2014, o ano das bikes em Fortaleza

Este foi o ano das bikes em Fortaleza. Nunca se falou tanto sobre ciclofaixas quanto agora. Se 2013 foi ano de controvérsia após a instalação das primeiras na cidade, 2014 foi ano de adaptação às mudanças. Tenha ou não bicicleta, pedale ou não em bikes alugadas, é fato: as ciclofaixas poderão ajudar a destravar o trânsito da capital, caso o fortalezense prefira pedalar ao invés de dirigir em pequenos deslocamentos. A gente torce que 2015 seja o ano dessa descoberta.

Sobre duas rodas

O ano está acabando, mas ainda falta muito para que seja construída uma Fortaleza verdadeiramente amiga das bicicletas. As conquistas ao longo de 2014 deram algumas pedaladas em rumo a uma cidade com mais espaços para os meios de transporte, principalmente para as “magrelas”.

Nesse ano, as bikes ganharam as ruas, e o tema da mobilidade urbana sustentável conquistou espaço na cobertura da mídia, nas redes sociais e no debate público sobre o futuro da cidade. Só para ter uma noção, Fortaleza foi a única cidade onde os torcedores podiam chegar ao estádio da Copa do Mundo em bicicletas articuláveis: as bicicletáxis. Isso mesmo!

Frota de bicicletáxis levará torcedores até o estádio Castelão na Copa do Mundo (FOTO: Tribuna do Ceará/Rafael Luís Azevedo)

Frota de bicicletáxis levará torcedores até o estádio Castelão na Copa do Mundo (FOTO: Tribuna do Ceará/Rafael Luís Azevedo)

Independente se os fortalezenses eram a favor ou contra a instalação de ciclofaixas, no fim de 2013 foram implantadas nas ruas Ana Bilhar e Canuto de Aguiar. Mas foi em 2014 que as polêmicas sobre o uso efetivo delas vieram à tona. “Essa ciclofaixa não serve pra nada. E pouco passa bicicleta por aqui”. Essa era uma queixa recorrente sobre as faixas de ciclistas instaladas nas duas vias.

Pedala, Fortaleza!

Pensando em responder à pergunta se as ciclofaixas eram usadas ou faziam jus à típica declaração, seis repórteres do Tribuna do Ceará se dividiram na contagem de bicicletas que passaram pelas ciclofaixas. Nos quatro dias consecutivos de levantamento, passaram 1.109 bicicletas. Média de 23 por hora. A constatação da utilização do novo espaço para os ciclistas rendeu um hotsite sobre o tema, publicado em janeiro deste ano.

Dentre as bicicletas contabilizadas, a imensa maioria no guidão era formada por trabalhadores. Isso ficava evidente pelas bolsas e mochilas que carregavam. O visual tradicional de quem pedala por prazer foi mais comum em dois horários, no início da manhã e no fim de tarde. Mesmo entre eles, houve quem adotasse as bicicletas após a chegada das ciclofaixas. Sinal de que há espaço para uma nova cultura.

Reivindicação de mais ciclofaixas

Enfileirados na rua Joaquim Nabuco, a opinião dos ciclistas é unânime: falta espaço para quem anda de bicicleta em Fortaleza (FOTO: Thalyta Martins)

Enfileirados na rua Joaquim Nabuco, a opinião dos ciclistas é unânime: falta espaço para quem anda de bicicleta em Fortaleza (FOTO: Thalyta Martins)

Já com as ciclofaixas instaladas na Ana Bilhar e na Canuto de Aguiar, dois protestos, nos meses de janeiro e fevereiro, movimentaram a comunidade ciclística de Fortaleza para exigir da prefeitura a implantação imediata de mais ciclofaixas na cidade.

Entre buzinas e apitos, ciclistas se reuniram para cobrar implantação do plano de sistema cicloviário em outras vias da cidade, como nas ruas Oswaldo Cruz e Joaquim Nabuco. Os protagonistas foram os ciclistas da capital, integrantes ou não da Associação Ciclovida, Massa Crítica e Viva Fortaleza. O início das obras estava marcado para 15 de dezembro de 2013, mas nada foi feito ainda.

O próprio coletivo Massa Crítica cansou de esperar e, em setembro, desenhou mais caminhos para bicicletas nas duas ruas. O grupo realizou a mesma ação, pintando ciclofaixas não oficiais na Avenida Aguanambi e início da Avenida Dom Manuel. Na época, a Autarquia Municipal de Trânsito (AMC) pronunciou, por meio de nota, e classificou a ação de “um ato de vandalismo lamentável”.

Ampliação do número de ciclofaixas

De janeiro a novembro deste ano, depois de solicitações dos movimentos de ciclistas, outras ciclofaixas foram instaladas na cidade, nas Avenidas Santos Dumont e Dom Luís (em junho), na Avenida Rui Barbosa (em outubro), na Avenida Antônio Sales e ruas Deputado Moreira da Rocha e Carlos Vasconcelos (em novembro).

A previsão é de que os bairros Bom Jardim e Granja Portugal recebam faixas exclusivas para bikes. “A priorização das bicicletas foi sugerida após a realização de estudos que analisaram os locais apropriados para o tráfego do transporte não-motorizado, considerando critérios como o quantitativo de bicicleta, volume de ônibus e a função da via”, explica a assessoria da Secretaria de Conservação e Serviços Públicos (SCSP).

