Halder Gomes, diretor dos dois filmes mais vistos na história do Ceará, já mira o 3º e 4º sucessos
ENTREVISTA

Halder Gomes, diretor dos dois filmes mais vistos na história do Ceará, já mira o 3º sucesso

Homenageado no Curta Canoa, Halder Gomes fala sobre a próxima novidade após Cine Holliúdy (2013) e O Shaolin do Sertão (2016)

Por Ana Clara Jovino em Cinema

22 de dezembro de 2016 às 07:00

Há 8 meses
(FOTO: Selma Lima/Curta Canoa)

O cineasta cearense recebeu o troféu Lua e Estrela porque é considerado um fomentador e divulgador da cultura cearense (FOTO: Selma Lima/Curta Canoa)

Halder Gomes, o diretor dos dois filmes mais vistos de todos os tempos no Ceará, “Cine Holliúdy” (2013) e “O Shaolin do Sertão” (2016), foi o grande homenageado da 11ª edição do Festival Latino-Americano de Cinema de Canoa Quebrada, o Curta Canoa 2016, realizado nos últimos dias na famosa praia do município de Aracati.

O cineasta cearense recebeu o troféu Lua e Estrela porque é considerado um fomentador e divulgador da cultura cearense. Uma das características do diretor é representar um Ceará saudoso no cinema, mostrando as peculiaridades do estado e como o cearense é na sua essência, bem-humorado e simpático.

Em entrevista ao Tribuna do Ceará, Halder garante que isso acontece de uma forma natural e sem pretensões, tanto que a identificação do seu principal público, os cearenses, é instantânea e automática.

Halder não hesita em assumir o sucesso de suas produções cinematográficas e revela o que acredita ser o segredo do sucesso. Acima de tudo, o cearense acredita que algo só será bem sucedido quando se baseia na verdade. Sendo assim, seus filmes têm uma identidade porque imprimem sua personalidade e retratam suas vivências.

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Além de cineasta, Halder é artista plástico e mestre em Taekwondo (FOTO: Selma Lima/Curta Canoa)

O diretor nasceu em Fortaleza há 49 anos, iniciou sua carreira cinematográfica como dublê em Los Angeles, nos Estados Unidos, nos anos 90. Além de cineasta, é formado em administração de empresas, é artista plástico e mestre em taekwondo.

Em 2004, Halder lançou o curta-metragem “Cine Holliúdy – O Artista Contra o Caba do Mal”, que deu origem a “Cine Holliúdy”. O longa teve quase meio milhão de espectadores, faturando aproximadamente R$ 5 milhões. Já “O Shaolin do Sertão” foi lançado em outubro de 2016 e teve um orçamento quatro vezes maior que o primeiro longa do cearense, e já passou dos 600 mil espectadores em todo o país.

Os dois filmes conseguiram um feito raro no Brasil: bateram as produções de Hollywood como filmes mais vistos em um estado brasileiro, no caso o Ceará.

Tribuna do Ceará: Quais as diferenças da produção do primeiro “Cine Holliúdy” para “O Shaolin do Sertão”?
Halder Gomes: Existe um processo evolutivo na carreira de qualquer profissional que gosta de se desafiar. “Cine Holliúdy” era um filme muito complexo, é um filme que eu assistindo até hoje percebo que é de uma execução muito difícil, foi feito com poucos recursos, mas mesmo assim a gente conseguiu um resultado que foi o sucesso que foi e um reconhecimento diante de uma concorrência tão letal do ponto de vista comercial. Acredito que a gente está na profissão para evoluir e para fazer filmes cada vez melhores. Eu considero “O Shaolin do Sertão” um filme superior ao “Cine Holliúdy” por questões de maturidade como profissional e por questões orçamentárias. No cinema, tempo é dinheiro e para ter esse tempo é preciso ter mais recursos. Além do desafio, eu gosto de me desafiar, de buscar, criar histórias que eu escrevo e depois fico pensando “Como é que eu vou fazer esse negócio”, então tenho que encontrar caminhos para fazer.

