Cearense transforma a própria casa em intervenção artística; conheça o site-specific de Cláudia Sampaio


Cearense transforma a própria casa em intervenção artística

Conheça o site-specific de Cláudia Sampaio: palavras, desenhos, grafites e objetos habitam a casa da artista plástica, que já teve elementos expostos na Europa

Por Ana Beatriz Leite em Cultura

22 de setembro de 2015 às 07:00

Há 3 anos
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Cláudia Sampaio é dona da “casa-intervenção” em Fortaleza (Foto: Cláudia Sampaio)

A criação de um artista costuma vir como uma epifania: as ideias repentinamente clareiam e nasce a obra. Mas como a criatividade é traiçoeira, o processo nem sempre acontece nessa ordem. Quando Cláudia Sampaio começou a rabiscar as paredes de sua casa, numa noite de insônia em meados de 2004, mal imaginava que aquelas palavras eram mais que um desabafo, mas o início de algo maior. Muito menos imaginava que aquele espaço que chamava de lar se tornaria sua maior obra de arte.

O conceito de site-specific mais tarde tomou parte no processo de criação, ajudando a artista-plástica a entender aqueles elementos que pouco a pouco habitavam sua casa, podendo melhor desenvolvê-los.

Cunhado nos anos 60, esse tipo de arte surgiu como alternativa para os produtores fora do círculo museológico e galerístico, que ansiavam criar e levar sua obra ao público e, para isso, se apropriavam de espaços para sua criação. Diferentemente da instalação, conceito que surgiu dessa arte que interage com o espaço, móvel e efêmera, o site-specific se firma no concreto e lá permanece.

Ao invés do papel ou tela, Cláudia escolheu as paredes para preencher com seus pensamentos. As palavras e rascunhos iniciais começaram a abrir espaço para desenhos, grafites e objetos, dos mais diversos, que começaram a se arrastar e ocupar outros cômodos.

A casa, aqui protagonista, era de seus pais e se tornou seu lar quando ainda menina, lar que, já mais velha, deixou por uma longa temporada. Quando foi o tempo do tão esperado retorno, porém, a artista percebeu que havia perdido o vínculo com aquele espaço.

“Eu voltei com uns 29, 30 anos, e queria que a casa me acolhesse de novo. Tive que adaptar a casa para me receber e a forma que encontrei foi trabalhar nela: comecei a colocar textos, imagens nas paredes, e comecei a criar um grande painel, que tivesse a ver com a minha vida”, explica.

Nesse período, Cláudia ocupava o térreo da casa, enquanto seus pais ocupavam o andar de cima. Desde então, o projeto que, segundo palavras da própria criadora, é um trabalho transpessoal de memória afetiva, se expandiu e passou por diversas etapas, que refletem as fases de sua dona. Viver dentro de sua arte, porém, não é uma tarefa fácil e a casa-intervenção, criada para acolher, passou a ter o efeito oposto: “A casa foi de certa forma me acolhendo e me expulsando ao mesmo tempo”, conta a artista.

Depois de ter a casa inteira para si durante um tempo, quando seus pais decidiram se mudar, tomou a decisão de encontrar outro lar para si. “Tem que ter um desapego com o local, mas a casa acaba me aprisionando porque é uma obra. Eu saí e não sei se vou voltar“, revela.

A artista-plástica abre a casa para visitação com uma frequência média de duas vezes ao ano, com o projeto “Portas Abertas”. A arte da cearense está no concreto mas também trava diálogo com outros espaços. O sudeste do Brasil e a Europa são alguns dos locais que já receberam pedaços da casa-intervenção em exposições em museus e galerias. Mesmo não morando mais no espaço, Cláudia continua desenvolvendo diversos projetos dentro da casa, que passa agora por sua 7ª etapa.

Serviço
Facebook – Casa Intervenção por: Claudia Sampaio

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(FOTO: Fernanda Moura/Tribuna do Ceará)

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Há 3 anos
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Cláudia Sampaio é dona da “casa-intervenção” em Fortaleza (Foto: Cláudia Sampaio)

A criação de um artista costuma vir como uma epifania: as ideias repentinamente clareiam e nasce a obra. Mas como a criatividade é traiçoeira, o processo nem sempre acontece nessa ordem. Quando Cláudia Sampaio começou a rabiscar as paredes de sua casa, numa noite de insônia em meados de 2004, mal imaginava que aquelas palavras eram mais que um desabafo, mas o início de algo maior. Muito menos imaginava que aquele espaço que chamava de lar se tornaria sua maior obra de arte.

O conceito de site-specific mais tarde tomou parte no processo de criação, ajudando a artista-plástica a entender aqueles elementos que pouco a pouco habitavam sua casa, podendo melhor desenvolvê-los.

Cunhado nos anos 60, esse tipo de arte surgiu como alternativa para os produtores fora do círculo museológico e galerístico, que ansiavam criar e levar sua obra ao público e, para isso, se apropriavam de espaços para sua criação. Diferentemente da instalação, conceito que surgiu dessa arte que interage com o espaço, móvel e efêmera, o site-specific se firma no concreto e lá permanece.

Ao invés do papel ou tela, Cláudia escolheu as paredes para preencher com seus pensamentos. As palavras e rascunhos iniciais começaram a abrir espaço para desenhos, grafites e objetos, dos mais diversos, que começaram a se arrastar e ocupar outros cômodos.

A casa, aqui protagonista, era de seus pais e se tornou seu lar quando ainda menina, lar que, já mais velha, deixou por uma longa temporada. Quando foi o tempo do tão esperado retorno, porém, a artista percebeu que havia perdido o vínculo com aquele espaço.

“Eu voltei com uns 29, 30 anos, e queria que a casa me acolhesse de novo. Tive que adaptar a casa para me receber e a forma que encontrei foi trabalhar nela: comecei a colocar textos, imagens nas paredes, e comecei a criar um grande painel, que tivesse a ver com a minha vida”, explica.

Nesse período, Cláudia ocupava o térreo da casa, enquanto seus pais ocupavam o andar de cima. Desde então, o projeto que, segundo palavras da própria criadora, é um trabalho transpessoal de memória afetiva, se expandiu e passou por diversas etapas, que refletem as fases de sua dona. Viver dentro de sua arte, porém, não é uma tarefa fácil e a casa-intervenção, criada para acolher, passou a ter o efeito oposto: “A casa foi de certa forma me acolhendo e me expulsando ao mesmo tempo”, conta a artista.

Depois de ter a casa inteira para si durante um tempo, quando seus pais decidiram se mudar, tomou a decisão de encontrar outro lar para si. “Tem que ter um desapego com o local, mas a casa acaba me aprisionando porque é uma obra. Eu saí e não sei se vou voltar“, revela.

A artista-plástica abre a casa para visitação com uma frequência média de duas vezes ao ano, com o projeto “Portas Abertas”. A arte da cearense está no concreto mas também trava diálogo com outros espaços. O sudeste do Brasil e a Europa são alguns dos locais que já receberam pedaços da casa-intervenção em exposições em museus e galerias. Mesmo não morando mais no espaço, Cláudia continua desenvolvendo diversos projetos dentro da casa, que passa agora por sua 7ª etapa.

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