Ciclofaixa de lazer

Iniciativa foi iniciada pela Prefeitura no último domingo, 21, e deve se estender em Fortaleza a todos os domingos, de 7h às 13h (FOTO: Tribuna do Ceará/Daniel Herculano)

Iniciativa foi iniciada pela Prefeitura no último domingo, 21, e deve se estender em Fortaleza a todos os domingos, de 7h às 13h (FOTO: Tribuna do Ceará/Daniel Herculano)

Em setembro, mais uma pedalada foi dada em benefício às bicicletas. A ciclofaixa de lazer, uma faixa isolada para as bikes, que liga a ciclovia da Avenida Washington Soares ao Passeio Público, no Centro, foi inaugurada pela Prefeitura de Fortaleza. O fortalezense conta com 10 km de ciclofaixas para pedalar pela cidade. Com o objetivo de movimentar a cidade no domingo, a faixa para as “magrelas” é sinalizada por cones das 7h às 13h. O preço médio de fretamento das bicicletas é de R$ 20.

Os ciclistas contam com três pontos de apoio, sendo um no anfiteatro do Parque do Cocó, outro no aterro da Praia de Iracema e no Passeio Público. Segundo a estimativa da Secretaria de Conservação e Serviços Públicos, cerca de 4 mil pessoas pedalaram no dia da inauguração ao longo do trecho isolado, inclusive o coordenador do Plano de Ações Imediatas de Transporte e Trânsito (Paitt), Luís Alberto Saboia.

“Tem a frase do Gandhi que diz: ‘seja a mudança que você quer ver no mundo’. Seria incoerência eu convidar as pessoas a usarem o sistema e eu não usar. Comprei a minha bicicleta para uso pessoal e fui às primeiras edições da Ciclofaixa de Lazer. No percurso tem uma série de serviços disponibilizados, resolvi conferir o meu nível de glicemia e descobri que sou um pré-diabético. Isso na Ciclofaixa de Lazer! Está vendo a importância?”, lembra Saboia.

Bicicletas compartilhadas

As estações de compartilhamento de bicicletas serão implantadas em regiões de Fortaleza com alta diversidade de uso (comércio, lazer, residência, serviços) (FOTO: Divulgação)

As estações de compartilhamento de bicicletas serão implantadas em regiões de Fortaleza com alta diversidade de uso (comércio, lazer, residência, serviços) (FOTO: Divulgação)

Os Sistemas de Bicicletas Compartilhadas (SBCs) são uma nova oferta de transportes e estão estreitamente ligadas às questões de mobilidade urbana e reordenação do espaço urbano. Fortaleza terá o sistema, com a finalidade de transformar o equipamento em um modal, proporcionando à população mais uma opção de transporte. A ideia do plano é que o fortalezense possa retirar a bicicleta em um determinado local e devolver em outro. O programa faz parte do Plano de Ações Imediatas de Transporte e Trânsito (Paitt).

O modelo já é adotado em várias capitais brasileiras, como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Recife e Salvador, bem como em cidades mundo afora: Paris, Londres, Nova York, Barcelona, Lyon, entre outras.

As estações de compartilhamento de bicicletas serão implantadas em regiões de Fortaleza com alta diversidade de uso (comércio, lazer, residência, serviços), próximas a terminais e estações de transporte públicos, bem como a outros pontos de grande atratividade. A cidade deverá ter 40 estações, totalizando 400 bicicletas compartilhadas em circulação em Fortaleza. Para usar a bicicleta, os interessados deverão se cadastrar e optar pelo pagamento de taxa diária (R$ 5), mensal (R$ 10) ou anual (R$ 60). Usuários do Bilhete Único estão isentos da cobrança da taxa.

O apurado de 2014

Atualmente, Fortaleza conta com 113 quilômetros de infraestrutura cicloviária. Em conjunto com o Sistema de Bicicletas Compartilhadas, também devem ser implantadas mais ciclofaixas e ciclorrotas, previstas no Plano Diretor Cicloviário Integrado (PDCI).

“O balanço de 2014 é extremamente positivo, mas 2015 é que vai ser o ano das bicicletas. Os frutos cujas sementes estão sendo plantadas agora vão aparecer mais em 2015. Esse ano foi importante porque quebramos paradigmas, quebramos uma inércia”, explica o coordenador do Paitt, Luís Alberto Saboia.

Quem sabe, mudanças de posturas ocorram em 2015. Direta ou indiretamente, as ciclofaixas estimulam a consciência de que é possível conviver nas ruas (FOTO: M. Vítor)

Quem sabe, mudanças de posturas ocorram em 2015. Direta ou indiretamente, as ciclofaixas estimulam a consciência de que é possível conviver nas ruas (FOTO: M. Vítor)

Mesmo com as iniciativas, ainda é preciso respeitar as normas das ciclofaixas. Carros invadindo a demarcação, caminhões estacionados em cima dos espaços e ciclistas desrespeitando o sentido original da via ainda são comuns em Fortaleza. Segundo a AMC, de janeiro a novembro foram registradas 55 infrações por desrespeito às ciclofaixas e ciclovias, mas todos sabem que os números são bem maiores. Somente no Instituto Dr. José Frota (IJF), foram 1.389 atendimentos a ciclistas vítimas de acidentes no trânsito.

