10 músicas de protesto (+bônus track) contra a Ditadura Militar no Brasil

Período de 1964 a 1985 marcou a censura, artistas exilados e músicas banidas do Brasil. Nos 50 anos do Golpe, vamos relembrar 11 canções que traduziram a história do Brasil

O Bêbado e o Equilibrista (1979)
Música de Aldir Blanc e João Bosco, a canção foi gravada por Elis Regina. Na letra, há um pedido pela anistia ampla, geral e irrestrita aos brasileiros exilados no exterior (“A esperança equilibrista/Sabe que o show de todo artista/Tem que continuar”).

Como Nossos Pais (1976)
De autoria do cearense Belchior (que a gravou em 1976), fez imenso sucesso na voz de Elis Regina, reagravada no mesmo ano, no álbum Falso Brilhante. A letra mostra uma juventude reprimida pela ditadura, e, em apatia, incapaz de mudar a situação política do país. (“Minha dor é perceber/Que apesar de termos/Feito tudo o que fizemos/Ainda somos os mesmos/E vivemos/Como os nossos pais”).

Apenas um Rapaz Latino Americano (1976)
Belchior canta “Mas trago, de cabeça, uma canção do rádio, em que um antigo, compositor baiano, me dizia, Tudo é divino, Tudo é maravilhoso” - feita em resposta a musica de Caetano Veloso, Divino Maravilhoso. Ao fim da canção, o cearense manda um “nada é divino nem maravilhoso” (na Ditadura), onde a censura era pesada, e, como diz a música, tudo só era permitido “quando ninguém nos ver”.

Pavão Mysteriozo (1974)
Gravado e lançado em 1974, a música do cearense Ednardo teve grande projeção após sua utilização como tema da novela global “Saramandaia” (1976). Inspirada no romance de cordel “O Romance do Pavão Misterioso”, contém críticas veladas ao governo militar no Brasil. Tida como um hino à liberdade, a beleza humana e sua capacidade de realização da vida acima das impossibilidades. (“Pavão misterioso/Pássaro formoso/Um conde raivoso/Não tarda a chegar/Não temas minha donzela/Nossa sorte nessa guerra/Eles são muitos/Mas não podem voar” ).

Mosca na Sopa (1973)
O próprio Raul Seixas era a mosca na sopa da Ditadura. Aos militares, ele incomoda, que não pode ser eliminado, pois, assim o povo (as outras moscas) voltará para se levantar contra regimes opressores (“Porque você mata uma / E vem outra em meu lugar…”).

Que as crianças cantem livres (1973)
Taiguara foi um dos artistas mais perseguidos durante a ditadura militar e teve 68 canções censuradas. Esta canção, (“E que as crianças cantem livres sobre os muros/E ensinem sonho ao que não pode amar sem dor/E que o passado abra os presentes pro futuro/Que não dormiu e preparou o amanhecer…”) é um espécie de pedido/sonho para o futuro do Brasil.

Cálice (1973)
Chico Buarque explora a sonoridade e o duplo sentido das palavras, um jogo de palavras, onde “cálice” na verdade é “cale-se”, como crítica ao regime instaurado, e até uma oração a Jesus Cristo é usada para “despistar” os censores.

Eu quero é botar meu bloco na rua (1972)
O cantor e compositor Sérgio Sampaio canta em versos o seu desejo de que as tropas militares (que andavam pelas ruas do país para evitar manifestações) fossem substituídas pelos blocos de alegria do povo. (“Eu quero é botar meu bloco na rua/Brincar, botar pra gemer/Eu quero é botar meu bloco na rua/Gingar, pra dar e vender”).

Pra Não Dizer que Não Falei das Flores (1968)
Geraldo Vandré foi um dos primeiros artistas a ser perseguido e censurado pelo governo militar. Aos ser lançada em 1968, sua canção se tornou um hino aos cidadãos que lutavam pela abertura política no Brasil (“Uma antiga lição: De morrer pela pátria / E viver sem razão”).

Alegria Alegria (1967)
Caetano Veloso critica o abuso da violência dos militares, e ainda levanta a questão de que, quem estava no poder fazia a questão de não dar um bom ensino e uma cultura adequada aos brasileiros, para deixá-los cada vez mais alienados. (“Sem lenço, sem documento/Nada no bolso ou nas mãos/Eu quero seguir vivendo, amor/Eu vou”).

Bônus Track
Jorge Maravilha (1974)
O General Geisel odiava Chico Buarque. No entanto, a filha do militar/Presidente manifestava interesse pelo trabalho do cantor e compositor. E assim nasceu “Mais vale uma filha na mão / Do que dois pais voando / Você não gosta de mim, mas sua filha gosta”. Um tapa de luva com força de um soco no estômago no seio familiar do militar.

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