Raimundinha: a personagem 'esculachada' do homem que venceu as drogas


Raimundinha: a personagem ‘esculachada’ do homem que venceu as drogas

Paulo Diógenes revela que sua criação o salvou e promete não abandonar os palcos

Por Ana Beatriz Leite em Humor

30 de Janeiro de 2013 às 16:42

Há 6 anos

Ele dá vida à Raimundinha, uma mulher popular, dona de um vocabulário ‘esculachado’ e claro, que garante boas gargalhadas com suas piadas em roteiro. É assim que Paulo Diógenes, define a personagem que salvou sua vida.

Recentemente o humorista foi eleito vereador em Fortaleza e contou ao Jangadeiro Online como está sendo a nova fase da sua  vida, além de falar sobre o início da sua carreira e as dificuldades que enfrentou ao longo de 25 anos de trabalho como ator.

Paulo Diógenes mostra seu gabinete na Câmara de Vereadores; veja galeria

Paulo é filho de pai cearense e mãe carioca, viveu parte da sua adolescência no Rio de Janeiro e em 85 voltou a capital cearense com a ideia de colocar em prática o que havia aprendido na “cidade maravilhosa”: fazer um espetáculo onde homens se vestiam de mulher.

‘Inicialmente minha esposa da época fazia o papel de Raimundinha, na peça ‘O que vocês não vão pensar’, que eu havia montado. Um dia ela não foi se apresentar, aí entramos em desespero e pensamos: e agora, quem vai fazer a mãe?. Eu disse que queria fazer e acabei interpretando’, diverte-se.

Paulo Diógenes foi eleito vereador e tem projetos para resgatar jovens do mundo das drogas (Foto: Renata Pimentel)

Entrando no mundo do humor

Depois de dias com o espetáculo em cartaz, Paulo conta que uma pessoa da plateia mudou o rumo da sua carreira. ‘A Ana Rizatto foi assistir a peça e disse que queria que eu fizesse aquilo em um bar. Na época, não existia humor em bar e ela ligava para as pessoas falando de mim, me vendendo mesmo. Foi a Ana que descobriu minha veia humorística’.

O humorista lembra que começou a fazer apresentações em festa de aniversário, confraternização de empresas e viu que realmente estava tendo retorno.

‘Eu lembro como se fosse hoje o dia em que eu fui me apresentar em um bar e somente duas mesas estavam ocupadas. Um mês depois, não cabia mais ninguém no bar, tinham mesas do lado de fora do estabelecimento’, recorda.

Construindo a Raimundinha

Vejo muito a Raimundinha em muitas mulheres que moram na periferia da cidade. Ela é popular, exagerada e fala tudo de uma forma muito natural’. Assim a personagem é retratada pelo comediante.

Ele conta que com o tempo exagerou tanto nos acessórios, nas roupas e nos trejeitos do seu xodó. ‘Tem um mundo da Raimundinha na minha casa – ela tem o quarto dela, com roupas, bijuterias. Até meus filhos falam: pai, vai lá no quarto da Raimundinha’, relata.

Separando as identidades

‘A Raimundinha salvou a minha vida’ (Foto: Arquivo Pessoal)

Uma das maiores preocupações do vereador era separar o personagem da ator. Ele sempre procurou distinguir e revela como faz isso. ‘Passei a ficar de cara limpa no fim de cada apresentação que eu fazia. Essa descaracterização foi um divisor de águas – a partir do momento que eu me desmontava no palco, queria dizer que quem estava ali era o Paulo Diógenes. Não faço Raimundinha fora dos palcos’, determina.

Essa separação da identidade foi levada para sua campanha política e segundo ele, não foi do ‘nada’ que ingressou nessa área. ‘A minha família é toda de políticos. Meu avô já foi deputado, minha irmã também sempre foi engajada nesse meio e eu despertei o interesse principalmente devido meu envolvimento com as drogas’.

10 anos perdidos

Paulo diz que perdeu 10 anos da sua vida ao se tornar dependente químico. ‘Eu fazia shows muito doido, contava a mesma piada seis vezes. Eu era adicto – isso é uma doença de comportamento. Eu tive a chance de fazer o tratamento e há 14 anos estou totalmente limpo’.

Após a experiência, ele resolveu construir a instituição ‘Fazendo Luz no Mundo’, direcionada a dependentes. “A comunidade veio de uma cobrança minha. Sei que posso ajudar pessoas sem recursos financeiros a ficarem limpas como eu”. E completa: “Devo parte da minha recuperação à Raimundinha. Ela me fez ter tudo o que eu perdi de volta e eu nunca vou deixá-la, nem mesmo ocupando o cargo de vereador – se isso acontecer, entro em depressão”.

