Um Pingo de história do maracatu de Fortaleza


Carnaval 2016: um “Pingo” de história do maracatu de Fortaleza

A história do músico e fundador do programa maracatú Solar, Pingo de Fortaleza, ajuda a contar o curso atual da expressão cultural cearense

Por Juliana Teófilo em Música

29 de janeiro de 2016 às 06:00

Há 3 anos

O maracatu Solar conta, atualmente, com mais de 300 brincante. (FOTO: Reprodução/Facebook maracatu Solar)

O maracatu Solar conta, atualmente, com mais de 300 brincante. (FOTO: Reprodução/Facebook maracatu Solar)

Na forma de uma dança dramática de origem afrodescendente, o maracatu chegou à Fortaleza em 1936. No ano seguinte o ritmo foi agregado aos carnavais da cidade, e, até hoje marca presença em outras comemorações que acontecem em terras alencarinas.

Desde então, 13 agremiações desfilam na avenida Domingos Olímpio apresentando o ritmo cadenciado e a batida grave do maracatu. Os grupos variam em estilo e ano de criação, como os rivais do maracatu Az de Ouro, criado em 1936, e o Ás de Paus, criado em 1960. Outros surgiram mais recentemente, como é o caso do Maracatu Solar, criado em 2006.

A iniciativa da Associação Cultura Solidariedade e Arte (Solar) surgiu como um programa de formação para os membros da associação, conforme explica um dos fundadores, o escritor, pesquisador, produtor musical e brincante Pingo de Fortaleza.

“O programa maracatu Solar traduz as inspiração artísticas de um grupo de participantes como: Alan Mendonça, Descartes Gadelha, Tieta Pontes, Arnobio Santiago, Regina Elisabeth, Patrício Barros, Fabrício Òliver, Mestre Magnata, Eliahne Brasileiro, Wilton Matos, e muitos outros; que já vinham desenvolvendo trabalhos nesse segmento cultural. Atualmente, o programa atua o ano todo através de oficinas, seminários e shows e tem muitas características próprias”, explica.

Contando atualmente com mais de 300 brincantes, o Maracatu Solar não se apresenta necessariamente com a pintura negra no rosto – tão característico das apresentações que assistimos na Domingos Olímpio. Além disso, os brincantes apostam na diversidade rítmica, fantasias leves e ensaios abertos.

Ícone da cultura cearense

Idealizador e brincante do maracatú Solar, Pingo vê com bons olhos os incentivos que tem sido disponibilizados para agremiações e artistas locais. (FOTO: Reprodução/ Funarte)

Idealizador e brincante do maracatú Solar, Pingo vê com bons olhos os incentivos que tem sido disponibilizados para agremiações e artistas locais. (FOTO: Reprodução/ Funarte)

Figurinha carimbada da música, literatura e do carnaval cearense, Pingo de Fortaleza é, por si só, uma fonte inesgotável de história.

Desde que nascera, João Wanderley Roberto Militão chama-se Pingo. Prematuro, João sempre foi um pingo de gente para os familiares. Mas somente anos mais tarde o músico, escritor, pesquisador e produtor musical ganhou o complemento para o primeiro nome.

“O (complemento) “De Fortaleza” surgiu por acaso no cartaz da 3ª Missa Pelos Mártires de Canudos, em 1986. Foi colocado lá pelo historiador e organizador desse evento Fábio Paes, para explicitar que eu estava vindo de Fortaleza cantar em Canudos. Então eu gostei e assumi. De lá pra cá ficou Pingo de Fortaleza, uma citação da cidade e uma metáfora sobre um frágil pingo”, conta.

Pingo deu início a sua carreira artística cantando nas manifestações do movimento secundarista e universitário do ceará. “Participar desse momento, cantar nas greves e manifestações me levou a conhecer os movimentos culturais e muitas reflexões sobre a realidade.

Com o tempo e a diversificação da minha produção esse universo político no sentido amplo da convivência e reflexão ficou entranhado nos meus trabalhos, às vezes explicitamente, em outras apenas nas entrelinhas e intenções”, aponta.

Aproximando-se ainda mais a cultura popular, Pingo de Fortaleza trabalhou na assessoria cultural do município de Icapuí, onde gravou um LP com os artistas locais, o Icapuí Por Todos os Campos. “Foi um momento de muito aprendizado. Depois disso coordenei vários mapeamentos de municípios cearenses e a assessoria o UNICEF nesse universo”, destaca.

A proximidade com as expressões culturais do estado trouxeram autenticidade ao trabalho que, anos mais tarde, ele faria como idealizador e brincante do Maracatu Solar. “Minha relação com o carnaval é essencialmente de brincante, mas também de produtor e idealizador de eventos para esse importante momento da cultura brasileira, como o Tambores Ancestrais na Noite Escura, que esse ano chega a sua 6ª edição. No maracatu Solar atuo no ciclo carnavalesco – pré-carnaval e carnaval – de forma intensa com mais de 30 eventos, entre oficinas, ensaios e apresentações”, explica.

Com tamanha experiência no pré-carnaval da cidade, Pingo de Fortaleza vê com bons olhos os incentivos que tem sido disponibilizados para agremiações e artistas locais que desejam investir nessa expressão cultural. “Penso que Fortaleza começa a consolidar seu carnaval e acredito nesse viés diversificado de sua programação. Aposto nas manifestações mais abertas que colocam a possibilidade da participação popular em suas realizações”, finaliza.

