Zezinho Albuquerque Archives - Página 2 de 2 - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Zezinho Albuquerque

E agora, José?

Por Wanfil em Partidos

28 de Abril de 2016

Deputados estaduais do Partido Progressista no Ceará criticam a intervenção do diretório nacional no comando estadual da legenda e acusam o deputado federal Adail Carneiro, que assumiu o controle do partido no lugar de Zé Linhares, de ter traído correligionários e aliados ao votar pelo impeachment de Dilma em troca do cargo, depois de ter garantido que votaria contra o afastamento. Adail afirma que tentou manter a palavra, mas se viu obrigado a mudar de posição, seguindo orientação da cúpula do PP.

Descontentamento
Quem puxou o coro dos descontentes do o deputado Fernando Hugo, destacado crítico do que ele chama “desgoverno do PT”, e que já foi do PSDB, do Solidariedade e recentemente filiou0-se ao PP, para compor a base estadual de apoio ao governo do… PT! Bom, eles que são do mesmo partido, que se entendam.

Super sincero
O que chamou mesmo a atenção foram as críticas feitas pelo presidente da Assembleia Legislativa, Zezinho Albuquerque, que apesar de ser do PDT, pediu desculpas a vereadores, prefeitos e deputados que entraram no PP a seu pedido. Por alguma razão, um pedetista, que até pouco tempo atrás era do PROS e antes do PSB, negociou filiações para o PP no Ceará. Zezinho disse ainda que usará de todos os meios legais para reverter a substituição de Zé Linhares por Adail Carneiro. Hã? Como assim? Quer dizer que o PDT tem que aprovar as decisões do PP?

É muito raro, quiçá inédito por aqui, ver alguém de um partido interferir publicamente dessa forma em questões internas de outro partido. Nem pra disfarçar…

Cartéis do voto
Fica claro que na atual conjuntura partidos (a maioria, pelo menos) não passam de instâncias burocráticas para homologar candidaturas, garantir tempo de propaganda e formalizar a fusão de projetos de poder com interesses pessoais. Por isso é comum ver lideranças políticas escalando prepostos, parentes, filhos e cônjuges em partidos diferentes, em consórcios que loteiam currais eleitorais. Não por acaso são contra o voto distrital.

O verdadeiro dono
Zezinho é ligado a Cid Gomes e controlava o PP através de Zé Linhares. Mesmo sendo do PDT, atraiu deputados para o PP na condição de articulador político dos Ferreira Gomes. Condição perdida, pois quem controla o PP é Ciro Nogueira, presidente Nacional da sigla e que apoia o impeachment, fato devidamente demonstrado pela  nomeação de Adail Carneiro no diretório estadual.

Essas frustrações não chegam a ser novidade para o grupo político liderado por Cid e Ciro. Foi a mesma coisa com o PSB de Eduardo Campos, o PPS de Roberto Freire e o PROS de Eurípedes Júnior, de onde saíram brigados. É o preço de não conseguir se fixar em sigla alguma. Parecem donos, mas não passam de inquilinos. A novidade agora é que o impeachment pode reduzir ainda mais as opções partidárias para a divisão governista.

Parodiando Drummond, fica a pergunta: E agora José? Está sem discurso, está sem PP, e tudo fugiu, e tudo mofou. E agora, José?

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Unidos no fracasso e nas desculpas

Por Wanfil em Política

05 de Fevereiro de 2016

No Brasil, confundiram harmonia entre os poderes com promiscuidade e subserviência. Montesquieu não merecia.

No Brasil, confundiram harmonia entre os poderes com promiscuidade e subserviência. Montesquieu não merecia.

Governistas de todos os níveis agora pregam a união do Brasil contra a crise econômica. Foi o que se viu durante a semana, por ocasião das solenidades de retorno das casas legislativas. Por união entenda-se a concordância automática com medidas que atenuem o desastre por eles causado e com as quais pretendem manter-se no poder que conquistaram ao passo em que destruíam a estabilidade da economia.

Com esse viés discursaram a presidente Dilma Rousseff e o senador Renan Calheiros, presidente do Senado; o governador Camilo Santana e o deputado estadual Zezinho Albuquerque, presidente da Assembleia Legislativa; bem como o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, e o vereador Salmito Filho, presidente da Câmara na capital cearense. A unidade retórica dessas autoridades não nasce do acaso ou de verdades incontestáveis, mas do arranjo político que as uniu na aliança eleitoral que hoje predomina em Fortaleza, no Ceará e no Brasil.

