Piscinas naturais do Serviluz encantam visitantes: "É uma experiência maravilhosa"
CITY TOUR ÚNICO

Piscinas naturais do Serviluz encantam visitantes: “É uma experiência maravilhosa”

Moradores oferecem passeio guiado pelo Serviluz, com atrativos que não aparecem nos catálogos de turismo

Por Daniel Rocha em Turismo

7 de agosto de 2017 às 07:00

Há 2 semanas

O primeiro grupo a fazer o “City Tour pelo Serviluz” ficou encantando com as belezas naturais da região (FOTO: Arquivo Pessoal)

Em meio ao preconceito e ao estigma de ser um bairro violento de Fortaleza, os moradores da comunidade do Serviluz, no Bairro Cais do Porto (Regional II), mostram seus atrativos. A região abriga belezas naturais pouco exploradas pelos fortalezenses: suas piscinas naturais, na Praia das Piscininhas vizinha ao famoso Titanzinho. E, pela primeira vez, a comunidade promoveu uma espécie de “city tour”, no último dia 24, para mostrar seu potencial turístico e cultural.

A experiência foi positiva tanto para moradores que puderam construir outra imagem do bairro quanto para os visitantes, que tiveram a oportunidade de conhecer uma atração “escondida”.

O primeiro grupo era composto por cerca de 20 pessoas, que puderam conhecer a história do Farol do Mucuripe, as praias da comunidade e o trabalho de artistas locais. A caravana teve início às 10h e terminou no fim da tarde.

A professora de História Athaysi Colaço, da Escola Estadual Elenita Mota, foi uma das visitantes. A fortalezense já tinha ouvido falar das praias do local por meio dos alunos, que moram na região, mas nunca tinha visitado o bairro. Ao ter a oportunidade de participar do primeiro passeio pelo Serviluz, ficou surpreendida.

“Foi uma experiência maravilhosa, porque eu não tinha a noção da beleza da região. A gente teve acesso a uma Fortaleza que não aparece nos catálogos de turismo. O passeio é maravilhoso nesse aspecto, porque você conhece a comunidade, a praia e as piscinas naturais”, detalha a professora.

O valor pago por cada visitante foi de R$ 20. Por esse preço, o grupo pôde conhecer o Farol do Mucuripe, as cinco praias do bairro – do Portão, Piscininhas, Titanzinho, Havaizinho e Vizinho – e o trabalho de artistas locais. No fim do passeio, os visitantes puderam contemplar o pôr do sol no espigão do Serviluz.

A professora de história, Athaysi Colaço, ficou encantada com o potencial turístico e cultural do bairro (FOTO: Arquivo Pessoal)

“Ele (o guia) mostrou que a comunidade tem uma rica produção cultural. A gente ficou encantado. Vimos também a relação das pessoas que sobrevivem da pesca com o mar”, ressalta Athaysi.

Assim como qualquer passeio turístico, o grupo também fez suas pausas nas refeições. Athaysi e os outros visitantes almoçaram de frente ao mar. As opções para o almoço foram muqueca de arraia e frango por um custo bem abaixo do valor cobrado pelos restaurantes da Avenida Beira-Mar e as barracas da Praia do Futuro.

Athaysi optou pela muqueca e aprovou o prato. “Teve um almoço maravilhoso na Dona Cleide, que custou R$ 10. A gente colocava as mesas na beira da praia”, elogiou.

“City Tour pelo Serviluz”

O ator e morador do Serviluz Gleydson Cruz conta que ele e outros moradores sempre convidam as pessoas para conhecer o lugar. E foi durante um curso no Porto Iracema das Artes, na Praia de Iracema, que aconteceu o convite.

Dois moradores do bairro chamaram os outros alunos da capacitação para conhecer o bairro. O convite reuniu um grupo de mais de 20 pessoas interessadas em conhecer as belezas naturais do lugar. “O pessoal do curso achou massa a proposta e fizemos a organização do passeio”, conta Gleydson.

O pôr do sol no espigão do Titanzinho é a atração final do passeio (FOTO: Arquivo Pessoal)

Para os moradores, a iniciativa desconstrói o preconceito que a cidade tem em relação ao bairro, e mostra o potencial turístico e cultural.

“A comunidade achou bacana porque traz outra imagem para o Serviluz. Mostramos que temos arte, cultura, que há pessoas que fazem faculdade, estudam e realizam pesquisas sobre a região”, ressalta Gleydon. Ele, por exemplo, é ator e dirige um grupo de teatro na região.

