visita Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

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Governadores não conseguem visitar Lula. Jogo de cena

Por Wanfil em Política

11 de Abril de 2018

Sete governadores do Nordeste, entre eles Camilo Santana, e dois da região Norte, além de três senadores e alguns políticos, se deslocaram ao Paraná ontem para tentar visitar Lula na cadeia. Não conseguiram. Segundo a juíza Carolina Lebbos, da 13ª Vara Federal de Curitiba não há fundamento para a flexibilização do regime geral de visitas próprio à carceragem da Polícia Federal“. Ou seja, Lula está submetido a regras que valem para os demais presos.

A improvisação de uma visita feita às cegas por gente tão importante e bem assessorada, sem a confirmação prévia de sua possibilidade junto à PF, é algo estranho. Quem acompanha a cobertura de políticos sabe que um governador não sai por aí sem que antes tudo tenha sido cuidadosamente planejado.

Pelo visto, a visita sem sucesso parece seguir o roteiro político que teve início desde a decretação da prisão de Lula pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro na semana passada. Após a encenação de resistência, agora a romaria frustrada de aliados. Tudo para dar a impressão de que o ex-presidente é vítima de um regime de exceção e de quebra explorar a popularidade do ex-presidente no Norte e Nordeste. Foi pensando em dividendos eleitorais, por exemplo, que Renan Filho, de governador Alagoas, se juntou ao grupo. Sim, ele é filho do senador Renan Calheiros.

Nada os impede de tentar novamente, agora do jeito certo. Um de cada vez, quem sabe. Para expressar solidariedade não é necessário fazer ato político partidário em contra decisão judicial que obedeceu o devido rito.

Para encerrar, uma pergunta: quem custeou o descolamento desses governadores e parlamentares? Foi de avião de carreira ou de jatinho?

É só uma pergunta. E perguntar não ofende.

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Dilma no Ceará: os aliados sumiram

Por Wanfil em Política

31 de agosto de 2015

A impopularidade não perdoa. No post anterior eu disse que a visita da presidente Dilma Rousseff (PT ) ao Ceará serviria pelo menos para mostrar quem faria, por livre e espontânea vontade, papel de figurante na agenda montada pela equipe do Palácio do Planalto.

O resultado pode ser conferido na foto abaixo, tirada durante cerimônia para a entrega de unidades habitacionais em Caucaia:

Palanque murcho: onde estão os governistas crônicos do Ceará, fiéis aliados de outrora? – Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

As autoridades que compareceram ao lado da presidente mais impopular da história cumpriam ali um dever de ofício, litúrgico, por força dos cargos que ocupam. Fora esses, o cortejo de governistas crônicos do Ceará sumiu, como sempre acontece quando a maré política muda.

Para comparar, no post a que me referi no início do texto, publiquei uma foto de 2013 na qual sorridentes aliados da presidente disputavam espaço dentro de uma vagão do metrô de Fortaleza, para ver quem aparecia ao lado dela. Naquela época Dilma estava de cima, era bem avaliada e favorita para as eleições do ano seguinte. Agora, como todos sabem, a situação é outra bem diferente.

Diante da rejeição popular, aliados locais trocam de partido, afetam surpresa e buscam distância daquela que até bem pouco tempo atrás, diziam ser a mais brilhante das gestoras. Tudo para dar a impressão de que nada têm a ver com o buraco em que o Brasil se meteu.

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Dilma vem ao Ceará para nada. Resta ver quem serão os figurantes do factoide

Por Wanfil em Política

26 de agosto de 2015

Dilma-metro-Fortaleza-linha-sul-Foto-Roberto-Stuckert-Filho-PR

Dilma no Ceará, em 2013, quando ainda era popular. E agora, quem embarcará com ela no trem da impopularidade? Imagem: efeito sobre foto de divulgação

A presidente Dilma vem ao Ceará na próxima sexta-feira (28). Na agenda, a petista irá a Lavras da Mangabeira (terra do senador Eunício Oliveira, do PMDB) assinar ordem de serviço para trecho da ferrovia transnordestina. Depois, como se fosse prefeita do Brasil, segue para Caucaia, onde entrega algumas unidades do ‘Minha Casa, Minha Vida’. Não há confirmação sobre uma eventual vistoria nas obras da transposição do São Francisco. Por fim, em Fortaleza, ela participa do evento “Dialoga Ceará”.

