30 de outubro de 2014

Mercado em alta

Com mais de 700 lojas no Brasil e 2ª rede em faturamento do setor, a cearense Pague Menos pretende crescer ainda mais

O setor farmacêutico está em alta no Brasil. Somente no 1º semestre de 2014, as farmácias registram um faturamento de 14% maior que mesmo período do ano passado. Segundo dados da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), esse crescimento representa um montante de R$ 15,3 bilhões.

Um dos motivos responsáveis pelo impacto no crescimento são os não-medicamentos, isto é, produtos diversos que estão disponíveis nas prateleiras. “Vendemos sorvetes, bolas, meias entre muitos outros produtos para a conveniência de nossos clientes, o que representa mais de 30% no faturamento da Pague Menos”, comemora o presidente das Farmácias Pague Menos, Deusmar Queirós.

Aos 67 anos, Deusmar de Queirós tem sua própria história confundida com a da rede Pague Menos. Seus primeiros passos como empreendedor se deu na mercearia de seu pai, Antônio Lisboa de Queirós (FOTO: Divulgação)

Aos 67 anos, Deusmar de Queirós tem sua própria história confundida com a da rede Pague Menos. Seus primeiros passos como empreendedor se deram na mercearia de seu pai, Antônio Lisboa de Queirós (FOTO: Divulgação)

Com um maior mix de opções, a tendência é que as lojas otimizem o espaço, com exposição mais eficiente e controle do estoque. No Brasil, os não-medicamentos acumulam mais de R$ 5 bilhões em vendas nos primeiros 6 meses de 2014. O total corresponde a um aumento de 16,5% em relação ao mesmo período de 2013. Ainda de acordo com a Abrafarma, tais produtos representam mais de 32% do volume total de vendas nas farmácias do país.

Para fomentar o negócio de não-medicamentos, a rede cearense lançou, em dezembro de 2007, a linha de artigos de marca própria. Atualmente, a rede possui diversas marcas, entre elas a Amorável, que está voltada para a linha de beleza e cosmética. A Dauf contempla produtos de diversas categorias, como as linhas de higiene oral, higiene pessoal e de produtos nutracêuticos. A marca que leva o logotipo da empresa, por sua vez, conta com produtos mais direcionados para a saúde, incluindo monitores de pressão arterial, termômetros digitais, massageadores, umidificadores de ambiente, balanças digitais e linha de primeiros socorros.

A categoria de marca própria já atingiu mais de 20% de participação na venda de não medicamentos, 5% do faturamento geral da empresa, e está crescendo acima de 50% em relação a 2013. A produção mensal está acima de um milhão de unidades, desenvolvidas em conjunto com 46 parceiros fabricantes.

Selo cearense de qualidade

Hoje a Pague Menos é uma das maiores referências no mercado farmacêutico, de acordo com dados da Abrafarma do ano passado, a rede cearense de farmácias é a 2ª maior do país em faturamento e número de lojas, ficando atrás somente da Raia Drogasil. “Isso é resultado de muito trabalho, de decisões ágeis e eficientes, sem medo de errar, do espírito de inovar, de criar, de acreditar e principalmente pela sabedoria de se cercar, desde o início, de pessoas umbilicalmente comprometidas com a empresa”, comenta Deusmar.

Segundo o presidente da rede, a Pague Menos também faz constantes investimentos para propiciar aos seus públicos um atendimento diferenciado. Em todas as farmácias, é desenvolvido, entre os funcionários, o programa “Eu Atendo de Coração” que tem o principal objetivo de atender bem as necessidades dos clientes para que eles sempre saiam satisfeitos.

Além disso, ações e campanhas tornam a Pague Menos uma das líderes no segmento. Confira:

Futuro

A expectativa é de que o setor mantenha o crescimento acima de 12%. Para Deusmar Queirós, o mercado de farmácias e drogarias exige uma maior resiliência, em um cenário de rápidas mudanças, globalização e conectividade. “Não há espaço para a liderança autocrática, a resistência às mudanças e a falta de incentivo à inovação e à criatividade. O cenário exige decisões ágeis e eficientes. Não devemos ter medo de errar, mas, se errarmos, devemos corrigir na mesma velocidade”, diz.