Origem
Esse apelo à união é bonito e remete à ideia de harmonia entre os poderes, distorcendo-lhe, porém, seu conceito original, que preconiza uma relação harmônica e INDEPENDENTE entre Legislativo, Judiciário e Executivo. Uma harmonia que pressupõe uma relação livre de interferências que atentem contra a independência de cada um. Resumindo, para Montesquieu, que foi quem definiu as bases dessa visão clássica sobre os poderes,  “só o poder freia o poder”. Nem ele, nem John Locke ou Jacques Rousseau pregaram a “união” incondicional dos poderes, presente nos governos absolutistas.

Jeitinho
No Brasil, essa, digamos, “solidariedade” que se pretende harmônica encontrou no fisiologismo ou mesmo na compra direta, como foi o caso do mensalão, sua fórmula de governabilidade, replicada nos estados e municípios.

No Ceará, a título de ilustração do que digo, a base aliada na Assembleia (e que controla a Casa) manobrou para adiar uma CPI que pretende investigar a construção de um aquário milionário, obra com diversos problemas na Justiça, abdicando temporariamente de seus deveres constitucionais em benefício, ou a serviço, de outro poder.

Vez por outra desentendimentos momentâneos podem dar a impressão de independência. Entretanto, via de regra, parlamentares dos mais variados naipes confundem o conceito de harmonia com a conveniência da intimidade eleitoral.

Papo furado
Ao contrário do discurso governista em curso, a união desses poderes não é a solução para a crise, pelo contrário: a subserviência do Legislativo diante do Executivo é uma de suas causas. Foi justamente a omissão do Legislativo no dever de fiscalizar as contas públicas que permitiu ao Executivo a liberdade de pedalar dívidas e maquiar números até que quebrar o País.

Se reformas eram necessárias, por que não foram discutidas antes, quando a maioria do governo era segura? Fingem ignorar o fato de que os impasses que atormentam o Palácio do Planalto decorrem do racha na base e não por sabotagem da oposição, que minoria, é incapaz de impor sua pauta.

Dilma, por exemplo, deseja recriar a CPMF e acena com a reforma da Previdência para consertar o estrago que fez. Para isso pede votos da oposição que ela acusa de ser golpista, enquanto seu próprio partido, o PT, e parceiros de esquerda, são contra, pois não querem arcar com o peso de medidas impopulares.

Pedir união nessas circunstâncias não passa de conversa mole, de cortina de fumaça, de quem deseja repassar ou dividir suas responsabilidades para terceiros, fazendo de conta que só agiu com as melhores intenções do mundo.

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Zezinho na Assembleia, Cunha na Câmara e Renan no Senado: a soma de todos os vícios

Por Wanfil em Política

02 de Fevereiro de 2015

Décimo Júnio Juvenal: "Os homens que têm os mesmo vícios, apoiam-se mutuamente".

Décimo Júnio Juvenal: “Os homens que têm os mesmo vícios apoiam-se mutuamente”.

O que significam as eleições de Zezinho Albuquerque (Pros) para a Assembleia Legislativa, Eduardo Cunha (PMDB) para a Câmara dos Deputados e Renan Calheiros (PMDB) para o Senado Federal? E o que eles têm em comum? A resposta é simples: que os vícios são a regra no ambiente político e institucional degradado em que vive o Brasil. Vamos aos casos.

Assembleia Legislativa do Ceará
A recondução de Zezinho Albuquerque à presidência da casa é a confirmação o legislativo estadual permanece submisso ao Palácio da Abolição, mais precisamente, ao comando político dos Ferreira Gomes. Esse é um vício antigo no Ceará: a sedução do governismo. Não por acaso somente uma chapa foi inscrita para a disputa. É que nessa hora um fenômeno intrigante suprime eventuais divergências dos deputados sobre o papel do parlamento, fazendo com que oposição e situação se entreguem a um irresistível desejo de se unirem, combinando em troca cargos na mesa diretora. Só PSOL ficou de fora (esses se unem apenas na hora de indicar consultores aos seus parlamentares). Quando deputados falam em unidade, na verdade estão dizendo: cada um com seu curral (com raras exceções que confirmam a regra).

