônio Custódio. Seu trabalho acontece diretamente junto ao professor, auxiliando na aplicação do cronograma de atividades e acompanhando o desempenho de cada aluno. “Cada ano é diferente. Os alunos que fizeram a Prova Brasil no ano passado eram uns, os que farão a prova em 2017 serão outros, mas nosso objetivo é sempre o 10”, reforça.

    O trabalho motivacional em busca da excelência vai além do ensino do português, da matemáticas e das outras disciplinas. A voz em coro dos alunos, quando um visitante entra na sala de aula, não deixa dúvidas: "Seja bem-vindo à nossa sala do primeiro ano A, prontos pra ganhar", cantam alto os alunos da escola Antônio Custódio que, em 2017, serão avaliados enquanto alunos do 2° ano.

    Futuro

    Referência nacional, o desafio de Sobral é manter os resultados e refleti-lo em outras séries. No caso do ensino fundamental II, que abrange do 6° ao 9° ano, o município obteve média 6.3, acima da média nacional, de 4.5. "Precisamos avançar numa política de Fundamental II, não é simplesmente transferir as experiências que a gente tem de formação, de acompanhamento", pontua a secretária Iracema Sampaio.

    Para os próximos anos, Sobral aposta na abertura de escolas de tempo integral para alunos de 6° ao 9° anos. "A gente espera dar um grande salto de qualidade na educação desses meninos de 11 a 14 anos que, de fato, como se apresenta o resultado do Ideb, requer um olhar muito criterioso. É uma faixa etária mais vulnerável. A escola pode ser um grande espaço de potencializar as condições para que esses meninos aprendam e concluam seus estudos", afirma Iracema.

    Casa de Avaliação

    Sobral é o único município do Ceará que possui uma instituição própria responsável por medir os índices da educação dos estudantes. Todos os alunos, desde a educação infantil V até o nono ano, são avaliados.

    Avaliação de leitura oral

    Desde 2001, a Secretaria da Educação de Sobral promove uma avaliação de leitura oral, gravada, com meninos em idade de alfabetização. Um avaliador utiliza diferentes kits de leitura para identificar, individualmente, a capacidade de cada criança. A partir disso, é possível perceber em qual nível a criança em alfabetização está, se leitora de texto, de frase ou de palavra.

    Novo Currículo

    Desde 2014, Sobral estrutura um novo currículo próprio para a rede municipal de ensino.

    *95% dos alunos da rede pública de Sobral são considerados leitores fluentes de texto no 2° ano.

    Ações adotadas em Sobral

    Formação de professores

    Garantia de material didático e pedagógico

    Avaliação interna do município por semestre

    Resultados de avaliações disponibilizadas para as escolas

    Acompanhamento das ações pedagógicas

    Escola de formação para professores

    Premiação em dinheiro para professores que passam a dar resultados importantes

    Autonomia ao diretor para contratar equipe de gestores e definir gastos da escola

    COreau - CE

    Antônia Benedita Frota de Aguiar é uma menina de 12 anos, negra, franzina e moradora de uma comunidade quilombola no município de Coreaú. De fala baixa e olhar desconfiado, mas atento, Benedita conta que sai de casa pela manhã para aula que começa à tarde e tem orgulho de estudar em uma das escolas melhor avaliadas do Brasil, segundo o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), a escola São Joaquim.

    Benedita é estudante do 6° ano e tem um dos menores índices de falta, apesar da distância entre sua casa e a escola. O transporte escolar não chega até a comunidade onde vive, porque as estradas não permitem. O jeito é recorrer a uma carona de moto, de bicicleta ou ir até a escola a pé mesmo. Antes da aula começar, ela espera na casa de uma amiga.

    Não há registro da localização da escola em GPS. Situada no distrito de Canto, a escola fica a cerca de meia hora do centro da cidade. O acesso se dá por uma estrada de chão batido, com curvas fechadas, que deixa um rastro de poeira amarela quando por ela se passa. Por todos os lados, vê-se carnaúbas, uma árvore endêmica do semiárido nordestino e símbolo do Estado do Ceará desde 2004. A carnaúba é conhecida como "árvore da vida", dada a infinidade de usos para o homem.