Mais do mesmo
Na prática, Dilma não fará nada, a exemplo de visitas anteriores. O Minha Casa Minha Vida programa sofreu corte de 5,6 bilhões de reais por causa da crise, sem contar com nos atrasos dos pagamentos às construtoras, que por isso começaram a demitir operários. No Ceará, serão entregues quatrocentas e poucas unidades, muito pouco para um governo que festejava a condição de sétima economia do mundo.

A transnordestina, assim como a transposição, é exemplo de ineficiência, com atrasos sucessivos e aumentos de preços inexplicáveis. E o “Dialoga Ceará” é invenção de marqueteiro na tentativa de mostrar que seu governo não se resume a escândalos de corrupção, caos político e desastre na economia. Como sempre, vai sobrar discurso e faltar ação. Nem a reforma do aeroporto prometida para a Copa o governo conseguiu fazer.

A novidade
Nada disso é novo. Dilma já veio ao Ceará outras vezes fazer promessas e discursos sem nexo. A diferença é a conjuntura desfavorável para a presidente. Processos no TSE e no TCU, ameaça de impeachment, protestos contra o governo, inflação alta, aumentos nas taxas de energia e nos combustíveis, dólar descontrolado, desemprego recorde, redução nos repasses federais para estados e municípios e maior índice de impopularidade da história.

Sem contar o passivo local, como os 650 milhões de reais do tesouro estadual gastos para receber a refinaria prometida aos cearenses, ou a redução de verbas para a saúde, que ampliou a crise no setor.

Trem desgovernado
Antes, quando ainda registrava boas taxas de aprovação, a presidente era seguida por um cortejo de aliados sorridentes, ansiosos por fotografias e incapazes de cobrar-lhe promessas como a refinaria. Eram coadjuvantes dos factoides presidenciais dispostos a tudo para ficar no trem do governismo, quando este andava nos trilhos. Agora, a situação é outra. Cid já saiu do ministério e Ciro tratou de procurar um partido independente, no caso, o PDT.

Será interessante ver quem, livre de obrigações partidárias ou de funções administrativas, ainda se dispõe a ficar no trem desgovernado pilotado por Dilma, na condição de figurante durante as encenações públicas agendadas para a visita.

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Dilma e Cid na Ilha da Fantasia

Por Wanfil em Ceará

20 de Março de 2014

No seriado "Ilha da Fantasia" o truque consistia na doce ilusão de que os problemas não existiam, só as soluções.

Ilha da Fantasia: o paraíso onde os problemas. como mágicas, pareciam não mais existir.

A visita da presidente Dilma Rousseff ao Ceará, nesta quarta-feira (19) – dia de São José! –, foi marcada pelo otimismo desenfreado e pelos anúncios maravilhosos de sempre.

O governador Cid Gomes disse que a construção de adutoras emergenciais de engate rápido feitas com aço importado (ufa!), mostra que o governo estadual agiu de forma preventiva contra a seca, embora a lógica mais elementar sugira que ações de prevenção servem justamente para evitar ações emergenciais. Tivessem ficado prontas antes, as tais adutoras não precisariam agora ser feitas às carreiras, não é? Mas vamos em frente.

Dilma não ficou por baixo, é claro, que chefe é chefe. Entregou algumas máquinas para prefeituras e prometeu verbas, igualzinho ao que já havia feito em abril do ano passado, sem que nada tenha mudado de lá para cá. E “inaugurou” mais um trecho do Eixão das Águas. Não, a obra não foi concluída. Para efeito de comparação, se fosse um prédio, teria sido a inauguração de um andar. Que importa isso? O que vale mesmo é a festa.