Câmara dos Deputados
A briga entre PT e PMDB deu a impressão – aos mais ingênuos – de que uma fronteira ética entre os dois havia sido estabelecida. Petistas diziam que o PMDB era má companhia, vejam só. No final o peemedebista Eduardo Cunha derrotou o Planalto, mas não se trata de um opositor programático, apenas de um aliado que vende mais caro o apoio do partido. No fundo, é briga de casal, que gera ressentimento, algumas pequenas traições, mas que ainda não acaba em divórcio. Tanto é assim que o PT apoiou Renan Calheiros, do mesmo PMDB, para a presidência do Senado (próximo tópico).

Senado Federal
Renan Calheiros foi eleito com apoio do PT e do governo Dilma. Quando se trata de cumprir acordos, esse entrega o que o que foi combinado e – como vimos – recebe o que lhe foi prometido. Tem ainda todo o interesse e a expertise para atrapalhar as investigações na Petrobras, ou pelo menos impedir que os comandos do PMDB e do PT amigo sejam alcançados pela justiça.  É o velho Renan de guerra, que já foi ministro de Collor e que já renunciou o mandato de senador uma vez para não ser cassado. Portanto, hoje, quem é Lula (que no passado prometia acabar com a prática da cooptação), quem é Dilma, quem é governo e quem é PT, no fundo, parafraseando uma propaganda eleitoral, é um pouco Renan.

Vícios
Os processos para a escolha do comando desses parlamentos tiveram de tudo um pouco: conchavos, intrigas, chantagem, submissão voluntária, troca de favores, traições, distribuição de cargos, e por aí vai. Esse conjunto de amoralidades e imoralidades é produto de uma lógica que põe as conveniências pessoais ou de grupo acima das convicções programáticas e do interesse público. Nem todos são bandidos, mas é bom não alimentar ilusões: sem pressão da opinião pública, os raros nomes dispostos a trabalhar sério pouco poderão fazer. É preciso, portanto, vigilância. Olho neles!

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O Pros contra os cacos espalhados – Ou: meu partido é um coração partido…

Por Wanfil em Partidos

11 de julho de 2014

Ao indicar na última hora o petista Camilo Santana para a sucessão estadual na chapa governista no Ceará, Cid Gomes criou uma saia justa entre alguns dos seus correligionários do Pros, que nos últimos meses foram estimulados pelo próprio governador a fazer pré-campanha entre os aliados, mas acabaram preteridos.

Peões
Por diversas vezes, afinal, Cid disse que a escolha recairia sobre um nome do partido, o maior da sua base de apoio. Cinco nomes apareceram concorriam: Zezinho Albuquerque, presidente da Assembleia Legislativa; o vice-governador Domingos Filho; o ex-prefeito de Sobral, Leônidas Cristino; o deputado estadual Mauro filho; e Izolda Cela, ex-secretária da Educação. Do grupo, dois lideravam as bolsas de apostas: Domingos Filho, que articulou intensamente com lideranças políticas, e Zezinho Albuquerque, que percorreu o Estado em campanhas contra as drogas e em defesa da refinaria, todas bancadas pela Assembleia Legislativa.

Tanto esforço de nada valeu. Mais do que a frustração com o desfecho na composição da chapa oficial, restava a todos a vergonha de aparecer publicamente como de meros peões de tabuleiro no xadrez eleitoral.

Prêmio de consolação
Como prêmio de consolação, Mauro filho ganhou a chance de disputar o Senado; Domingos tem prometida uma vaga no Tribunal de Contas do Município. Zezinho foi convidado para concorrer como vice de Camilo, mas recusou, sendo então substituído por Izolda. Aliás, sobre prêmios e acordos eleitorais, vale conferir matéria do Tribuna do Ceará sobre a relação entre a ocupação de cargos públicos e o contexto das alianças.

Juntando os cacos
Para desfazer a má impressão e dar ares de republicanismo ao processo sucessório entre os aliados, Zezinho organizou um almoço de apoio a Camilo Santana, em restaurante de Fortaleza na última quarta-feira. O encontro virou um ato de afago a Zezinho, que foi abraçado por Ciro e elogiado por Camilo, todos felizes com a humildade e a compreensão dos parceiros.

