Emprego e renda: oportunidades para o interior

O incremento do emprego no interior do Ceará poderia ser uma alternativa contra a dependência financeira dos benefícios do Governo. Segundo e acordo com números do Ministério do Trabalho e Emprego, mais de 63% dos postos de trabalho com carteira assinada no Ceará estão concentrados em Fortaleza.

Nos últimos sete anos, segundo a Agência de Desenvolvimento do Ceará (Adece), das 200 empresas atraídas para o Estado só 85 foram instaladas fora da região metropolitana de Fortaleza.

Além disso, nem sempre atrair uma indústria garante mais empregos e renda para a região. Em Sobral, por exemplo, um prédio com aspecto de abandono era uma das maiores promessas industriais de sobral.

A TAC Motors, montadora de automóveis esportivos veio se instalar no Ceará em 2012, o problema é que ela parou de produzir com apenas um ano de existência. Para sair de Santa Catarina, a empresa ganhou um sócio importante: o governo do estado, que entrou com R$ 30 milhões de para fechar o negócio. Investimento feito com dinheiro público, que resultou em apenas 50 carros produzidos e na demissão de mais de 100 funcionários.

Rodrigo Cândido trabalhou na TAC Motors e enxergou na indústria a oportunidade de crescimento profissional e da região. “Assinaram minha carteira, tudo direitinho, muito bom o salário. Mas a empresa trabalhava com incentivo do governo. Do sexto mês pra frente os incentivos começaram a não vir mais”, conta.

O ex-funcionário explica ainda que dos funcionários contratados para a indústria, que está em processo de falência, restaram apenas um gerente, um chefe-geral e algumas pessoas para a limpeza. A TAC Motors tem seis meses desse processo para aguardar caso algum investidor tenha interesse em investir na empresa.

A falta de oportunidades no mercado de trabalho e concentração da atração de indústrias para determinadas regiões do Ceará acaba fortalecendo a dependência financeira de programas governamentais e cria um círculo vicioso, além de impedir o desenvolvimento econômico de todo o estado.

 

Oportunidades que surgem com o investimento em educação

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Conseguir uma boa colocação no concorrido mercado de trabalho só é possível como acesso à boa educação e preparação técnica. Ter pessoas capacitadas é a chave para que as pessoas tenham melhores oportunidades de emprego, além disso, isso garante o fortalecimento da economia.

A relação entre o conhecimento e o desenvolvimento é clara, em Crato, distante 504 km de Fortaleza, a cidade com destaque na formação profissional e na atração de instituições de ensino no Ceará. O município tem a maior renda domiciliar do Estado, excluindo Fortaleza e a região metropolitana, são R$ 500,69 por família ao mês.

Segundo o pesquisador e memorialista Uberto Cabral, Crato sempre deu muita importância para o investimento em educação. “O Crato educou toda essa juventude do cariri e também do Centro do Nordeste. Antigamente, nós não tínhamos nenhuma escola de ensino superior, então os estudantes iam estudar na Bahia, em Recife e Fortaleza. Só não tem aluno Presidente da República”, conta.

A região também é um importante polo de comércio e serviços, e graças a isso, Edirson de Lucena Júnior e sua mãe decidiram empreender.

Após observar e pesquisar sobre qual segmento seguir, optaram pelo ramo de alimentação. “Com o crescimento da região, a gente percebeu uma oportunidade e colocou a ideia de trabalhar com sorvetes e derivados em prática”, conta.

O setor de construção civil está em alta com 4.927 emprego de carteira assinada e o ramo de serviço emprega na região 4.767 pessoas. “O fato de termos universidades, turistas e romeiros que visitam a região colabora muito para o nosso desenvolvimento”, destaca o empreendedor.

Mas se no Crato o crescimento econômico e as oportunidades de trabalho surgem a partir do investimento em educação, isso não uma realidade constante em todo o Ceará.

Na cidade de Choró, 155 km de Fortaleza, o comércio depende praticamente do dinheiro que circula de programas como Bolsa Família, das aposentadorias, e do pequeno número de servidores públicos da cidade. Sem grandes indústrias, a atividade econômica da região é bastante tímida.

A agricultora Silvana de Souza é um exemplo da falta de oportunidades na região. Sem trabalho na cidade, ela foi buscar emprego na capital cearense. Depois trabalhar dois anos em Fortaleza, como empregada doméstica, voltou para sua cidade natal. “Você termina os estudos e se não for para outra cidade procurar um meio de vida, aqui é difícil emprego”, conta.

Sem qualificação e oportunidades, os conterrâneos de Silvana dependem da sorte para encontrar um trabalho ou ficar na dependência dos programas sociais. Em Choró só 18,5% da população tem alguma instrução.