Mais serviços ao consumidor

Potências globais de diversos setores da economia estão expandindo fronteiras promovendo uma aceleração no processo de consolidação com uma concorrência devastadora
Deusmar Queirós presidente da rede Pague Menos
Com as conquistas do setor, atualmente é possível esperar que as farmácias comecem a oferecer mais serviços de saúde, como atendimento médico. É importante observar que a Consulta Farmacêutica tem como objetivo assessorar o cliente para conseguir a máxima efetividade da farmacoterapia, não deve ser confundida com a Consulta Médica.

A Atenção Farmacêutica é uma arma poderosa que transforma e melhora a qualidade da saúde de uma comunidade, trazendo benefícios para os clientes, como um atendimento personalizado, melhor controle da doença e maior facilidade em seguir o plano de cuidado elaborado; para o Farmacêutico e funcionários da farmácia, proporciona fidelização do cliente e satisfação ao aplicar conhecimentos e habilidades; para a farmácia, acarretará em maior fluxo de clientes e diferenciação perante os concorrentes e para os médicos que terão pacientes mais cumpridores do tratamento e acompanhados com maior frequência por profissional de saúde e a promoção do uso racional de medicamentos.

No caso da Pague Menos, a rede está implantando um novo piloto de Atenção Farmacêutica em algumas lojas em vários estados. Entre os objetivos, o programa vai trazer melhorias na qualidade de vida dos clientes, acompanhar para que o tratamento seja realizado corretamente, fidelizar clientes e encantá-los focando principalmente na atenção à farmácia popular e convênios para clientes com doenças como diabetes, hipertensão, problemas cardiovasculares e asma. “O novo piloto inclui sala com layout específico para consulta farmacêutica, programa na Intranet para os Farmacêuticos que vão prestar este serviço aos clientes, capacitação e muitas ações em saúde”, explica o empresário.

Para o presidente da Abrafarma, Sérgio Mena Barreto, o ano deve fechar com um aumento de mais de 10% em relação a 2013 (FOTO: Divulgação)

Para o presidente da Abrafarma, Sérgio Mena Barreto, o ano deve fechar com um aumento de mais de 10% em relação a 2013 (FOTO: Divulgação)

De vento em popa

No geral, o mercado está aquecido e segue tendência de alta. Para o presidente da Abrafarma, Sérgio Mena Barreto, o ano deve fechar com um aumento de mais de 10% em relação a 2013. “Esse resultado reforça nossa estimativa de expansão para 2014, que deve girar em torno de 13% em relação ao ano passado”, diz. Os números da Associação mostram ainda que o 1º semestre de 2013 obteve desempenho de um pouco mais de 12% em comparação ao igual período de 2012.

Com o setor em alta, crescem também as oportunidades de emprego. De janeiro a junho de 2014 foram contratados 115.034 profissionais, um número que representa um aumento de 6,57% no comparativo com o 1º semestre de 2012. O presidente da Abrafarma reforça que deste total de profissionais contratados para trabalhar nas farmácias do país, 14.609 são farmacêuticos. “Contamos com um contingente de 14,4 mil destes profissionais qualificados, ou seja, 2,72 por loja”, comemora Sérgio Mena.

Abrafarma: números do setor de farmácias e drogarias


30 de outubro de 2014

Sobre medicamentos

Características que podem ajudar no reconhecimento de alguns dos diferentes tipos de medicamentos comercializados no Brasil

De acordo com a Pesquisa Nacional sobre Acesso, Utilização e Promoção do Uso Racional de Medicamentos no Brasil (PNAUM), remédio é todo e qualquer tipo de cuidado utilizado para curar ou aliviar doenças, sintomas, desconforto e mal-estar. Portanto, um remédio poderá ser tanto um medicamento vendido em farmácias e receitado pelos médicos, quanto um chá, banho quente ou massagem, por exemplo.

Abaixo, acompanhe características que podem ajudar você a reconhecer alguns dos diferentes tipos de medicamentos comercializados no Brasil:


30 de outubro de 2014

A pílula da felicidade

De acordo com o psiquiatra Fábio Gomes, professor associado de Psiquiatria da Universidade Federal do Ceará (UFC), um medicamento lançado na década de 80, revolucionou à época o tratamento contra a depressão

A tristeza é um dos sentimentos humanos mais dolorosos. Todos têm contato com ela em algum momento da vida. O luto de Eliane Nascimento Ferreira, após a perda de dois entes queridos, manifestou-se por um sistema de tristeza e vazio, mas que não foi superado com o correr do tempo. Passaram-se anos para ela se curar da temida depressão.