Tribuna: O que a gente pode esperar de “Cine Holliúdy 2”?
Halder: “Cine Holliúdy 2” vem com um proposta mais desafiadora ainda. A gente sempre tende a fazer filmes no Ceará buscando a nossa luz, que é a nossa matéria-prima mais importante, esse brilho que a gente tem com esse sol, mas eu estou fazendo o contrário. Eu vou fazer um filme em época de chuva porque eu quero um filme que tenha outra cor, que tenha o verde banhado pela chuva, que tenha nuvens pesadas, que tenha chuva, que tenha cara de filme que a gente não costuma fazer aqui. E quando eu me proponho a me desafiar e a fazer um filme em uma condição climática completamente adversa para o cinema, mas extremamente interessante para o look que eu quero fazer no filme, ele já me coloca em uma situação de procurar encrenca. O “Cine Holliúdy 2” fecha um trilogia involuntária, junto com “O Shaolin do Sertão” e o primeiro “Cine Holliúdy”, que é uma trilogia que fala da influência do cinema na cultura popular do estado. O “Cine Holliúdy” falou dos cineminhas no interior, quando nós tivemos a chegada predatória da TV, que os cinemas iam chegando porque não tinham a qualidade técnica para competir com a TV. Já “O Shaolin do Sertão” retrata o universo onde não era mais o cinema, mas o videocassete que ocupava esse fascínio dos aficionados por artes maciais, o videocassete era a grande janela para esse mundo. O “Cine Holliúdy 2” vem agora para resgatar o cinema feito no interior, o cinema mambembe feito no interior, porque sempre se produziu cinema no Ceará, no Brasil e no mundo em lugares que não tem condições técnicas nem financeiras, mas as pessoas com muita paixão buscam esse sonho. No Ceará nós temos vários exemplos de realizadores que filmam no interior para sua cidade. Então, esse cinema feito pela vontade, pelo desejo extremamente popular, ele faz parte desse universo à margem do cinema que a gente conhece, mas existe e é muito forte, muito presente e muito criativo. Então, o “Cine Holliúdy 2” vem para fechar essa trilogia, que não foi planejada, mas que se completa e vem com esse grande desafio de trazer um Francisgleydison que se meteu a ser cineasta.

Tribuna: Você é o cineasta cearense mais bem sucedido, que conseguiu alcançar números que ficam no mesmo patamar de produções nacionais e até internacionais. Qual o segredo do sucesso?
Halder: Eu sempre fui muito trabalhador, focado e determinado. Trago comigo uma vivência que a arte marcial me ensinou, que é a determinação, a perseverança, a compreensão de que você aprende com as derrotas e aprende com as vitórias também. Isso é um dos fatores que fizeram que minha carreira chegasse onde chegou, embora eu tenha completa compreensão de que tudo é efêmero, pode ser que amanhã não esteja mais e se não estiver está tudo bem também. Porém, tem outra coisa também, que eu busquei acima de tudo, fazer cinema do meu jeito, com a minha personalidade, com a minha verdade. Acho que quando você fala dos mundos que você vivenciou, que fazem parte da tua vida, você tem condições de contar melhores histórias. Então, eu nunca fiz cinema buscando reconhecimento de críticos, sem a preocupação de ser sofisticado, para tentar agradar alguns poucos. Quando você imprime a verdade, aquilo se torna uma marca. Eu acho que o sucesso do cinema, de um realizador passa por você conseguir uma maturidade técnica e artística, usando esses elementos para ter um poder de comunicação e você chega a um produto que é a sua cara, acho que o sucesso parte daí, porque se ficar tudo igual, ficar tudo muito parecido, nada se sobressai, vira uma coisa genérica e nada melhor do que você imprimir sua personalidade, que é algo extremamente original no que você faz. Quando você imprime sua originalidade, que pertence exclusivamente a você, a chance de ser bem sucedido é muito maior. O que eu sempre falo para todo mundo que está começando a fazer cinema é para fazer com a sua verdade, não fazer um filme para agradar fulano, para querer ser o que você não é. Você só vai ser bem sucedido se você mostrar quem você é, a arte está aí a vida inteira para mostrar isso.

