REPORTAGEM: Roberta Tavares

DESIGN: Mayara Kiwi

VÍDEO: Adriano Paiva

PRODUÇÃO: Jéssica Welma

EDIÇÃO: Rafael Luis Azevedo

DESENVOLVIMENTO: Index Digital

Publicado em 19/06/2017

Cooperar. O verbo já diz tudo. No dicionário: colaborar, apoiar, associar. Em poucas palavras, o Cooperativismo é uma forma de organização das atividades socioeconômicas. É, ainda, uma alternativa para a conquista de mercados, valorização de categoria e oferta de melhores serviços à população. Para os cooperados, é uma das ferramentas mais democráticas do mundo. Para a população, os benefícios são gigantescos.

O Tribuna do Ceará se debruçou sobre a temática e encontrou projetos incríveis advindos do Cooperativismo no Estado. Desde a criação de uma creche para idosos ao fomento da prática de atividades físicas, os cooperados comprovam que se modernizaram e se orientaram no mercado, ao mesmo tempo em que reforçam a bela essência do sistema.

O que é cooperativa?

É uma organização constituída por membros que objetivam desempenhar determinada atividade. Funciona como uma empresa tradicional, mas no lugar de apenas um dono, toda a comunidade é responsável por ela. Cada cooperado repassa um valor, formando o capital social da cooperativa. Após a aplicação dos recursos, as sobras são divididas igualmente para todos. A marca registrada do Cooperativismo é a gestão democrática e a inclusão das pessoas na sociedade.

(Fonte: Sistema OCB/Sescoop)

Uma bela maneira de curtir a terceira idade

A Creche do Idoso é uma iniciativa da Cooperativa dos Profissionais de Enfermagem. Os cabelos brancos se unem ao companheirismo de enfermeiros, para diminuir a solidão da terceira idade.

Em uma simpática casa no Bairro de Fátima, em Fortaleza, 25 idosos se reúnem para conversar, relembrar histórias, dançar e brincar. "Eu gosto muito daqui", admite Maria Zélia Vasconcelos, de 78 anos, atendida pela Creche do Idoso, iniciativa da Cooperativa dos Profissionais de Enfermagem do Ceará (Coopen). Ali, os cabelos brancos se misturam ao companheirismo de enfermeiros que, com muito esmero, ajudam a diminuir a sensação de solidão na terceira idade.

O local é como uma creche infantil. A diferença é que, no lugar de crianças, vê-se pessoas de idade avançada. A ideia é socializar e fazer novas amizades, a partir do compartilhamento de histórias, jogos de dominó, bingos, pinturas e danças. A creche também tem servido para preencher vazios deixados pelo tempo. “Perdi o marido, e a gente fica assim, né? 55 anos de casados. Mas a gente vai levando, daqui a pouco a gente tá tão amiga de um e de outro daqui”, diz Zélia, com os olhos marejados.

Em meio às lembranças, há quem prefira aproveitar o que a tecnologia tem a oferecer. “Gosto de ficar no tablet, de jogar”, conta dona Meide de Lima Rodrigues. “Aqui é maravilhoso, a coisa melhor que eu acho é estar aqui”, acrescenta, enquanto se diverte como criança, com o computador portátil. O tempo passa e ela nem percebe.

A Creche do Idoso tem servido para preencher vazios deixados pelo tempo (FOTO: Adriano Paiva/Tribuna do Ceará)

A Cooperativa dos Profissionais de Enfermagem do Ceará nasceu a partir de desejo de reunir enfermeiros e oferecer ao mercado profissionais qualificados. No início, o atendimento aos idosos era feito em domicílio.

“Depois de 15 anos de atuação, nosso grande sonho tornou-se abrir um espaço destinado ao idoso, um idoso saudável. A gente começou a perceber a grande deficiência que eles tinham de conversar. Eles têm tudo na casa, mas as famílias saem, vão trabalhar, e eles ficam sozinhos”, conta a presidente da cooperativa, Najla Gurgel.

A Creche do Idoso virou a segunda casa deles. O espaço tem capacidade para 50 pessoas, funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, e oferece refeições, alongamento, dança, música, informática e até oficinas de beleza.

“O objetivo é promover a socialização: ouvir as mesmas notícias, cantar as músicas da época deles, contar várias vezes a mesma história todo dia”, explica Najla, lembrando que a maioria dos atendidos sofre da doença de Alzheimer. “Eles vêm para passar o tempo. Algumas famílias deixam durante todo o dia, outras só em um período. O nosso diferencial é que não tem terapia, fisioterapia, hidroginástica, aqui é socialização pura”.

Na casa repleta de sorrisos, experiências e rugas (os sinceros reflexos da idade), o dia é bem movimentado. Após as atividades, às 17h as famílias retornam para buscá-los. Agora, os papéis se inverteram. Filhos, netos e bisnetos são os responsáveis pelo ente querido.

