Temporada de quadrilhas juninas traz consigo a alegria da tradição nordestina dos arraiás


Temporada de quadrilhas juninas traz consigo a alegria da tradição nordestina dos arraiás

Para fomentar a tradição nordestina, a Secult investiu R$ 2,6 milhões no fomento a grupos juninos, festivais regionais e para a realização do Campeonato Estadual dos festejos do Ceará Junino

Por Tribuna do Ceará em Cultura

7 de junho de 2015 às 10:35

Há 4 anos
O amor pelos arraiás começou em uma roda de amigos. Na época, ainda no início da década de 90, Eílson juntou-se a amigos e formou seu primeiro grupo junino (FOTO: Arquivo Pessoal)

O amor pelos arraiás começou em uma roda de amigos. Na época, ainda no início da década de 90, Eílson juntou-se a amigos e formou seu primeiro grupo junino (FOTO: Arquivo Pessoal)

O mês de junho é todo especial para os amantes de São João. É hora de perder várias horas de sono com gritos e sapateados nos diversos festivais juninos pelo Ceará. Essa rotina é comum para quem se dedica praticamente o ano todo para ficar bonito no arraiá.

E quem faz disso um estilo de vida é Eílson Rodrigues, 37 anos. “Brincante” há 25 anos, ele já foi de simples componente até puxador (responsável por guiar os passos). Atualmente ele é destaque na Junina Babaçu, tradicional quadrilha de Fortaleza. “O amor ao São João, a formação de um grupo junino, o figurino, o repertório… toda a temática de organização me domina e me faz realizar esse trabalho”, comenta.

O amor pelos arraiás começou em uma roda de amigos. Na época, ainda no início da década de 90, Eílson juntou-se a amigos e formou seu primeiro grupo junino. “Tudo começou numa calçada. Durante uma conversa sem compromisso resolvemos fazer quadrilha na rua. Daí então os anos foram se passando e eu fui me firmando no movimento junino e hoje não consigo parar”, diz o “quadrilheiro”.

Ao longo desse tempo todo de dedicação, o brincante da Junina Babaçú diz que o mais o marcou foi ver uma rainha dançando grávida. “Muita coisa inesquecível aconteceu durante estes 25 anos, mas o que mais me surpreendeu foi ver Cristiane Rodrigues, ex-rainha da Quedrilha Beija-flor do Sertão, dançando com um barrigão de 9 meses, prestes a ter neném. Seus rodopios nos arraiás foram emocionantes”, relembra.

Grande expectativa

Em 2015, o chão do Ceará vai tremer ainda mais com os festivais. É que segundo o presidente da União Junina das Quadrilhas do Estado do Ceará, Kiko Sampaio, quase que dobrou o número de grupos e festivais filiados à entidade. “Fechamos novas parcerias com a iniciativa privada e mantivemos as públicas. Estamos também lançando um novo evento junino no cenário nacional, que é o Brasil Junino. Enfim, o trabalho aumentou, mas estamos muito felizes com as conquistas e estamos preparando um São João maravilhoso para todos”, comenta.

De acordo ainda com Kiko Sampaio, o cenário de quadrilhas é animador. São mais de 200 eventos espalhados pelo estado o que torna o Ceará destaque no Nordeste. “Muitas quadrilhas de outros estados já fazem criam figurinos com os profissionais cearenses. São sapatos, chapéus e até roupas. Isso sem falar nos compositores juninos que vendem as suas composições para todo o Brasil, assim como as bandas regionais que gravam repertório para quadrilhas país afora”, diz o presidente da União Junina das Quadrilhas do Ceará.

À frente da União Junina do Ceará, Kiko tem a missão de projetar as lutas, não apenas das quadrilhas juninas, mas também dos festivais de quadrilhas e eventos afins (FOTO: Marina Cavalcante)

À frente da União Junina do Ceará, Kiko tem a missão de projetar as lutas, não apenas das quadrilhas juninas, mas também dos festivais de quadrilhas e eventos afins (FOTO: Marina Cavalcante)

Além da beleza estampada nas indumentárias e no sorriso dos brincantes, o Ceará já levou três dos 10 festivais nacionais que aconteceram até então. A Quadrilha Beija-Flor do Sertão fez dobradinha em 2007 e 2008, e a Paixão Nordestina foi a grande vencedora em 2009.

