Tribuna do Ceará - Fortaleza Azul

EDUCAÇÃO AMBIENTAL

Aprendendo a usar a água de forma racional

Educação como solução

O elevado desperdício de água tem trazido sérios danos à população mundial. Boa parte disso se deve também ao grande consumo de recursos hídricos por parte da agricultura para produção de alimentos, isto é, o homem acaba sendo o principal agente desse processo. Para mudar esta realidade, a adoção de práticas simples e inteligentes no uso da água no dia a dia pode fazer a diferença na conservação dos recursos hídricos.

Atualmente, cerca de 40% da população mundial sofre com a falta d’água, uma taxa que aumentará até dois terços em 2050, segundo relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) publicado este ano.

De quem é a culpa?

Embora Fortaleza seja uma metrópole privilegiada em relação ao abastecimento (o açude Castanhão, que abastece a cidade e é o maior da América Latina, está com pouco mais de 22% de sua capacidade, mas o volume ainda é suficiente para abastecer até o próximo ano após as precipitações da atual quadra chuvosa), o alto consumo e o uso racional têm despertado a atenção de todos para a importância da sustentabilidade. O questionamento que todos devemos fazer é como essa situação poderia ser evitada. No nosso cotidiano, por exemplo, pequenas ações como evitar banhos demorados, descontrole ao lavar o carro e até mesmo reaproveitamento da água da chuva contribuem para um cenário melhor.

Para a professora Mayara Melo, pesquisadora do Núcleo Trabalho, Meio Ambiente e Saúde (Tramas) da Universidade Federal do Ceará (UFC), muita gente ainda não despertou para a questão do uso irracional, mas a culpa não é apenas dos civis. “Temos que localizar a chamada ‘crise hídrica’ num contexto amplo para que possamos compreender a sua construção. A palavra ‘crise’ oferece uma visão parcial do problema, pois conduz à crença de que é algo transitório e surgido repentinamente quando, na verdade, os problemas resultam de uma série de escolhas históricas, econômicas, políticas e institucionais relacionadas ao acesso e aos usos da água”, explica.

''A sociedade precisa reagir ao cenário que vem sendo construído, mas, para isso, precisa ter a dimensão real do problema e de suas causas'', comenta a pesquisadora Mayara Melo

”A sociedade precisa reagir ao cenário que vem sendo construído, mas, para isso, precisa ter a dimensão real do problema e de suas causas”, comenta a pesquisadora Mayara Melo

De acordo ainda com a especialista, umas das formas de publicizar a questão da crise hídrica é afirmar que todos são responsáveis, na mesma medida, pela falta d’água. Deste modo, é construído um discurso de que são necessárias apenas ações contra o desperdício individual e de que é preciso pagar mais para que, enfim, a água seja utilizada conscientemente. “Com base nessa abordagem pontual e superficial, escondem-se os processos responsáveis pelo consumo excessivo e pela contaminação das águas. Do mesmo modo, ocultam-se que grupos são beneficiados por tais processos e quais outros direitos têm sido violados nessa dinâmica de exploração da água, que continua a distribuir os custos da destruição, especialmente sobre as populações mais vulnerabilizadas”, critica a professora da UFC.

Isto posto, é possível observar que a responsabilidade pela escassez não é somente do homem comum, assim como também não é factível acreditar que atitudes individuais de consumidores domésticos, embora bem intencionadas, resolverão a questão do desperdício de água. “A sociedade precisa reagir ao cenário que vem sendo construído, mas, para isso, precisa ter a dimensão real do problema e de suas causas. Infelizmente, campanhas que pautam apenas o sentido de ‘’fechar a torneira’’ não informam adequadamente e acabam mascarando a realidade.”, pontua Mayara Melo.

Para prolongar a discussão sobre a importância da educação ambiental, a escola tem tido papel fundamental na formação do cidadão. A professora da UFC lembra que esta questão é recente, pois ganhou formação apenas a partir da década de 70, quando ocorreu a Conferência de Estocolmo, que teve como objetivo principal conscientizar a sociedade a melhorar a relação com o meio ambiente.

A Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, aconteceu em junho de 1972, em Estocolmo, na Suécia, foi um marco importante para as discussões sobre desenvolvimento e meio ambiente (FOTO: Reprodução)

A Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, aconteceu em junho de 1972, em Estocolmo, na Suécia, foi um marco importante para as discussões sobre desenvolvimento e meio ambiente (FOTO: Reprodução)

Nesse panorama, a conscientização sobre a problemática da água, por exemplo, passa, pela condução de processos educativos que problematizem sua expropriação, concentração, dominação e contaminação, de modo que os sujeitos sociais tenham elementos concretos para incidir sobre a realidade e sobre as políticas públicas. “A atuação da escola e de outras instituições de ensino não deve se resumir às formas pedagógicas tradicionais de transmissão de conteúdos. O que precisamos é aprofundar os caminhos para uma educação ambiental crítica e dialógica, baseada numa práxis educativa construtora de autonomia para que os sujeitos possam desafiar as relações de poder existentes e lutar pela garantia de direitos tão fundamentais quanto a água”, reforça.

De acordo com a Política Nacional de Educação Ambiental instituída pela Lei 9.975/99, a educação ambiental é de responsabilidade do Ministério do Meio Ambiente (em sua organização não formal) e do Ministério da Educação (no âmbito formal). Sua inserção nas escolas foi regulamentada em 2002. “Ainda percebemos dificuldades para sua efetivação numa perspectiva crítica, pela insuficiência de formação de professores e pela manutenção de linhas pedagógicas tradicionais, sobretudo, no Ensino Médio. Mesmo assim, não podemos desconsiderar a existência de ações exitosas na Educação Infantil, no Ensino Fundamental e nas Escolas do Campo, especialmente a partir de práticas contextualizadas com as realidades locais e inseridas em ações coletivas e organizadas sobre os problemas identificados”, comenta Mayara.

Neste quarto ano de seca no Ceará é também preciso discutir o assunto não apenas como consequência de fenômenos, mas lembrar que as intervenções humanas influenciam diretamente na preservação e conservação deste patrimônio natural e, por consequência, no gerenciamento hídrico da região. Além disso, é importante saber que a água consumida em Fortaleza é advinda do sertão e que cuidar dele e de seu bioma é crucial para a manutenção da economia do estado.

Segundo os dados mais recentes da pesquisa “Diagnósticos dos Serviços de Água e Esgotos”, de 2013, o cearense consome aproximadamente 128,4 litros de água por dia. Diante de tantos dados e números que apresentam um cenário pessimista, é importante lembrar que a seca já atinge 96% do estado, de acordo com dados de 2013.

ESTADOS QUE MAIS CONSOMEM ÁGUA | Create infographics

Em 2013, a Associação Caatinga – que tem entre seus objetivos promover a conservação das águas do bioma nordestino – elaborou, com o apoio de especialistas, um plano institucional de gestão hídrica. O objetivo dessa medida é reduzir o consumo de água dentro da instituição através de pequenos ajustes, como a instalação de temporizadores nos chuveiros, redução no consumo de água das descargas e banheiros ecológicos.  

Aprendendo desde cedo

Despertar o interesse das crianças para a preservação dos recursos naturais é um desafio de pais e mestres. Em casa, meninos e meninas devem ser acompanhados pela família para que usufruam a água de forma racional, por exemplo, afinal, como bem pontua a Psicologia, é desde cedo que a criança desenvolve grande parte do potencial mental que terá quando adulta. Sendo assim, essa fase se constitui uma janela de oportunidades. Para que esta geração ajude no melhor tratamento dos recursos hídricos, é necessário que a educação ambiental seja cada vez mais difundida também nos primeiros anos de educação nas escolas.

Neste contexto, um exemplo o Colégio Espaço Aberto, em Fortaleza, propõe aos alunos – crianças e adolescentes – um programa de consciência ecológica e cidadã cujas ações vão desde a poluição do ar até a questão do uso sustentável da água. “A Educação Ambiental tem uma função importante na formação de nossas crianças e adolescentes que é a de despertar, instigar e orientar sobre o papel importante que desempenhamos perante o meio ambiente, contribuindo para a formação de futuros cidadãos conscientes e comprometidos com o bem-estar social”, explica a supervisora pedagógica da instituição, Edneia Martins.

