Quadra de Oportunidades

Quadra de Oportunidades

Comunidade das Quadras é muito mais do que uma favela rodeada por concreto nobre

Um mundo a desbravar

Quem passa pouco atento pelas imediações da Avenida Virgílio Távora com Rua Beni de Carvalho, no Bairro Aldeota, não imagina o mundo capaz de se descortinar na distância de uma quadra. Com casas amontoadas, colorido singular, pessoas de sorriso aberto nas calçadas e crianças a correrem livres pelas ruas, reina a Comunidade São Vicente de Paulo ou, como é mais conhecida, a Comunidade das Quadras.

O Tribuna do Ceará atravessou alguns quarteirões para conhecer melhor os moradores, a rotina, as paixões e as histórias da Comunidade Santa Cecília, como também é chamada. Nas nove ruas que se abrem singularmente no espaço de uma quadra, foram encontrados relatos de lutas, empreendedorismo, fé na arte e esperança no futuro. Para além do estigma de violência que combatem diariamente, os moradores mostram que há muita oportunidade a se desbravar de onde, um dia, pouco se tinha a esperar.

REPORTAGEM:

Jéssica Welma e Roberta Tavares

EDIÇÃO:

Rafael Luis Azevedo

FOTOGRAFIA E VÍDEO:

Fernanda Moura

IMAGENS DE DRONE:

Paulo Eduardo Leite

PROJETOS DIGITAIS:

Jackson Cruz

MÍDIAS DIGITAIS:

Emílio Moreno

DESENVOLVIMENTO:

Index Digital

AGRADECIMENTO:

Bruno Sampaio e Rafael Morais

DATA DE PUBLICAÇÃO:

27 de junho de 2016

Pote de ouro no coração da Aldeota

Conheça a história da comunidade singular que divide espaço com vizinhança rica

“Vocês estão morando num canto onde um palmo de terra vale um pote de ouro”, disse a então primeira-dama do Estado Luiza Távora, quando entregava as chaves das casas aos moradores do recém-urbanizado Conjunto Habitacional São Vicente de Paulo, em meados da década de 1980. Localizada no “coração da Aldeota”, a até então “Favela Santa Cecília” sofria com o descaso, a ocupação irregular e o preconceito das famílias ricas da Capital que viviam no entorno.

Faça um passeio pela história

Fiado aqui sim

Dezenas de pequenos negócios movimentam a economia da Comunidade das Quadras

Ao passar pelas ruas que circundam a Comunidade das Quadras, é difícil imaginar que ali, no espaço de um quarteirão, existam mais de 400 habitações, separadas por nove pequenas ruas e becos em seu interior. Respirando de forma singular a rotina de prédios luxuosos, centros comerciais, shoppings e restaurantes – símbolos da Aldeota –, a quadra se transforma em plural: “As Quadras”, para abraçar um mundo de pequenos negócios como lanchonetes, marmitarias, borracharias, lojas de roupa, papelarias, igrejas, salões de beleza…

Os donos do negócio

Orgulho da galera

Nem só de dinheiro vive o homem. Há que empreenda numa busca mais subjetiva

Eles são os verdadeiros fachos de luz da Comunidade das Quadras. Um foi atraído pela beleza das ruelas cheias de vida. O outro, pelo som que ecoava pelas janelas e entrava nos cômodos das casas. Com uma câmera fotográfica e um violão, Rafael e Jonas fazem maravilhas. Moradores da comunidade desde que nasceram, conseguiram encontrar autoestima e perspectiva animadora graças à arte. Alguns cliques são capazes de despertar para um mundo escondido, enquanto simples notas podem iluminar um comportamento adormecido.

Quem projeta as Quadras

Nos braços da torcida

Três times amadores com décadas de tradição dividem a paixão da comunidade

Domingo é um dia diferente na Comunidade das Quadras. Quando o relógio marca meio-dia, é hora de começar a preparação para o jogo do Bandeirantes: um dos times de futebol mais antigos da comunidade. A paixão pelo futebol nas Quadras se confunde com a trajetória dos moradores, especialmente com a de uma das mais antigas: Dona Priscila. Ainda que as mais de oito décadas de vida já pesem sobre seu corpo e cobrem uma rotina sem alvoroço, uma função Dona Priscila não abandona: a de líder e organizadora do Bandeirantes.

Pelas ruelas da comunidade

Luta contra estigma

Centro social tenta fortalecer vínculos comunitários para combater a violência

Entre o colorido e o riso fácil nas Quadras, uma pequena sombra paira sobre as vielas: a violência. O problema se esconde em meio aos empreendedores, artistas e os momentos de lazer na comunidade.

Quem faz acontecer