Clique e leia outras matérias sobre o Carnaval 2016 do Tribuna do Ceará:

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> Confira 12 praias do Ceará para fugir da folia no Carnaval

> Lojas de fantasias comemoram o bom movimento no período de pré-carnaval

> Bloco de carnaval feminista luta contra o machismo, abuso e preconceito

 

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A história do músico e fundador do programa maracatú Solar, Pingo de Fortaleza, ajuda a contar o curso atual da expressão cultural cearense

Por Juliana Teófilo em Música

29 de janeiro de 2016 às 06:00

Há 3 anos

O maracatu Solar conta, atualmente, com mais de 300 brincante. (FOTO: Reprodução/Facebook maracatu Solar)

O maracatu Solar conta, atualmente, com mais de 300 brincante. (FOTO: Reprodução/Facebook maracatu Solar)

Na forma de uma dança dramática de origem afrodescendente, o maracatu chegou à Fortaleza em 1936. No ano seguinte o ritmo foi agregado aos carnavais da cidade, e, até hoje marca presença em outras comemorações que acontecem em terras alencarinas.

Desde então, 13 agremiações desfilam na avenida Domingos Olímpio apresentando o ritmo cadenciado e a batida grave do maracatu. Os grupos variam em estilo e ano de criação, como os rivais do maracatu Az de Ouro, criado em 1936, e o Ás de Paus, criado em 1960. Outros surgiram mais recentemente, como é o caso do Maracatu Solar, criado em 2006.

A iniciativa da Associação Cultura Solidariedade e Arte (Solar) surgiu como um programa de formação para os membros da associação, conforme explica um dos fundadores, o escritor, pesquisador, produtor musical e brincante Pingo de Fortaleza.

“O programa maracatu Solar traduz as inspiração artísticas de um grupo de participantes como: Alan Mendonça, Descartes Gadelha, Tieta Pontes, Arnobio Santiago, Regina Elisabeth, Patrício Barros, Fabrício Òliver, Mestre Magnata, Eliahne Brasileiro, Wilton Matos, e muitos outros; que já vinham desenvolvendo trabalhos nesse segmento cultural. Atualmente, o programa atua o ano todo através de oficinas, seminários e shows e tem muitas características próprias”, explica.

Contando atualmente com mais de 300 brincantes, o Maracatu Solar não se apresenta necessariamente com a pintura negra no rosto – tão característico das apresentações que assistimos na Domingos Olímpio. Além disso, os brincantes apostam na diversidade rítmica, fantasias leves e ensaios abertos.

Ícone da cultura cearense

Idealizador e brincante do maracatú Solar, Pingo vê com bons olhos os incentivos que tem sido disponibilizados para agremiações e artistas locais. (FOTO: Reprodução/ Funarte)

Idealizador e brincante do maracatú Solar, Pingo vê com bons olhos os incentivos que tem sido disponibilizados para agremiações e artistas locais. (FOTO: Reprodução/ Funarte)

Figurinha carimbada da música, literatura e do carnaval cearense, Pingo de Fortaleza é, por si só, uma fonte inesgotável de história.

Desde que nascera, João Wanderley Roberto Militão chama-se Pingo. Prematuro, João sempre foi um pingo de gente para os familiares. Mas somente anos mais tarde o músico, escritor, pesquisador e produtor musical ganhou o complemento para o primeiro nome.

“O (complemento) “De Fortaleza” surgiu por acaso no cartaz da 3ª Missa Pelos Mártires de Canudos, em 1986. Foi colocado lá pelo historiador e organizador desse evento Fábio Paes, para explicitar que eu estava vindo de Fortaleza cantar em Canudos. Então eu gostei e assumi. De lá pra cá ficou Pingo de Fortaleza, uma citação da cidade e uma metáfora sobre um frágil pingo”, conta.

Pingo deu início a sua carreira artística cantando nas manifestações do movimento secundarista e universitário do ceará. “Participar desse momento, cantar nas greves e manifestações me levou a conhecer os movimentos culturais e muitas reflexões sobre a realidade.

Com o tempo e a diversificação da minha produção esse universo político no sentido amplo da convivência e reflexão ficou entranhado nos meus trabalhos, às vezes explicitamente, em outras apenas nas entrelinhas e intenções”, aponta.

Aproximando-se ainda mais a cultura popular, Pingo de Fortaleza trabalhou na assessoria cultural do município de Icapuí, onde gravou um LP com os artistas locais, o Icapuí Por Todos os Campos. “Foi um momento de muito aprendizado. Depois disso coordenei vários mapeamentos de municípios cearenses e a assessoria o UNICEF nesse universo”, destaca.

A proximidade com as expressões culturais do estado trouxeram autenticidade ao trabalho que, anos mais tarde, ele faria como idealizador e brincante do Maracatu Solar. “Minha relação com o carnaval é essencialmente de brincante, mas também de produtor e idealizador de eventos para esse importante momento da cultura brasileira, como o Tambores Ancestrais na Noite Escura, que esse ano chega a sua 6ª edição. No maracatu Solar atuo no ciclo carnavalesco – pré-carnaval e carnaval – de forma intensa com mais de 30 eventos, entre oficinas, ensaios e apresentações”, explica.

Com tamanha experiência no pré-carnaval da cidade, Pingo de Fortaleza vê com bons olhos os incentivos que tem sido disponibilizados para agremiações e artistas locais que desejam investir nessa expressão cultural. “Penso que Fortaleza começa a consolidar seu carnaval e acredito nesse viés diversificado de sua programação. Aposto nas manifestações mais abertas que colocam a possibilidade da participação popular em suas realizações”, finaliza.

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