Estrela das passarelas, Valentina Sampaio estreia como atriz no filme “Berenice Procura”

TOP MODEL TRANS

Estrela das passarelas, Valentina Sampaio estreia como atriz no filme “Berenice Procura”

A top model trans, nascida no Ceará, foi a primeira mulher transgênero a ser capa da revista Vogue Paris

Por Daniel Rocha em Moda

16 de agosto de 2018 às 07:15

Há 4 meses
Modelo cearense Valentina Sampaio

A modelo cearense Valentina Sampaio faz parte do elenco do filme brasileiro “Berenice Procura” (Foto: Gabriel de Moura)

De uma vida simples em vila de pescadores de Aquiraz, no litoral do Ceará, para o status de modelo internacional, Valentina Sampaio tem ganhado cada vez mais notoriedade devido ao seu trabalho no mundo da moda. Neste ano, a top model trans se destaca em seu mais novo trabalho: o de ser atriz. No último mês de julho, a cearense estreou como protagonista do filme brasileiro “Berenice Procura”, dirigido por Allan Fiterman.

Hoje com 21 anos, Valentina desfruta de uma invejável carreira internacional. Foi a primeira mulher transgênero a ser capa da revista Vogue Paris, sendo intitulada como “a beleza transgênera”, no mês de março do ano passado. Em solo brasileiro, tornou-se embaixadora da L’Oréal Paris ao lado das atrizes Grazi Massafera, Taís Araújo e Juliana Paes, colocando-a em destaque em todo o País.

Em 2018, a cearense dá mais um passo importante: a estreia como atriz. Valentina interpreta a travesti Isabelle, que foi encontrada morta na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. A trama se baseia na investigação da taxista Berenice, protagonizado por Cláudia Abreu, sobre o assassinato da travesti, ainda sem explicação. Para a cearense, a experiência foi “enriquecedora”.

“É incrível você se colocar na pele do outro e poder viver um pouco daquilo, além de contar outras histórias. Dar vida ao personagem é uma experiência maravilhosa! No começo, quando saía do set de gravações, era muito difícil me desprender. Você se doa de verdade ao personagem e é uma das experiências que mais amo”, detalha Valentina.

O convite para atuar surgiu há três anos, quando ainda estava no Ceará. O diretor Allan Fiterman veio até o estado para conhecê-la e propor o desafio. Em janeiro do ano seguinte, saiu da Grande Fortaleza para ir morar no Rio de Janeiro. Lá, iniciou os trabalhos de preparação e, depois, as filmagens. “Eu sempre sonhei atuar, sim. Assistia e me imaginava um dia estar ali na tela”, enfatiza.

Tribuna do Ceará – Quando surgiu a oportunidade de ser atriz?
Valentina Sampaio – Eu conheci o projeto no final de 2015. Eu estava no Ceará quando o diretor do filme, Allan Fiterman, foi até lá para me conhecer e para me apresentar o projeto. Logo fiquei encantada! Em janeiro de 2016, estava me mudando para o Rio para começar os trabalhos de preparação e, depois, as filmagens.

Tribuna – Você tinha interesse de atuar?
Valentina – Eu sempre sonhei atuar, sim. Assistia e me imaginava um dia estar ali na tela. Na minha casa, a gente assistia muitas novelas. Estávamos sempre reunidos assistindo e eu criava uma relação com os personagens.

 

Tribuna – Pode nos detalhar a experiência de ter participado das gravações do filme?
Valentina – Foi uma experiência enriquecedora, como pessoa e como profissional. É incrível você se colocar na pele do outro e poder viver um pouco daquilo, além de contar outras histórias. Dar vida ao personagem é uma experiência maravilhosa! No começo, quando saía do set de gravações, era muito difícil me desprender. Você se doa de verdade ao personagem e é uma das experiências que mais amo. Estou muito ansiosa para viver outros personagens e contar outras histórias.

Tribuna – Pretende investir na carreira como atriz?
Valentina – Pretendo sim conciliar a carreira de modelo com a de atriz.