Além dos projetos pontuais, a escola propõe-se a trabalhar com atitudes, formação de valores, ensino-aprendizagem de habilidades e procedimentos (FOTO: Divulgação)

Além dos projetos pontuais, a escola propõe-se a trabalhar com atitudes, formação de valores, ensino-aprendizagem de habilidades e procedimentos (FOTO: Divulgação)

Neste ano, que é marcado pelo centenário da grande seca que atingiu o Ceará em 1915, o Espaço Aberto promoveu pesquisas e debates sobre os temas “Para que serve a água?; Uso adequado da água no nosso dia a dia; Desequilíbrio ecológico em relação à água – falta e excesso de água; Ações eficazes para a preservação da água no Planeta Terra”. Com isso, segundo ainda a supervisora, as crianças e adolescentes já crescem com conhecimento e curiosidade necessária para desenvolver uma visão crítica acerca do desperdício de água, por exemplo.

Além dos projetos pontuais, a escola propõe-se a trabalhar com atitudes, formação de valores, ensino-aprendizagem de habilidades e procedimentos, que acaba sendo um grande desafio para o professor, que é o mediador nesse processo, pois trata-se de trabalhar comportamentos ambientais corretos. “É visível em nossas crianças e adolescentes a mudança nos comportamentos aprendidos na escola, como gestos de solidariedade, hábitos de higiene pessoal e dos diversos ambientes e a participação em pequenas negociações”, finaliza.

Em homenagem ao Dia da Ecologia e do Dia Mundial do Meio Ambiente, vários temas foram abordados pela escola com a intenção de conscientizar as crianças sobre o seu papel quanto cidadão do planeta Terra (FOTO: Divulgação)

Em homenagem ao Dia da Ecologia e do Dia Mundial do Meio Ambiente, vários temas foram abordados pela escola com a intenção de conscientizar as crianças sobre o seu papel quanto cidadão do planeta Terra (FOTO: Divulgação)

Educação para gente grande

Na tentativa de sensibilizar universitários e servidores sobre o combate ao desperdício, a Universidade Federal do Ceará (UFC) lançou este ano a campanha UFC Sustentável. A ação prevê um conjunto de comunicação, integrado por meio de ações com publicidade, relações públicas, jornalismo, fotografia e marketing direto, além de palestras, workshops e formação de servidores.

A primeira fase da campanha UFC Sustentável tem como foco a economia de energia, logo em seguida terá como foco a água (FOTO: Jr. Panela)

A primeira fase da campanha UFC Sustentável tem como foco a economia de energia, logo em seguida terá como foco a água (FOTO: Jr. Panela)

Com o slogan “A UFC cuida dos nossos recursos naturais”, a primeira fase da campanha – lançada no último mês de março – tem como foco a economia de energia e, em seguida, o uso racional da água. O planejamento iniciou em 2013 visando à inserção da universidade em uma vivência ambientalmente mais responsável. Tal cenário proporcionou a criação do Programa de Logística Sustentável (PLS). “A partir da criação do PLS, desenvolvemos práticas de gestão ambiental. Como instituição educadora formaremos profissionais mais esclarecidos com relação a esses aspectos, que consequentemente levarão para os setores onde atuarão as práticas aqui adotadas”, diz o diretor da Divisão de Gestão Ambiental da UFC, Geovany Torres.

Com estratégia da campanha, a UFC introduziu em seus banheiros frases de indução ao consumo consciente de papel higiênico, água e limpeza, tais como: “Mantenha este ambiente limpo.” “Use com moderação, assim não vai faltar. O papel da Universidade é suprir, o nosso é poupar”; “Higiene e limpeza é saúde”; “Não jogue papel no chão, use a cesta de lixo. O papel da universidade é limpar, o nosso é preservar limpo”; “Terminou? Dê descarga. Deixe este ambiente como você gosta de encontrá-lo: LIMPO”.

Os participantes lembraram que a Campanha UFC Sustentável chega em um contexto de crise hídrica e energética nacional, o que exige de toda a população uma reflexão sobre o consumo desses bens (FOTO: Jr. Panela)

Os participantes lembraram que a Campanha UFC Sustentável chega em um contexto de crise hídrica e energética nacional, o que exige de toda a população uma reflexão sobre o consumo desses bens (FOTO: Jr. Panela)

O coordenador de Planejamento e Gestão Estratégica da universidade, professor Augusto Albuquerque, lembra que a campanha UFC Sustentável chega em um momento de crise hídrica e energética nacional, e não somente em Fortaleza, por exemplo. “Somos todos partícipes dessa luta de combate ao desperdício, e a gente pode conseguir bons resultados com ações individuais de conscientização”, afirmou o gestor.