Antes do acolhimento, há uma entrevista médica, para analisar se o idoso está de acordo com o perfil atendido. “No primeiro dia, muitos não querem nem ouvir falar em ficar. É igual a criança no primeiro dia. Uma das atendidas, por exemplo, tem medo de ficar só, então a cuidadora fica com ela aqui, mas não é junto, fica um pouco mais distante. De vez em quando, ela vira e pergunta: ‘Cadê a Maria?’. É a mesma coisa de criança nos primeiros dias de aula”, compara a enfermeira.

No dia da reportagem, o engenheiro civil Francisco Almeida, de 65 anos, levava a mãe Josefa Cavalcante, de 90 anos, para conhecer o espaço. A família pequena e já em idade avançada optou pela creche por ter pouco tempo de dedicação à mãe e pela falta de habilidade em cuidar de uma idosa. “O trabalho da cooperativa foi uma surpresa para a gente. A Coopen tem muito a oferecer, porque a família não tem a experiência que um profissional tem”, parabeniza.

O investimento é de cerca de R$ 1,5 mil mensais, a depender da quantidade de dias e turnos em que o idoso será acompanhado. O próximo passo dos enfermeiros é criar um pequeno hotel ao lado, para que os atendidos possam ficar para dormir. “Quando a família quiser passar um final de semana fora, o idoso muitas vezes não quer ir, e poderia ficar com os amigos daqui”, espera Najla.

Para Seu Almeida, a Creche do Idoso é muito além do conceito de uma creche. “Eu enxergo como um acompanhamento, uma extensão da família. Estamos entrando nessa experiência, que eu sei que dará certo”. Dona Josefa mal sabe o que a aguarda, para ter mais uma prova de que a velhice pode sim ser a melhor idade.

Cooperação no Ceará

132 cooperativas ativas e registradas

55.129 cooperados

de 2015 para 2017, o número de cooperados cresceu 5.9%

as cooperativas ativas no cerá pertecem a 8 ramos diferentes: transporte (51), agropecuária(30), saúde(23), trabalho(17), crédito(5), consumo(3), educacional(1) e infraestrutura(1)

Fonte: organização das cooperativas do brasil/ce

De pequenos produtores a empresários

De grão em grão, o Projeto Família, criado pela Cooperativa Agropecuária de Senador Pompeu, transformou propriedades de pequenos produtores em grandes oportunidades de plantio.

Aos 72 anos, Raimundo Marques colhe os frutos de uma decisão simples, mas uma das mais importantes da vida. Deixou de lado a pequena monocultura de algodão e foi em direção às várias oportunidades que a agropecuária oferece.

A solução para a sobrevivência na seca não foi tomada sozinho. A colaboração e a união de produtores na Cooperativa Agropecuária de Senador Pompeu (Cosena), distante 275 quilômetros de Fortaleza, transformaram o sonho de Raimundo e de outras 13 famílias do interior do Ceará em realidade. Uma realidade bem diferente da que enfrentavam.

"A seca atrapalhou a gente. Deixou a gente sem nada. Eu plantava matéria-prima do algodão para vender, e milho e feijão, para o consumo de casa e dos animais. O que eu vendia não dava para pagar todas as dívidas”.

A seca de cinco anos seguidos, na década de 1980, obrigou Raimundo a fazer um empréstimo. Incapacitado de pagar as dívidas, chegou a ser ameaçado e ter a família intimidada pelos cobradores. “Eles carregavam tudo o que eu tinha. Fico emocionado em contar a história”, chora. "Eu estava apavorado, pensei até em fazer besteira. Mas Deus me deu paciência”.

O declínio do algodão devido ao bicudo-do-algodoeiro, uma das principais pragas das lavouras, atingiu não só o plantio de Raimundo, como o de todos os associados. Foi quando surgiu o Projeto Família, uma iniciativa da Cosena. “A gente teve que mudar o que plantava", conta o cearense.

Passaram a compartilhar conhecimento entre si e com técnicos da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce) e da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), que indicam as melhores culturas a se plantar, a partir das características da região na qual a propriedade está inserida.

A primeira meta do projeto de desenvolvimento produtivo sustentável é diversificar a produção. Em seguida, a ideia é agregar valor aos produtos e alcançar outros mercados. Os familiares precisam estar abertos a novos desafios, o que inclui a gestão coletiva da família, com a participação também dos filhos jovens.

Realizar o controle contábil da propriedade foi um elemento importante para o êxito do projeto. “Antes era uma coisa muito difícil para nós, a gente nunca tinha feito contabilidade. Agora é uma brincadeira, a coisa mais simples do mundo, só na facilidade. Já temos internet em casa, o computador ajuda a gente”, conta com simplicidade.

Cada filho deve ficar responsável por uma atividade produtiva, e um dos membros da família encarregado da contabilidade. No final, as famílias sabem quanto custa para produzir a galinha, a carne, o leite, as frutas, entre outros.