Eliane e o esposo, Edmundo Silveira. Alívio após recuperar-se da depressão (FOTO: ARQUIVO PESSOAL)

Eliane e o esposo, Edmundo Silveira. Alívio após recuperar-se da depressão (FOTO: ARQUIVO PESSOAL)

“Eu nem sabia que estava com depressão. Comecei a sentir a falta de alguma coisa, que eu nem mesma sabia o que era”, admite. A dificuldade em se livrar do marasmo, da sensação de tédio e da falta de ânimo durou anos. O que, em outros tempos, a deixava empolgada acabou perdendo a graça. “Ficava sempre isolada. Comecei a ficar mais no meu quarto. Não dava importância à minha família. As pessoas que tinham de levar a comida para mim. Não queria nem tomar banho. Tudo era muito insignificante”, conta a cearense de 56 anos.

A perda do interesse e da vivacidade ocorreu logo após a morte da mãe, há 18 anos. Quatro anos depois veio o segundo baque: o pai faleceu aos seus braços. Eliane desabou. Costumeiramente tinha picos de pressão e diariamente era levada ao hospital. “A minha pressão ficava muito alta. Até que um cardiologista me viu recuada chorando e me perguntou se eu tinha ido a um psicólogo ou psiquiatra. Ele disse que eu precisava, porque estava com depressão bem elevada”, lembra.

A cearense começou a ter acompanhamento de um psicólogo e a se tratar com medicação, uma associação de remédios com chás de erva-cidreira e capim-santo. O apoio do marido e da filha e as terapias em grupo reacenderam a vontade de viver de Eliane. Foi quando começou a reagir. “Realmente é difícil. A vida não volta mais como era antes depois que você perde pai e mãe. Isso interferiu muito na minha vida, mas posso dizer que estou 70% bem. Melhorei muito, mas não sou 100%”, reflete.

Aos 56 anos, a cearense ainda toma medicação para ajudar no dia a dia, que está voltando a florescer graças aos cuidados que dá às netas, em casa. “A minha filha me deu duas netinhas, que me dão muito trabalho, mas preencheram o vazio que existia em mim”, conclui.

Medicamentos

De acordo com o psiquiatra Fábio Gomes, professor associado de Psiquiatria da Universidade Federal do Ceará (UFC), um medicamento lançado na década de 80, revolucionou à época o tratamento contra a depressão. O mérito do Prozac, a chamada “pílula da felicidade” foi reduzir os efeitos colaterais que, até então, eram muito acentuados nos outros remédios antidepressivos, trazendo uma sensação de bem-estar para o paciente. Estima-se que mais de 40 milhões de pessoas no mundo já tenham usado o medicamento desde o seu surgimento, em 1986.

A fluoxetina (Prozac) é indicada no tratamento da de pressão, associada ou não com ansiedade, da bulimia nervosa, do transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e do transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM), incluindo tensão pré-menstrual (TPM), irritabilidade e disforia (FONTE: BULA DO REMÉDIO)

A fluoxetina (Prozac) é indicada no tratamento da de pressão, associada ou não com ansiedade, da bulimia nervosa, do transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e do transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM), incluindo tensão pré-menstrual (TPM), irritabilidade e disforia (FONTE: BULA DO REMÉDIO)

O princípio ativo do Prozac é o cloridrato de fluoxetina, indicado, segundo o fabricante, para o tratamento da depressão. Ele é também receitado para tratar distúrbios de ordem obsessiva-compulsiva e transtorno disfórico pré-menstrual. “A fluoxetina faz parte de um grupo farmacológico chamado inibidor seletivo de recaptação de serotonina. A atuação no cérebro inibe a recaptação da serotonina na sinapse, permitindo o aumento de sua concentração”, explica. Esse alerta não se pode dizer que o remédio ‘cura’ a depressão, mas que ajuda a controlar os sintomas, permitindo à pessoa maior bem-estar.

Entretanto, os efeitos colaterais mais comuns (acima de 10% dos pacientes que usam o remédio) são: diarreia, náusea, dor de cabeça e insônia. De 10 a 20% dos pacientes deixam de usá-lo por esses motivos. “Os homens podem deixar de usá-lo por efeitos colaterais relacionados ao sexo, como diminuição do desejo, retardo na ejaculação e dificuldade na ereção”, afirma o especialista.

