Banda feminina de heavy metal foca em empoderamento e combate ao machismo nas letras

THE KNICKERS

Banda feminina de heavy metal foca em empoderamento e combate ao machismo nas letras

A The Knickers (“As Calcinhas”, em português) se apresenta em eventos de pequeno e médio porte. O setlist é todo autoral, no espírito heavy metal e crítico da banda

Por Crisneive Silveira em Música

24 de Abril de 2018 às 07:15

Há 2 meses
banda, heavy metal

A banda The Knickers é formada por cinco amigas de Fortaleza. (FOTO: Rebeca Cunha)

1, 2, 3, vai! O som da baqueta autoriza, a guitarra arranha o ouvido, a bateria solta o corpo, o baixo vai no ritmo do peito e a voz canta forte a mensagem da The Knickers: “All we got only freedom” (Todos nós só temos liberdade”, em português), diz a letra de Rock’N Roll. Formada por cinco mulheres, a banda feminina de heavy metal clássico nasceu em 2007 e traz muito protesto contra o machismo, além do empoderamento feminino nas letras autoriais.

A banda começou na paixão de Paloma Oliveira, a guitarrista. Ainda pequena, ganhou um violão e aprendeu a tocar sozinha. Aos 12, num encontro com o álbum “Masters of Puppets”, do Metallica, veio o gosto pelo gênero e pela guitarra, instrumento que ainda não tinha. Assim, decidiu ficar no pé dos amigos que já tocavam para aprender. Naturalmente, chegou o convite para tocar na primeira banda, que só fortaleceu a vontade de montar a própria.

Girlschool, Rock Goddess e The Runaways serviram de influência para amadurecer a ideia de um grupo só de mulheres. Aos 18, a guitarrista vendeu todos os LPs e comprou o próprio instrumento. Aí, começou a compor e a montar a The Knickers, “As Calcinhas”, em português. Também fã da banda americana Kiss, onde muitas lingeries eram jogadas no palco, veio a inspiração para o nome, que também faz alusão a uma banda formada por mulheres.

O resultado de todo esse esforço é o “Motherfucker”, primeiro EP da banda lançado em 2009, e o “Fight For The Life”, de 2017. Além de Paloma e Tina Paulo (guitarras), Alinne Madelon (vocal), Alessandra Castro (contrabaixo) e Crislainy Aposand (bateria) formam o grupo, que se uniu pelo heavy metal para falar de liberdade.

“O heavy metal é mais do que só um estilo de música, é estilo de vida e de pensamento, sinto que estamos passando através da música, mensagens de protestos, de inconformismo com o país e com a sociedade puramente machista em que vivemos”, disse a guitarrista.

Mulher no rock? A aceitação do público é um processo constante, pois o preconceito ainda é muito presente. O começo foi complicado. Diversas situações em que elas precisaram encarar o assédio.

“Isso infelizmente é recorrente no meio artístico. Houve um convite extremamente antiprofissional onde teríamos de ir a uma festa em uma casa de praia com integrantes de uma banda, obviamente recusamos. Tentamos sempre ter postura profissional, mostrar que não estamos para brincadeira e nem estamos fazendo nosso trabalho para aparecer ou sair com caras de bandas. Estamos aqui para fazer nosso som, passar nossa mensagem”, contou Paloma.

banda, heavy metal

A banda usa a música para combater o machismo e dar visibilidade às mulheres. (FOTO: Gandhi Guimarães)

A The Knickers se apresenta em eventos de pequeno e médio porte, tanto no Ceará como fora do estado, e agora está focada na gravação do primeiro disco. O setlist da banda é totalmente autoral. Todas as músicas têm muito do espírito heavy metal e crítico da banda. Entre elas, a “Rock’n Roll”, atual música de trabalho.

“Se antes nós, mulheres, não tínhamos espaço para demonstrar nosso total valor, hoje, nós já provamos que podemos atuar em áreas que eram dominadas pelos homens. Sobretudo em cima de um palco tocando heavy metal, seja no backstage, na montagem, no rider técnico, na produção e etc. Nossa visão através da música é dar mais poder às mulheres, é dizer que nós podemos ser o que quisermos ser e que nada possa nos limitar” que deseja visibilidade e empoderamento.