Tribuna – No filme, você interpreta a travesti Isabelle que foi morta no Rio de Janeiro. Apesar de ser um caso ficcional, há muitas travestis que são assassinadas brutalmente no Brasil, como aconteceu com Dandara dos Santos, em Fortaleza. Por outro lado, neste ano, os responsáveis pelo crime foram julgados, ao contrário casos que não são nem investigados. Como você enxerga o avanço nas conquistas de direitos de pessoas trans no País?
Valentina – Estamos avançando, mesmo que a passos lentos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou a transexualidade da lista de doenças recentemente. É um absurdo que deixou de existir! Foi uma grande vitória para a população trans do mundo todo. O fato de a transexualidade ter integrado a lista de doenças causava constrangimento e uma enorme gama de problemas sociais. É importante sermos retiradas dessa classificação vergonhosa, mas não podemos negar que é algo tardio. Por mais que seja uma vitória, vivemos à mercê de migalhas.

Valentina Sampaio modelo cearense

Aos 21 anos, a cearense é destaque internacional no mundo da moda (Foto: Gabriel de Moura)

Tribuna – Como foi o processo de descoberta do seu gênero sexual? Sua família lhe apoiou?
Valentina – Nunca houve esse momento de tomar uma decisão ou de fazer uma descoberta. Nasci e cresci respeitando minha natureza e tudo caminhou naturalmente para que eu trilhasse o caminho daquilo que é minha essência. A minha família é meu alicerce. Sempre estamos juntos, nos protegendo e nos damos força. Vibramos juntos a cada passo e a cada conquista.

Tribuna – Hoje, você é exemplo para outras mulheres trans e cearenses que desejam se tornar uma modelo internacional. Quais são as dicas para essas meninas que têm esse sonho, principalmente, para aquelas que moram no interior?
Valentina – Eu diria: “Tenha força!”. Muitas vezes pode ser difícil, mas nenhum preconceito ou barreira poderá te vencer. Lute por você e pelo que acredita. Seja forte, porque você é capaz de realizar tudo o que deseja.

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TOP MODEL TRANS

Estrela das passarelas, Valentina Sampaio estreia como atriz no filme “Berenice Procura”

A top model trans, nascida no Ceará, foi a primeira mulher transgênero a ser capa da revista Vogue Paris

Por Daniel Rocha em Moda

16 de agosto de 2018 às 07:15

Há 4 meses
Modelo cearense Valentina Sampaio

A modelo cearense Valentina Sampaio faz parte do elenco do filme brasileiro “Berenice Procura” (Foto: Gabriel de Moura)

De uma vida simples em vila de pescadores de Aquiraz, no litoral do Ceará, para o status de modelo internacional, Valentina Sampaio tem ganhado cada vez mais notoriedade devido ao seu trabalho no mundo da moda. Neste ano, a top model trans se destaca em seu mais novo trabalho: o de ser atriz. No último mês de julho, a cearense estreou como protagonista do filme brasileiro “Berenice Procura”, dirigido por Allan Fiterman.

Hoje com 21 anos, Valentina desfruta de uma invejável carreira internacional. Foi a primeira mulher transgênero a ser capa da revista Vogue Paris, sendo intitulada como “a beleza transgênera”, no mês de março do ano passado. Em solo brasileiro, tornou-se embaixadora da L’Oréal Paris ao lado das atrizes Grazi Massafera, Taís Araújo e Juliana Paes, colocando-a em destaque em todo o País.

Em 2018, a cearense dá mais um passo importante: a estreia como atriz. Valentina interpreta a travesti Isabelle, que foi encontrada morta na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. A trama se baseia na investigação da taxista Berenice, protagonizado por Cláudia Abreu, sobre o assassinato da travesti, ainda sem explicação. Para a cearense, a experiência foi “enriquecedora”.

“É incrível você se colocar na pele do outro e poder viver um pouco daquilo, além de contar outras histórias. Dar vida ao personagem é uma experiência maravilhosa! No começo, quando saía do set de gravações, era muito difícil me desprender. Você se doa de verdade ao personagem e é uma das experiências que mais amo”, detalha Valentina.

