Tudo anotado no caderno

jati-cadernetaO volume de transações com cartões de crédito e débito deve crescer 17% no Brasil em 2014, alcançando a marca recorde de R$ 1 trilhão. A previsão é da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), que representa os emissores de plástico.

O pagamento com esses cartões é crescente no país, o número de terminais que passaram a aceitar os cartões também cresceu: passou de 3,5 milhões de terminais no primeiro semestre do ano passado para 3,8 milhões no segundo semestre. O

s brasileiros utilizaram 17,8% mais cartões de crédito e de débito em 2013 na comparação com 2012, de acordo com os números da Abecs. O volume relativo a essas transações somou R$ 853 bilhões em 2013.

Mas um antiga prática segue viva nas cidades do interior do Ceará. O caderninho ou caderneta da mercearia, onde são anotadas as compras feitas para pagamento no final do mês, continua sendo o meio de pagamento mais popular. O segredo da sobrevivência dessa antiga prática é a confiança dos comerciantes nos clientes, algo que só é possível em lugares onde todo mundo se conhece.

Em Jati, cidade distante 524km de Fortaleza, essa ainda é uma prática de venda muito utilizada. O comerciante Edmar Rodrigues, explica que “caderninho do fiado” é fundamental para as transações comerciais do estabelecimento, sem ele, é muito difícil fazer negócios. “Já levamos ‘xexo’, mas não podemos abrir mão do caderninho de forma alguma”, explica.

Com uma população de 7.764 habitantes, Jati tem apenas duas agências bancárias, uma unidade do banco postal e dois correspondentes bancários. Na cidade, o dinheiro de plástico é algo raro e tem pouco protagonismo. Os proprietários do mercadinho Rodrigues até tem máquina para cartão de crédito, mas a única utilidade dela é receber o pagamento com cartões de alimentação dos operários do canteiro de obra da Transposição do Rio São Francisco em Jati.


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