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01 de setembro de 2014

Em 2050, um país de idosos

A maior parte da população brasileira está concentrada na faixa etária de 40 a 59 anos, enquanto a população idosa corresponde a 16,6% do total, mas esta realidade vai mudar. De acordo com projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), até 2030 o grupo dos 60 ou mais será maior que o das crianças e, em 2055, deve ser majoritária.

O último levantamento do IBGE, divulgado em 2013, indica que a expectativa de vida ao nascer no Brasil passou de 74,1 para 74,6 anos. Os dados são referentes ao ano de 2012. Apesar do aumento moderado entre 2011 e 2012, o estudo mostra que em 10 anos a esperança de vida do brasileiro ao nascer cresceu mais de três anos. De acordo com o Instituto, a expectativa de vida no País era de 71 anos em 2002.

De acordo com médico geriatra e professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC) João Macêdo Coelho Filho o envelhecimento populacional é decorrente basicamente de dois fatores: redução da mortalidade e da taxa de fecundidade. “Esses fatores traduzem avanços sociais e tecnológicos da sociedade brasileira, traduzidos por maior cobertura e acesso aos serviços de saúde; maior nível de informação; urbanização da população; controle de doenças transmissíveis; saneamento básico, dentre outros”, explica.

Quanto ao sexo, a esperança de vida das mulheres teve maior crescimento. No Brasil, a taxa era de 77,7 anos em 2011 e passou para 78,3 anos em 2012, o que representa um aumento de 6 meses e 25 dias. Já para a população masculina, o crescimento foi de 4 meses e 10 dias, passando de 70,6 para 71 anos.

“As mulheres têm uma expectativa de vida em média sete anos a mais do que os homens. Existem várias razões para isso. Citemos algumas: as mulheres procuram mais os serviços de saúde; existem mais serviços de prevenção para mulheres do que para homens; os homens estão mais expostos à violência urbana e aos riscos no trabalho; os homens costumam ter hábitos de vida menos saudáveis do que as mulheres (maior taxa de tabagismo e ingestão de álcool)”, explica Macêdo.

Melhorou, mas nem tanto

Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) indicam um aumento expressivo da expectativa de vida nos países pobres. A média, segundo a ONU, é de mais nove anos. Na Libéria, por exemplo, a taxa passou de 42 a 62 anos, na Etiópia de 45 a 64 anos, nas Maldivas de 58 a 77, no Camboja de 54 a 72, em Timor Leste de 50 a 66 e em Ruanda de 48 a 65 anos.

Apesar disso, uma criança que nasce em um país rico vive, em média, 16 anos a mais que uma nascida no mesmo ano em um país pobre. Quem lidera o todo da esperança de vida ao nascer é o Japão: 84 anos.

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No Brasil, apesar do aumento de 3 anos da expectativa de vida em uma década, a realidade ainda é difícil. O ranking da ONU aponta o Brasil em 82º, ficando com uma das piores colocações entre os países americanos. O professor João Macêdo explica o fenômeno: “Diz-se que um país tem consolidado o envelhecimento de sua população, quando a proporção de idosos saltou de 7% para 14%. Isso ainda não ocorreu no Brasil, embora estejamos já próximos desse fenômeno. Ademais, a nossa expectativa de vida ao nascer não é maior porque há um excesso de mortes entre 20 e 40 anos, decorrente da violência urbana, e também devido às desigualdades sociais, que fazem com que haja a persistência de problemas como desnutrição e algumas doenças de natureza infecciosa e/ou carencial. A expectativa de vida ao nascer é um bom indicador do estágio de desenvolvimento de uma determinada sociedade”, finaliza.


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Coordenação e produção: Felipe Lima
Direção de arte: Tiago Leite
Edição de imagem e vídeo: Renato Ferreira