“O que nós queremos fugir é de qualquer postura maniqueísta, muito simplista as vezes, onde se coloca o modal A ou B como mocinho ou vilão. Isso para a gente não existe. Buscamos uma política onde a maior parte da população faça deslocamentos por modais sustentáveis”, acrescenta.

Quem sabe, mudanças de posturas ocorram em 2015. Direta ou indiretamente, as ciclofaixas estimulam a consciência de que é possível conviver nas ruas. Em pensar que, em 2012, Fortaleza contava apenas com duas ciclofaixas: na Rua Benjamin Brasil e na Avenida Raul Barbosa, dá para admitir que o ano vigente foi uma pedalada e tanto!

engenheiroo
Entrevista com Gustavo Pinheiro

O engenheiro das ciclovias de Fortaleza

Tribuna do Ceará conversou com o engenheiro do Paitt, que é ciclista há cinco anos e trabalha diariamente para que a cidade seja cada vez mais amiga das ‘magrelas’.

Gustavo Pinheiro é formado em Engenharia Civil e seu primeiro emprego após a graduação foi no Controle de Tráfego em Área de Fortaleza (CTAFor) com a gestão de semáforos (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

Gustavo Pinheiro é formado em Engenharia Civil e seu primeiro emprego após a graduação foi no Controle de Tráfego em Área de Fortaleza (CTAFor) com a gestão de semáforos (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

Roupa leve, mochila nas costas e bicicleta pronta. É assim que começa mais um dia na vida do engenheiro civil Gustavo Pinheiro. Aos 28 anos, o cearense usa a bike como seu principal meio de transporte. Não seria para menos, ele é um dos técnicos responsáveis pela implantação de todo o sistema cicloviário de Fortaleza.

Diariamente, pedala pelo menos 14 quilômetros. O trajeto entre a casa, no Bairro Monte Castelo, e o trabalho, no Dionísio Torres, é percorrido em apenas 45 minutos. Menos tempo do que leva indo à Secretaria de Conservação e Serviços Públicos de ônibus: 1 hora, demonstrando o quão eficiente a bicicleta pode ser. Mas, mesmo sendo um modal tão ágil, a bike ainda é minoria no trânsito e há quem ache que colocar uma bicicleta na rua seja perigoso.

No ano das “magrelas”, o Tribuna do Ceará conversou com o engenheiro do Plano de Ações Imediatas de Trânsito e Transportes de Fortaleza (Paitt), ciclista há cinco anos, sobre as diárias pedaladas e as expectativas para 2015. Confira a entrevista completa:

Tribuna do Ceará – Onde você atuava antes de entrar no Paitt?

Gustavo Pinheiro – Me formei em 2008, em Engenharia Civil, e já comecei a trabalhar com transportes, no CTAfor [Controle de Tráfego em Área de Fortaleza], um órgão da prefeitura dentro da Autarquia Municipal de Trânsito [AMC]. Fazia a gestão dos semáforos. No ano passado, vim para o Paitt.

A gente está no processo. Há cidades que têm histórico de incentivar o uso das bicicletas.

Tribuna – Qual a sua função?

Gustavo – No Paitt a gente trabalha por iniciativas, faixas exclusivas de ônibus, ciclofaixas, bicicletas compartilhadas, ciclofaixas de lazer, binários, tem várias iniciativas. Na parte das bicicletas, sou eu e a Taís Costa, que é a arquiteta. Nós dois estamos exclusivamente voltados para as ações nas bicicletas. Desde o início do ano, o Paitt conta com duas pessoas trabalhando só para isso. Eu já ando de bicicleta para o trabalho de duas a três vezes por semana desde 2009. Sempre fui identificado como ‘a pessoa que gosta das bicicletas’, então dentro do Paitt a gente pensou em fazer algo sobre bicicletas. Conversamos, levamos a ideia para o prefeito, e fomos consolidando. Começamos a nos organizar no primeiro semestre de 2013, e no segundo ganhou mais força.

Tribuna – Como vocês escolhem os locais para implantação das bicicletas?

Gustavo – Através do Plano Cicloviário. Desde a metade do ano passado, a prefeitura começou a implantação das ciclovias. Foram pesquisadas vias, elaborado um estudo e definidas as ruas e avenidas previstas para receberem ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas. E eu participei desse processo de perto.

Tribuna – O que os ciclistas acham da iniciativa? Vocês recebem algum tipo de feedback?

Gustavo – Estão gostando, mas muitos usam o exemplo de São Paulo, que vai implantar vários quilômetros em vários anos… e aqui temos uma velocidade mais lenta. Realmente, o que São Paulo está fazendo é algo muito legal e em uma velocidade rápida, vão ser cerca de 120 quilômetros de ciclofaixas em um ano. A priorização das bicicletas lá é forte. Nesse ano, implantamos 40 quilômetros. Se formos pegar proporcionalmente, talvez estejamos no mesmo ritmo.

Além de ser responsável pelo projeto das ciclofaixas de Fortaleza, Gustavo também é ciclista (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

Além de ser responsável pelo projeto das ciclofaixas de Fortaleza, Gustavo também é ciclista (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

Tribuna – E como é sua rotina? Como é a sua ida de bike para o trabalho?