Tribuna: Quais as maiores dificuldades de fazer cinema no Ceará?
Halder: Cinema é difícil em qualquer lugar do mundo, não tem lugar fácil não. O processo já é muito complexo, não tem filme fácil e essa complexidade passa pela disponibilidade dos recursos, você pode fazer um filme com a quantidade X de dinheiro e ter um sofrimento enorme e ter um pouco mais de dinheiro, o que minimiza o sofrimento, mas o método é o mesmo. No Ceará, especificamente, eu posso dizer que hoje em dia, o Ceará se enquadra dentro de um cenário nacional em que o Brasil é um dos lugares melhores do mundo para fazer cinema, poucos lugares na terra tem políticas de incentivo e de financiamento para o cinema como o Brasil. Obviamente que essas políticas de financiamento, de fundo setorial e de editais estão no patamar nacional que quem é daqui também tem o recurso. Então hoje, eu vejo o Brasil como um lugar privilegiado, em fomento para a produção, seja para quem vai fazer seu primeiro filme ou para quem já tem uma estrada de produção. Acho que o Ceará tem todos esses privilégios que o resto do Brasil tem com algo muito especial, que eu acho que sempre costumo olhar a dificuldade através do olhar da oportunidade. Se por um lado a gente está em um lugar distante do eixo Rio-São Paulo, nós temos aqui histórias, mais histórias inéditas do que nos outros lugares, porque nossas histórias são muitas e poucas foram contadas, nós temos um lugar que tem uma diversidade de locação incrível, o que torna o Ceará um lugar privilegiado, além da infraestrutura hoteleira e viária, o que facilita muita na logística de produção. Temos também a questão do talento dos profissionais e dos artistas, então nós temos um potencial muito maior do que é explorado e nós não percebemos por completo que temos muitos mais pontos favoráveis do que desfavoráveis. Eu sempre enxerguei isso, talvez esteja nesse momento da minha carreira porque sempre entendi isso como algo favorável e nunca como uma dificuldade.

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Halder Gomes, diretor dos dois filmes mais vistos na história do Ceará, já mira o 3º sucesso

Homenageado no Curta Canoa, Halder Gomes fala sobre a próxima novidade após Cine Holliúdy (2013) e O Shaolin do Sertão (2016)

Por Ana Clara Jovino em Cinema

22 de dezembro de 2016 às 07:00

Há 8 meses
(FOTO: Selma Lima/Curta Canoa)

O cineasta cearense recebeu o troféu Lua e Estrela porque é considerado um fomentador e divulgador da cultura cearense (FOTO: Selma Lima/Curta Canoa)

Halder Gomes, o diretor dos dois filmes mais vistos de todos os tempos no Ceará, “Cine Holliúdy” (2013) e “O Shaolin do Sertão” (2016), foi o grande homenageado da 11ª edição do Festival Latino-Americano de Cinema de Canoa Quebrada, o Curta Canoa 2016, realizado nos últimos dias na famosa praia do município de Aracati.

O cineasta cearense recebeu o troféu Lua e Estrela porque é considerado um fomentador e divulgador da cultura cearense. Uma das características do diretor é representar um Ceará saudoso no cinema, mostrando as peculiaridades do estado e como o cearense é na sua essência, bem-humorado e simpático.

Em entrevista ao Tribuna do Ceará, Halder garante que isso acontece de uma forma natural e sem pretensões, tanto que a identificação do seu principal público, os cearenses, é instantânea e automática.

Halder não hesita em assumir o sucesso de suas produções cinematográficas e revela o que acredita ser o segredo do sucesso. Acima de tudo, o cearense acredita que algo só será bem sucedido quando se baseia na verdade. Sendo assim, seus filmes têm uma identidade porque imprimem sua personalidade e retratam suas vivências.