O Projeto Família indica aos produtores as melhores culturas a se plantar (FOTO: Divulgação)

Pedro Marques, de 28 anos, filho de Raimundo, admite que a ideia foi inovadora. “Era diferente… Mudar a plantação. Mas aí vimos o lado bom: quando a atividade estiver ruim, tem outra para cobrir. Com o acompanhamento técnico e contábil, começamos trabalhando com galinha de corte, galinha de costura, fruticultura com laranja, caprinocultura e apicultura”, explica.

Eles aprenderam a identificar as potencialidades produtivas viáveis onde moram e a desenvolvê-las com autossustentabilidade. “Sabendo o que está acontecendo, dá para refletir se vai continuar ou não com o cultivo. Passamos de simples produtores para empresários na agricultura graças à cooperativa”.

Agora, o Sítio Miguel Rodrigues - Fazenda Santa Rosa, que iniciou com apenas uma casa, já tem 76 hectares e cinco residências ao redor, todas da família. Um dos filhos de Raimundo chegou a desistir de morar em São Paulo ao ver que os negócios estavam de vento em popa. “Se não tivéssemos essa ajuda, provavelmente estaríamos tentando a vida em São Paulo”, prevê Pedro.

Com união, organização e planejamento, a família de Raimundo tornou-se referência no município de Mombaça. Sobre os lucros, o cearense de 72 anos resume em poucas palavras: “Estamos pagando nossas contas, comendo bem, vivendo bem. Hoje, não devo a banco nenhum”, conta com orgulho. “Comprei uma moto, financiamos um carro, um trator cheio de incremento. Fizemos nossas casas. O técnico veio nos visitar e brincou dizendo que aqui está parecendo uma vila”, comemora o filho.

A Cooperativa Agropecuária de Senador Pompeu, desenvolvida com a ajuda da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB) em parceria com a cooperativa italiana II Canale, abrange os municípios de Senador Pompeu, Mombaça, Quixeramobim, Piquet Carneiro e Milhão. Ela é uma das 13 cooperativas do setor no Ceará. Foi fundada em 2 de abril de 1977 e possui 145 associados.

No Projeto Família, é preciso desembolsar de R$ 15 mil a R$ 27 mil para a inclusão da família, empréstimo que deve ser pago em um prazo de 7 anos. O valor varia de acordo com a capacidade de mão de obra e com o tamanho da propriedade.

Apesar dos desafios ao longo da caminhada, como a seca de cinco anos consecutivos, os investimentos em processos educativos e financeiros e as capacidades individuais e familiares tornaram as metas possíveis de serem executadas. São famílias inteiras trabalhando, produzindo e crescendo juntas. Mostrando que são capazes de resgatar a esperança de vida digna diante do cenário desolador da estiagem.

Para Valdizar Quirino, presidente da Cooperativa, as famílias beneficiadas ainda podem ir além. “Eu sou suspeito para dizer, mas os associados são diferentes, falam bem, comentam sobre as atividades, os projetos. Temos sonhos juntos, como o de criar um abatedouro de aves. O Cooperativismo é uma forma dos pequenos se unirem e tirarem proveito dessa união”.

Sonho que se sonha junto é realidade

O Pirambu Digital é um divisor de águas no caminhar de milhares de jovens da maior favela do Ceará. As forças são somadas para fortalecer o bairro e as empresas para quem prestam serviço

“Nunca diga aos jovens que seus sonhos não são possíveis”. Essa é a principal premissa do projeto Pirambu Digital, que se baseia no modelo de Cooperativismo e utiliza conceitos de economia solidária. Dessa forma, a cooperativa criada em Fortaleza presta serviços aos setores de Tecnologia da Informação de micro a grandes empresas, ao mesmo tempo em que ajuda no desenvolvimento social do entorno: o bairro Pirambu, a maior favela do Ceará e sétima maior do Brasil.

As forças são somadas para fortalecer as empresas para quem prestam serviço. Tudo começou quando o professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) Mauro Oliveira, em visita ao bairro, percebeu que crianças e jovens que viviam ali não tinham acesso sequer às escolas.

Em 2002, em parceria com o Movimento Emaús, 120 jovens do bairro foram selecionados para integrar uma turma em dois cursos técnicos. Os beneficiados, que até então não conheciam um computador, já tinham a chance de se tornarem técnicos na área de Informática. Dois anos depois, os alunos concludentes, como em uma corrente do bem, voltaram ao bairro e retribuíram a oportunidade que lhes foi oferecida.

Os beneficiados perceberam que estava em suas mãos a oportunidade de criar algo que pudesse melhorar a vida da família e a realidade de outros adolescentes. Surgia, assim, a Pirambu Digital, cooperativa de Tecnologia da Informação com forte braço social, cujo objetivo é formar jovens para que permaneçam no bairro e formem outros moradores.

A força é tão grande que diversos integrantes já abriram o próprio negócio ou foram empregados em empresa de tecnologia. Ao todo, foram formadas mais de mil pessoas. Atualmente, o projeto conta com 15 cooperados ativos. “Nesses 10 anos, já passaram por aqui mais de 250 cooperados”, comemora o presidente e ex-aluno da cooperativa, Fabrício Mendes.