Gustavo – Quando eu trabalhava no CTAfor, morava há 2 km do meu trabalho. Saia de casa e nem mudava de roupa quando chegava, porque não dava nem tempo suar. A volta era melhor ainda. Depois me mudei, e o trajeto passou a ser de 4 km. Às vezes tinha de levar camisa reserva. Agora, eu estou trabalhando na Pontes Vieira, e moro na Avenida Bezerra de Menezes, no Monte Castelo. São 7 km. Saio de casa às 8h, 8h30, e chego aqui às 9h. Levo 45 minutos quando venho de bicicleta. Mas quando venho de ônibus, gasto 1 hora, porque tem o tempo de ir para a parada, esperar o ônibus chegar… Se bem que eu ainda não vim de ônibus depois que a gente implantou a faixa exclusiva da Avenida Antônio Sales. De bicicleta tem a vantagem de ter sempre o mesmo tempo de deslocamento, não tem engarrafamento. Na maioria das vezes trago roupa reserva, venho com uma camisa mais leve e troco. Hoje eu vim do jeito que estou, passo só um tempo no ar-condicionado e tá tudo certo (risos).

Tribuna – Você testa as ciclofaixas? Porque além do desrespeito dos motoristas, muitos ciclistas não sabem os seus deveres…

Gustavo – Na primeira vez que pedalei na ciclofaixa da Antônio Sales, parecia que eu estava no céu. Vim tranquilo, olhando para os cantos, passeando, preocupação zero. Isso é muito legal! A Antônio Sales era impraticável. Eu sempre procuro andar e testar as ciclofaixas. Diariamente, eu venho pela Avenida Bezerra de Menezes, passo pela Rua Meton de Alencar, que é o trecho mais complicado, porque muitos motoristas não respeitam. Tem algumas regras que você vai adquirindo com o tempo, por exemplo, não é legal você trafegar bem na pontinha da pista, porque se você for assim, o carro vai passar por você ‘tirando fino’. Temos que mostrar o nosso lugar. Muita gente defende que você deve ficar no meio da faixa, fazer isso é melhor do que ficar perto do meio-fio. Eu concordo, mas não tenho coragem, prefiro o meio-termo, fico entre o meio e a borda, em uma posição que obrigue o carro a sair da faixa dele para me ultrapassar. E quando o carro fica muito perto, eu tenho espaço para do lado. Você vai levar algumas buzinas, mas é bem melhor do que ‘levar fina’.

Tribuna – O que precisa ser melhorado para 2015?

Gustavo – Em 2015, a intenção é que a gente tenha uma célula gestora do Plano Cicloviário, que vai gerir as implantações. Tem muitas coisas que queremos implantar, como um vestiário para ciclistas, paraciclo e a instituição do selo ‘Empresa Amiga das Bicicletas’. O nosso plano prevê 520 km de ciclovias e ciclofaixas, não tem como fazer isso em toda a cidade. Nas vias que não tiverem esses espaços, queremos fazer campanha de educação e fiscalização. São Paulo, por exemplo, fiscaliza o chamado ‘tirar fino do ciclista’, lá eles multam. Está previsto no Código de Trânsito, mas é outra ação que precisa ser vista e, quem sabe, implantada em Fortaleza.

Tribuna – Nessas suas pedaladas, já aconteceu algum fato inusitado?

Gustavo – Eu pedalo há quase cinco anos, e nunca cheguei perto de ser assaltado. Aqui na nossa cidade, o pessoal é muito apavorado. A primeira coisa que as pessoas perguntam é se eu tenho coragem: “como é que pode você ir para o trabalho de bicicleta?”. E eu sempre procurei contra-argumentar isso: “quanto menos gente na rua, mais preocupante”. Eu já fui assaltado andando, depois de descer do ônibus, e dentro de um carro. Nunca de bicicleta! Se você está em um congestionamento, é mais fácil ser assaltado estando em um carro do que em uma bicicleta. Eu uso bicicleta em todo o horário, e não cheguei nem perto de ser assaltado.

Tribuna – Qual o problema maior que você vê quando está de bike?

Gustavo – A falta de respeito dos condutores com os ciclistas. A gente vê muito desrespeito. É tanto que, quando entro numa ciclofaixa, me sinto totalmente diferente. São os desafios que a gente enfrenta, mas sempre tem como driblar. E o desafio do calor, do sol, eu evito optando por outro modal, porque o sol de meio-dia é complicado.

Tribuna – Você pretende ser marcado como ‘o engenheiro que implantou as ciclofaixas em Fortaleza’?

Gustavo – De forma nenhuma (risos). Tem um grupo enorme por trás disso, os técnicos do Paitt, o Luís [Luís Alberto Saboia, coordenador do Paitt], tem o prefeito Roberto Cláudio, a imprensa, as associações de ciclistas… tem muita gente que trabalha para que a cidade seja mais amigável com as bicicletas.

"Se você está em um congestionamento, é mais fácil ser assaltado estando em um carro do que em uma bicicleta", brica o engenheiro (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

“Se você está em um congestionamento, é mais fácil ser assaltado estando em um carro do que em uma bicicleta”, brica o engenheiro (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

Tribuna – Qual a inspiração de vocês na implantação desses espaços para as bicicletas?