Domingos e Zezinho, assim como os torcedores da seleção brasileira, agora sabem a dor de um sonho interrompido de um modo que ninguém esperava, bem no meio do caminho.

Olho aberto
Corre em rodas políticas que a vaga de conselheiro do TCM negociado com Domingos Filho teria sido oferecida também a Mauro Filho, se este perder a eleição para Tasso Jereissati (PSDB). Para evitar riscos, Domingos esperaria assumir em julho ou agosto, antes da eleição. Se ficar para depois, não tem acordo.

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Diga-me com quem andas…

Por Wanfil em Eleições 2014

17 de Fevereiro de 2014

Acusado pelo Ministério Público Eleitoral de fazer campanha antecipada, Zezinho Albuquerque, presidente da Assembleia Legislativa do Ceará, pré-candidato ao governo estadual pelo PROS, compareceu a mais um evento promovido por órgão do Poder Executivo. Desta vez,pela Prefeitura de Fortaleza, comandada por seu correligionário Roberto Cláudio. Juntos, inauguraram uma UPA, na última sexta-feira (14).

Na ocasião, Zezinho discursou e teceu fartos elogios ao governador Cid Gomes, que em breve poderá decidir quem será o eventual candidato do PROS na disputa pela sucessão ao governo do Estado. A participação do parlamentar no evento tem a gentil divulgação de sua assessoria de imprensa, que para informar a sociedade sobre as ideias e ações dessa liderança emergente, enviou-nos a foto que segue abaixo.

UPA LÁ LÁ

Os bons companheiros: Cid, Carlos Mesquita, Leonelzinho Alencar, Roberto Cláudio, Zezinho Albuquerque, Walter Cavalcante e o ex-professor Evaldo. Foto: divulgação.

 

Pode não ser campanha, mas que parece, parece. Pode não ser palanque, mas que tem cara de palanque, isso tem. Não digo isso apenas pelas devidas semelhanças estéticas. Qualquer inauguração que reúna políticos, a rigor, lembra um palanque. No presente caso, a associação é inevitável e automática por causa das circunstâncias que amplificam o significado do evento: ato custeado com dinheiro público em ano eleitoral, com a presença destacada de pré-candidato, naturalmente levanta suspeições. Que a justiça eleitoral averigue o caso.

Entretanto, para o eleitor, o mais interessante é ver quem é quem nesse jogo. Como diz o ditado, diga-me com quem andas, que te direis quem és. Sendo assim, vamos lá.

Na foto, destacados em vermelho, da esquerda para direita: Cid Gomes (ex-diversos partidos e atualmente PROS), Carlos Mesquita (PMDB, ex-juracista, ex-luiziannista e atual claudista), Leonelzinho Alencar (procurar no Google: Leonelzinho + Bolsa Família + bicicletas + Iprede), Roberto Cláudio (PROS), Zezinho Albuquerque (ex-patrão da Primeira Dama Maria Célia), Walter Cavalcante (PMDB, presidente da Câmara de Fortaleza) e o vereador ex-professor Evaldo (PCdoB, ex-secretário de Esportes de Luizianne e agora líder do governo Roberto Cláudio na Câmara).

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Papel trocado: presidente da Assembleia atua como líder do governo

Por Wanfil em Assembleia Legislativa, Ceará

11 de julho de 2013

Os parlamentos são instituições vitais para o bom funcionamento das democracias, por refletir a pluralidade de ideias e de valores em circulação nas comunidades, legislar em conformidade com a dinâmica social e fiscalizar o poder Executivo.

Quer dizer, isso tudo é o ideal, mas, na prática, não é bem assim que as coisa funcionam. Vejamos a Assembleia Legislativa do Ceará, onde atualmente é possível ver uma enorme confusão sobre a natureza das suas funções.

O plebiscito e a fiscalização sobre o Executivo

Primeiro, os deputados estaduais abrem mão de fiscalizar e aprovam um decreto que permite ao chefe do Executivo viajar para onde quiser, sem dar a menor satisfação ao Legislativo, mimo estendido ao vice-governador.

Segundo, mesmo com o próprio governador Cid Gomes dizendo que topa discutir um plebiscito sobre a construção de um aquário em Fortaleza, foi necessário que representantes da diminuta oposição encabeçassem a proposta, já que a base aliada não se mexeu nesse sentido, deixando a impressão de que a proposta não passa de uma pegadinha.

