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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

voto

O que não se vê nas pesquisas eleitorais

Por Wanfil em Pesquisa

10 de setembro de 2012

Aos olhos do público, pesquisa eleitoral parece simples estratificação estatística. No entanto, como sabem os políticos que pagam por elas, são informações complexas e valiosas, desde que bem lidas.

Em toda eleição realizada em ambiente de estabilidade democrática, o papel das pesquisas eleitorais é questionado. Afinal, até que ponto elas influenciam o eleitorado? Não há resposta pronta para essa indagação, pois não se trata de uma ciência exata, apesar de trabalhar com números e estatísticas. A dinâmica das pesquisas numa campanha eleitoral é bem mais complexa do que a maioria imagina.

A presença das pesquisas em nossas vidas

Assim como no futebol e na medicina, o campo das pesquisas eleitorais é objeto de farta apropriação pelo senso comum, constituindo ótima oportunidade para palpiteiros e falsos profetas. Não raro, os levantamentos feitos para os veículos de comunicação são tomados como os produtos de maior importância a nortear o processo eleitoral. Esse é um engano bem comum nas colunas políticas e nas rodas de conversas informais, onde todos parecem perceber supostos erros de comunicação dos candidatos com a facilidade de quem avalia uma receita de bolo.

Para início de conversa, quase tudo o que consumimos nos dias de hoje, de alimentos a livros, de automóveis a softwares, nasce ou se desenvolve com a realização de pesquisas. Um autor de novela pode rever a importância de um personagem a partir da receptividade do público. Embalagens e cores de cosméticos, a preponderância de sabores e odores em alimentos, tudo isso passa por sondagens que avaliam gostos e preferências de variados públicos. Na política contemporânea, não tem sido diferente. Candidatos são tratados como produtos e eleitores como consumidores. É fenômeno de massa. Portanto, não se trata de um improviso, mas de uma prática consolidada que dialoga com múltiplos fatores. Se isso é positivo ou negativo, eis uma boa discussão.

Tipos de pesquisa

De acordo com o sociólogo italiano Domenico  Fisichiela, da Universidade de Roma, “historicamente, o estudo do comportamento eleitoral se desenvolveu em duas direções principais, tendo uma como centro de análise o agregado (isto é, um certo conjunto de votos), a outra, o indivíduo”¹. Em outras palavras, existem as pesquisas quantitativas e as qualitativas. A segunda, de caráter subjetivo, busca entender as motivações que levam aos números da primeira, de natureza objetiva.

Dessa forma, muito antes da divulgação das pesquisas de opinião em veículos de comunicação, partidos e candidatos trabalham com  pesquisas qualitativas, procurando conhecer as expectativas dos eleitores, uma vez que, continua Fisichiela, “o comportamento político é, em grande parte, o resultado das respostas subjetivas à realidade externa, tal qual ela é percebida”².

Variáveis pré-eleitorais e o cross pressures

A cpacidade de ler essa realidade a partir das pesquisas é trabalho monumental e arriscado, pois inúmeras variáveis convergem para que se possa fazer uma leitura correta dos dados coletados, e mesmo esse fatores são motivos para debates entre profissionais da área. Em determinada sociedade, por exemplo, o peso do status socioeconômico pode ser menor do que o étnico ou o religioso. E vice-versa.

Cada uma dessas variáveis, por sua vez, é divisível. A questão econômica pode vir a ser discutida a partir da ótica da geração de emprego ou do valor dos salários. E ainda que um tema seja predominante numa campanha, o eleitor pode ficar exposto a uma situação de cross pressures (pressões cruzadas), formada, numa hipótese, pela soma de sua condição econômica com suas escolhas religiosas ou sua condição étnica.

Existem ainda discussões sobre o papel das ideologias e dos partidos nessa equação, a depender do percentual de eleitores identificados com essas questões (voto cristalizado) e do eleitorado “flutuante”, que amolda sua preferência de voto em consonância com os temas emergentes da campanha eleitoral.

Esses são exemplos de condições pré-eleitorais que atuam sobre a decisão do eleitor. Calibrar o peso disso para construir uma imagem e um discurso só é possível com uma pesquisa bem realizada e uma leitura acurada dessas informações.