As chances de alguém ter uma depressão ao longo da vida são de cerca de 15%
Fábio Gomes Psiquiatra
A medicação é distribuída em postos de saúde de Fortaleza, após consulta médica na qual a mesma tenha sido prescrita. O ponto positivo é que a fluoxetina não tem síndrome de retirada, devido à meia-vida prolongada da medicação. “Existe uma gama de outros antidepressivos que pode substituir a fluxoetina. Mas é bom lembrar que nenhum remédio é usado para tornar as pessoas felizes. Os remédios servem para controlar sintomas depressivos ansiosos e obsessivos”.

Depressão

A depressão é uma doença, como outra doença qualquer, que se caracteriza por uma tristeza profunda e duradoura, além de outros sintomas, e que dispõe hoje de tratamentos modernos para alívio do sofrimento que acarreta. “Os sintomas fundamentais são o humor deprimido e a falta de prazer. Além destes, o paciente deprimido pode apresentar insônia, desânimo, desesperança, falta de apetite, diminuição do desejo sexual e até pensamentos suicidas”, explica Fábio Gomes.

A cada ano, tem sido observado um aumento na taxa de depressão. As chances de alguém ter uma depressão ao longo da vida são de cerca de 15%. Ela se manifesta mais frequentemente no adulto, embora possa ocorrer em qualquer faixa de idade, da criança ao idoso. É mais comum nas mulheres do que nos homens. “São cerca de duas mulheres para cada homem deprimido. Mas existe tratamento eficaz para controlar a doença”, assegura. Os efeitos dos tratamentos levam de duas a três semanas para aparecer.


30 de outubro de 2014

Troca de favores

Às vezes, um brinde, outras vezes, um almoço e até viagens para congressos de medicina. Essa via de mão dupla começa a ser perigosa quando os médicos passam a aceitar dinheiro

Vestir-se bem. Essa é a primeira regra de quem trabalha como propagandista de medicamentos. Simpatia e educação também contam na hora de seduzir o público-alvo, afinal, sua função é convencer os médicos a receitarem as marcas que representam. É o caso de Francisco Maurício Barroso Gomes, representante de uma indústria farmacêutica, em Fortaleza.

Em seus 37 anos de profissão, o propagandista e presidente do Sinprovence, Francisco Maurício já passou por algumas situações constrangedoras (FOTO: Divulgação/Sinprovence)

Em seus 37 anos de profissão, o propagandista e presidente do Sinprovence, Francisco Maurício já passou por algumas situações constrangedoras (FOTO: Divulgação/Sinprovence)

Maurício Gomes visita 12 médicos por dia. É uma cota razoável, comum entre os laboratórios de medicamentos. Cada laboratório possui uma linha de produção e patologia. Gomes distribui medicamentos da área respiratória, para pacientes com asma, por exemplo. Ele explicou que há dois tipos de representantes: os que trabalham com a distribuição junto aos médicos e os que vendem para as farmácias.

Engana-se quem pensa que propagandista vive apenas de uma boa oratória. Antes de falar bem, é preciso muito estudo sobre os remédios e as doenças e técnicas de marketing, a fim de ser “o escolhido” do médico. “Temos o trabalho de ajudar um paciente, alguém que precisa. Descobrimos que tipos de pacientes são atendidos por determinado médico, estudamos, falamos as características dos produtos, e os médicos escolhem”, explica Maurício.

Na rotina de visitar clínicas e hospitais, os propagandistas vez ou outra passam por situações constrangedoras. Alguns médicos autorizam a entrada desses profissionais na frente dos pacientes que esperam sua vez na recepção, o que costuma causar discussões. Gomes explica que isso é mínimo. Em seus 37 anos de profissão, passou por isso apenas cinco vezes. Para ele, o representante que gosta de verdade da profissão tem que entender o lado de quem espera. “É preciso sempre ter educação e falar bem com o paciente. Negociar um retorno em outro horário ou esperar a minha vez. Tudo se resolve com educação”.