Qualquer pessoa que tenha cursos técnicos pode se filiar ao Pirambu Digital, já que ele possui livre adesão, um dos valores que regem o Cooperativismo. “Após o pedido para se associar, ela será inscrita na cooperativa. A segunda alternativa é participar dos nossos treinamentos, porque, quando há a possibilidade de alocação no mercado, nossos alunos são os primeiros a entrarem”, afirma o jovem de 27 anos.

Os beneficiados do Pirambu Digital têm a chance de melhorar de vida (FOTO: Divulgação)

Como em toda cooperativa, para se tornar um cooperado no Pirambu Digital também é preciso pagar uma cota, conforme o estatuto. “É um valor que simboliza o comprometimento do cooperado. Quando ele resolver sair, é restituído. É como um caução”.

O valor, no entanto, é pequeno se comparado ao retorno gerado. Em 2008, o Pirambu Digital recebeu o Prêmio Viva Leitura, do Ministério da Educação, pelo reconhecimento à Biblioteca com Lan House (Bila), iniciativa que estimula a leitura em troca do uso do computador.

Em 2009, dois jovens cooperados embarcaram para experiência de seis meses na França, graças à parceria formada entre a Pirambu Digital e a Universidade de Evry. Já em 2015, a cooperativa foi escolhida como a melhor tecnologia social na categoria juventude, pela Fundação Banco do Brasil.

Aos favorecidos, o ganho é ainda maior. Fabrício, o atual presidente do Pirambu Digital, é um ex-aluno que não tinha condição financeira para bancar nenhuma formação. “Meus pais não tinham condição. Amigos meus montaram a cooperativa e perguntaram: ‘Você quer vir conhecer?’. Eu respondi que não sabia consertar computador, não entendia nada de computação, mas que se me dessem a oportunidade, eu aprenderia”. E assim o fez.

Fabrício participou de curso técnico de programação para internet e de cursos livres, graças aos descontos obtidos pela cooperativa. “Consegui uma bolsa de estudos de 100% em uma faculdade, me formei em Redes de Computadores e, em 2013, assumi a presidência. Se não fosse a cooperativa na minha vida, não sei se conseguiria estar onde estou. O que faço diariamente é tentar retribuir a oportunidade que me foi dada”, revela com sinceridade um dos jovens que transformou um bairro conhecido por suas carências em uma comunidade ativa, solidária e justa.

Como surge uma cooperativa?

não é tão complexo como se pensa construir uma cooperativa. O processo é simples, bastando reunir um grupo de pessoas físicas com interesse comum e pensamento mais social e menos individualista.

1. Reunir um grupo de pessoas interessadas em criar uma cooperativa;

2. Verificar as condições mínimas para que a cooperativa seja viável;

3. Procurar a entidade representativa do Cooperativismo. No caso do Ceará, procure a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) no estado;

4. Elaborar uma proposta de Estatuto da Cooperativa;

5. Assumir o compromisso com os valores e princípios cooperativos;

6. Convocar os interessados para a Assembleia Geral, onde será discutido o Estatuto e realizada a eleição dos membros da Diretoria e do Conselho Fiscal.

O que é OCB?

O Sindicato e Organização das Cooperativas Brasileiras no Ceará é o órgão de representação do Cooperativismo cearense. Tem o papel de assessorar as instituições públicas e privadas no desenvolvimento de atividades direcionadas ao Cooperativismo do estado.

Quando a cooperação supera a seca

Unidos, piscicultores de Jaguaretama tentam sobreviver à diminuição do volume do açude Castanhão, local onde retiram matéria-prima para transformar óleo de peixe em biodiesel

A 240 quilômetros de Fortaleza, Hernesto da Silva Góes dá uma verdadeira aula de Cooperativismo. “Somos uma família, temos que ser unidos. Se não for assim, a cooperativa não tem força não”, desabafa o presidente da Cooperativa Curupati Peixes, localizada em Jaguaribara, no interior do Ceará. A declaração acompanha os obstáculos gerados pela seca e a consequente falta de abastecimento do açude Castanhão, hoje com apenas 6% da capacidade total de 6.7 bi m³.

O reservatório é a fonte de renda de 40 piscicultores da região. Ou, pode-se dizer, a mola propulsora na transformação da realidade deles. Toneladas de peixes e milhares de litros de óleo vindos dali eram vendidos para a Usina da Petrobras, localizada em Quixadá, no Sertão Central. A partir daí, a usina transforma a matéria-prima em biodiesel. Ou transformava.

A seca levou boa parte dos peixes e a esperança dos envolvidos no projeto da Curupati, criado em 2004. “Éramos 60 pessoas, mas vieram as dificuldades, as coisas não estavam bem. O Castanhão começou a reduzir o volume de água e muita gente desistiu”.