No fim, foi tudo supimpa! Os cearenses ficaram sabendo que a seca já não é mais um problema grave e urgente, pois graças aos programas dos governos federal e estadual, não há mais com o que se preocupar. Pelo menos isso é o que o eleitor mais desavisado pode ter entendido ao ouvir discursos tão bacanas. E com tantos seguranças protegendo nossas autoridades, ninguém lembrou que o Ceará se tornou um dos estados mais violentos do Brasil nessa quadra administrada pela parceria Dilma/Cid. Mas esse é outro assunto, deixa pra lá.

Nos momentos de maior ternura, por assim dizer, o presidente da Associação dos Prefeitos e Prefeituras do Ceará, Expedito Leite, empolgado com tantas maravilhas, disse que Cid é o maior gestor da história do Estado. Este retribuiu o elogio com um gracejo, afirmando que realmente é o governador mais alto em estatura física que já houve. E nesse clima de “missão cumprida” e afeto, Dilma disse – sem errar o nome – que o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, é a pessoa mais alegre que ela já conhecera.

Fantasy Island

Olha, tanta alegria assim me fez lembrar de um antigo seriado de televisão dos anos 80 chamado “Ilha da Fantasia” (Fantasy Island). Lá, o Sr. Roarke (Ricardo Montalban) e seu amigo Tattoo (Hervé Villachaize) recebiam convidados endinheirados num resort de luxo, onde a ilusão se confundia com a realidade. Mas, mesmo na ficção, no final de cada episódio a realidade sempre prevalecia sobre a ilusão. A moral da história era simples. Todo truque, por mais que dure, um dia acaba.

O Ceará desta quarta-feira mais pareceu uma ilha repleta de soluções do que um Estado em dificuldades, com quase todos os seus municípios em estado de emergência. Ocorre que apesar dos discursos fantasiosos que marcaram a visita presidencial, longe dos palanques e das comitivas, a realidade prevalece implacável: nada pode mudar o fato de que a seca castiga como nunca o Ceará e que Dilma não cumpriu a promessa de concluir a transposição do Rio São Francisco. Pelo contrário! Atrasou a obra como ninguém. O resto é papo furado! E ninguém pode se dizer mais surpreso com a lentidão desse padrão gerencial, pois nem sequer uma reforma no aeroporto de Fortaleza para a Copa do Mundo o governo federal conseguiu fazer.

Nada muda a verdade de que a segurança hídrica do Ceará, ou seja, sua capacidade de armazenamento d’água, da qual se vangloriaram a presidente e o governador, atende mesmo pelo nome de Açude Castanhão, obra feita por gestões passadas.

No mundo real, a turma da Dilma mais uma vez veio ao Ceará dourar a pílula, buscando fazer de atos pequenos, como a entrega de equipamentos agrícolas e cisternas apelidados de kit seca, coisa grandiosa digna de uma estadista. No mundo real, a visita de Dilma mais pareceu campanha eleitoral.

Vergonha agora não é mais acreditar nessa conversa fiada. Vergonha é ainda ter quem se dê ao ridículo de aplaudir a fantasia. Leia mais

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Dilma e Cid na Ilha da Fantasia

Por Wanfil em Ceará

20 de Março de 2014

No seriado "Ilha da Fantasia" o truque consistia na doce ilusão de que os problemas não existiam, só as soluções.

Ilha da Fantasia: o paraíso onde os problemas. como mágicas, pareciam não mais existir.

A visita da presidente Dilma Rousseff ao Ceará, nesta quarta-feira (19) – dia de São José! –, foi marcada pelo otimismo desenfreado e pelos anúncios maravilhosos de sempre.