Gustavo – Não teve inspiração específica não. As pessoas costumam ter muita referência da Europa. Copenhagen, na Dinamarca, é uma das cidades mais cultuadas no uso para as bicicletas. Lá, eles falavam muito: “ah, não somos italianos, os dinamarqueses não utilizam os transportes alternativos”. E agora eles são referência no uso das bicicletas. Quarenta anos depois, a gente diz que não é a Dinamarca, mas estamos priorizando as bikes.

Tribuna – Em relação às outras cidades brasileiras, Fortaleza está à frente?

Gustavo – A gente está no processo. Tem cidades que têm histórico de incentivar o uso das bicicletas. O Rio de Janeiro vem fazendo algumas ações há muito tempo, porque tem o projeto de ser a capital com maior estrutura cicloviária da América Latina. Em relação ao Sistema de Bicicletas Compartilhadas, a gente está meio atrasado, porque muitas cidades já possuem, como Porto Alegre, Salvador, Recife, Rio de Janeiro e Aracaju.

Tribuna – Qual seria a Fortaleza ideal para você?

Gustavo – Seria como Copenhagen (risos). Brincando! É um processo muito longo. Acho que não devemos olhar a cidade apenas em relação às bicicletas, mas a cidade como um todo. Você não pode pedir para que uma pessoa de Messejana use todo dia bicicleta. Imagina um senhor ter que trafegar 20 quilômetros de bicicleta? Ela está longe de ser a salvadora da pátria. Precisamos melhorar o transporte público, com metrôs e ônibus mais confortáveis; e criar centro em outros locais, para que não seja necessário tantos deslocamentos. O caminho da cidade ideal é por aí.

Pedala, Fortaleza!

Desde seu surgimento, em 2013, o Tribuna do Ceará abraçou a reconquista de Fortaleza. A volta de uma cidade que ofereça o prazer de caminhar, de correr, de pedalar. Por coincidência, esse foi o mesmo ano da instalação das primeiras ciclofaixas da capital, nas ruas Ana Bilhar e Canuto de Aguiar. E o portal se orgulha por ter contribuído para a confirmação de sua
utilidade.

No meio do fogo cruzado entre motoristas e ciclistas que ganhou Fortaleza, o Tribuna do Ceará resolveu conferir a novidade por conta própria. Seis repórteres se dividiram durante quatro dias nas duas ruas do Bairro Aldeota, sentados numa cadeirinha de praia. Faça sol ou faça chuva. A proposta: contar quantas bicicletas usavam as duas ciclofaixas.

Com isso, a equipe de reportagem constatou que as faixas de ciclistas são sim úteis. Em 48 horas de vigília, foram contabilizadas 1.109 bicicletas – média de 23 por hora, bem acima das 16 por hora registradas pela prefeitura antes da mudança. As ciclofaixas, dessa forma, contribuíram para a mobilidade urbana. E o Tribuna do Ceará ajudou a nortear o debate.

48 horas em números

“Essa ciclofaixa não serve pra nada. E pouco passa bicicleta por aqui”. Quem nunca ouviu isso sobre as faixas de ciclistas instaladas nas ruas Ana Bilhar e Canuto de Aguiar em 2013? Essa virou a queixa recorrente de uma Fortaleza que usa carro até para comprar o pão na esquina. O Tribuna do Ceará pretendia constatar a inutilidade. Pois não é que a realidade era exatamente o contrário!

  • 540 motos

    Motos

  • 251 Carros

    Carros

  • 21 Catadores

    Catadores

  • 5 Corredores

    Corredores

  • 2 Caminhões

    Caminhões

  • 1 Skatistas

    Skatistas

1109 Bicicletas em 16 a 19 de Dezembro de 2013

183 contramão

4.2KM

48H

  • 303 motos

    Motos

  • 212 Carros

    Carros

  • 5 Catadores

    Catadores

  • 5 Corredores

    Corredores

  • 1 Caminhões

    Caminhões

  • 1 Skatistas

    Skatistas

560 Bicicletas em 16 e 18 de Dezembro de 2013 - 7h às 19h

77 contramão

2KM

24H

  • 237 motos

    Motos

  • 39 Carros

    Carros

  • 15 Catadores

    Catadores

  • 0 Corredores

    Corredores

  • 1 Caminhões

    Caminhões

  • 0 Skatistas

    Skatistas

549 Bicicletas em 17 e 19 de Dezembro de 2013 - 7h às 19h

106 contramão

2,2km

24h

Mapa das duas rodas

Um ano após o especial Pedala, Fortaleza!, o Tribuna do Ceará retorna às ciclofaixas de Fortaleza. Mas agora nosso passeio será pelas vias, que tanto têm a possibilidade de mudar o trânsito da nossa cidade, como também recebem reclamações daqueles que não conseguem abandonar seus carros.

Convidamos o leitor para um cicloroteiro que contempla as principais ciclofaixas da cidade, para mostrar as adversidades que os ciclistas de Fortaleza enfrentam diariamente. Entre elas, há a falta de educação dos motoristas, motociclistas (que insistem em fugir do trânsito usando as vias exclusivas das bicicletas) e a extrema dificuldade do bom convívio entre carros e bicicletas.

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Cicloroteiro em Fortaleza

O Tribuna do Ceará partiu do início da Rua Ana Bilhar e foi até a Rua Rui Barbosa, onde dobrou à esquerda em sua ciclofaixa. Desceu pela Rui Barbosa até o fim da via destinada às bicicletas, depois virou à direita na Rua Monsenhor Salazar – sem ciclofaixa. Então seguiu até a Rua Carlos Vasconcelos, novamente à direita. Subiu na nova faixa até o seu limite.

