Espedito Seleiro, o regional-cosmopolita: conheça o homenageado na 3ª edição do Tribuna de Honra

HOMENAGEM

Espedito Seleiro, o regional-cosmopolita: conheça o homenageado na 3ª edição do Tribuna de Honra

Vida e obra do artesão são contados pelos veículos do Sistema Jangadeiro em matérias especiais e documentário ao longo desta semana

Por Lucas Barbosa em Cultura

24 de agosto de 2017 às 06:45

Há 3 meses
Mestre Espedito é reconhecido internacionalmente (FOTO: Mateus Uranos/Divulgação)

Mestre Espedito em sua oficina: uma grife internacional (FOTO: Mateus Uranos/Divulgação)

Espedito Veloso Carvalho é o filho típico do Sertão Nordestino. Nasceu em Campos Sales, a 596 quilômetros da Capital. O mais velho de onze filhos de uma dona de casa com um vaqueiro que, ao término do expediente, fazia as selas e vestes de couro que ele e os colegas usavam no trato do gado.

Foi com o pai, ainda criança, que ele aprendeu o ofício que o daria o derradeiro sobrenome. Seu Raimundo já havia aprendido com o pai, Antônio, que aprendeu também com o pai, em uma espiral de pelo menos cinco gerações.

As armas para enfrentar a caatinga feitas pelo clã já haviam ornado até mesmo o maior desses guerreiros, Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião. A famosa sandália quadrada, que impedia precisar a direção deixada pelas pegadas, foi feita pelo pai de Espedito, que, ao descobrir de quem era a encomenda, nem sequer queria receber o pagamento.

Mas, em meados dos anos 1970, os clientes típicos começavam a minguar. Os vaqueiros, ciganos e tropeiros começaram a rarear em meio à vida urbana e a migração para as capitais e o Sul do País. Ameaçavam levar consigo a arte que os trajava e dava identidade — assim como o sustento da família de Espedito. Em 1971, morre Seu Raimundo e coube a Espedito, já em Nova Olinda (no Cariri cearense), o sustento dos irmãos mais novos.

É quando a tradição se encontra com a modernidade e o mundo começa a conhecer a arte de Espedito. É quando figuras como o educador Alemberg Quindins, criador da Fundação Casa Grande, passam a desfilar com a sandália de Lampião. Assim como uma outra figura mítica do Nordeste: Luiz Gonzaga. Espedito também costuma creditar à socióloga Violeta Arraes, reitora da Universidade Regional do Cariri (Urca), a expansão e incentivo de sua obra.

De humildes vaqueiros as obras passam a servir doutores, intelectuais e formadores de opinião nos quatro cantos do País e até do mundo. Espedito não só reproduzia o modelo de gerações e gerações, como inovava.

Sem descaracterizar a arte secular, o couro começou a ganhar as tinturas da casca do angico, o preto do barro, o vermelho do urucum, o branco do cantingueiro. O colorido e o desenho tornavam únicas

E assim Nova Olinda foi posta no mapa da moda mundial. Espedito passou a produzir para marcas famosas do País e do mundo, virando até tema de coleção no São Paulo Fashon Week. Bolsas, cintos, carteiras, baús, cadeiras. Mas também capas para celulares e tablets e selas de moto.

Passou a fornecer peças de caracterização de novelas e filmes. Foi ainda estudado em inúmeros trabalhos acadêmicos. As peças viraram museu.

O trabalho foi reconhecido ainda em outras searas. Em 2008, Espedito foi diplomado “Tesouro Vivo” e seu nome inscrito no registro dos mestres da cultura tradicional popular. Em 2011, Espedito foi homenageado com a Ordem do Mérito Cultural, do Ministério da Cultura.

Homenageado no Tribuna de Honra

E agora é o homenageado no 3º Tribuna de Honra. Além disso ele ganha matérias especiais nas TVs Jangadeiro e Nordestv, na Rede Jangadeiro FM e na Tribuna Band News FM. E aqui no Tribuna do Ceará é tema de um hotsite especial com um pouco mais da vida e obra de Espedito.

Um documentário especial será exibido na sexta-feira (25), às 18h35min na Nordestv e 19 horas na TV Jangadeiro. O programa será incorporado ao hotsite do Tribuna do Ceará a partir da sexta à noite.

Ao mesmo tempo, no Cinema do Dragão do Mar, em Fortaleza, convidados assistem a uma sessão exclusiva do documentário. Na sexta seguinte (31), a sessão é repetida em Nova Olinda, cidade que projetou Espedito — e vice-versa.

Saiba Mais

O Tribuna de Honra é oferecido desde 2014, sempre a um cearense que em sua trajetória ajudou a construir um Ceará melhor. A primeira edição do Tribuna de Honra, em 2014 premiou Ivens Dias Branco, o homem que fez de uma padaria familiar a maior empresa da América Latina no segmento de massas e biscoitos.

Já em 2015 foi a vez do empresário Beto Studart, o homem que construiu a maior empresa de agroquímica do país, além de ser filantropo e presidente da BSPAR, uma das maiores construtoras do Ceará.

Serviço

Documentário Especial 

25/8 — Nordestv, às 18h35min
25/8 — TV Jangadeiro, às 19 horas

Reportagens Especiais

Em telejornais e inserções na TV Jangadeiro, Nordestv, Rede Jangadeiro FM, Rádio Tribuna Bandnews FM, além de uma página exclusiva no portal Tribuna do Ceará.

