Primeira mulher presidente de associação de vaqueiros é uma das atrações da Bienal do Livro
CULTURA NORDESTINA

Primeira mulher presidente de associação de vaqueiros é uma das atrações da Bienal do Livro

O evento é realizado até o dia 23 de abril, no Centro de Eventos do Ceará, e conta com debates e palestras

Por Ana Clara Jovino em Cultura

20 de abril de 2017 às 06:45

Há 3 meses

Na prosa, os homens eram maioria, mas quem se destacava mesmo era Mestre Dina (FOTO: Ana Clara Jovino/Tribuna do Ceará)

Quem passou pelo auditório Mestres e Mestras da Cultura do Ceará, na XII Bienal Internacional do Livro, teve a oportunidade de saber sobre como é a vida de uma figura tão importante para a cultura e história do estado, o sertanejo.

O evento promoveu um encontro que mais parecia uma boa conversa de calçada no interior, com os mestres da cultura popular Mestre Dina, vaqueira aboiadora de Canindé, o Mestre Pedro Coelho, vaqueiro aboiador e poeta de Acopiara e o Mestre Lucas Evangelista, cordelista de Iguatu, com mediação de Otávio Menezes, na tarde de segunda-feira (17).

Na prosa, os homens eram maioria, mas quem se destacava mesmo era Mestre Dina, simplesmente por ser uma vaqueira forte, corajosa e orgulhosa de ter uma vida dedicada ao sertão.

De gibão e chapéu de couro, feitos por Espedito Seleiro, Dina Maria Martins Lima, nascida em uma fazenda próxima de Canindé, conta que se interessou pelo ofício de vaqueira quando ainda era criança, observando o pai e o irmão cuidando do rebanho da família.

Mestre Dina foi naturalmente feminista, em uma época em que o movimento não tinha tanta repercussão, ao escolher uma profissão em que a maioria eram homens. Porém, a ideia de que o sertão é um cenário machista foi contrariado, pois ela teve apoio dos homens, do seu pai e de seu marido principalmente, ao exercer atividades tradicionalmente destinadas aos homens.

Quando assumiu então a presidência da Associação dos Vaqueiros e Aboiadores do Sertão Central, onde permaneceu por seis mandatos, ela relata que percebeu uma resistência de alguns, mas o respeito foi algo fundamental para mudar a situação.

“Tinha algumas pessoas que discriminavam. Eu tinha muito respeito por eles e eles também por mim, aqueles amigos que são fieis estavam sempre do meu lado. Eu também não dava muito cartaz não”, conta.

Atualmente viúva, Mestra Dina dá o recado para os pretendentes cantando “Eu sou mestra da cultura, sou vaqueira e sou mulher, o homem pra me ganhar não é homem qualquer”.

O Auditório Mestres e Mestras da Cultura do Ceará recebe os mestres da cultura cearense na XII Bienal Internacional do Livro, realizada até o dia 23 de abril, no Centro de Eventos do Ceará, com entrada gratuita. O evento ainda conta com programação com debates, palestras, lançamentos de livros, shows e a tradicional feira de livros.

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Primeira mulher presidente de associação de vaqueiros é uma das atrações da Bienal do Livro

O evento é realizado até o dia 23 de abril, no Centro de Eventos do Ceará, e conta com debates e palestras

Por Ana Clara Jovino em Cultura

20 de abril de 2017 às 06:45

Há 3 meses

Na prosa, os homens eram maioria, mas quem se destacava mesmo era Mestre Dina (FOTO: Ana Clara Jovino/Tribuna do Ceará)

Quem passou pelo auditório Mestres e Mestras da Cultura do Ceará, na XII Bienal Internacional do Livro, teve a oportunidade de saber sobre como é a vida de uma figura tão importante para a cultura e história do estado, o sertanejo.

O evento promoveu um encontro que mais parecia uma boa conversa de calçada no interior, com os mestres da cultura popular Mestre Dina, vaqueira aboiadora de Canindé, o Mestre Pedro Coelho, vaqueiro aboiador e poeta de Acopiara e o Mestre Lucas Evangelista, cordelista de Iguatu, com mediação de Otávio Menezes, na tarde de segunda-feira (17).

Na prosa, os homens eram maioria, mas quem se destacava mesmo era Mestre Dina, simplesmente por ser uma vaqueira forte, corajosa e orgulhosa de ter uma vida dedicada ao sertão.

De gibão e chapéu de couro, feitos por Espedito Seleiro, Dina Maria Martins Lima, nascida em uma fazenda próxima de Canindé, conta que se interessou pelo ofício de vaqueira quando ainda era criança, observando o pai e o irmão cuidando do rebanho da família.

Mestre Dina foi naturalmente feminista, em uma época em que o movimento não tinha tanta repercussão, ao escolher uma profissão em que a maioria eram homens. Porém, a ideia de que o sertão é um cenário machista foi contrariado, pois ela teve apoio dos homens, do seu pai e de seu marido principalmente, ao exercer atividades tradicionalmente destinadas aos homens.

Quando assumiu então a presidência da Associação dos Vaqueiros e Aboiadores do Sertão Central, onde permaneceu por seis mandatos, ela relata que percebeu uma resistência de alguns, mas o respeito foi algo fundamental para mudar a situação.

“Tinha algumas pessoas que discriminavam. Eu tinha muito respeito por eles e eles também por mim, aqueles amigos que são fieis estavam sempre do meu lado. Eu também não dava muito cartaz não”, conta.

Atualmente viúva, Mestra Dina dá o recado para os pretendentes cantando “Eu sou mestra da cultura, sou vaqueira e sou mulher, o homem pra me ganhar não é homem qualquer”.

O Auditório Mestres e Mestras da Cultura do Ceará recebe os mestres da cultura cearense na XII Bienal Internacional do Livro, realizada até o dia 23 de abril, no Centro de Eventos do Ceará, com entrada gratuita. O evento ainda conta com programação com debates, palestras, lançamentos de livros, shows e a tradicional feira de livros.