Após os comentários positivos do primeiro grupo, os organizadores estão pretendendo fazer outro passeio no fim de agosto. A realização vai depender do número de pessoas interessadas. Gleydson explica que, para fazer esse city tour, é preciso formar um grupo de 15 a 25 pessoas.

Para participar, basta entrar em contato com Gleydson Cruz por meio do telefone (85) 98692-3830.

Além do passeio, a comunidade também realiza outras atividades, como saraus no Farol do Mucuripe. A programação do evento pode ser conferido na página do facebook Servilost.

A história do Serviluz

Cais do Porto fica em uma região de grande potencial econômico e turístico da capital (FOTO: Reprodução/Google Maps)

A partir da década de 1960, a cidade de Fortaleza começava a se voltar para a praia, seguindo o modelo do Rio de Janeiro. Ao poucos, o centro da capital estava deixando de ser o principal cartão-postal, porque os investimentos e a infraestrutura passaram a ser aplicados nas regiões do Mucuripe, do Meireles e da Praia de Iracema.

A partir desse processo é que se inicia a a formação da comunidade. Segundo o guia de turismo e idealizador da página Acervo do Mucuripe, Diego di Paula, os moradores da costa foram aos poucos sendo removidos para dar espaço aos novos empreendimentos.

“A partir do momento em que cria um costume de frequentar e valorizar o mar, estimulou o desenvolvimento na área. A Praia de Iracema, por exemplo, era uma vila de pescadores e se chamava de Praia dos Peixes. Esse processo marca o fim da Belle Époque”, explica o pesquisador.

Devido a essa mudança, os moradores que moravam na costa foram obrigados a migrar para outras regiões ou foram encaminhados para conjuntos habitacionais. Um parte da população foi para o morro de Santa Terezinha, enquanto a outra foi para a região próxima do Farol do Mucuripe, formando a comunidade Serviluz. De acordo com Diego di Paula, o nome se deve a Companhia de Serviço de Força e Luz de Fortaleza (Serviluz).

“O Porto do Mucuripe agregou o desenvolvimento da área e estimulou a favelização. Alguns moradores foram removidos para conjuntos habitacionais enquanto outros se aglomeraram em favelas. E até hoje, a gente vê a falta de estrutura da região”, ressalta Di Paula.

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CITY TOUR ÚNICO

Piscinas naturais do Serviluz encantam visitantes: “É uma experiência maravilhosa”

Moradores oferecem passeio guiado pelo Serviluz, com atrativos que não aparecem nos catálogos de turismo

Por Daniel Rocha em Turismo

7 de agosto de 2017 às 07:00

Há 2 semanas

O primeiro grupo a fazer o “City Tour pelo Serviluz” ficou encantando com as belezas naturais da região (FOTO: Arquivo Pessoal)

Em meio ao preconceito e ao estigma de ser um bairro violento de Fortaleza, os moradores da comunidade do Serviluz, no Bairro Cais do Porto (Regional II), mostram seus atrativos. A região abriga belezas naturais pouco exploradas pelos fortalezenses: suas piscinas naturais, na Praia das Piscininhas vizinha ao famoso Titanzinho. E, pela primeira vez, a comunidade promoveu uma espécie de “city tour”, no último dia 24, para mostrar seu potencial turístico e cultural.

A experiência foi positiva tanto para moradores que puderam construir outra imagem do bairro quanto para os visitantes, que tiveram a oportunidade de conhecer uma atração “escondida”.

O primeiro grupo era composto por cerca de 20 pessoas, que puderam conhecer a história do Farol do Mucuripe, as praias da comunidade e o trabalho de artistas locais. A caravana teve início às 10h e terminou no fim da tarde.

A professora de História Athaysi Colaço, da Escola Estadual Elenita Mota, foi uma das visitantes. A fortalezense já tinha ouvido falar das praias do local por meio dos alunos, que moram na região, mas nunca tinha visitado o bairro. Ao ter a oportunidade de participar do primeiro passeio pelo Serviluz, ficou surpreendida.

“Foi uma experiência maravilhosa, porque eu não tinha a noção da beleza da região. A gente teve acesso a uma Fortaleza que não aparece nos catálogos de turismo. O passeio é maravilhoso nesse aspecto, porque você conhece a comunidade, a praia e as piscinas naturais”, detalha a professora.