Nessa relação próxima entre propagandista e médico, costuma-se haver “troca de favores”. Às vezes, um brinde, outras vezes, um almoço e até viagens para congressos de medicina. Essa via de mão dupla começa a ser perigosa quando os médicos passam a aceitar dinheiro. Maurício diz que não faz esse tipo de serviço. Regras da empresa. Nem mesmo a velha “canetinha”. Dentro do laboratório que trabalha, até as premiações de vendas foram banidas, mas esse tipo de relacionamento ainda acontece, mesmo que seja difícil de comprovar.

Aceitar ou não?

A “troca de favores” entre farmacêutico e médicos não é vista com bons olhos pelo Código de Ética Médica, segundo o Simec (FOTO: Divulgação)

A “troca de favores” entre farmacêutico e médicos não é vista com bons olhos pelo Código de Ética Médica, segundo o Simec (FOTO: Divulgação)

Segundo o vice-presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará (Simec), Samuel Abranques, a “troca de favores” entre farmacêutico e médicos não é vista com bons olhos pelo Código de Ética Médica. “Caso o médico aceite esse tipo de brinde, como viagens, por exemplo, ele está indo de encontro ao Código. Não é permitido receber benefício para favorecer nenhum laboratório”, explica.

O bom médico – de acordo com Samuel – não se influencia por brinde ofertado. O objetivo da visita de representantes de medicamentos deve ser justamente para divulgar a importância do remédio e o porquê de os profissionais receitarem determinadas marcas. “O médico, por sua vez, deve prescrever apenas o medicamento que ele veja que é o ideal para o paciente, e não aquele cujo representante oferece brindes”, afirma.


30 de outubro de 2014


30 de outubro de 2014

Tentação em cápsulas

As medicações têm se mostrado eficazes como tratamento adicional, porém precisam ser bem indicadas e o paciente deve ser bem acompanhado pelo seu médico

Com quadro de sobrepeso e diabetes, o administrador de empresas Jovanes Oliveira, de 34 anos, foi submetido a uma cirurgia cardíaca no início de 2014. Após este episódio, ele deu início a uma mudança de estilo de vida para perder peso, mas somente dieta não estava resolvendo seu problema.

A dieta associada à medicação tem também seus efeitos colaterais. No caso de Jovanes, o sono tem sido seu principal inimigo (FOTO: Arquivo Pessoal)

A dieta associada à medicação tem também seus efeitos colaterais. No caso de Jovanes, o sono tem sido seu principal inimigo (FOTO: Arquivo Pessoal)

Jovanes procurou novamente um médico. Para perder peso, o administrador teve que ser submetido a remédios. Lhe foi receitado Cloridrato de Fluoxetina 20 mg. A droga é indicada também para o tratamento da depressão, associada ou não à ansiedade. Também é indicado para o tratamento da bulimia nervosa, do transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e do transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM), incluindo tensão pré-menstrual (TPM), irritabilidade e disforia (mal-estar provocado pela ansiedade).

Tomando o remédio há dois meses, Jovanes comenta os resultados. “Ainda estou me acostumando com essa nova medicação, sinto que a fome demora muito mais a aparecer, fora isso estou me sentindo muito bem, mas como está com pouco meses de tratamento, perdi pouco peso e ainda tenho que aliar o medicamento ao treino físico, o que no momento estou sem fazer por falta de tempo”, diz o administrador.

A dieta associada à medicação tem também seus efeitos colaterais. No caso de Jovanes, o sono tem sido seu principal inimigo. “Tenho sentido muita sonolência. Ouvi falar que sentiria muitos efeitos por conta do uso do medicamento, mas até agora somente o sono tem me incomodado”, comenta.

A base do tratamento da obesidade deve sempre ser uma atividade física bem orientada e uma alimentação saudável
Manoel Martins Médico
O cloridrato de Fluoxetina também pode causar diarreia, náusea, fadiga e dor de cabeça. Como qualquer outra medicação, os remédios para o tratamento da obesidade têm suas indicações e contra-indicações. “O médico é o profissional adequado para avaliar caso a caso. Qualquer medicação pode trazer efeitos indesejados”, explica o médico e professor adjunto da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC) Manoel Martins.

Mas afinal, como atuam os remédios inibidores de apetite no nosso corpo? Segundo o Dr. Manoel Martins, as medicações usadas para o tratamento da obesidade podem atuar através de vários mecanismos diferentes, como inibidores do apetite (anorexígenos), estimuladores da saciedade (sacietógenos), inibidores da absorção de gorduras, e outros.