Por estar interditado para reparos, o caminho seguiu pela Rua Torres Câmara até a Avenida Barão de Studart, à esquerda. Na Avenida Santos Dumont, pela ciclofaixa, o Tribuna do Ceará pedalou por toda sua extremidade. No final da faixa, um pequeno desvio (sem ciclofaixas) até chegar à Avenida Dom Luís. Por sua ciclofaixa, o percurso se encerrou na Praça Portugal, com um total de 15 quilômetros percorridos.

Bike: Escolha seu tipo

  • Bicicleta dobrável Durban Metro 6

  • Caloi Urbe Dobrável

  • Elétrica Eleeze Dobrável

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  • Bicicleta Fuji Crosstown 2.3 LS

  • Soul Cycles Copenhague

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10 fatos do ano no Ceará

2014 foi um ano movimentado no Ceará. A Capital do Estado recebeu a Copa do Mundo com direitos a jogos da Seleção Brasileira e a queda de Neymar, a reunião do Brics e ainda as Eleições. Em uma triste realidade, a seca imperou pelo 3º ano seguido e a violência continuou devastando famílias. Para brilho dos nossos olhos, a modelo Melissa Gurgel, representante do Ceará, foi eleita a mulher mais bonita do Brasil. Veja, em fotos e textos, 10 fatos que agitaram o Ceará neste ano.

  • seca
    01

    Mais um ano de seca

    Na terra da luz, o sol não dá trégua. O Ceará viveu o 3º ano consecutivo de seca, sendo esta a pior dos últimos 60 anos. Até meados de setembro, dos 184 municípios cearenses, 96% encontravam-se em situação de emergência. Nas regiões onde a estiagem é realidade, a única opção foi o carro-pipa, mesmo com água de má qualidade.

    Em 2014, os resultados referentes a potabilidade da água presente nos 1.101 carros-pipa, que atendem a 122 municípios do Ceará, não constam no Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (SISAGUA), do Ministério da Saúde. Segundo a pasta ministerial, a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), responsável pelo controle, não enviou os dados de 2013 e 2014.

    Durante o período chuvoso no Ceará em 2014 – fevereiro e maio – as precipitações ficaram 24% abaixo da média histórica no Estado. De acordo com o presidente da Funceme, Eduardo Sávio Martins, a média dos quatro meses é de 607,4mm e as precipitações acumuladas no Estado no período foram de 461,9mm.

    Segundo os dados apresentados, a quadra chuvosa foi marcada pela irregularidade temporal e espacial, pois houve vários registros de veranicos (períodos de mais de cinco dias sem registro de precipitações), assim como houve diferença dos índices acumulados entre as Macrorregiões. No Litoral Norte, as chuvas ficaram 35% abaixo da média, nas demais regiões entre 15% e 33% abaixo. Já no Cariri, o período chuvoso teve um desvio positivo de 7%, considerado na categoria em torno da média.

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    Era uma vez uma praça

    O prefeito Roberto Cláudio anunciou, em março, que a Praça Portugal deixará de existir. No local, será feito um cruzamento. Além disso, serão construídas quatro mini-praças, localizadas em cada canteiro. O prefeito se reuniu com diversos setores para discutir a mobilidade urbana de Fortaleza, na Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma).

    Essa ação faz parte do Plano de Ações Imediatas em Transporte e Trânsito de Fortaleza (Paitt). Outra medida será a retirada das árvores e dos canteiros centrais das Avenidas Santos Dumont e Dom Luís para a implantação de binários. Elas deverão ser replantadas em outras áreas verdes da cidade.

    Mas o caso foi parar na Justiça. Entre idas e vindas, órgãos como o Ministério Público impediram a breve demolição e as intervenções ficaram para 2015. Após muita polêmica, que levantou bandeiras contra e a favor, a Câmara Municipal de Fortaleza votou a favor do projeto da Prefeitura de Fortaleza no dia 5 de junho de 2014.

    No dia 19 de setembro de 2014, o desembargador Luiz Gerardo de Pontes Brígido, presidente do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), suspendeu liminar que impedia a Prefeitura de Fortaleza de realizar obras no local.

    A gestão municipal estava impedida de promover intervenções na Praça Portugal desde junho deste ano, quando o juiz Demetrio Saker Neto, da 10ª Vara da Fazenda Pública do Fórum Clóvis Beviláqua, atendeu pedido do Ministério Público para impedir a intervenção sob multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento.

    Já no fim do ano, as intervenções na Praça Portugal, que tanto foram alvo de polêmica em 2014, já têm data para começar: a previsão é o dia 15 de janeiro de 2015. Mesmo assim, a Secretaria de Turismo de Fortaleza (Setfor), responsável pela obra, ainda não bate o martelo, e admite que a obra pode contar com atraso.

  • CANINDE
    03

    Violência deixa marcas

    Mais um ano marcado pela violência no Ceará. O transporte coletivo foi um dos principais alvos dos criminosos. Mais uma vez testemunhamos cenas difíceis de serem esquecidas. Em maio de 2014, o assassinato de um motorista de ônibus enquanto trabalhava revoltou a categoria. Para cobrar mais segurança motoristas e cobradores decidem paralisar as atividades.