Hernesto lembra das boas experiências que teve no projeto, ainda existente, mas com retorno pouco satisfatório se comparado há menos de um ano, quando obtinha renda extra com a venda de óleo de vísceras de tilápias, criadas em gaiolas no açude Castanhão.

"Antes, as vísceras eram doadas para um rapaz daqui, e eu tive a ideia de fazer uma pesquisa sobre a venda do óleo. Até que fizemos um contrato com a Petrobras, recebemos incentivos do Governo do Estado, estávamos muito bem. Ganhamos uma máquina para retirar mais facilmente o óleo, tivemos cursos com o Sebrae [Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas], mas veio a seca e levou tudo", lamenta o produtor.

Na época, cada litro era vendido a Petrobras por R$ 2,40. Cada cooperado conseguia, em média, R$ 2.500 por mês, incluindo a venda de peixes e de óleo. Agora, baixou para R$ 1,20 e – diante da diminuição da quantidade – o contrato com uma das líderes mundiais de energia não pode ser firmado novamente.

“Para eles, o óleo tem que ser de boa qualidade. Se tiver acidez ou água, tem redução no preço. A exigência é maior. E, atualmente, nós não estamos com a qualidade do óleo muito boa”, admite.

Óleo de peixe vira biodiesel por meio da criatividade dos homens do Curupati (FOTO: Divulgação)

A venda, então, voltou a ser feita a um dos moradores da região. E o rendimento de cada produtor diminuiu para R$ 600 por mês. “Nós tiramos os custos e depois dividimos igualmente para cada um. Sobra pouco. Desânimo total, mas estamos mantendo o projeto e sobrevivendo. Não podemos produzir o óleo em outro canto, porque não fizemos uma reserva de dinheiro”, justifica.

Ali, cada cooperado é um peixe no cardume da cooperativa. Mesmo diante da baixa, eles continuam desenvolvendo as atividades no projeto, que vão do descarregamento até a retirada das vísceras. A vontade de persistir vem do próprio produtor, que a difunde aos outros.

Há 13 anos, antes de assumir a presidência da cooperativa, Hernesto trabalhava na roça com o pai. Sabe que vale a pena resistir. “Era muito sofrido”, conta. Na vida adulta, percebeu que havia, no quintal de casa, o gigante d’água e, também, a possibilidade de escrever uma nova história.

“Por isso eu quero tocar o projeto para frente. Não podemos desistir. Vamos esperar a água do Castanhão subir e, juntos, vamos conseguir retomar o nosso trabalho. As pessoas não entendem que a cooperativa somos nós. Temos que cuidar do que é nosso”, conclui o piscicultor, de 39 anos. Um quase quarentão com a experiência de quem já tirou ‘água de pedra’, disposto a bater no peito e dizer, em alguns anos, que venceu até a seca.

Valores que regem o cooperativismo

1. Adesão voluntária e livre

2. Gestão democrática

3. Participação econômica dos membros

4. Autonomia e independência

5. Educação, formação e informação

6. Intercooperação

7. Interesse pela comunidade

(Fonte: Sistema OCB/Sescoop)

Nunca se falou tanto em bicicleta em Fortaleza, em parte graças ao Bicicletar (FOTO: Adriano Paiva/Tribuna do Ceará)

O caminho certo a ser trilhado

A maior cooperativa médica do Norte/Nordeste oferece bicicletas aos usuários para combater o sedentarismo, reduzir engarrafamentos e poluição ambiental, além de promover a humanização.

Tenha ou não bicicleta, pedale ou não em bikes compartilhadas, é fato: nunca se falou tanto das 'magrelas' em Fortaleza nos últimos anos. A mudança nas conversas e nas atitudes dos moradores da cidade deveu-se, entre outros programas, à atuação da maior cooperativa médica do Norte/Nordeste do Brasil.

As bicicletas verdes que transitam pela capital abriram caminho para o estímulo à saúde e ao bem-estar. A União dos Médicos, a Unimed, mostra que o sétimo princípio do cooperativismo precisa ser exaltado: o interesse pela comunidade. Quem diria que uma cooperativa criada por 23 médicos ofertaria serviços que modificariam a rotina de tantas cidades?

“Hoje somos reconhecidos como uma empresa que cuida do seu cliente, que investe na cidade, que acolhe com humanização”, exalta o presidente da Unimed Fortaleza, João Cândido Borges.

Atualmente, com mais de 4 mil sócios e uma receita líquida total de R$ 1,7 bilhão, a Unimed patrocina, dentre outros serviços, o Bicicletar, promovido pela Prefeitura de Fortaleza. “Fazemos isso porque procuramos novos caminhos, criamos oportunidades e não paramos diante das dificuldades. Nossos resultados são públicos e, hoje, colhemos frutos que geram reconhecimento nacional e internacional por nossas boas práticas e excelentes avaliações", comemora.

Presente nas principais capitais do Brasil e do mundo, o sistema promove sustentabilidade, coletividade, compartilhamento, qualidade de vida e incentivo à prática de exercícios físicos, além de ofertar interação com a missão e os valores da cooperativa, que incluem inovação e responsabilidade socioambiental.

