Projeto de artista cearense vai criar manual de identificação e proteção contra OVNIs

APARIÇÕES DE DISCOS

Projeto de artista cearense vai criar manual de identificação e proteção contra OVNIs

A fotógrafa Helenita Matos vai em busca de registrar histórias de moradores de Quixadá e Quixeramobim, além de recriar situações descritas

Por Crisneive Silveira em Cultura

11 de junho de 2018 às 07:15

Há 6 meses
disco-voador

A ideia do projeto é ouvir moradores de cidades cearenses sobre a presença de ovnis. (FOTO: Freepik)

“Há mais coisas entre o céu e a terra do que pode imaginar nossa vã filosofia”. As palavras do poeta e dramaturgo inglês William Shakespeare traduzem bem todo o ar de mistério que envolve o Manual de Identificação e Proteção de Objetos Voadores Não Identificados.

O projeto da artista e pesquisadora cearense Helenita Matos está entre os 22 selecionados para participar do Laboratório de Criação do Porto Iracema das Artes em 2018, e quer ouvir moradores de cidades cearenses sobre a aparição de discos voadores, além de registrar as histórias.

Através da contação de histórias dos moradores, a ideia é construir um manual de proteção em situação de aparições de discos-voadores. O trabalho vai ser realizado pela região de Quixadá e Quixeramobim, cidades conhecidas por aparições dos OVNIs.

O intuito é, em conjunto com os entrevistados, reconstruir as situações em imagem e, também com os relatos, elaborar pequenos textos para dar o tom de instrução.

A ideia de Helenita Matos veio após assistir uma reportagem com um morador da região, que contava a experiência dele e da família relatando aparições de discos voadores. Nela, ele também relatava que o pai orientava a se proteger nessas situações.

“Eu já tinha conhecimento dessas histórias por lá, mas não da possibilidade desse tipo de conhecimento passar de pai pra filho. E esse tipo de relação, ao qual passei a colocar dentro do âmbito de sabedoria popular e oralidade, foi o mote pra criação do projeto”, explicou a artista.

Helenita Matos trabalha com fotografia e cinema/vídeo e tem interesse em questões do corpo-político feminino e de tratar questões do imaginário, situações surreais, mas muito próximas ao cotidiano das pessoas. Ainda em fase de pesquisa, as histórias dos entrevistados vão guiar o projeto.

helenita, artista, fotógrafa

A artista e fotógrafa Helenita Matos vai pesquisar histórias sobre a aparição de óvnis. (FOTO: Arquivo Pessoal)

“No projeto, estou partindo do imaginário, das narrativas, para possivelmente encontrar outras questões por lá. Procuro um caminho mais fluído pra me abrir pras narrativas, sabe? Pra ouvir as histórias de quem mora lá. Sempre com muito respeito e cuidado. Outra coisa que quero me desvencilhar é da veracidade das narrativas. Procurar se aquilo de fato ocorreu ou se é tudo ‘história que o povo conta’ não cabe à pesquisa. O que quero procurar são as narrativas em si, e que relações elas produzem no cotidiano”, explicou.

As narrativas do imaginário também são uma verdade, uma realidade paralela que o saber popular testemunha regularmente na região. Mas, além dos moradores, pessoas que pesquisam ufologia também serão ouvidas. Helenita explica o processo.

“Vou saber de quem vivenciou os casos como se dá essa identificação, e até se é possível mesmo identificá-los. A questão de proteção, há mesmo uma ambiguidade, alguns relatos que ouvi, em maioria, falaram ter medo desse tipo de situação, já outras pessoas contam que elas foram salvas em determinado momento de suas vidas”, revelou a pesquisadora, que espera publicar o material ao fim do processo.

LabX

O Laboratório Porto Iracema selecionou 22 projetos que serão desenvolvidos na 6ª edição do Laboratórios Criação do Porto Iracema das Artes, em 2018. O LabX envolve cinema, dança, artes visuais, teatro e música, e é um momento em que os grupos trocam conhecimento em busca de criar conexões estéticas entre eles.

O processo seletivo teve recorde de inscritos (425) e durou três meses. Do Nordeste, foram dois selecionados. Entre eles, o Manual de Identificação e Proteção de Objetos Voadores Não Identificados. Os selecionados vão receber bolsa mensal, auxílio técnico das coordenações dos laboratórios e terão a estrutura da escola à disposição, além de oficinas de formação.