Kiko Sampaio comenta que para um quadrilha se destacar é necessário uma série de fatores. “Ter um trabalho bonito, de qualidade, ter uma coreografia que aborde tanto os passos tradicionais mais que tragam desenhos criativos, executada por um grupo animado e com garra. Ter um figurino bem elaborado dentro da temática escolhida, um repertório que empolgue tanto quem está assistindo, quanto quem está dançando. Para completar, ter destaques com desenvoltura para agradar o olhar do público e dos jurados ajuda na hora de levar a quadrilha ao pódio”, explica.

Apoio governamental

Para fomentar a tradição nordestina no Ceará, a Secretaria de Cultura (Secult) investiu R$ 2,6 milhões no fomento a grupos juninos, festivais regionais e para a realização do Campeonato Estadual dos festejos do Ceará Junino. Serão apoiadas pelo Governo do Estado 100 quadrilhas juninas, cada uma recebendo até R$ 18.088,00. Também serão apoiados 20 festivais de quadrilhas juninas, com investimento de R$ 22.280,00 em cada um.

Em uma nova categoria incluída no edital deste ano, o Ceará Junino também selecionará uma instituição que será responsável pelo Campeonato Estadual Festejo Ceará Junino 2015. Entre as atribuições da entidade selecionada estará o acompanhamento dos Festivais Regionais de Quadrilhas Juninas e a promoção da ação de culminância desses festivais, com uma grande mostra competitiva entre as 21 quadrilhas juninas vencedoras dos Concursos Regionais.

Essa mostra incluirá programação cultural fiel às tradições juninas, feiras de comidas típicas e de artesanatos, além de apresentações de manifestações artísticas tradicionalmente populares. Para essa ação o investimento do Governo do Estado, por meio da Secretaria da Cultura, será de R$ 323.140,00.

“O Ceará é um dos estados em que o movimento junino tem mais força. O investimento do Governo do Estado, por meio da Secretaria da Cultura, contribui para gerar as condições para que as quadrilhas, os festivais e todas as ações culturais relacionadas a esse período e essa manifestação popular tenham cada vez mais visibilidade, no nosso Estado, no Nordeste e no Brasil”, destaca o secretário da Cultura do Estado do Ceará, Guilherme Sampaio.

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Temporada de quadrilhas juninas traz consigo a alegria da tradição nordestina dos arraiás

Para fomentar a tradição nordestina, a Secult investiu R$ 2,6 milhões no fomento a grupos juninos, festivais regionais e para a realização do Campeonato Estadual dos festejos do Ceará Junino

Por Tribuna do Ceará em Cultura

7 de junho de 2015 às 10:35

Há 4 anos
O amor pelos arraiás começou em uma roda de amigos. Na época, ainda no início da década de 90, Eílson juntou-se a amigos e formou seu primeiro grupo junino (FOTO: Arquivo Pessoal)

O amor pelos arraiás começou em uma roda de amigos. Na época, ainda no início da década de 90, Eílson juntou-se a amigos e formou seu primeiro grupo junino (FOTO: Arquivo Pessoal)

O mês de junho é todo especial para os amantes de São João. É hora de perder várias horas de sono com gritos e sapateados nos diversos festivais juninos pelo Ceará. Essa rotina é comum para quem se dedica praticamente o ano todo para ficar bonito no arraiá.

E quem faz disso um estilo de vida é Eílson Rodrigues, 37 anos. “Brincante” há 25 anos, ele já foi de simples componente até puxador (responsável por guiar os passos). Atualmente ele é destaque na Junina Babaçu, tradicional quadrilha de Fortaleza. “O amor ao São João, a formação de um grupo junino, o figurino, o repertório… toda a temática de organização me domina e me faz realizar esse trabalho”, comenta.

O amor pelos arraiás começou em uma roda de amigos. Na época, ainda no início da década de 90, Eílson juntou-se a amigos e formou seu primeiro grupo junino. “Tudo começou numa calçada. Durante uma conversa sem compromisso resolvemos fazer quadrilha na rua. Daí então os anos foram se passando e eu fui me firmando no movimento junino e hoje não consigo parar”, diz o “quadrilheiro”.

