Jeito tipicamente cearense

keneEm Camocim encontramos com seu Kené, ele tem nome do presidente americano John Kennedy, mas prefere ser chamado pelo apelido como é conhecido no mercado público da cidade.

A conversa começou de maneira simples, ao me ver fotografando o local, perguntou sobre o que se tratava. Expliquei que era de Fortaleza e estava trabalhando naquele dia na cidade fazendo imagens do cotidiano. Ele disparou: “Aqui em Camocim ainda é bom de se viver. A cidade ainda não está tão violenta como nas cidades grandes. Hoje em dia todo mundo sabe de tudo que se passa em todo canto”.

Quando pergunto sobre as vendas no mercado ele fala em tom de lamento, mas sem desanimar. “Tá mais ou menos, sabe? Mas está assim em todo canto. Mas está assim em todos lugar mesmo”.

Quando peço para tirar uma foto ele se arruma todo e os colegas do mercado logo brincam. “É para o Barra Pesada?” Dispara um gaiato atrás de mim. Seu Kené nem se abala.

Ele contou pra mim que foi parar no mercado há oito anos e que por não ter levado os estudos a sério acabou indo trabalhar com o comércio. “Se não fosse comerciante gostaria de trabalhar com cozinha. Adoro cozinhar”.

Antes de nos despedirmos ele faz um desabafo. “O que está acabando com os jovens é a droga”, lamenta.

“Como está a ponte metálica de Fortaleza”, pergunta seu Kené. Digo que está mais ou menos igual às vendas… A ponte, cartão-postal de Fortaleza, está em obras e interditada para visitação. Ele responde dizendo: “tomei muito banho ali. Bom demais”, revela em tom de saudosismo e assim nos despedimos.


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