O Bicicletar é composto por estações inteligentes, conectadas a uma central de operações via wireless, alimentadas por energia solar, distribuídas em pontos estratégicos da cidade, onde os clientes cadastrados podem retirar uma bicicleta, utilizá-la em seus trajetos e devolvê-la na mesma ou em outra estação.

Inaugurado em dezembro de 2014, segundo a prefeitura o Bicicletar permanece no ranking como o sistema mais utilizado no Brasil, com mais de 1,5 milhão de viagens e média de 6,1 viagens por bicicleta diariamente, apresentando maior utilização em dias úteis. Ao todo, são 80 estações, disponibilizando um total de 800 bicicletas compartilhadas.

Até o início de abril deixaram de ser emitidas mais de 540 toneladas de gás carbônico na atmosfera com a utilização das bicicletas compartilhadas, já que esse seria o montante produzido caso as viagens tivessem sido realizadas por carros. Atualmente, o Bicicletar conta com mais de 160 mil usuários cadastrados. As bikes estão rodando por aí, à disposição dos usuários todos os dias da semana, das 5h às 23h59, para retiradas, e à 0h para devolução. É só chegar e pegar a sua magrela.

Surgimento da União dos Médicos

A queda no padrão de atendimento médico, a mercantilização da medicina e a proletarização do profissional fizeram surgir, no final da década de 1960, a primeira cooperativa de trabalho na área de medicina do país: a União dos Médicos, Unimed, fundada na cidade de Santos, em São Paulo.

A iniciativa de um grupo de médicos queria evitar a intermediação das empresas, respeitando a autonomia dos profissionais e o atendimento em consultório. Também desejava oferecer a mesma qualidade de assistência aos diferentes níveis existentes nas empresas.

O sucesso da Unimed Santos estimulou o surgimento de diversas cooperativas médicas, inicialmente no interior de São Paulo, e, depois, em todo o país. Juntos, os envolvidos organizaram uma agenda de visitas às cidades interessadas em constituir suas próprias unidades, realizaram palestras, forneceram orientações e mobilizaram profissionais e associações médicas em torno da iniciativa.

As pioneiras enfrentaram algumas adversidades devido à pressão das empresas de medicina de grupo, da inexperiência na operação de um sistema inovador, bem como da falta de apoio governamental e de credibilidade de empresários e usuários. Transpostas essas dificuldades, o potencial do cooperativismo médico ganhou força e fez com que outras Unimeds fossem criadas e implantadas por todo o país.

Para o presidente da Unimed Fortaleza, João Cândido Borges, nenhuma empresa privada terá maior responsabilidade com o médico que uma cooperativa. “O formato estimula o exercício do diálogo em prol do todo, denotando o compromisso e a seriedade que uma cooperativa requer. Sou pediatra, e minha vida cooperativista começou em 1989, quando decidi me tornar sócio da Unimed. De lá para cá, minha relação com o cooperativismo cresceu muito”.

Cresceu de tal forma que, inspirado na vivência na Unimed, junto a mais 41 sócios fundou a Cooperativa de Pediatrias do Ceará (Cooped). A experiência fundamentou ainda mais a relação de João Cândido com a especialidade, a compreensão das necessidades mercadológicas e a visão profissional.

Para ele, as principais vantagens do modelo são a força e a visibilidade para ultrapassar as barreiras do mercado, a união de crescimento econômico, o bem-estar social, além da valorização do cooperado e do cliente. Há alguns pontos em que o cooperativismo, mais precisamente a Unimed, ainda enfrenta desafios, como a impossibilidade da tomada de decisões de imediato, a dificuldade de manter o equilíbrio funcional entre cooperativa e operadora de planos de saúde e a pouca divulgação do conceito de cooperativa. Fatores, no entanto, que não interferem no resultado.

“A maior importância do cooperativismo para a categoria é promover o desenvolvimento econômico de forma sustentável e inclusiva, visando ao bem-estar social das pessoas e comunidades onde está presente, onde há união humana para se sobressair perante as adversidades, sendo uma peça chave na geração de empregos e melhoria qualitativa da vida em sociedade”, conclui o presidente.

unimed fortaleza em números

Iniciou com 23 médicos… Hoje, já são 4 mil sócios. Oferece 3 mil empregos diretos e atende 350 mil clientes. A receita líquida total é de R$ 1,7 bilhão.

“Cooperativismo é filosofia de vida”

Presidente da associação de cooperativas do Ceará fala ao Tribuna do Ceará sobre as vantagens obtidas por trabalhadores que aderiram ao movimento cooperativista

Mais que um modelo de negócios. O Cooperativismo é uma filosofia de vida, que busca transformar o mundo em um lugar mais justo e equilibrado. O Tribuna do Ceará conversou com o presidente do Sistema OCB/Sescoop no Ceará, João Nicédio Alves Nogueira. O engenheiro agrônomo, filho de produtor rural, comenta sobre a importância do Cooperativismo para o Brasil, e mais especificamente para o estado, a paixão que o move e as dificuldades encontradas durante o caminho.