    No distrito de Canto, as carnaubeiras, se não responsáveis pela vida em si, são a principal fonte de subsistência dos moradores da região. Ao longo da estrada até a zona urbanizada, vê-se casas simples, algumas de barro, outras bem pequenas de tijolos. Às 14 horas, não há ninguém nas ruas, dada a intensidade do sol e a rotina sossegada dos moradores do distrito.

    Ao final da estrada, avista-se a escola São Joaquim que, em 2016, conseguiu a façanha de empatar com a escola Emílio Sendim, de Sobral, no primeiro lugar do Ideb, com a nota 9,8. Ainda que o modelo de gestão da educação seja inspirado no município vizinho, a mudança de postura em Coreaú é recente, e as dificuldades ainda são explícitas.

    No turno da tarde, funcionam as turmas de 6° ao 9° ano em quatro salas. A fachada da escola é limpa e ainda preserva certa pintura, já desbotada, nas cores amarelo, vermelho e azul, com a logomarca da Prefeitura de Coreaú.

    A turma de Benedita, na tarde do dia 30 de novembro, estudava as diferenças entre metrópole e zona rural na aula de Geografia. De tão intenso o sol que entra pelas frestas dos combogós, a sala ganha um tom amarelado. Há muita poeira em todos os lugares. Nas carteiras, nos ventiladores, nos cartazes pregados nas paredes. Os alunos já estão acostumados.

    Parceria para o Ideb

    As oito crianças da sala de Benedita foram avaliadas em 2015 na Prova Brasil. Para constar no ranking do Ideb, a escola precisa de, no mínimo, 20 alunos. Foi daí que surgiu a parceria com outra escola de mesmo perfil em Coreaú. São Joaquim uniu seus oito alunos aos 16 da escola Vereador Raimundo Cardoso de Albuquerque, do distrito de Boqueirão, também na zona rural do município.

    O que pode parecer uma facilidade, na verdade, foi um desafio a mais para ambas as escolas. Era preciso garantir o mesmo nível de aprendizagem nos dois trabalhos paralelos.

    "Se você tem uma turma de 30 alunos é mais fácil conseguir um bom desempenho, porque cada um vai ter uma porcentagem mínima. Se você tem 10 alunos, cada um já vale 10%. É mais difícil para as escolas pequenas, porque cada aluno vale uma porcentagem muito grande", ressalta o diretor da escola São Joaquim, José Maria Elias Carneiro.

    A semelhança no nível das duas turmas foi detectada nas avaliações desenvolvidas pelas escolas. O diretor do colégio do Boqueirão, Marcos Farias da Silva, destaca que o esforço de educação começa com um diagnóstico pessoal de cada aluno para, depois, ser traçada uma estratégia.

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    Escola São Joaquim, em Coreaú: 1ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

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    Escola São Joaquim, em Coreaú: 1ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

    Famílias do campo

    Ainda que a população da zona rural de Coreaú tenha pouca escolaridade, a importância da educação dos mais jovens já é incorporada à rotina das comunidades.

    "Hoje temos a parceria da família do campo que, por mais que não saiba ler e escrever, não saiba o que fazer ou, pelo menos, acompanhar a atividade de fato do aluno, está ali preocupada, está conduzindo o aluno para ir à sala de aula diariamente", afirma Marcos.

    Mesmo assim, são muitos os desafios para se priorizar a educação em meio à rotina do campo. "Primeiro a questão do transporte. O aluno chega a faltar por problemas como falta de pneu, o percurso que se torna um problema na época do inverno, doenças por consumo de água. Essas duas comunidades não têm água canalizada, é água de cacimba, de poço, que causa problema de disenteria, febre", explica o diretor.

    A maioria das causas de infrequência são relacionadas a problemas de saúde. Em 2016, relembra José Maria, houve um período de 15 a 20 dias em que a escola sofreu com um surto de catapora. Além disso, os períodos de colheita da carnaúba também afetam a rotina dos estudantes que precisam cuidar de irmãos mais novos ou ajudar nas atividades domésticas enquanto os pais trabalham na colheita.