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Além de cineasta, Halder é artista plástico e mestre em Taekwondo (FOTO: Selma Lima/Curta Canoa)

O diretor nasceu em Fortaleza há 49 anos, iniciou sua carreira cinematográfica como dublê em Los Angeles, nos Estados Unidos, nos anos 90. Além de cineasta, é formado em administração de empresas, é artista plástico e mestre em taekwondo.

Em 2004, Halder lançou o curta-metragem “Cine Holliúdy – O Artista Contra o Caba do Mal”, que deu origem a “Cine Holliúdy”. O longa teve quase meio milhão de espectadores, faturando aproximadamente R$ 5 milhões. Já “O Shaolin do Sertão” foi lançado em outubro de 2016 e teve um orçamento quatro vezes maior que o primeiro longa do cearense, e já passou dos 600 mil espectadores em todo o país.

Os dois filmes conseguiram um feito raro no Brasil: bateram as produções de Hollywood como filmes mais vistos em um estado brasileiro, no caso o Ceará.

Tribuna do Ceará: Quais as diferenças da produção do primeiro “Cine Holliúdy” para “O Shaolin do Sertão”?
Halder Gomes: Existe um processo evolutivo na carreira de qualquer profissional que gosta de se desafiar. “Cine Holliúdy” era um filme muito complexo, é um filme que eu assistindo até hoje percebo que é de uma execução muito difícil, foi feito com poucos recursos, mas mesmo assim a gente conseguiu um resultado que foi o sucesso que foi e um reconhecimento diante de uma concorrência tão letal do ponto de vista comercial. Acredito que a gente está na profissão para evoluir e para fazer filmes cada vez melhores. Eu considero “O Shaolin do Sertão” um filme superior ao “Cine Holliúdy” por questões de maturidade como profissional e por questões orçamentárias. No cinema, tempo é dinheiro e para ter esse tempo é preciso ter mais recursos. Além do desafio, eu gosto de me desafiar, de buscar, criar histórias que eu escrevo e depois fico pensando “Como é que eu vou fazer esse negócio”, então tenho que encontrar caminhos para fazer.

Tribuna: O que a gente pode esperar de “Cine Holliúdy 2”?
Halder: “Cine Holliúdy 2” vem com um proposta mais desafiadora ainda. A gente sempre tende a fazer filmes no Ceará buscando a nossa luz, que é a nossa matéria-prima mais importante, esse brilho que a gente tem com esse sol, mas eu estou fazendo o contrário. Eu vou fazer um filme em época de chuva porque eu quero um filme que tenha outra cor, que tenha o verde banhado pela chuva, que tenha nuvens pesadas, que tenha chuva, que tenha cara de filme que a gente não costuma fazer aqui. E quando eu me proponho a me desafiar e a fazer um filme em uma condição climática completamente adversa para o cinema, mas extremamente interessante para o look que eu quero fazer no filme, ele já me coloca em uma situação de procurar encrenca. O “Cine Holliúdy 2” fecha um trilogia involuntária, junto com “O Shaolin do Sertão” e o primeiro “Cine Holliúdy”, que é uma trilogia que fala da influência do cinema na cultura popular do estado. O “Cine Holliúdy” falou dos cineminhas no interior, quando nós tivemos a chegada predatória da TV, que os cinemas iam chegando porque não tinham a qualidade técnica para competir com a TV. Já “O Shaolin do Sertão” retrata o universo onde não era mais o cinema, mas o videocassete que ocupava esse fascínio dos aficionados por artes maciais, o videocassete era a grande janela para esse mundo. O “Cine Holliúdy 2” vem agora para resgatar o cinema feito no interior, o cinema mambembe feito no interior, porque sempre se produziu cinema no Ceará, no Brasil e no mundo em lugares que não tem condições técnicas nem financeiras, mas as pessoas com muita paixão buscam esse sonho. No Ceará nós temos vários exemplos de realizadores que filmam no interior para sua cidade. Então, esse cinema feito pela vontade, pelo desejo extremamente popular, ele faz parte desse universo à margem do cinema que a gente conhece, mas existe e é muito forte, muito presente e muito criativo. Então, o “Cine Holliúdy 2” vem para fechar essa trilogia, que não foi planejada, mas que se completa e vem com esse grande desafio de trazer um Francisgleydison que se meteu a ser cineasta.