O convite para atuar surgiu há três anos, quando ainda estava no Ceará. O diretor Allan Fiterman veio até o estado para conhecê-la e propor o desafio. Em janeiro do ano seguinte, saiu da Grande Fortaleza para ir morar no Rio de Janeiro. Lá, iniciou os trabalhos de preparação e, depois, as filmagens. “Eu sempre sonhei atuar, sim. Assistia e me imaginava um dia estar ali na tela”, enfatiza.

Tribuna do Ceará – Quando surgiu a oportunidade de ser atriz?
Valentina Sampaio – Eu conheci o projeto no final de 2015. Eu estava no Ceará quando o diretor do filme, Allan Fiterman, foi até lá para me conhecer e para me apresentar o projeto. Logo fiquei encantada! Em janeiro de 2016, estava me mudando para o Rio para começar os trabalhos de preparação e, depois, as filmagens.

Tribuna – Você tinha interesse de atuar?
Valentina – Eu sempre sonhei atuar, sim. Assistia e me imaginava um dia estar ali na tela. Na minha casa, a gente assistia muitas novelas. Estávamos sempre reunidos assistindo e eu criava uma relação com os personagens.

 

Tribuna – Pode nos detalhar a experiência de ter participado das gravações do filme?
Valentina – Foi uma experiência enriquecedora, como pessoa e como profissional. É incrível você se colocar na pele do outro e poder viver um pouco daquilo, além de contar outras histórias. Dar vida ao personagem é uma experiência maravilhosa! No começo, quando saía do set de gravações, era muito difícil me desprender. Você se doa de verdade ao personagem e é uma das experiências que mais amo. Estou muito ansiosa para viver outros personagens e contar outras histórias.

Tribuna – Pretende investir na carreira como atriz?
Valentina – Pretendo sim conciliar a carreira de modelo com a de atriz.

Tribuna – No filme, você interpreta a travesti Isabelle que foi morta no Rio de Janeiro. Apesar de ser um caso ficcional, há muitas travestis que são assassinadas brutalmente no Brasil, como aconteceu com Dandara dos Santos, em Fortaleza. Por outro lado, neste ano, os responsáveis pelo crime foram julgados, ao contrário casos que não são nem investigados. Como você enxerga o avanço nas conquistas de direitos de pessoas trans no País?
Valentina – Estamos avançando, mesmo que a passos lentos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou a transexualidade da lista de doenças recentemente. É um absurdo que deixou de existir! Foi uma grande vitória para a população trans do mundo todo. O fato de a transexualidade ter integrado a lista de doenças causava constrangimento e uma enorme gama de problemas sociais. É importante sermos retiradas dessa classificação vergonhosa, mas não podemos negar que é algo tardio. Por mais que seja uma vitória, vivemos à mercê de migalhas.

Valentina Sampaio modelo cearense

Aos 21 anos, a cearense é destaque internacional no mundo da moda (Foto: Gabriel de Moura)

Tribuna – Como foi o processo de descoberta do seu gênero sexual? Sua família lhe apoiou?
Valentina – Nunca houve esse momento de tomar uma decisão ou de fazer uma descoberta. Nasci e cresci respeitando minha natureza e tudo caminhou naturalmente para que eu trilhasse o caminho daquilo que é minha essência. A minha família é meu alicerce. Sempre estamos juntos, nos protegendo e nos damos força. Vibramos juntos a cada passo e a cada conquista.

Tribuna – Hoje, você é exemplo para outras mulheres trans e cearenses que desejam se tornar uma modelo internacional. Quais são as dicas para essas meninas que têm esse sonho, principalmente, para aquelas que moram no interior?
Valentina – Eu diria: “Tenha força!”. Muitas vezes pode ser difícil, mas nenhum preconceito ou barreira poderá te vencer. Lute por você e pelo que acredita. Seja forte, porque você é capaz de realizar tudo o que deseja.