Para complicar, essas questões foram todas rebatidas pelo presidente da Assembleia legislativa, deputado Zezinho Albuquerque, do PSB, na sessão de quarta (10), quando o pedido de plebiscito foi arquivado. O problema é que isso deveria ser função do líder do governo na Assembleia, deputado José Sarto, não por acaso do mesmo PSB. O presidente do Legislativo deve atuar como um magistrado, zelando, sobretudo, para que as divergências e as votações sejam conduzidas de acordo com os ritos da Casa.

Retórica sintomática

Impressiona ainda a baixa qualidade das argumentações. Em entrevista, o chefe do parlamento cearense disse que se o governador viaja, é pra “resolver alguma coisa”, e que se nesse meio tempo tirar férias, esse é um “direito igual ao de qualquer cidadão”. Afirmou também que o aquário deve ser construído, pois o ceará precisa “perder o complexo de pobreza”.

Olha, o presidente da Assembleia pode ter suas opiniões e manifestá-las como bem entender. Mas, além de ser desnecessário, pois Cid já controla os votos de quase todos os deputados, essa disposição de se mostrar leal ao chefe do Executivo não é conveniente, já que deixa no ar a suspeita de eventual imparcialidade na condução das matérias em debate.

Se parlamentares não compreendem o papel institucional das funções que ocupam, colocam em risco o equilíbrio entre os poderes e a própria qualidade da democracia pela qual deveriam zelar. Viram meros funcionários do governo de plantão.

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Papel trocado: presidente da Assembleia atua como líder do governo

Por Wanfil em Assembleia Legislativa, Ceará

11 de julho de 2013

Os parlamentos são instituições vitais para o bom funcionamento das democracias, por refletir a pluralidade de ideias e de valores em circulação nas comunidades, legislar em conformidade com a dinâmica social e fiscalizar o poder Executivo.

Quer dizer, isso tudo é o ideal, mas, na prática, não é bem assim que as coisa funcionam. Vejamos a Assembleia Legislativa do Ceará, onde atualmente é possível ver uma enorme confusão sobre a natureza das suas funções.

O plebiscito e a fiscalização sobre o Executivo

Primeiro, os deputados estaduais abrem mão de fiscalizar e aprovam um decreto que permite ao chefe do Executivo viajar para onde quiser, sem dar a menor satisfação ao Legislativo, mimo estendido ao vice-governador.

Segundo, mesmo com o próprio governador Cid Gomes dizendo que topa discutir um plebiscito sobre a construção de um aquário em Fortaleza, foi necessário que representantes da diminuta oposição encabeçassem a proposta, já que a base aliada não se mexeu nesse sentido, deixando a impressão de que a proposta não passa de uma pegadinha.

Para complicar, essas questões foram todas rebatidas pelo presidente da Assembleia legislativa, deputado Zezinho Albuquerque, do PSB, na sessão de quarta (10), quando o pedido de plebiscito foi arquivado. O problema é que isso deveria ser função do líder do governo na Assembleia, deputado José Sarto, não por acaso do mesmo PSB. O presidente do Legislativo deve atuar como um magistrado, zelando, sobretudo, para que as divergências e as votações sejam conduzidas de acordo com os ritos da Casa.

Retórica sintomática

Impressiona ainda a baixa qualidade das argumentações. Em entrevista, o chefe do parlamento cearense disse que se o governador viaja, é pra “resolver alguma coisa”, e que se nesse meio tempo tirar férias, esse é um “direito igual ao de qualquer cidadão”. Afirmou também que o aquário deve ser construído, pois o ceará precisa “perder o complexo de pobreza”.

Olha, o presidente da Assembleia pode ter suas opiniões e manifestá-las como bem entender. Mas, além de ser desnecessário, pois Cid já controla os votos de quase todos os deputados, essa disposição de se mostrar leal ao chefe do Executivo não é conveniente, já que deixa no ar a suspeita de eventual imparcialidade na condução das matérias em debate.

Se parlamentares não compreendem o papel institucional das funções que ocupam, colocam em risco o equilíbrio entre os poderes e a própria qualidade da democracia pela qual deveriam zelar. Viram meros funcionários do governo de plantão.