    "Tem alunos que ajudam os pais em trabalhos do lar, chegam cansados, alguns vêm de longe, vêm a pé, outros não se alimentam direito e não têm ânimo para estudar e a gente vai buscar eles para que consigam ter um estudo bem amplo", frisa a professora Francisca Eliete da Costa, de 24 anos, quatro deles dedicados aos alunos da São Joaquim.

    A escola tenta dar o máximo suporte à aprendizagem, apesar das dificuldades de estrutura física que ainda existem. A escola apresenta rachaduras nas paredes, portas velhas e com a madeira descascada, paredes sujas e um problema crônico com cupins.

    ESCOLA CORAÇÃO DE JESUS

    Uma escola com estrutura melhor é o sonho de Keuliane Monte, de 11 anos, estudante do 5° ano da escola Coração de Jesus, no distrito de Aroeiras, também em Coreaú. A escola tem um dos melhores desempenhos no Estado nas avaliações do Ideb dos últimos anos. Em 2015, obteve a oitava maior nota do Brasil: 9,2. A média do município de 4,9 em 2011 subiu para 7,8 em quatro anos.

    A mudança no desempenho das escolas também passou por uma decisão de gestão no topo do Poder Executivo. A secretária da Educação nos últimos quatro anos, Sâmia Fernandes, trabalhou na secretaria da Educação de Sobral, antes de assumir a gestão da área na cidade vizinha.

    Uma das primeiras medidas em 2013 foi contratar uma consultoria especializada para detectar os pontos de falha na educação das crianças, desde a atuação de diretores a professores. O município descobriu que 46% dos alunos do último ano do ensino fundamental não sabiam ler e escrever.

    “De um lado, nós precisávamos alfabetizar as crianças, do outro a gente precisava investir nas crianças que tinham uma década de estudo perdido. Atacamos por todas as pontas”, ressalta a secretária.

    Segundo Sâmia, outro desafio foi promover mudanças dentro do mesmo orçamento financeiro. Não houve novos investimentos, mas adoção de métodos já conhecidos, como gratificação aos professores, aumento de salário, 1/3 da carga horária para planejamento das aulas, capacitação especializada para profissionais da educação, autonomia aos diretores, garantia de material e da merenda escolar.

    "A gente sabe que, nas cidades pequenas, tudo gira em torno da política partidária. A educação ficou isenta disso, não houve política partidária dentro da educação, trabalha quem é bom, não houve indicação. Aqui ficou quem é bom, quem dá conta do serviço", reforça a diretora da Coração de Jesus, Piedade Araújo.

    Ela se recorda de quando começou a trabalhar no município. "A realidade era completamente diferente, a gente não tinha foco, a educação não tinha foco, não tinha objetividade. A primeira coisa que a gente caracterizou foi o que a gente queria alcançar, e a gente queria alcançar esse índice, isso era meta nossa", comemora Piedade sobre o resultado no Ideb.

    Apoio a outras escolas

    Hoje, a escola Coração de Jesus, por ter um dos melhores desempenhos também no Spaece, do Governo do Estado, adota escolas do município de Maracanaú, na Região Metropolitana de Fortaleza.

    O Governo do Estado determina parceria entre as 150 melhores escolas e as 150 piores escolas. São custeadas viagens entre as cidades e outras ações.

    “A realidade de Maracanaú em relação a nossa é muito distante. A infraestrutura é maravilhosa, mas, em relação ao pedagógico, que é o que importa para alcançar esses índices, é muito desfocada. Eles não têm uma autonomia de trabalho como a gente tem aqui. Sem autonomia não se faz um bom serviço. Lá, o salário é o dobro do que a gente recebe aqui", pontua Piedade.