    No Interior, uma chacina em Redenção também choca a sociedade. Quatro jovens são brutalmente assassinados. No IJF um homem invadiu a unidade e matou um paciente: o reflexo da falta de segurança até dentro do maior hospital de emergência do Estado.

    A violência fez muitas vítimas. Um pastor reagiu a um assalto e foi assassinado por um adolescente na Via Expressa. Crimes que fizeram de 2014 um dos mais violentos da história. Ainda neste ano, a maior tragédia nas estradas cearenses deixou 18 pessoas mortas em acidente de ônibus na BR-020, em Canindé.

  • Guns-N-Roses-em-Fortaleza-2014-81
    04

    Guns N’ Roses e Axl cangaceiro

    Axl Rose e os monstros do rock da banda Guns N’ Roses agitaram Fortaleza em 2014. Em show realizado no dia 17 de abril, os americanos comandaram e empolgaram as 20 mil pessoas com as novas composições e clássicos imortalizados das décadas de 1980 e 1990. O setlist com mais de 30 músicas não deixava brechas do longo histórico da banda prestes aos 30 anos de carreira. Estavam lá “Sweet Child O’ Mine”, “”Knockin’ On Heavens Door”, “November Rain”, “Don’t Cry” o cover de Live and Let Die e “Welcome to the Jungle”, primeira música de “Appetite for Destruction”, álbum de estreia do Guns.

    Mas nem o desfile de sucessos, nem as constantes explosões e fogos de artifício conseguiram esconder o que é perceptível há algum tempo para críticos e fãs: a voz de Axl já não é a mesma. Mas quem se importa quando a banda que marcou história está na sua frente? Quem se importa quando Axl – entre as inúmeras trocas – resolve colocar um chapéu de cangaceiro e levar ao êxtase a plateia?

    Durante às 3h de apresentação na capital cearense, os roqueiros norte-americanos reafirmaram o seu lugar no rock e provaram que ainda são capazes de surpreender as novas gerações.

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    A Copa em Fortaleza

    A primeira fase da Copa do Mundo batizou o Castelão como o “estádio das zebras”, já que nenhum favorito conseguiu vencer na capital cearense. Em 14 de junho, o Uruguai perdeu de virada para Costa Rica, por 3 x 1. Já no dia 17, o Brasil não conseguiu sair do zero diante do México. Quatro dias mais tarde (21/07), foi a vez dos alemães empatarem com a seleção de Gana por 2 x 2. Por fim, no dia 24 de junho, a Costa do Marfim precisava de um simples empate contra a Grécia para se classificar, mas perdeu por 2 x 1 e foi eliminada.

    Nas oitavas e quartas-de-final, os favoritos Holanda e Brasil trataram de espantar as zebras e venceram México e Colômbia, respectivamente. Ao todo, foram quase 360 mil pessoas no estádio e média de 59 mil pessoas por jogo. Do total presente na Arena Castelão, foram 150 mil turistas estrangeiros e 109 mil visitantes brasileiros de outros estados – média de 43 mil turistas por partida. Somados às pessoas que viajaram a Fortaleza sem ingressos para os jogos, o número de turistas deve superar os 350 mil.

    Entre os estrangeiros, os norte-americanos lideraram o público na Arena Castelão, com 27 mil ingressos comprados, seguidos por mexicanos (22 mil) e alemães (15 mil). No mercado interno, os paulistas, com 40 mil entradas adquiridas, ficaram em primeiro no ranking de torcedores. Os visitantes do Rio de Janeiro (14 mil) e do Rio Grande do Norte (7,5 mil) aparecem em segundo e terceiro colocados.

    Fortaleza encerrou a sua participação na Copa do Mundo no dia 4 de julho, após a vitória do Brasil por 2 x 1 sobre a Colômbia, na Arena Castelão. O jogo valeu a classificação da Seleção para as semifinais após 12 anos. Em campo, foram seis partidas, 17 gols, e público de quase 360 mil pessoas. Fora dele, muita festa dos torcedores de vários países e elogios à cidade e ao povo cearense. Em entrevista coletiva para anunciar o balanço do Mundial, os gestores da prefeitura e do governo estadual celebraram a “Copa perfeita” organizada por Fortaleza.

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    Líderes mundiais em Fortaleza

    Fortaleza sediou, nos dias 14, 15 e 16 de julho de 2014, a VI Cúpula de Chefes de Estado e de Governo do BRICS. A VI Cúpula resultou na adoção da Declaração e Plano de Ação de Fortaleza, na criação do Novo Banco de Desenvolvimento, no estabelecimento de um Arranjo Contingente de Reservas do BRICS, e na assinatura de acordos de cooperação entre Bancos de Desenvolvimento do BRICS e entre Agências de Seguro de Crédito à Exportação.

    No evento, os representantes conferiram ênfase à inclusão social e ao desenvolvimento sustentável. Sua discussão foi orientada pelo tema “Crescimento inclusivo: soluções sustentáveis”. A Cúpula deu início ao segundo ciclo do BRICS, após cada país membro ter sediado uma reunião de Líderes.