A base do tratamento da obesidade deve sempre ser uma atividade física bem orientada e uma alimentação saudável. As medicações têm se mostrado eficazes como tratamento adicional, porém precisam ser bem indicadas e o paciente deve ser bem acompanhado pelo seu médico. “Os pacientes devem ter cuidado com alguns produtos que prometem ‘milagres’ cujos benefícios não são demonstrados pela literatura médica e que por vezes estão associados a graves efeitos colaterais. Portanto, antes de se fazer uso de qualquer forma de tratamento (medicamentoso ou não) sempre se deve procurar o profissional especializado”, reforça o endocrinologista.

Na luta pelo emagrecimento, muitas pessoas acabam tomando remédios sem prescrição médica. E isto pode trazer efeitos negativos, como alerta Manoel Martins: “Qualquer medicação pode provocar efeitos colaterais, principalmente em pessoas com contra-indicações. Dentre os principais efeitos colaterais possíveis estão arritmias, insônia e distúrbios do humor”.

Relatório sobre o consumo de drogas no mundo divulgado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC) aponta o uso abusivo de medicamentos no Brasil e a estabilidade no consumo de drogas ilegais
Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime
Assim como efeitos negativos para quem usa remédio sem indicação médica, as farmácias que vendem remédios sem prescrição pode ser sofrer punições. Desde outubro de 2012, está proibida a venda de derivados de anfetamina, usados para emagrecer. Só a venda da sibutramina é que continua liberada, mesmo assim, com restrições.

Para compra e venda de emagrecedores, médicos e pacientes têm que assinar um documento no qual se responsabilizam pelo uso do remédio. A cópia da farmácia é enviada à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O rigor é porque esses medicamentos têm contraindicações. “Toda medicação só deve ser usada quando prescrita por profissional médico especializado nesses tratamentos”, reforça Martins.

Venda de emagrecedores

A resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que permite a volta da venda de emagrecedores no país foi publicada no Diário Oficial, em 26 de setembro deste ano. O texto normatiza o assunto depois que o Senado suspendeu, no início do mês, a resolução da agência reguladora que proibia a venda e a prescrição de medicamentos que contêm anfetaminas usadas no controle da obesidade.

Para que voltem a ser comercializados, os medicamentos contendo mazindol, femproporex e anfepramona deverão ser registrados novamente pelos fabricantes. A análise técnica dos pedidos, segundo a Anvisa, levará em consideração a comprovação de eficácia e segurança dos produtos.

A norma prevê ainda que as farmácias só poderão manipular esses medicamentos quando houver algum produto registrado na Anvisa. Quando as substâncias tiverem registro, tanto o produto manipulado quanto o produto registrado passarão a ter o mesmo controle usado atualmente para a sibutramina – retenção de receita, assinatura de termo de responsabilidade do prescritor e do termo de consentimento pós-informação por parte do usuário.

Confira algumas substâncias proibidas no Brasil:

Sibutramina

Liberada pela Anvisa, a sibutramina é indicada para pacientes obesos, ou naqueles com sobrepeso associado a complicações e que não tenham tido resposta favorável apenas com educação alimentar e atividade física. Assim como o Cloridrato de Fluoxetina, a sibutramina tem seus efeitos colaterais. “A maioria dos pacientes não apresenta efeitos colaterais ou os efeitos colaterais são leves ou transitórios. Dentre eles os mais comuns são constipação, boca seca, palpitação e insônia”, explica o professor de Medicina da UFC.

De forma geral, seu uso deve ser evitado em pacientes com histórico de doença coronariana ou hipertensão arterial descontrolada. “Só o médico pode avaliar se qualquer medicação está indicada ou contra-indicada para cada paciente”, finaliza Martins.


O medicamento com maior faturamento no Brasil em 2013 foi o Dorflex com um volume de R$338 milhões em vendas. Em segundo vem a Neosaldina, indicado para dores de cabeça, que rendeu R$ 216 milhões para o Laboratório Takeda. Confira o ranking elaborado pelo Instituto IMS Health:

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Expediente: Edição: Felipe Lima | Reportagem: Felipe Lima, Roberta Tavares e Renata Monte | Infografia: Tiago Leite

Publicado em: 30/10/2014