    Escola Coração de Jesus, em Coreaú: 13ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

    Escola Coração de Jesus, em Coreaú: 13ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

    Escola Coração de Jesus, em Coreaú: 13ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

    Escola Coração de Jesus, em Coreaú: 13ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

    Escola Coração de Jesus, em Coreaú: 13ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

    Escola Coração de Jesus, em Coreaú: 13ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

    Escola Coração de Jesus, em Coreaú: 13ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

    Escola Coração de Jesus, em Coreaú: 13ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

    Escola Coração de Jesus, em Coreaú: 13ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

    Escola Coração de Jesus, em Coreaú: 13ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

    Escola Coração de Jesus, em Coreaú: 13ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

    Escola Coração de Jesus, em Coreaú: 13ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

    Escola Coração de Jesus, em Coreaú: 13ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

    Escola Coração de Jesus, em Coreaú: 13ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

    Escola Coração de Jesus, em Coreaú: 13ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

    Escola Coração de Jesus, em Coreaú: 13ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

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    Escola Coração de Jesus, em Coreaú: 13ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

    Escola Coração de Jesus, em Coreaú: 13ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

    Escola Coração de Jesus, em Coreaú: 13ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

    Escola Coração de Jesus, em Coreaú: 13ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

    Escola Coração de Jesus, em Coreaú: 13ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

    Escola Coração de Jesus, em Coreaú: 13ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

    Escola Coração de Jesus, em Coreaú: 13ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

    Escola Coração de Jesus, em Coreaú: 13ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

    Escola Coração de Jesus, em Coreaú: 13ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

    Escola Coração de Jesus, em Coreaú: 13ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

    Escola Coração de Jesus, em Coreaú: 13ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

    Futuro

    Como a verba da Educação em Coreaú foi destinada à capacitação de professores e garantia de material escolar e merenda, pouco restou para a melhoria da estrutura física, uma das metas para o futuro.

    Keuliane, durante a reportagem, se preparava para a avaliação do Spaece de 2016. Ela sonha ser médica. Como a mãe é professora na Coração de Jesus, a garota é uma das primeiras a chegar à escola. A manhã começa com o "desafio do dia", o momento da aula preferido de Keuliane, quando a professora escreve contas de matemática no quadro e desafia os alunos a resolverem.

    Para um futuro bem próximo, o sonho de Keuliane é estudar com melhor estrutura física. "Às vezes, tem reforço nessa sala à tarde. Como é muito quente, eu pediria que botasse um ar-condicionado, o ventilador às vezes tem um vento muito quente. O último pedido é que, tem uma sala ali que os quadros estão com cupins, os cupins roeram, eu pediria que trocassem todos os quadros daqui", diz a menina.

    É na expressão dos alunos que a professora Piedade Cunha, responsável pelo 5° ano, se satisfaz em sua profissão. No dia a dia, ela percebeu que era necessário estimular o aluno para que ele se sentisse parte do processo de educação.

    "Quando os alunos se sentem inseridos, importantes, eles mudam o comportamento. Tanto que um aluno, se o coleguinha faltar com a tarefa, ele mesmo cobra, não somos nós professores que vamos cobrar. Eles se sentem parte desse sucesso, por isso acredito que as consequências vieram", comemora.

    Granja - CE

    "Em um lugar muito distante, onde tudo é verdejante, lá no fim do arco-íris, morava o Grilo Lino, bichinho verdinho, de pernas compridas, que vivia a cantar, procurando um amigo para poder cativar": todos na sala de aula da escola Eliezer Arruda, no município de Granja, param para ouvir a pequena Eulaila Souza, de 5 anos, ler a história “O Grilo e a Lua”.

    Ela ainda nem começou o ensino fundamental e tem uma fluência de leitura no nível de alfabetização. A cadência da leitura, a pontuação bem marcada e a entonação chamam atenção. Eulaila é um dos exemplos do esforço de educação na escola, que está entre as 10 primeiras colocadas no ranking do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2015.

    Segundo o Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, Granja tem o segundo menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Ceará - que mede a qualidade de vida da população, na frente apenas do município de Salitre, o mais miserável do Estado. Os dados do último levantamento, em 2010, mostram que, no período de 10 anos, a Educação foi o índice que mais cresceu em termos absolutos na cidade. No Ideb 2015, Granja tem três escolas entre as 24 melhores do País.

    A mãe de Eulaila, Aparecida Souza, 24, é toda orgulho da filha. “Depois que ela começou a estudar aqui, se desenvolveu bastante, os professores são todos muito empenhados no que fazem”, pontua. A jovem acompanha de perto a educação da filha.

