Projeto "Fortaleza Sem Memória" retrata fachadas de imóveis antigos da capital cearense

HISTÓRIA DA CIDADE

Projeto “Fortaleza Sem Memória” retrata fachadas de imóveis antigos da capital cearense

O ilustrador Julião Júnior retrata a história da cidade em fotos de prédios pouco conhecidos, fazendo isso no caminho para o trabalho, de bicicleta

Por Crisneive Silveira em Fotografia

1 de agosto de 2018 às 07:15

Há 3 meses
Fortaleza Sem Memória

O ilustrador Julião Júnior fotografa fachadas antigas no caminho para o trabalho. (FOTO: Reprodução/Instagram Fortaleza Sem Memória)

Entre prédios modernos e a pressa da rotina, a história de uma Fortaleza que resiste em ruínas e cores. Pela cidade, fachadas de casas antigas são retratadas no perfil Fortaleza Sem Memória, do Instagram. A iniciativa é do ilustrador e designer Julião Júnior, de 40 anos. E tudo começou nas idas ao trabalho, cruzando diversos bairros da capital cearense de bicicleta.

O trajeto de bike tem início no bairro Demócrito Rocha, passa pela Bela Vista, Rodolfo Teófilo, Benfica, Centro e termina na Aldeota. Foi nesse caminho para o trabalho que Julião passou a observar mais as ruas. E foi uma casinha na Avenida Dom Manuel que lhe chamou atenção.

“Ela tinha uma arquitetura diferente, parecia aquelas casinhas inglesas. Quando cheguei lá, estava sem telhado, acho que estavam demolindo… Pensei: Vou tirar uma foto antes que derrubem, que pelo menos fica a recordação”, relembrou o paranaense criado no Ceará.

Os prédios ascendiam a memória afetiva das casas onde ele havia morado. Julião passou a fotografar também imóveis antigos das ruas adjacentes, nada que mudasse tanto a rota dele. Assim, nasceu o Fortaleza Sem Memória que, antes de ser registro do passado, é também a constatação de que a história da cidade merece mais atenção. Já são 113 postagens de diferentes fachadas de casas.

“Fui de casa em casa, olhando a fachada, o sentimento e a memória que me traziam… Mas a especulação imobiliária, o projeto pessoal ou corporativo, chegam derrubando tudo, não querem saber o que está por trás”, reflete o ilustrador.

O roteiro é fixo. Em um trajeto geralmente feito em 25 min, os registros das fachadas fazem Julião sair mais cedo algumas vezes. Ele chega a passar 45min entre tirar as fotos e chegar ao trabalho. Ele acredita que o imóvel mais antigo foi uma casa de 1915.

“Tento tirar a fotografia sem nenhuma intervenção. Se tiver pessoa ou carro, já não faço. No Centro, por exemplo, se não for muito cedo, tenho de ir no fim de semana. Comecei a fotografar as que estavam dentro do meu percurso de bicicleta. A ciclofaixa facilitou muito o trabalho porque me sentia seguro em parar e fotografar. A coisa está acontecendo por estar dentro do meu dia a dia”, revelou.

O Theatro José de Alencar, um dos exemplos mais imponentes de registro histórico arquitetônico no Ceará, é referência para todos.

“Está todo mundo de olho (na arquitetura do TJA), e ela é um pouco da identidade do cearense. Quando a gente fala desse estilo, remete à Fortaleza da Belle Époque. A gente vê, mas não percebe que isso é muito claro na nossa arquitetura, no nosso linguajar e a gente não percebe isso no dia a dia”, concluiu.

Existe muito mais nas entrelinhas que sustentam o passado da cidade, revelado pelos móveis pouco conhecidos: Fortaleza tem memória, precisa ser vista e cuidada.