É muito Rock’N Roll na cabeça, nas letras, no talento, na atitude. As mulheres da The Knickers mostram no som estridente a força da música como instrumento de protesto, de luta. E – por que não? – de amor pelo que se faz. \m/ 

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THE KNICKERS

Banda feminina de heavy metal foca em empoderamento e combate ao machismo nas letras

A The Knickers (“As Calcinhas”, em português) se apresenta em eventos de pequeno e médio porte. O setlist é todo autoral, no espírito heavy metal e crítico da banda

Por Crisneive Silveira em Música

24 de Abril de 2018 às 07:15

Há 2 meses
banda, heavy metal

A banda The Knickers é formada por cinco amigas de Fortaleza. (FOTO: Rebeca Cunha)

1, 2, 3, vai! O som da baqueta autoriza, a guitarra arranha o ouvido, a bateria solta o corpo, o baixo vai no ritmo do peito e a voz canta forte a mensagem da The Knickers: “All we got only freedom” (Todos nós só temos liberdade”, em português), diz a letra de Rock’N Roll. Formada por cinco mulheres, a banda feminina de heavy metal clássico nasceu em 2007 e traz muito protesto contra o machismo, além do empoderamento feminino nas letras autoriais.

A banda começou na paixão de Paloma Oliveira, a guitarrista. Ainda pequena, ganhou um violão e aprendeu a tocar sozinha. Aos 12, num encontro com o álbum “Masters of Puppets”, do Metallica, veio o gosto pelo gênero e pela guitarra, instrumento que ainda não tinha. Assim, decidiu ficar no pé dos amigos que já tocavam para aprender. Naturalmente, chegou o convite para tocar na primeira banda, que só fortaleceu a vontade de montar a própria.

Girlschool, Rock Goddess e The Runaways serviram de influência para amadurecer a ideia de um grupo só de mulheres. Aos 18, a guitarrista vendeu todos os LPs e comprou o próprio instrumento. Aí, começou a compor e a montar a The Knickers, “As Calcinhas”, em português. Também fã da banda americana Kiss, onde muitas lingeries eram jogadas no palco, veio a inspiração para o nome, que também faz alusão a uma banda formada por mulheres.

O resultado de todo esse esforço é o “Motherfucker”, primeiro EP da banda lançado em 2009, e o “Fight For The Life”, de 2017. Além de Paloma e Tina Paulo (guitarras), Alinne Madelon (vocal), Alessandra Castro (contrabaixo) e Crislainy Aposand (bateria) formam o grupo, que se uniu pelo heavy metal para falar de liberdade.

“O heavy metal é mais do que só um estilo de música, é estilo de vida e de pensamento, sinto que estamos passando através da música, mensagens de protestos, de inconformismo com o país e com a sociedade puramente machista em que vivemos”, disse a guitarrista.

Mulher no rock? A aceitação do público é um processo constante, pois o preconceito ainda é muito presente. O começo foi complicado. Diversas situações em que elas precisaram encarar o assédio.

“Isso infelizmente é recorrente no meio artístico. Houve um convite extremamente antiprofissional onde teríamos de ir a uma festa em uma casa de praia com integrantes de uma banda, obviamente recusamos. Tentamos sempre ter postura profissional, mostrar que não estamos para brincadeira e nem estamos fazendo nosso trabalho para aparecer ou sair com caras de bandas. Estamos aqui para fazer nosso som, passar nossa mensagem”, contou Paloma.

banda, heavy metal

A banda usa a música para combater o machismo e dar visibilidade às mulheres. (FOTO: Gandhi Guimarães)

A The Knickers se apresenta em eventos de pequeno e médio porte, tanto no Ceará como fora do estado, e agora está focada na gravação do primeiro disco. O setlist da banda é totalmente autoral. Todas as músicas têm muito do espírito heavy metal e crítico da banda. Entre elas, a “Rock’n Roll”, atual música de trabalho.

“Se antes nós, mulheres, não tínhamos espaço para demonstrar nosso total valor, hoje, nós já provamos que podemos atuar em áreas que eram dominadas pelos homens. Sobretudo em cima de um palco tocando heavy metal, seja no backstage, na montagem, no rider técnico, na produção e etc. Nossa visão através da música é dar mais poder às mulheres, é dizer que nós podemos ser o que quisermos ser e que nada possa nos limitar” que deseja visibilidade e empoderamento.

É muito Rock’N Roll na cabeça, nas letras, no talento, na atitude. As mulheres da The Knickers mostram no som estridente a força da música como instrumento de protesto, de luta. E – por que não? – de amor pelo que se faz. \m/