Ao longo desse tempo todo de dedicação, o brincante da Junina Babaçú diz que o mais o marcou foi ver uma rainha dançando grávida. “Muita coisa inesquecível aconteceu durante estes 25 anos, mas o que mais me surpreendeu foi ver Cristiane Rodrigues, ex-rainha da Quedrilha Beija-flor do Sertão, dançando com um barrigão de 9 meses, prestes a ter neném. Seus rodopios nos arraiás foram emocionantes”, relembra.

Grande expectativa

Em 2015, o chão do Ceará vai tremer ainda mais com os festivais. É que segundo o presidente da União Junina das Quadrilhas do Estado do Ceará, Kiko Sampaio, quase que dobrou o número de grupos e festivais filiados à entidade. “Fechamos novas parcerias com a iniciativa privada e mantivemos as públicas. Estamos também lançando um novo evento junino no cenário nacional, que é o Brasil Junino. Enfim, o trabalho aumentou, mas estamos muito felizes com as conquistas e estamos preparando um São João maravilhoso para todos”, comenta.

De acordo ainda com Kiko Sampaio, o cenário de quadrilhas é animador. São mais de 200 eventos espalhados pelo estado o que torna o Ceará destaque no Nordeste. “Muitas quadrilhas de outros estados já fazem criam figurinos com os profissionais cearenses. São sapatos, chapéus e até roupas. Isso sem falar nos compositores juninos que vendem as suas composições para todo o Brasil, assim como as bandas regionais que gravam repertório para quadrilhas país afora”, diz o presidente da União Junina das Quadrilhas do Ceará.

À frente da União Junina do Ceará, Kiko tem a missão de projetar as lutas, não apenas das quadrilhas juninas, mas também dos festivais de quadrilhas e eventos afins (FOTO: Marina Cavalcante)

À frente da União Junina do Ceará, Kiko tem a missão de projetar as lutas, não apenas das quadrilhas juninas, mas também dos festivais de quadrilhas e eventos afins (FOTO: Marina Cavalcante)

Além da beleza estampada nas indumentárias e no sorriso dos brincantes, o Ceará já levou três dos 10 festivais nacionais que aconteceram até então. A Quadrilha Beija-Flor do Sertão fez dobradinha em 2007 e 2008, e a Paixão Nordestina foi a grande vencedora em 2009.

Kiko Sampaio comenta que para um quadrilha se destacar é necessário uma série de fatores. “Ter um trabalho bonito, de qualidade, ter uma coreografia que aborde tanto os passos tradicionais mais que tragam desenhos criativos, executada por um grupo animado e com garra. Ter um figurino bem elaborado dentro da temática escolhida, um repertório que empolgue tanto quem está assistindo, quanto quem está dançando. Para completar, ter destaques com desenvoltura para agradar o olhar do público e dos jurados ajuda na hora de levar a quadrilha ao pódio”, explica.

Apoio governamental

Para fomentar a tradição nordestina no Ceará, a Secretaria de Cultura (Secult) investiu R$ 2,6 milhões no fomento a grupos juninos, festivais regionais e para a realização do Campeonato Estadual dos festejos do Ceará Junino. Serão apoiadas pelo Governo do Estado 100 quadrilhas juninas, cada uma recebendo até R$ 18.088,00. Também serão apoiados 20 festivais de quadrilhas juninas, com investimento de R$ 22.280,00 em cada um.

Em uma nova categoria incluída no edital deste ano, o Ceará Junino também selecionará uma instituição que será responsável pelo Campeonato Estadual Festejo Ceará Junino 2015. Entre as atribuições da entidade selecionada estará o acompanhamento dos Festivais Regionais de Quadrilhas Juninas e a promoção da ação de culminância desses festivais, com uma grande mostra competitiva entre as 21 quadrilhas juninas vencedoras dos Concursos Regionais.

Essa mostra incluirá programação cultural fiel às tradições juninas, feiras de comidas típicas e de artesanatos, além de apresentações de manifestações artísticas tradicionalmente populares. Para essa ação o investimento do Governo do Estado, por meio da Secretaria da Cultura, será de R$ 323.140,00.

“O Ceará é um dos estados em que o movimento junino tem mais força. O investimento do Governo do Estado, por meio da Secretaria da Cultura, contribui para gerar as condições para que as quadrilhas, os festivais e todas as ações culturais relacionadas a esse período e essa manifestação popular tenham cada vez mais visibilidade, no nosso Estado, no Nordeste e no Brasil”, destaca o secretário da Cultura do Estado do Ceará, Guilherme Sampaio.