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APARIÇÕES DE DISCOS

Projeto de artista cearense vai criar manual de identificação e proteção contra OVNIs

A fotógrafa Helenita Matos vai em busca de registrar histórias de moradores de Quixadá e Quixeramobim, além de recriar situações descritas

Por Crisneive Silveira em Cultura

11 de junho de 2018 às 07:15

Há 6 meses
disco-voador

A ideia do projeto é ouvir moradores de cidades cearenses sobre a presença de ovnis. (FOTO: Freepik)

“Há mais coisas entre o céu e a terra do que pode imaginar nossa vã filosofia”. As palavras do poeta e dramaturgo inglês William Shakespeare traduzem bem todo o ar de mistério que envolve o Manual de Identificação e Proteção de Objetos Voadores Não Identificados.

O projeto da artista e pesquisadora cearense Helenita Matos está entre os 22 selecionados para participar do Laboratório de Criação do Porto Iracema das Artes em 2018, e quer ouvir moradores de cidades cearenses sobre a aparição de discos voadores, além de registrar as histórias.

Através da contação de histórias dos moradores, a ideia é construir um manual de proteção em situação de aparições de discos-voadores. O trabalho vai ser realizado pela região de Quixadá e Quixeramobim, cidades conhecidas por aparições dos OVNIs.

O intuito é, em conjunto com os entrevistados, reconstruir as situações em imagem e, também com os relatos, elaborar pequenos textos para dar o tom de instrução.

A ideia de Helenita Matos veio após assistir uma reportagem com um morador da região, que contava a experiência dele e da família relatando aparições de discos voadores. Nela, ele também relatava que o pai orientava a se proteger nessas situações.

“Eu já tinha conhecimento dessas histórias por lá, mas não da possibilidade desse tipo de conhecimento passar de pai pra filho. E esse tipo de relação, ao qual passei a colocar dentro do âmbito de sabedoria popular e oralidade, foi o mote pra criação do projeto”, explicou a artista.

Helenita Matos trabalha com fotografia e cinema/vídeo e tem interesse em questões do corpo-político feminino e de tratar questões do imaginário, situações surreais, mas muito próximas ao cotidiano das pessoas. Ainda em fase de pesquisa, as histórias dos entrevistados vão guiar o projeto.

helenita, artista, fotógrafa

A artista e fotógrafa Helenita Matos vai pesquisar histórias sobre a aparição de óvnis. (FOTO: Arquivo Pessoal)

“No projeto, estou partindo do imaginário, das narrativas, para possivelmente encontrar outras questões por lá. Procuro um caminho mais fluído pra me abrir pras narrativas, sabe? Pra ouvir as histórias de quem mora lá. Sempre com muito respeito e cuidado. Outra coisa que quero me desvencilhar é da veracidade das narrativas. Procurar se aquilo de fato ocorreu ou se é tudo ‘história que o povo conta’ não cabe à pesquisa. O que quero procurar são as narrativas em si, e que relações elas produzem no cotidiano”, explicou.

As narrativas do imaginário também são uma verdade, uma realidade paralela que o saber popular testemunha regularmente na região. Mas, além dos moradores, pessoas que pesquisam ufologia também serão ouvidas. Helenita explica o processo.

“Vou saber de quem vivenciou os casos como se dá essa identificação, e até se é possível mesmo identificá-los. A questão de proteção, há mesmo uma ambiguidade, alguns relatos que ouvi, em maioria, falaram ter medo desse tipo de situação, já outras pessoas contam que elas foram salvas em determinado momento de suas vidas”, revelou a pesquisadora, que espera publicar o material ao fim do processo.

LabX

O Laboratório Porto Iracema selecionou 22 projetos que serão desenvolvidos na 6ª edição do Laboratórios Criação do Porto Iracema das Artes, em 2018. O LabX envolve cinema, dança, artes visuais, teatro e música, e é um momento em que os grupos trocam conhecimento em busca de criar conexões estéticas entre eles.

O processo seletivo teve recorde de inscritos (425) e durou três meses. Do Nordeste, foram dois selecionados. Entre eles, o Manual de Identificação e Proteção de Objetos Voadores Não Identificados. Os selecionados vão receber bolsa mensal, auxílio técnico das coordenações dos laboratórios e terão a estrutura da escola à disposição, além de oficinas de formação.