Tribuna: Você é o cineasta cearense mais bem sucedido, que conseguiu alcançar números que ficam no mesmo patamar de produções nacionais e até internacionais. Qual o segredo do sucesso?
Halder: Eu sempre fui muito trabalhador, focado e determinado. Trago comigo uma vivência que a arte marcial me ensinou, que é a determinação, a perseverança, a compreensão de que você aprende com as derrotas e aprende com as vitórias também. Isso é um dos fatores que fizeram que minha carreira chegasse onde chegou, embora eu tenha completa compreensão de que tudo é efêmero, pode ser que amanhã não esteja mais e se não estiver está tudo bem também. Porém, tem outra coisa também, que eu busquei acima de tudo, fazer cinema do meu jeito, com a minha personalidade, com a minha verdade. Acho que quando você fala dos mundos que você vivenciou, que fazem parte da tua vida, você tem condições de contar melhores histórias. Então, eu nunca fiz cinema buscando reconhecimento de críticos, sem a preocupação de ser sofisticado, para tentar agradar alguns poucos. Quando você imprime a verdade, aquilo se torna uma marca. Eu acho que o sucesso do cinema, de um realizador passa por você conseguir uma maturidade técnica e artística, usando esses elementos para ter um poder de comunicação e você chega a um produto que é a sua cara, acho que o sucesso parte daí, porque se ficar tudo igual, ficar tudo muito parecido, nada se sobressai, vira uma coisa genérica e nada melhor do que você imprimir sua personalidade, que é algo extremamente original no que você faz. Quando você imprime sua originalidade, que pertence exclusivamente a você, a chance de ser bem sucedido é muito maior. O que eu sempre falo para todo mundo que está começando a fazer cinema é para fazer com a sua verdade, não fazer um filme para agradar fulano, para querer ser o que você não é. Você só vai ser bem sucedido se você mostrar quem você é, a arte está aí a vida inteira para mostrar isso.

Tribuna: Quais as maiores dificuldades de fazer cinema no Ceará?
Halder: Cinema é difícil em qualquer lugar do mundo, não tem lugar fácil não. O processo já é muito complexo, não tem filme fácil e essa complexidade passa pela disponibilidade dos recursos, você pode fazer um filme com a quantidade X de dinheiro e ter um sofrimento enorme e ter um pouco mais de dinheiro, o que minimiza o sofrimento, mas o método é o mesmo. No Ceará, especificamente, eu posso dizer que hoje em dia, o Ceará se enquadra dentro de um cenário nacional em que o Brasil é um dos lugares melhores do mundo para fazer cinema, poucos lugares na terra tem políticas de incentivo e de financiamento para o cinema como o Brasil. Obviamente que essas políticas de financiamento, de fundo setorial e de editais estão no patamar nacional que quem é daqui também tem o recurso. Então hoje, eu vejo o Brasil como um lugar privilegiado, em fomento para a produção, seja para quem vai fazer seu primeiro filme ou para quem já tem uma estrada de produção. Acho que o Ceará tem todos esses privilégios que o resto do Brasil tem com algo muito especial, que eu acho que sempre costumo olhar a dificuldade através do olhar da oportunidade. Se por um lado a gente está em um lugar distante do eixo Rio-São Paulo, nós temos aqui histórias, mais histórias inéditas do que nos outros lugares, porque nossas histórias são muitas e poucas foram contadas, nós temos um lugar que tem uma diversidade de locação incrível, o que torna o Ceará um lugar privilegiado, além da infraestrutura hoteleira e viária, o que facilita muita na logística de produção. Temos também a questão do talento dos profissionais e dos artistas, então nós temos um potencial muito maior do que é explorado e nós não percebemos por completo que temos muitos mais pontos favoráveis do que desfavoráveis. Eu sempre enxerguei isso, talvez esteja nesse momento da minha carreira porque sempre entendi isso como algo favorável e nunca como uma dificuldade.