    A parceria da família com a escola é um dos diferenciais apontados por Eliane Pinheiro, 35, mãe de Lucas Pinheiro, de 8 anos, aluno avaliado na Prova Brasil de 2015 na Eliezer Arruda. “Trabalho em outra escola e não vejo o acompanhamento das famílias. Aqui, em toda reunião, os pais estão presentes”, ressalta.

    Em 10 anos, de 2005 a 2015, o Ideb de Granja no Ensino Fundamental I subiu de 3,3 para 7,3. A escola Eliezer Arruda mais que dobrou a nota no exame de 2013 para 2015, de 4,0 para 9,3, superando a meta projetada para 2021, de 5,6.

    O modelo para a nova realidade vivida pela educação segue padrões adotados nos municípios vizinhos, inspirados principalmente na gestão de Sobral: capacitação de professores, garantia de material escolar, atenção individualizada a alunos com maior dificuldade, controle da frequência, merenda escolar de qualidade e foco na habilidade de leitura.

    Granja, como outras dezenas de municípios do Ceará, mais do que simplesmente figurar nas primeiras posições de rankings de avaliação, conseguiram algo ainda mais extraordinário: atender alunos de baixíssima renda e elevar seus conhecimentos a níveis de estudantes de nações mais desenvolvidas.

    Escola Eliezer Arruda, em Granja: 8ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

    Escola Eliezer Arruda, em Granja: 8ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

    Escola Eliezer Arruda, em Granja: 8ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

    Escola Eliezer Arruda, em Granja: 8ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

    Escola Eliezer Arruda, em Granja: 8ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

    Escola Eliezer Arruda, em Granja: 8ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

    Escola Eliezer Arruda, em Granja: 8ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

    Escola Eliezer Arruda, em Granja: 8ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

    Escola Eliezer Arruda, em Granja: 8ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

    Escola Eliezer Arruda, em Granja: 8ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

    Escola Eliezer Arruda, em Granja: 8ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

    Escola Eliezer Arruda, em Granja: 8ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

    Escola Eliezer Arruda, em Granja: 8ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

    Escola Eliezer Arruda, em Granja: 8ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

    Escola Eliezer Arruda, em Granja: 8ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

    A maior parte dos cerca de 52 mil habitantes de Granja vive na zona rural. Os alunos dependem do transporte escolar oferecido pela Prefeitura. O sub-secretário da Educação, Fernando Angelim, afirma que a gestão tem priorizado a qualidade do transporte e substituídos os velhos “paus de arara”, mas a precariedade dos veículos ainda é gritante. Enquanto a reportagem do Tribuna do Ceará acompanhava a saída dos alunos, duas caminhonetes foram flagradas.

    “Quando recebemos o município, tínhamos 14 escolas entre as 150 piores do Estado. No primeiro ano (de gestão) começamos a resolver. Conseguimos colocar três escolas, em 2014, entre as 150 melhores do estado. Em 2015, conseguimos colocar cinco entre as 100 melhores do Brasil”, afirma Fernando.

    Dentre as mudanças, uma atenção especial à alimentação das crianças. O município passou a controlar a distribuição da alimentação para que não houvesse lacuna no abastecimento e a ofertar dois lanches para os alunos da educação infantil: um quando a criança chega à escola e outro no horário tradicional de intervalo.

    "Uma criança melhor alimentada aprende melhor", pontua a diretora da escola, Denise Pereira.

    Na prática

    Local, data, destinatário, saudação, assunto, despedida e assinatura: no dia em que o Tribuna do Ceará visitou a escola Eliezer Arruda, os alunos do 2° ano aprendiam a escrever uma carta. O destinatário era o mesmo: o Papai Noel. Antes, liam "A Carta do Gatinho para o Papai Noel", com todos os exemplos.

    "Querido Papai Noel, sei que neste ano não me comportei como deveria, rasguei o sofá, a cortina, quebrei o jarro da mesa da mamãe...", confessava o gatinho. A partir do lúdico, as crianças vão aprendendo as regras da escrita e desenvolvendo as habilidades de uma boa alfabetização.

