Casa da Esperança: tratamento referência para socialização de autistas

Por Felipe Lima

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Esperança de sorrisos, de abraços e de um futuro social para centenas de crianças, jovens e adultos autistas de Fortaleza. Essa é o principal objetivo da Casa da Esperança, instituição que cuida atualmente de 400 pessoas com autismo. "Com nove anos de existência, a Casa da Esperança é uma instituição que recebe diversas pessoas com autismo para o tratamento e socialização. Antes de construir a sede atual, localizada no Bairro Água Fria, em Fortaleza, o casal Alexandre Costa e Fátima Dourado já realizava o acompanhamento de diversos jovens na capital".

Um dos motes para o trabalho com autistas foi a situação de exclusão sofrida pelos filhos da diretora clínica da Casa da Esperança e presidente da Associação Brasileira de Ação por Direitos da Pessoa com Autismo (Abraça), médica Fátima Dourado.

Ela conta que os filhos, Giordano e Pablo, estudavam em uma escola regular, mas devido ao autismo, tinham alguns transtornos de comportamento e foram expulsos da instituição. “Além dos meus filhos, outras mães passaram pela mesma situação. Não havia em Fortaleza um local apropriado para a reunião de todas as crianças que sofriam de autismo”, diz Fátima Dourado

A assistência era feita em outro imóvel e também nas casas dos próprios pacientes. “O acompanhamento domiciliar era feito com cerca de cem famílias. Em algumas residências era difícil devido à interferência dos próprios pais. Alguns eram alcoólatras e outros tentavam se aproveitar dos agentes que colaboravam com o tratamento das crianças”, diz o presidente da Casa da Esperança, psicólogo Alexandre Costa e Silva.

Com a expansão do tratamento de crianças e jovens, o casal e outros agentes terapêuticos viram a necessidade de ter um lugar mais apropriado para o tratamento dos autistas. “O local que trabalhávamos era pequeno, parecia um quintal, e o número de pessoas que atendíamos crescia muito. Já tínhamos até a planta de um local ideal”, comenta Alexandre Costa.

Em 2003, os idealizadores da Casa da Esperança conseguiram um investimento do governo federal e construíram o atual imóvel. Com uma extensa área verde, mais de 20 compartimentos divididos por atividades, a instituição também conta com o apoio de 150 profissionais dedicados diariamente ao tratamento de autistas.

Atividades para o desenvolvimento

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Na Casa da Esperança há aulas de suporte à educação regular, oficinas de informática, arte em papel e ainda terapia nas piscinas. “Os que possuem maior capacidade motora fazem parte das oficinas logo que chegam aqui, já os outros passam por terapia até desenvolverem habilidades para aprender qualquer tipo de arte”, diz a gerente administrativa Tatiana Austregésilo.

Para se matricular na Casa da Esperança, as crianças e jovens passam por uma série de testes para saberem onde podem ser inseridos. “Quando chegam aqui, os autistas passam por um checklist. A partir daí é feito um diagnóstico para identificar por onde eles devem começar”, comenta Fátima Dourado.

SerigrafiaClique na imagem para ampliar Alexandre Costa diz que muitos pais chegam à instituição esperando algo que os profissionais não podem fazer, mas, apesar das dificuldades, os resultados são nítidos. “Quando chegam tardiamente, isto é, já na adolescência, é difícil conseguir maiores resultados, mas cada vez mais cedo os pais têm trazido crianças, e o resultado é bem melhor. Há crianças que chegam sem falar e ficam bem comunicativas. Também já tivemos a felicidade de ver a graduação de um autista que passou por aqui.”

Referência nacional

Além de tratar autistas que moram em Fortaleza, a Casa da Esperança já recebe pacientes de outros estados e tem reconhecimento internacional. “Hoje tratamos de jovens de outros estados. Constantemente somos chamados para falar sobre autismo em palestras. A Casa da Esperança é a maior instituição de tratamento de autistas do Brasil”, finaliza o psicólogo Alexandre Costa e Silva.

SERVIÇO:

Fundação Casa da Esperança
Rua Francílio Dourado, 11. Bairro Água Fria. CEP 60813-660.
Tel. (85) 3081.4873 - 3278.3160 - Fax (85) 3273.6961