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Espedito Seleiro, o regional-cosmopolita: conheça o homenageado na 3ª edição do Tribuna de Honra

Vida e obra do artesão são contados pelos veículos do Sistema Jangadeiro em matérias especiais e documentário ao longo desta semana

Por Lucas Barbosa em Cultura

24 de agosto de 2017 às 06:45

Há 3 meses
Mestre Espedito é reconhecido internacionalmente (FOTO: Mateus Uranos/Divulgação)

Mestre Espedito em sua oficina: uma grife internacional (FOTO: Mateus Uranos/Divulgação)

Espedito Veloso Carvalho é o filho típico do Sertão Nordestino. Nasceu em Campos Sales, a 596 quilômetros da Capital. O mais velho de onze filhos de uma dona de casa com um vaqueiro que, ao término do expediente, fazia as selas e vestes de couro que ele e os colegas usavam no trato do gado.

Foi com o pai, ainda criança, que ele aprendeu o ofício que o daria o derradeiro sobrenome. Seu Raimundo já havia aprendido com o pai, Antônio, que aprendeu também com o pai, em uma espiral de pelo menos cinco gerações.

As armas para enfrentar a caatinga feitas pelo clã já haviam ornado até mesmo o maior desses guerreiros, Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião. A famosa sandália quadrada, que impedia precisar a direção deixada pelas pegadas, foi feita pelo pai de Espedito, que, ao descobrir de quem era a encomenda, nem sequer queria receber o pagamento.

Mas, em meados dos anos 1970, os clientes típicos começavam a minguar. Os vaqueiros, ciganos e tropeiros começaram a rarear em meio à vida urbana e a migração para as capitais e o Sul do País. Ameaçavam levar consigo a arte que os trajava e dava identidade — assim como o sustento da família de Espedito. Em 1971, morre Seu Raimundo e coube a Espedito, já em Nova Olinda (no Cariri cearense), o sustento dos irmãos mais novos.

É quando a tradição se encontra com a modernidade e o mundo começa a conhecer a arte de Espedito. É quando figuras como o educador Alemberg Quindins, criador da Fundação Casa Grande, passam a desfilar com a sandália de Lampião. Assim como uma outra figura mítica do Nordeste: Luiz Gonzaga. Espedito também costuma creditar à socióloga Violeta Arraes, reitora da Universidade Regional do Cariri (Urca), a expansão e incentivo de sua obra.

De humildes vaqueiros as obras passam a servir doutores, intelectuais e formadores de opinião nos quatro cantos do País e até do mundo. Espedito não só reproduzia o modelo de gerações e gerações, como inovava.

Sem descaracterizar a arte secular, o couro começou a ganhar as tinturas da casca do angico, o preto do barro, o vermelho do urucum, o branco do cantingueiro. O colorido e o desenho tornavam únicas

E assim Nova Olinda foi posta no mapa da moda mundial. Espedito passou a produzir para marcas famosas do País e do mundo, virando até tema de coleção no São Paulo Fashon Week. Bolsas, cintos, carteiras, baús, cadeiras. Mas também capas para celulares e tablets e selas de moto.

Passou a fornecer peças de caracterização de novelas e filmes. Foi ainda estudado em inúmeros trabalhos acadêmicos. As peças viraram museu.

O trabalho foi reconhecido ainda em outras searas. Em 2008, Espedito foi diplomado “Tesouro Vivo” e seu nome inscrito no registro dos mestres da cultura tradicional popular. Em 2011, Espedito foi homenageado com a Ordem do Mérito Cultural, do Ministério da Cultura.

Homenageado no Tribuna de Honra

E agora é o homenageado no 3º Tribuna de Honra. Além disso ele ganha matérias especiais nas TVs Jangadeiro e Nordestv, na Rede Jangadeiro FM e na Tribuna Band News FM. E aqui no Tribuna do Ceará é tema de um hotsite especial com um pouco mais da vida e obra de Espedito.

Um documentário especial será exibido na sexta-feira (25), às 18h35min na Nordestv e 19 horas na TV Jangadeiro. O programa será incorporado ao hotsite do Tribuna do Ceará a partir da sexta à noite.

Ao mesmo tempo, no Cinema do Dragão do Mar, em Fortaleza, convidados assistem a uma sessão exclusiva do documentário. Na sexta seguinte (31), a sessão é repetida em Nova Olinda, cidade que projetou Espedito — e vice-versa.

Saiba Mais

O Tribuna de Honra é oferecido desde 2014, sempre a um cearense que em sua trajetória ajudou a construir um Ceará melhor. A primeira edição do Tribuna de Honra, em 2014 premiou Ivens Dias Branco, o homem que fez de uma padaria familiar a maior empresa da América Latina no segmento de massas e biscoitos.

Já em 2015 foi a vez do empresário Beto Studart, o homem que construiu a maior empresa de agroquímica do país, além de ser filantropo e presidente da BSPAR, uma das maiores construtoras do Ceará.

Serviço

Documentário Especial 

25/8 — Nordestv, às 18h35min
25/8 — TV Jangadeiro, às 19 horas

Reportagens Especiais

Em telejornais e inserções na TV Jangadeiro, Nordestv, Rede Jangadeiro FM, Rádio Tribuna Bandnews FM, além de uma página exclusiva no portal Tribuna do Ceará.