Para reduzir o consumo de água e aumentar sua eficiência nos ambientes, a UFC realizou um levantamento das instalações hidráulicas em busca de pontos de vazamentos e instalação de acessórios hidráulicos mais eficientes do ponto de vista da durabilidade e da redução de consumo. Além disso, as descargas e torneiras que apresentavam imperfeições foram substituídas, e a água da chuva passou a ser armazenada. As ações diretamente voltadas para água devem iniciar no segundo semestre de 2015.

 

Consumo de Água na ufc | Create infographics

O PLS da UFC foi elaborado com a ajuda de grupos de trabalho, nas áreas de obras, coleta seletiva, compras, eficiência energética, meio ambiente e mobilidade, que fizeram o levantamento de dados e propuseram iniciativas a serem adotadas por toda a Comunidade Acadêmica. De acordo com o documento, a elaboração do Plano é de fundamental importância para a institucionalização de uma cultura ambiental na Universidade, e espera-se que esta seja disseminada pela comunidade acadêmica para além dos limites dos campi.

 

Outras boas Práticas

  • ÁGUA NOSSA DE CADA DIA

    A Cáritas Regional Ceará está desenvolvendo a Campanha Água Nossa de Cada Dia que surgiu da necessidade de compartilhar indagações sobre as várias facetas da crise hídrica e apontar caminhos possíveis para o uso sustentável da água, como os que já são realidade por meio das práticas de convivência com o Semiárido

  • REAPROVEITAMENTO

    O desperdício de água causado devido às atividades domésticas é um problema corriqueiro e foi pensando nisso que a estudante de arquitetura Lanna Ribeiro, 28 anos, desenvolveu um método para reutilizar a água da máquina de lavar. Agora para realizar atividades como lavar a garagem, o banheiro e limpar vidros, ela não usa água limpa, mas sim água reaproveitada

  • AL SUSTENTÁVEL

    Assembleia Legislativa do Ceará intensifica as ações para conscientizar a sociedade sobre o uso racional da água. A Mesa Diretora está adotando ações para estimular os cearenses a usarem a água de forma responsável, economizando, principalmente em Fortaleza. A AL determinou também a adoção de medidas de economia de água em suas próprias dependências

  • LAVA A JATO ECOLÓGICO

    Pensando em uma alternativa para retirar as sujeiras dos carros de forma consciente, o cearense Edmilson Júnior, de 29 anos, criou um lava a jato ecológico. O veículo recebe camadas borrifadas de uma solução que mistura água, cera especial biodegradável e outros componentes. O carro pode ficar limpo usando apenas 100 mL de água, na lavagem a seco

Educação para o campo

Segundo, a Agência Nacional de Águas (ANA), cerca de 72% da água consumida no Brasil é utilizada pela agricultura, e, devido a irrigações mal-executadas e falta de controle do agricultor, metade disso vai para o ralo.

Segundo, a Agência Nacional de Águas (ANA), cerca de 72% da água consumida no Brasil é utilizada pela agricultura, e, devido a irrigações mal-executadas e falta de controle do agricultor, metade disso vai para o ralo.

O ciclo hidrológico é impactado, entre outros aspectos, por fatores como degradação de matas ciliares e nascentes; queimadas; desmatamentos; ocupações de encostas; utilização de agrotóxicos e fertilizantes químicos; expansão de práticas agrícolas destrutivas da agrobiodiversidade e atividades de mineração. Apesar disso, políticas públicas e projetos de desenvolvimento continuam a estimular tais atividades. Desde a década de 1960, por exemplo, o Nordeste tem sido alvo da política de implantação de Perímetros Públicos Irrigados, utilizados como uma estratégia para alavancar a produção agrícola. Só no Ceará, existem 14 deles.