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O que não se vê nas pesquisas eleitorais

Por Wanfil em Pesquisa

10 de setembro de 2012

Aos olhos do público, pesquisa eleitoral parece simples estratificação estatística. No entanto, como sabem os políticos que pagam por elas, são informações complexas e valiosas, desde que bem lidas.

Em toda eleição realizada em ambiente de estabilidade democrática, o papel das pesquisas eleitorais é questionado. Afinal, até que ponto elas influenciam o eleitorado? Não há resposta pronta para essa indagação, pois não se trata de uma ciência exata, apesar de trabalhar com números e estatísticas. A dinâmica das pesquisas numa campanha eleitoral é bem mais complexa do que a maioria imagina.

A presença das pesquisas em nossas vidas

Assim como no futebol e na medicina, o campo das pesquisas eleitorais é objeto de farta apropriação pelo senso comum, constituindo ótima oportunidade para palpiteiros e falsos profetas. Não raro, os levantamentos feitos para os veículos de comunicação são tomados como os produtos de maior importância a nortear o processo eleitoral. Esse é um engano bem comum nas colunas políticas e nas rodas de conversas informais, onde todos parecem perceber supostos erros de comunicação dos candidatos com a facilidade de quem avalia uma receita de bolo.

Para início de conversa, quase tudo o que consumimos nos dias de hoje, de alimentos a livros, de automóveis a softwares, nasce ou se desenvolve com a realização de pesquisas. Um autor de novela pode rever a importância de um personagem a partir da receptividade do público. Embalagens e cores de cosméticos, a preponderância de sabores e odores em alimentos, tudo isso passa por sondagens que avaliam gostos e preferências de variados públicos. Na política contemporânea, não tem sido diferente. Candidatos são tratados como produtos e eleitores como consumidores. É fenômeno de massa. Portanto, não se trata de um improviso, mas de uma prática consolidada que dialoga com múltiplos fatores. Se isso é positivo ou negativo, eis uma boa discussão.

Tipos de pesquisa

De acordo com o sociólogo italiano Domenico  Fisichiela, da Universidade de Roma, “historicamente, o estudo do comportamento eleitoral se desenvolveu em duas direções principais, tendo uma como centro de análise o agregado (isto é, um certo conjunto de votos), a outra, o indivíduo”¹. Em outras palavras, existem as pesquisas quantitativas e as qualitativas. A segunda, de caráter subjetivo, busca entender as motivações que levam aos números da primeira, de natureza objetiva.

Dessa forma, muito antes da divulgação das pesquisas de opinião em veículos de comunicação, partidos e candidatos trabalham com  pesquisas qualitativas, procurando conhecer as expectativas dos eleitores, uma vez que, continua Fisichiela, “o comportamento político é, em grande parte, o resultado das respostas subjetivas à realidade externa, tal qual ela é percebida”².

Variáveis pré-eleitorais e o cross pressures

A cpacidade de ler essa realidade a partir das pesquisas é trabalho monumental e arriscado, pois inúmeras variáveis convergem para que se possa fazer uma leitura correta dos dados coletados, e mesmo esse fatores são motivos para debates entre profissionais da área. Em determinada sociedade, por exemplo, o peso do status socioeconômico pode ser menor do que o étnico ou o religioso. E vice-versa.

Cada uma dessas variáveis, por sua vez, é divisível. A questão econômica pode vir a ser discutida a partir da ótica da geração de emprego ou do valor dos salários. E ainda que um tema seja predominante numa campanha, o eleitor pode ficar exposto a uma situação de cross pressures (pressões cruzadas), formada, numa hipótese, pela soma de sua condição econômica com suas escolhas religiosas ou sua condição étnica.

Existem ainda discussões sobre o papel das ideologias e dos partidos nessa equação, a depender do percentual de eleitores identificados com essas questões (voto cristalizado) e do eleitorado “flutuante”, que amolda sua preferência de voto em consonância com os temas emergentes da campanha eleitoral.

Esses são exemplos de condições pré-eleitorais que atuam sobre a decisão do eleitor. Calibrar o peso disso para construir uma imagem e um discurso só é possível com uma pesquisa bem realizada e uma leitura acurada dessas informações.

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