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O ilustrador Julião Júnior fotografa fachadas antigas no caminho para o trabalho. (FOTO: Reprodução/Instagram Fortaleza Sem Memória)

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O ilustrador Julião Júnior fotografa fachadas antigas no caminho para o trabalho. (FOTO: Reprodução/Instagram Fortaleza Sem Memória)

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HISTÓRIA DA CIDADE

Projeto “Fortaleza Sem Memória” retrata fachadas de imóveis antigos da capital cearense

O ilustrador Julião Júnior retrata a história da cidade em fotos de prédios pouco conhecidos, fazendo isso no caminho para o trabalho, de bicicleta

Por Crisneive Silveira em Fotografia

1 de agosto de 2018 às 07:15

Há 3 meses
Fortaleza Sem Memória

O ilustrador Julião Júnior fotografa fachadas antigas no caminho para o trabalho. (FOTO: Reprodução/Instagram Fortaleza Sem Memória)

Entre prédios modernos e a pressa da rotina, a história de uma Fortaleza que resiste em ruínas e cores. Pela cidade, fachadas de casas antigas são retratadas no perfil Fortaleza Sem Memória, do Instagram. A iniciativa é do ilustrador e designer Julião Júnior, de 40 anos. E tudo começou nas idas ao trabalho, cruzando diversos bairros da capital cearense de bicicleta.

O trajeto de bike tem início no bairro Demócrito Rocha, passa pela Bela Vista, Rodolfo Teófilo, Benfica, Centro e termina na Aldeota. Foi nesse caminho para o trabalho que Julião passou a observar mais as ruas. E foi uma casinha na Avenida Dom Manuel que lhe chamou atenção.

“Ela tinha uma arquitetura diferente, parecia aquelas casinhas inglesas. Quando cheguei lá, estava sem telhado, acho que estavam demolindo… Pensei: Vou tirar uma foto antes que derrubem, que pelo menos fica a recordação”, relembrou o paranaense criado no Ceará.

Os prédios ascendiam a memória afetiva das casas onde ele havia morado. Julião passou a fotografar também imóveis antigos das ruas adjacentes, nada que mudasse tanto a rota dele. Assim, nasceu o Fortaleza Sem Memória que, antes de ser registro do passado, é também a constatação de que a história da cidade merece mais atenção. Já são 113 postagens de diferentes fachadas de casas.

“Fui de casa em casa, olhando a fachada, o sentimento e a memória que me traziam… Mas a especulação imobiliária, o projeto pessoal ou corporativo, chegam derrubando tudo, não querem saber o que está por trás”, reflete o ilustrador.

O roteiro é fixo. Em um trajeto geralmente feito em 25 min, os registros das fachadas fazem Julião sair mais cedo algumas vezes. Ele chega a passar 45min entre tirar as fotos e chegar ao trabalho. Ele acredita que o imóvel mais antigo foi uma casa de 1915.

“Tento tirar a fotografia sem nenhuma intervenção. Se tiver pessoa ou carro, já não faço. No Centro, por exemplo, se não for muito cedo, tenho de ir no fim de semana. Comecei a fotografar as que estavam dentro do meu percurso de bicicleta. A ciclofaixa facilitou muito o trabalho porque me sentia seguro em parar e fotografar. A coisa está acontecendo por estar dentro do meu dia a dia”, revelou.

O Theatro José de Alencar, um dos exemplos mais imponentes de registro histórico arquitetônico no Ceará, é referência para todos.

“Está todo mundo de olho (na arquitetura do TJA), e ela é um pouco da identidade do cearense. Quando a gente fala desse estilo, remete à Fortaleza da Belle Époque. A gente vê, mas não percebe que isso é muito claro na nossa arquitetura, no nosso linguajar e a gente não percebe isso no dia a dia”, concluiu.

Existe muito mais nas entrelinhas que sustentam o passado da cidade, revelado pelos móveis pouco conhecidos: Fortaleza tem memória, precisa ser vista e cuidada.

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O ilustrador Julião Júnior fotografa fachadas antigas no caminho para o trabalho. (FOTO: Reprodução/Instagram Fortaleza Sem Memória)

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