    A Cúpula de Fortaleza permitiu aos BRICS mostrar os avanços já alcançados, e dar sequência às discussões com vistas à realização do amplo potencial do grupo. Desde a primeira Cúpula, em 2009, o BRICS tem consolidado seu papel como uma força positiva para a democratização das relações internacionais e para o aprimoramento das instituições de governança internacional existentes. Além disso, o BRICS também tem construído uma sólida parceria, com iniciativas de cooperação entre seus membros em mais de 30 áreas distintas.

    Entre outros temas, os mandatários dos BRICS deliberaram sobre o Arranjo Contingente de Reservas (CRA) e sobre o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD). O CRA constitui linha de defesa adicional para os países do BRICS em cenários de dificuldades de Balanço de Pagamentos. O NBD financiará projetos de infraestrutura e de desenvolvimento sustentável.

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    Ceará elege novo governador

    Em 2014 mais de 6 milhões de eleitores escolheram um novo governador, novos deputados e um senador para o Ceará. Aliados políticos se tornaram adversários. A “briga” pelo comando gerou a campanha mais acirrada que o Estado já testemunhou.

    O governador Cid Gomes, do Pros, decidiu não apoiar a candidatura do então aliado Eunício Oliveira, do PMDB, ao Governo do Estado. Cid apoia Camilo. O governador se dedicou pessoalmente a campanha, tendo até se licenciado do cargo por 3 vezes.

    A largada foi dada no início de julho. Camilo, Eunício, Eliane Novais (PSB) e Ailton Lopes (Psol) ganharam as ruas em busca do apoio dos eleitores.

    Nas urnas, a disputa acirrada foi decidida no 2º turno, com a vitória de Camilo Santana. Para o Senado, Tasso Jereissati (PSDB) foi eleito com mais de 2,3 mil votos com derrota para o candidato do governador, Mauro Filho (Pros).

    Já na Assembleia Legislativa a renovação foi de 50%. Pela primeira vez desde o fim da ditadura, o Ceará precisou de reforço da força nacional de segurança para garantir tranquilidade nas eleições.

  • melissa
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    Orgulho cearense

    A representante do Ceará, Melissa Gurgel, foi eleita a Miss Brasil 2014 durante a 60ª edição do tradicional concurso. A modelo irá representar o país no Miss Universo e leva para casa a cobiçada coroa (avaliada em R$ 14 mil), o vestido de gala e um carro zero km.

    Depois de 11 dias de confinamento, a grande vencedora passou pelo critério do júri técnico e do júri artístico, formado por Aline Midlej, jornalista e apresentadora do “Café com Jornal”, da Band; Bismarck Maia, secretário de Turismo do Ceará; Dr. Filippo Pedrinola, endocrinologista; Ivana Bezerra de Menezes, vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH); Jéssika Angelim, coordenadora de marketing do Beach Park; JR Duran, fotógrafo; Lucio Albuquerque, presidente da Handara; Maurício Harger, presidente da Amanco; Natália Guimarães, modelo e apresentadora, vencedora do Miss Brasil 2007; Nivaldo Prieto, narrador da Band; Tatiana Ponce, diretora de Marketing e Trade da Nívea e Ticiana Villas Boas, jornalista e apresentadora do “Jornal da Band”.

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    100 anos de paixão

    Maldição centenária desmitificada, o Ceará ostentou o título de tetracampeão estadual na atual temporada que marca seus 100 anos de histórias. Entre os favoritos ao acesso à Série A 2015, o time deixou a vaga escapar nas rodadas finais do Brasileirão. Mas, o futuro a longo prazo também merece requinte especial na lista de desejos.

    Com o estabelecimento da base alvinegra no Ceten, atualmente chamado de Cidade Vozão – CT Luís Campos, a perspectiva de intensificação na formação de novos craques para os próximos anos é real e imediata.

    Carlos de Alencar Pinto já recebeu duelos de menor expressão da equipe profissional alvinegra, mas não é suficiente para sediar confrontos atuais do time principal. Por isso, um dos projetos de Evandro leitão é construir uma nova praça esportiva.

    A ideia ainda tem sido debatida entre conselheiros e será concretizada a favor caso exista um número de interessados superior aos que preterem. O projeto existente é de uma arena com capacidade para pouco mais de 25 mil torcedores. Será o Vovozão?

    Em 2014, a relação entre Ceará Sporting Club e torcida foi cheia de emoções, mesmo não conquistando todos os objetivos do clube, a relação sai fortalecida e com grandes perspectivas para 2015.

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    Um caso intrigante

    Um crime intriga a Polícia: o caso subtenente. No dia 12 de novembro um post no Facebook do militar Francilewdo Bezerra denunciava que ele mesmo teria envenenado o próprio filho, a esposa Cristiane Coelho e depois teria tentado cometer suicídio. Na ocasião, somente o filho do casal foi a óbito. O subtenente ficou internado por cerca de um mês e não acreditou no ocorrido.

    Durante a estadia no hospital, a polícia começou a investigar também a mulher, que chegou a deixar o Ceará indo para Recife. Ela também passou a ser apontada como suspeita e ainda foi cogitado o envolvimento de uma terceira pessoa: um suposto amante.

    Já na metade de dezembro, Francilewdo e Cristiane ficaram frente a frente após a morte do filho. Ambos trocam acusações. Além da acareação, também foi realizada a reconstituição do crime. Amigos do subtenente protestaram. Por último, a polícia investiga a compra de “chumbinho” – veneno para ratos – por Cristiane.