“Esses projetos têm sido dominados pela lógica do agronegócio. Por isso, produzem culturas agrícolas totalmente inadequadas para o semiárido, o que os fazem intensivos consumidores e exportadores de água através da fruticultura irrigada para exportação que viabilizam. Com efeito, de acordo com dados da Secretaria de Recursos Hídricos (SRH), para irrigar 60 mil hectares no Ceará, utiliza-se uma vazão de 913 milhões de m³/ano, o que supera, em muito, os 379 milhões de m³/ano da demanda para o consumo humano”, destaca a professora Mayara Melo.

A situação descrita, porém, não é muito diferente do cenário nacional. Segundo, a Agência Nacional de Águas (ANA), cerca de 72% da água consumida no Brasil é utilizada pela agricultura, e, devido a irrigações mal-executadas e falta de controle do agricultor, metade disso vai para o ralo, enquanto o abastecimento urbano responde por apenas 9%. Com um consumo de consumo médio anual de 10,4 trilhões de litros, o desperdício é de 3 trilhões de litros por ano. Mas ainda é possível reverter tal situação.

Com o objetivo de despertar a população para a importância do reúso da água da agropecuária, tema bastante difundido na atualidade, o professor Nilson Araújo, do Departamento de Construção Civil do campus de Fortaleza, desenvolveu uma pesquisa no cultivo do sorgo forrageiro, planta usada na alimentação animal.

Na ocasião, ele aproveitou a água que sobrava do tratamento na estação da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) para irrigar a vegetação. “O reúso de água, quando observados todos os cuidados, segundo a OMS, podem ser utilizados com algumas culturas agrícolas com alto grau de tolerância aos sais, bem como na piscicultura, com criações de tilápias e outros tipos de peixes, sem o perigo de contaminação da população, desde que, se observem todos esses cuidados”, reforça o docente.

A água que não era utilizada para consumo humano da estação da Companhia de Água e Esgoto do Ceará foi usada na experiência com o sorgo forrageiro (FOTO: Nilson Araújo)

A água que não era utilizada para consumo humano da estação da Companhia de Água e Esgoto do Ceará foi usada na experiência com o sorgo forrageiro (FOTO: Nilson Araújo)

O professor diz que escolheu o sorgo por ser uma planta forrageira de boa palatabilidade aos animais e, reconhecida como forrageira que necessita de pouca água, podendo ser utilizada como ração para bovinos, equídeos e outros grandes animais. “É uma cultura que se adapta bem ao semiárido nordestino, sendo da mesma família botânica do milho-gramínea”, explica.

Ainda de acordo com Araújo, em culturas irrigadas, um dos benefícios do reúso, é a economia de fertilizantes e matéria orgânica, pois, nas águas de reúso das estações de tratamento é composta de nutrientes, havendo com isto um aumento de produtividade das culturas.

Importância do reuso da água

O sorgo uma planta de origem africana, da mesma família botânica do milho, que é utilizada na alimentação animal, principalmente de bovinos (FOTO: Nilson Araújo)

O sorgo uma planta de origem africana, da mesma família botânica do milho, que é utilizada na alimentação animal, principalmente de bovinos (FOTO: Nilson Araújo)

Nilson Araújo lamenta que ainda haja uma “repugnância” por parte da população quando se faz uso das águas de esgoto doméstico, tudo por falta de conhecimento. “Há mais de 50 anos a Austrália já utilizava estas águas, daí o nome de ‘lagoas australianas’ dado ao tratamento de águas de esgotos domésticos. Fortaleza recebe mais de 2.800 horas de sol por ano, juntamente com bactérias, fungos protozoários, vírus, fazendo esta depuração, nos dá a certeza, que quando feito com responsabilidade, que as águas de reúso podem ser utilizadas com segurança”, reforça.

As informações aqui citadas mostram que, mesmo ainda longe de um colapso d’água, Fortaleza necessita, de forma urgente, adotar o uso o reuso de águas. Afinal, alguém acreditaria que uma cidade como São Paulo – que possui localização favorável para o armazenamento de água – iria sofrer com escassez?

O desenvolvimento sustentável tem como eixo central a melhoria da qualidade de vida humana, dentro dos limites da capacidade dos ecossistemas e na sua consecução. Assim, as próprias pessoas devem se unir, pois estas são beneficiárias e instrumentos do processo, sendo seu envolvimento fundamental para o presente e para as gerações futuras. Não adianta, ficar jogando a culpa somente nos governantes. Somente depende de nós.

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