    "Aqui, a gente não prepara só para a prova (Prova Brasil). Tem uma mãe que sempre diz pra mim que o filho dela não sabia ler, e o marido dela dizia que ele não aprendia porque tinha deficiência. Ela dizia: 'Ainda vou encontrar uma professora que vai fazer com que meu filho aprenda'", conta orgulhosa a professora Maria do Livramento Monção de Carvalho, de 26 anos.

    Escola Arzília Mota, em Granja: 15ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

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    Escola Arzília Mota, em Granja: 15ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

    Escola Arzília Mota, em Granja: 15ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

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    Escola Arzília Mota, em Granja: 15ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

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    Escola Arzília Mota, em Granja: 15ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

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    Escola Arzília Mota, em Granja: 15ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

    Escola Arzília Mota, em Granja: 15ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

    Escola Arzília Mota, em Granja: 15ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

    Escola Arzília Mota, em Granja: 15ª do País (Foto: Jéssica Welma/Tribuna do Ceará)

    Indisciplina

    Diante dos esforços para alavancar a educação, a gestão de Granja esperava bons resultados no Ideb, mas se surpreendeu com a presença de três escolas no topo do País. Outra delas, a escola Dona Arzília Mota, recebe o nome de uma ex-professora do município e está localizada em um dos bairros mais pobres da cidade, o São Pedro.

    "Aqui é todo mundo pobre mesmo, não tem 'classe média baixa'. A maioria das famílias são carentes de tudo, carentes financeiramente, carentes de educação, carentes de cultura", lamenta o diretor da escola, Pedro Elias Sousa.

    Há pais que, diante da pouca educação que receberam, não veem futuro em mandar o filho para escola, não enxergam perspectivas de melhorar de vida através da escola.

    No final de 2012, quando a nova diretoria chegou à escola, a Arzília Mota, por estar entre as 150 piores do Estado, era apoiada por outro município. De lá para cá, a realidade mudou. Hoje, a Arzília Mota apoia escolas no município mais rico do Estado: a capital, Fortaleza. Nessa relação, as escolas fazem seis visitas uma a outra para trocar experiências sobre o dia a dia e as metodologias utilizadas para melhorar a condição da parceira.

    "O maior desafio hoje é a questão da disciplina. A indisciplina é o que tem causado grandes transtornos na escola, dificultando o trabalho do professor", ressalta Elias. Há casos em que os pais dos alunos são convidados para assistir à aula junto ao filho.

    Não à toa, o problema é pontuado em todos os níveis. O aluno Marcelo Magalhães, de 12 anos, um dos destaques da escola, afirma que, se pudesse promover alguma mudança, ela seria no compromisso dos outros colegas.

    "Eu queria que os alunos focassem mais nos estudos, porque não tem muito aluno focado. Melhoraria (isso) para a escola ter mais desempenho", diz Marcelo.

    A professora Niciane dos Santos Dourado, de 34 anos, dá aulas na Arzília Mota há oito e frisa que o maior desafio nesse tempo foi estabelecer uma parceria com a comunidade. "Quando os pais começaram a se conscientizar que o aluno, quando chega em casa, também tem que estudar, o rendimento começou a melhorar", afirma.

    Os planos para 2017 são positivos: com o dinheiro que recebem do Governo do Estado quando são avaliadas como Escola Nota 10, a previsão é de levar mais conforto para os alunos, com algumas salas de aula climatizadas.

    A educação possibilita avanços. Se nem sempre físicos e imediatamente visíveis, como uma boa estrutura escolar; esses avanços se operam dentro de cada aluno e de cada família, abrindo caminhos para um futuro com novas oportunidades.

    No estudo, apenas três escolas, em todo o Brasil, passaram pelo teste de seleção. Todas no Ceará: E.E.F. Manoel Luiz de Carvalho (Pedra Branca), E.E.F. Miguel Antonio de Lemos (Pedra Branca) e E.E.F. Maria Leite de Araújo (Brejo Santo). Após ajuste dos critérios, foi acrescida a escola Gerardo Rodrigues (Sobral) e outras duas, de Belo Horizonte e São Paulo.

    Fatores que influenciam a menor taxa de sucesso nos anos finais

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