 

Comércio impulsiona o crescimento das cidades

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A falta de oportunidades também é uma realidade em Jatí, cidade que fica a 405 km de distância de Choró. No município, Bolsa Família se transformou no principal responsável pela economia local.

A agricultora Socorro Mariano da Silva diz que sem estudo e emprego, é praticamente impossível ela e o para o marido, encontrar um trabalho, além disso, por conta da falta de chuvas, os dois sobrevivem de bicos para a família. “Pra quem vive da roça é bem difícil, pra quem é analfabeto a tendência é passar fome”, explica. Se nas cidades do interior a oferta de empregos fosse maior, as famílias teriam menos dependência financeira dos programas sociais.

Já em Tianguá o comércio é o maior empregador da cidade e dá trabalho a 1.926 pessoas, número é superior ao da administração pública, que emprega 1.868, e mais que o dobro do setor de serviços.

A cidade tem aproximadamente 40 mil pessoas em idade produtiva, com até 29 anos e o artesanato é fator determinante para o desenvolvimento econômico da região. Ao contrário de outras cidades cearenses, 66% dos habitantes vivem na zona rural.

O comerciante Vicenaldo Ribeiro é dono de um box na rodoviária de Tianguá, o que ele fatura é graças ao grande fluxo de passageiros que circulam pela rodoviária da cidade e ficam encantados com a diversidade e beleza do artesanato cearense. “Os turistas gostam muito, sempre que eles vem, levam uma lembrancinha para a família”, explica.

De Tianguá partimos com destino para a cidade de Juazeiro do Norte, na região sul do estado, o dinheiro trazido pelo turismo religioso, transformou o município no maior pólo econômico do Cariri.

O comércio impulsionou o crescimento da cidade a ponto de hoje se tornar o maior empregador de Juazeiro do Norte, sempre com as bênçãos de Padre Cícero, presente em praticamente todas as portas. Para o empresário Antônio Rios, a localização geográfica do município também foi um incremento para o desenvolvimento da cidade. “Aqui Juazeiro fica muito distante dos grandes centros. Então Juazeiro do Norte se tornou centro comercial de todo o Cariri, acredito que isso tenha alavancado Juazeiro, define.

Embora o comércio formal seja o principal responsável empregador na região, a informalidade ainda é um desafio a ser enfrentado. Quase treze mil pessoas trabalham formalmente no comércio de Juazeiro, mas estão fora desse número, os milhares de vendedores informais espalhados pelas ruas.

O ambulante Geraldo Ferreira é um deles, vende carne no Centro de Juazeiro do Norte há 28 anos, atualmente ele trabalha somente dois dias por semana. “Quem trabalha de empregado trabalha a semana todinha pra ganhar duzentos contos. É melhor ficar aqui, porque aqui o cabra ganha. No dia que uma feira dá ruim, a outra dá boa”, conta.

Enquanto algumas regiões do Ceará têm vocação para o comércio, em outra parte do estado é a pecuária que se destaca. Estima-se que o rebanho de ovinos e caprinos de Tauá, no sertão dos Inhamuns seja um dos maiores do estado.

São mais de 70 mil cabeças, animais que recebem uma dieta com alimentos específicos da região, como a folha da aroeira e são levados ao abate na idade certa para manter a maciez da carne.

Naldo Tomáz é um dos maiores criadores de carneiros da região, ele compra os animais, faz a engorda e negocia o abate por um preço mais elevado. Está na atividade há 25 anos e encontrou no negócio, uma forma de escapar da seca. “O sertão é ruim de chuva e a criação se adapta bem quando chove pouco, quando chove muito é até ruim pra criação”, explica.

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Estradas cearenses: as dificuldades de trafegar pelas rodovias 

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A situação do transporte de mercadorias no Ceará também tem reflexos na economia. A situação poderia estar melhor, se a condição das estradas não estivesse tão precária.

O caminhoneiro José Felipe Sobrinho conhece bem as dificuldades de trafegar pelas rodovias mal conservadas. Ele conta foi preciso improvisar em uma das viagens depois que a suspensão quebrou depois de cair em um buraco, um prejuízo de R$ 2 mil. “É muito difícil, estoura pneu, quebra a suspensão, a gente sai com o caminhão inteiro e chega aos pedaços”, lamenta.

Na rodovia BR-116, próximo ao município de Brejo Santo, a placa alerta sobre os buracos que tomam conta da pista. Logo adiante é possível assistir carros, ônibus e caminhões ziguezagueado na tentativa de escapar dos buracos na estrada.

O caminhoneiro se ressente da falta de providências das autoridades sobre as condições das estradas. “O Cid Gomes até rally fez provando a buraqueira, mas ali era só picuinha. As estradas só se acabam pela desunião deles. Cada um só pensa em si próprio”.


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