João Nicédio Alves Nogueira: filho de produtor rural que descobriu a força da cooperação (FOTO: Divulgação)

Tribuna do Ceará: O que é Cooperativismo?

João Nicédio: Ser cooperativista é acreditar que ninguém perde, todos ganham. É se basear em valores de solidariedade, responsabilidade, democracia e igualdade. Em uma cooperativa, o que tem mais valor são as pessoas, todos constroem e ganham juntos. Não existe Cooperativismo sem o compartilhamento de ideais. Uma cooperativa precisa de três condições básicas para se desenvolver de maneira positiva: ser necessária, ser viável economicamente e ter espírito associativo.

Tribuna do Ceará: Qual a importância do Cooperativismo para o Brasil?

João Nicédio: O Brasil precisa de gente que se preocupe com os seus semelhantes e, nessa perspectiva, o Cooperativismo surge como um instrumento capaz de estimular o trabalho conjunto, a fim de que, unidas, as pessoas realizem sonhos, mudem suas realidades e sejam mais felizes. Para isso, nossa meta é sensibilizar cada cooperativa para o engajamento perene em projetos que cuidem das pessoas, promovendo-as como indivíduos capazes de lutar e de realizar.

Tribuna do Ceará: Quais os impactos das cooperativas na economia do Ceará?

João Nicédio: Por suas características de valorização da individualidade do associado e da cultura local, as empresas cooperativas exercem fundamental papel econômico e social em suas comunidades e respectivas regiões. São geradoras de muitas oportunidades de trabalho e renda. E, convenhamos, é um dos melhores mecanismos de distribuição regional da renda. Qualquer melhoria de renda e ganho para os associados representa, geralmente, uma imediata aplicação dos ganhos em investimentos e melhorias no patrimônio dos associados, nas localidades onde têm suas raízes e a maior parte de suas vivências e aspirações.

"Não existe cooperativismo sem o compartilhamento de ideias".

No estado do Ceará, como em qualquer parte do mundo onde o Cooperativismo é exemplarmente exercido, as cooperativas praticam preços mais justos, na compra e na venda dos produtos de seus associados e para seus associados. Outro diferencial: a distribuição das sobras ao final do exercício. Nos negócios no dia-a-dia ou na distribuição dos excedentes, as cooperativas praticam a distribuição regional da renda. Aqui, somos fortes na Saúde, do Crédito, no Trabalho, no Transporte, com os recursos circulantes gerados no município ou região a propiciarem novos negócios, novos empregos e mais renda para a comunidade.

Tribuna do Ceará: Quando e de que forma surgiu a ideia de ingressar no Cooperativismo?

João Nicédio: Como engenheiro agrônomo, extensionista da Ematerce durante 35 anos, filho de produtor rural e também produtor rural, sempre estive preocupado com o desenvolvimento do homem do campo. Na Extensão, levávamos orientações técnicas e novas tecnologias a todas as localidades, sempre buscando melhorar as condições de trabalho e aumentar a produtividade na área rural. Todas as iniciativas sempre voltadas para a realidade do produtor, no que se convencionou chamar “Dentro da Porteira”. Com o passar do tempo, observei que os problemas mais determinantes para esses produtores estavam exatamente “Fora da Porteira”, na compra de insumos, na venda da produção e, principalmente, na agregação de valores aos seus produtos. Como resolver os gargalos? Sozinhos? Praticamente impossível!

Foi então que comecei a buscar alternativas, encontrando no Cooperativismo a ferramenta ideal para trabalhar a compra e a venda em comum e o beneficiamento da produção. Em 1990, assumi a Presidência de uma Cooperativa Agropecuária, o que me fez um apaixonado pelo Cooperativismo. De lá para cá, vivo em função de um movimento que se fortalece no mundo todo por promover o desenvolvimento econômico sustentável e inclusivo, gerando o bem-estar social dos indivíduos e comunidades onde está presente.

Tribuna do Ceará: Dizem que o Cooperativismo encanta. Inclusive, uma vez fazendo parte, é até difícil abandoná-lo. Explica para a gente essa paixão gerada pelo Cooperativismo.

João Nicédio: Cada dia que passa, fico mais e mais convencido de que, para trabalhar com o desenvolvimento de uma região e a inclusão social de pequenos empreendedores, de qualquer atividade econômica, nada melhor do que o Cooperativismo, pois se trata de uma forma de empoderar os pequenos produtores, tornando-os capazes de negociar em conjunto, agregar valor à sua produção e competir com as demais empresas que atuam no mercado. Essa paixão, no que concerne à inclusão social da ferramenta, pode ser traduzida pela possibilidade de a cooperativa oferecer aos associados oportunidades de participarem da distribuição de oportunidades de trabalho e de renda em nosso estado, dentro de um sistema que beneficia a todos e não somente uma camada da sociedade. Isso é fantástico.