O governador Cid Gomes disse que a construção de adutoras emergenciais de engate rápido feitas com aço importado (ufa!), mostra que o governo estadual agiu de forma preventiva contra a seca, embora a lógica mais elementar sugira que ações de prevenção servem justamente para evitar ações emergenciais. Tivessem ficado prontas antes, as tais adutoras não precisariam agora ser feitas às carreiras, não é? Mas vamos em frente.

Dilma não ficou por baixo, é claro, que chefe é chefe. Entregou algumas máquinas para prefeituras e prometeu verbas, igualzinho ao que já havia feito em abril do ano passado, sem que nada tenha mudado de lá para cá. E “inaugurou” mais um trecho do Eixão das Águas. Não, a obra não foi concluída. Para efeito de comparação, se fosse um prédio, teria sido a inauguração de um andar. Que importa isso? O que vale mesmo é a festa.

No fim, foi tudo supimpa! Os cearenses ficaram sabendo que a seca já não é mais um problema grave e urgente, pois graças aos programas dos governos federal e estadual, não há mais com o que se preocupar. Pelo menos isso é o que o eleitor mais desavisado pode ter entendido ao ouvir discursos tão bacanas. E com tantos seguranças protegendo nossas autoridades, ninguém lembrou que o Ceará se tornou um dos estados mais violentos do Brasil nessa quadra administrada pela parceria Dilma/Cid. Mas esse é outro assunto, deixa pra lá.

Nos momentos de maior ternura, por assim dizer, o presidente da Associação dos Prefeitos e Prefeituras do Ceará, Expedito Leite, empolgado com tantas maravilhas, disse que Cid é o maior gestor da história do Estado. Este retribuiu o elogio com um gracejo, afirmando que realmente é o governador mais alto em estatura física que já houve. E nesse clima de “missão cumprida” e afeto, Dilma disse – sem errar o nome – que o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, é a pessoa mais alegre que ela já conhecera.

Fantasy Island

Olha, tanta alegria assim me fez lembrar de um antigo seriado de televisão dos anos 80 chamado “Ilha da Fantasia” (Fantasy Island). Lá, o Sr. Roarke (Ricardo Montalban) e seu amigo Tattoo (Hervé Villachaize) recebiam convidados endinheirados num resort de luxo, onde a ilusão se confundia com a realidade. Mas, mesmo na ficção, no final de cada episódio a realidade sempre prevalecia sobre a ilusão. A moral da história era simples. Todo truque, por mais que dure, um dia acaba.

O Ceará desta quarta-feira mais pareceu uma ilha repleta de soluções do que um Estado em dificuldades, com quase todos os seus municípios em estado de emergência. Ocorre que apesar dos discursos fantasiosos que marcaram a visita presidencial, longe dos palanques e das comitivas, a realidade prevalece implacável: nada pode mudar o fato de que a seca castiga como nunca o Ceará e que Dilma não cumpriu a promessa de concluir a transposição do Rio São Francisco. Pelo contrário! Atrasou a obra como ninguém. O resto é papo furado! E ninguém pode se dizer mais surpreso com a lentidão desse padrão gerencial, pois nem sequer uma reforma no aeroporto de Fortaleza para a Copa do Mundo o governo federal conseguiu fazer.

Nada muda a verdade de que a segurança hídrica do Ceará, ou seja, sua capacidade de armazenamento d’água, da qual se vangloriaram a presidente e o governador, atende mesmo pelo nome de Açude Castanhão, obra feita por gestões passadas.

No mundo real, a turma da Dilma mais uma vez veio ao Ceará dourar a pílula, buscando fazer de atos pequenos, como a entrega de equipamentos agrícolas e cisternas apelidados de kit seca, coisa grandiosa digna de uma estadista. No mundo real, a visita de Dilma mais pareceu campanha eleitoral.

Vergonha agora não é mais acreditar nessa conversa fiada. Vergonha é ainda ter quem se dê ao ridículo de aplaudir a fantasia. (mais…)