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Raimundinha: a personagem ‘esculachada’ do homem que venceu as drogas

Paulo Diógenes revela que sua criação o salvou e promete não abandonar os palcos

Por Ana Beatriz Leite em Humor

30 de Janeiro de 2013 às 16:42

Há 6 anos

Ele dá vida à Raimundinha, uma mulher popular, dona de um vocabulário ‘esculachado’ e claro, que garante boas gargalhadas com suas piadas em roteiro. É assim que Paulo Diógenes, define a personagem que salvou sua vida.

Recentemente o humorista foi eleito vereador em Fortaleza e contou ao Jangadeiro Online como está sendo a nova fase da sua  vida, além de falar sobre o início da sua carreira e as dificuldades que enfrentou ao longo de 25 anos de trabalho como ator.

Paulo Diógenes mostra seu gabinete na Câmara de Vereadores; veja galeria

Paulo é filho de pai cearense e mãe carioca, viveu parte da sua adolescência no Rio de Janeiro e em 85 voltou a capital cearense com a ideia de colocar em prática o que havia aprendido na “cidade maravilhosa”: fazer um espetáculo onde homens se vestiam de mulher.

‘Inicialmente minha esposa da época fazia o papel de Raimundinha, na peça ‘O que vocês não vão pensar’, que eu havia montado. Um dia ela não foi se apresentar, aí entramos em desespero e pensamos: e agora, quem vai fazer a mãe?. Eu disse que queria fazer e acabei interpretando’, diverte-se.

Paulo Diógenes foi eleito vereador e tem projetos para resgatar jovens do mundo das drogas (Foto: Renata Pimentel)

Entrando no mundo do humor

Depois de dias com o espetáculo em cartaz, Paulo conta que uma pessoa da plateia mudou o rumo da sua carreira. ‘A Ana Rizatto foi assistir a peça e disse que queria que eu fizesse aquilo em um bar. Na época, não existia humor em bar e ela ligava para as pessoas falando de mim, me vendendo mesmo. Foi a Ana que descobriu minha veia humorística’.

O humorista lembra que começou a fazer apresentações em festa de aniversário, confraternização de empresas e viu que realmente estava tendo retorno.

‘Eu lembro como se fosse hoje o dia em que eu fui me apresentar em um bar e somente duas mesas estavam ocupadas. Um mês depois, não cabia mais ninguém no bar, tinham mesas do lado de fora do estabelecimento’, recorda.

Construindo a Raimundinha

Vejo muito a Raimundinha em muitas mulheres que moram na periferia da cidade. Ela é popular, exagerada e fala tudo de uma forma muito natural’. Assim a personagem é retratada pelo comediante.

Ele conta que com o tempo exagerou tanto nos acessórios, nas roupas e nos trejeitos do seu xodó. ‘Tem um mundo da Raimundinha na minha casa – ela tem o quarto dela, com roupas, bijuterias. Até meus filhos falam: pai, vai lá no quarto da Raimundinha’, relata.

Separando as identidades

‘A Raimundinha salvou a minha vida’ (Foto: Arquivo Pessoal)

Uma das maiores preocupações do vereador era separar o personagem da ator. Ele sempre procurou distinguir e revela como faz isso. ‘Passei a ficar de cara limpa no fim de cada apresentação que eu fazia. Essa descaracterização foi um divisor de águas – a partir do momento que eu me desmontava no palco, queria dizer que quem estava ali era o Paulo Diógenes. Não faço Raimundinha fora dos palcos’, determina.

Essa separação da identidade foi levada para sua campanha política e segundo ele, não foi do ‘nada’ que ingressou nessa área. ‘A minha família é toda de políticos. Meu avô já foi deputado, minha irmã também sempre foi engajada nesse meio e eu despertei o interesse principalmente devido meu envolvimento com as drogas’.

10 anos perdidos

Paulo diz que perdeu 10 anos da sua vida ao se tornar dependente químico. ‘Eu fazia shows muito doido, contava a mesma piada seis vezes. Eu era adicto – isso é uma doença de comportamento. Eu tive a chance de fazer o tratamento e há 14 anos estou totalmente limpo’.

Após a experiência, ele resolveu construir a instituição ‘Fazendo Luz no Mundo’, direcionada a dependentes. “A comunidade veio de uma cobrança minha. Sei que posso ajudar pessoas sem recursos financeiros a ficarem limpas como eu”. E completa: “Devo parte da minha recuperação à Raimundinha. Ela me fez ter tudo o que eu perdi de volta e eu nunca vou deixá-la, nem mesmo ocupando o cargo de vereador – se isso acontecer, entro em depressão”.