O valor pago por cada visitante foi de R$ 20. Por esse preço, o grupo pôde conhecer o Farol do Mucuripe, as cinco praias do bairro – do Portão, Piscininhas, Titanzinho, Havaizinho e Vizinho – e o trabalho de artistas locais. No fim do passeio, os visitantes puderam contemplar o pôr do sol no espigão do Serviluz.

A professora de história, Athaysi Colaço, ficou encantada com o potencial turístico e cultural do bairro (FOTO: Arquivo Pessoal)

“Ele (o guia) mostrou que a comunidade tem uma rica produção cultural. A gente ficou encantado. Vimos também a relação das pessoas que sobrevivem da pesca com o mar”, ressalta Athaysi.

Assim como qualquer passeio turístico, o grupo também fez suas pausas nas refeições. Athaysi e os outros visitantes almoçaram de frente ao mar. As opções para o almoço foram muqueca de arraia e frango por um custo bem abaixo do valor cobrado pelos restaurantes da Avenida Beira-Mar e as barracas da Praia do Futuro.

Athaysi optou pela muqueca e aprovou o prato. “Teve um almoço maravilhoso na Dona Cleide, que custou R$ 10. A gente colocava as mesas na beira da praia”, elogiou.

“City Tour pelo Serviluz”

O ator e morador do Serviluz Gleydson Cruz conta que ele e outros moradores sempre convidam as pessoas para conhecer o lugar. E foi durante um curso no Porto Iracema das Artes, na Praia de Iracema, que aconteceu o convite.

Dois moradores do bairro chamaram os outros alunos da capacitação para conhecer o bairro. O convite reuniu um grupo de mais de 20 pessoas interessadas em conhecer as belezas naturais do lugar. “O pessoal do curso achou massa a proposta e fizemos a organização do passeio”, conta Gleydson.

O pôr do sol no espigão do Titanzinho é a atração final do passeio (FOTO: Arquivo Pessoal)

Para os moradores, a iniciativa desconstrói o preconceito que a cidade tem em relação ao bairro, e mostra o potencial turístico e cultural.

“A comunidade achou bacana porque traz outra imagem para o Serviluz. Mostramos que temos arte, cultura, que há pessoas que fazem faculdade, estudam e realizam pesquisas sobre a região”, ressalta Gleydon. Ele, por exemplo, é ator e dirige um grupo de teatro na região.

Após os comentários positivos do primeiro grupo, os organizadores estão pretendendo fazer outro passeio no fim de agosto. A realização vai depender do número de pessoas interessadas. Gleydson explica que, para fazer esse city tour, é preciso formar um grupo de 15 a 25 pessoas.

Para participar, basta entrar em contato com Gleydson Cruz por meio do telefone (85) 98692-3830.

Além do passeio, a comunidade também realiza outras atividades, como saraus no Farol do Mucuripe. A programação do evento pode ser conferido na página do facebook Servilost.

A história do Serviluz

Cais do Porto fica em uma região de grande potencial econômico e turístico da capital (FOTO: Reprodução/Google Maps)

A partir da década de 1960, a cidade de Fortaleza começava a se voltar para a praia, seguindo o modelo do Rio de Janeiro. Ao poucos, o centro da capital estava deixando de ser o principal cartão-postal, porque os investimentos e a infraestrutura passaram a ser aplicados nas regiões do Mucuripe, do Meireles e da Praia de Iracema.

A partir desse processo é que se inicia a a formação da comunidade. Segundo o guia de turismo e idealizador da página Acervo do Mucuripe, Diego di Paula, os moradores da costa foram aos poucos sendo removidos para dar espaço aos novos empreendimentos.

“A partir do momento em que cria um costume de frequentar e valorizar o mar, estimulou o desenvolvimento na área. A Praia de Iracema, por exemplo, era uma vila de pescadores e se chamava de Praia dos Peixes. Esse processo marca o fim da Belle Époque”, explica o pesquisador.

Devido a essa mudança, os moradores que moravam na costa foram obrigados a migrar para outras regiões ou foram encaminhados para conjuntos habitacionais. Um parte da população foi para o morro de Santa Terezinha, enquanto a outra foi para a região próxima do Farol do Mucuripe, formando a comunidade Serviluz. De acordo com Diego di Paula, o nome se deve a Companhia de Serviço de Força e Luz de Fortaleza (Serviluz).

“O Porto do Mucuripe agregou o desenvolvimento da área e estimulou a favelização. Alguns moradores foram removidos para conjuntos habitacionais enquanto outros se aglomeraram em favelas. E até hoje, a gente vê a falta de estrutura da região”, ressalta Di Paula.