"Vivo em função de um movimento que se fortalece no mundo todo por promover o desenvolvimento econômico sustentável e incluso, gerando o bem-estar social de indivíduos e comunidades".

O topo da árvore começa a aparecer mais verde com a maré baixa. A analogia pode definir o que vem acontecendo com o Cooperativismo no Brasil. Em um cenário de dificuldades financeiras, falta de investimentos e crescimentos tímidos, as cooperativas seguem no contrafluxo do mercado, ampliando sua atuação direta e seus resultados. Refiro-me ao crescimento das cooperativas de crédito brasileiras. Se operassem juntas, as quatro maiores – Sicredi, Unicredi, Sicoob e Confesol – seriam o sexto maior banco do país, com ativos de R$ 220 bilhões.

O resultado, comparado aos grandes bancos comerciais, ainda é tímido. As cooperativas de crédito somam 3% dos ativos financeiros do país. Banco do Brasil, Itaú, Caixa, Santander e Bradesco/HSBC, juntos, detêm 74%. O que mostra que as cooperativas têm como ampliar a atuação, com atrativos que os bancos não oferecem, como o crescimento vertical do faturamento, um dos mais acentuados entre todos os setores.

Apaixonar-se pelo Cooperativismo é saber que ele corresponde, de modo pleno, à expectativa de quem o “enamora”. E, acerca do “encantamento” pelo Cooperativismo, lembro as palavras da educadora e militante do movimento de mulheres negras brasileiras, Olívia Santana: “O que eu considero mais encantador no Cooperativismo é a possibilidade de tecer caminhos em coletividade”.

"Em um cenário de dificuldades financeiras, falta de investimentos e crescimentos tímidos, As cooperativas seguem no controle do mercado".

Tribuna do Ceará: O que o senhor acha desse olhar social e humano do Cooperativismo?

João Nicédio: O sétimo princípio do Cooperativismo, interesse pela comunidade, é bem claro: o papel de contribuir para o desenvolvimento sustentável das populações, sendo isso algo natural. Responsabilidade social é imanente ao movimento. As cooperativas o fazem por meio de políticas aprovadas pelos membros. O Bicicletar, da Prefeitura de Fortaleza, por exemplo, existe em atendimento a este princípio. A Unimed, por meio de convênio, disponibiliza uma ferramenta que mudou o perfil de mobilidade na cidade, o fortalezense abraçou o Bicicletar. O Projeto Família, de Senador Pompeu, na medida em que envolve todo o núcleo familiar nas atividades produtivas, é luz que se acende no desenvolvimento sustentável, transformando uma região árida em oásis de desenvolvimento humanizado.

Tribuna do Ceará: A população deve abrir os olhos e a mente para o Cooperativismo?

João Nicédio: Sim. O que diferencia um país desenvolvido de um país não desenvolvido é o grau de organização de sua sociedade. Quanto mais organizada for uma sociedade, quanto mais transparente for, menos exposta será a explorações por tipos populistas ou de qualquer natureza que podem perturbar a democracia. Ora, se o Cooperativismo é o braço econômico da sociedade, qualquer país democrático o apoia, tendo em vista que ele vai ajudá-lo a organizar a sociedade e, com isso, contribuir para o sucesso econômico e social dos cidadãos.

Os governos democráticos brasileiros têm apoiado o Cooperativismo, têm permitido ao setor crescer e amadurecer muito mais, particularmente após a criação do Sescoop, que deu origem à formação maciça de mão de obra e ao treinamento de milhares de pessoas para a gestão de cooperativas. Nós temos orgulho de ser cooperativistas, afinal, pertencemos a um movimento diferenciado, ético, responsável e sustentável. E é com ações pautadas no respeito às pessoas e ao meio ambiente que o Cooperativismo se firmará como um dos caminhos mais promissores no sentido de conduzir o país ao futuro que tanto desejamos ver: um Brasil mais justo, forte e feliz.

Os símbolos do cooperativismo

o cooperativismo possui símbolo que expressam mensagens aos seus participantes.

conheça os significados e as curiosidades de cada um

o pinheiro era o símbolo da imortalidade e da fecundidade, pela sua sobrevivência em terras menos férteis e pela facilidade na sua multiplicação. Os pinheiros unidos são mais resistentes e ressaltam a capacidade de expansão.

O círculo representa a eternidade, pois não tem horizonte final, nem começo, nem fim.

Lembra as árvores - princípio vital da natureza e a necessidade de se manter o equilíbrio com o meio-ambiente.

o círculo amarelo simboliza o sol fonte de energia e calor

A união de todos os elementos resulta no emblema do cooperativismo: um círculo abraçando dois pinheiros. Eles indicam a união do movimento, a imortalidade de seus princípios, a fecundidade de seus ideais e a vitalidade de seus adeptos. Tudo isso marcado pela trajetória ascendente dos pinheiros.