vermelho Archives - Blog do Wanfil 
Publicidade

Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

vermelho

Sem os Ferreira Gomes, Fernando Haddad veste azul no Ceará, mas o vermelho o persegue

Por Wanfil em Eleições 2018

22 de outubro de 2018

A semiótica me fascina e muitas vezes, como é comum em quem a aprecia, quando vejo uma imagem, fico a procurar signos e significantes organizados em sistemas deliberadamente produzidos ou criados ao sabor do acaso. Vejam essa foto de Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência da República, em passagem pelo Ceará no último sábado (20).

Fernando Haddad, de azul, destoa em meio ao “mar vermelho” (FOTO: Ricardo Stuckert/Divulgação)


Azul X vermelho

Como todos sabem, o PT mudou a identidade visual da campanha para o segundo turno, adotando as cores utilizadas pela campanha do adversário, Jair Bolsonaro (PSL), na esperança de conquistar indecisos e moderados.

Pois bem, como é possível constatar na foto, por mais que Haddad tente escapar do vermelho, o vermelho insiste em segui-lo. O que é um pontinho azul em meio a uma multidão de bandeiras e camisas vermelhas na Praça do Ferreira? É Fernando Haddad.

Cadê os Ferreira Gomes?
Outra significação possível de extrair, não apenas dessa imagem, como de outras produzidas durante os eventos de sábado, é uma espécie de solidão, mesmo em meio a tanta gente.  Ciro e Cid Gomes (atualmente no PDT) – líderes do maior grupo político do Ceará e aliados dos governos petistas nas gestões de Lula e Dilma – definitivamente pularam fora da campanha.

Cid ainda distribuiu adesivos de Haddad em Sobral, pedindo votos para, palavras dele, “o menos ruim”. Isso uma semana após ter dito que o PT merecia perder a eleição. A ausência dos Ferreira Gomes preenche uma lacuna, como dizia Stanislaw Ponte Preta.

Antipetismo e autopreservação
Matutar com imagens é bom para estimular conexões. Foi então que li, no mesmo dia, números de uma pesquisa do Datafolha mostrando que o antipetismo é realmente a maior força destas eleições. Basta ver que apenas 1% dos eleitores de Bolsonaro votam nele por rejeitarem Fernando Haddad. Outros 69% são declaradamente contrários ao PT ou a valores relacionados por eles ao petismo, como corrupção.

Esta não é a primeira eleição que Lula e o PT atrapalharam a campanha de Ciro Gomes. Das outras vezes, os Ferreira Gomes não romperam por puro pragmatismo: os petistas tinham alta popularidade e controle da máquina federal. Agora o sinal mudou. Ciro e Cid são hábeis leitores dos movimentos políticos e muito antes de qualquer pesquisa já sentiram as mudanças de humor no eleitorado. Por isso, não foi só por ressentimento que se afastaram do partido, sem tirar nem sequer uma foto com Haddad no Ceará. É também, e principalmente, por senso de autopreservação.

Realmente uma imagem pode dizer mais que mil palavras.

(Texto publicado originalmente para o Portal Jangadeiro – especial eleições)

Publicidade

Dilma e o jogo do contente: “Valeu a pena”

Por Wanfil em Brasil

17 de Março de 2015

Pollyanna acredita que os protestos contra o seu governo provam que ela é boa.

Pollyanna acredita que os protestos contra o seu governo provam que ela é boa.

Os últimos dias foram marcados por manifestações a favor e contra o governo federal. As diferenças de tamanho, formato e cores entre as duas correntes são reveladoras do momento político que o país vive.  Pela manutenção do status quo foram às ruas, vestidos de vermelho, cerca de 30 mil pessoas, boa parte militantes de entidades governistas como CUT, UNE e MST, fartamente financiadas com dinheiro público. Já os protestos que cobram mudanças no governo e até o impeachment da presidente reuniram dois milhões e duzentos mil brasileiros, vestidos de verde e amarelo, a maioria convocada pela internet.

A presidente Dilma falou sobre as multidões nas ruas: “Nunca mais no Brasil nós vamos ver pessoas, ao manifestarem sua opinião, seja contra quem quer que seja, inclusive a Presidência da República, sofrerem quaisquer consequências. (…) Valeu a pena lutar pela liberdade. Valeu a pena lutar pela democracia. Este país está mais forte que nunca”.

Pela fala, os protestos esculhambando o governo fizeram Dilma sentir orgulho de seu passado, como se fossem um legado de sua militância na guerrilha. Se Pollyana (a famosa personagem criada por Eleanor H. Porter) fazia o “jogo do contente” para manter o otimismo diante de situações adversas, a presidente exagera na dose para surgir heroicamente alheia à natureza dos acontecimentos. Em vez de autocrítica, elogios a si mesma.

Por último, uma correção: Dilma lutou contra a ditadura, é fato. Sua atuação se deu em organizações revolucionárias como a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), o Comando de Libertação Nacional (COLINA) e Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares). Esses grupos pregavam a substituição do regime militar por uma “ditadura do proletariado”. Isso não invalida que depois Dilma tenha aderido aos pressupostos democráticos, o que constitui inegável avanço, porém, naquele período, ela e seus companheiros não lutaram pela democracia. Mas o que é o rigor da História para quem é alheio ao presente?

Publicidade

Dilma e o jogo do contente: “Valeu a pena”

Por Wanfil em Brasil

17 de Março de 2015

Pollyanna acredita que os protestos contra o seu governo provam que ela é boa.

Pollyanna acredita que os protestos contra o seu governo provam que ela é boa.

Os últimos dias foram marcados por manifestações a favor e contra o governo federal. As diferenças de tamanho, formato e cores entre as duas correntes são reveladoras do momento político que o país vive.  Pela manutenção do status quo foram às ruas, vestidos de vermelho, cerca de 30 mil pessoas, boa parte militantes de entidades governistas como CUT, UNE e MST, fartamente financiadas com dinheiro público. Já os protestos que cobram mudanças no governo e até o impeachment da presidente reuniram dois milhões e duzentos mil brasileiros, vestidos de verde e amarelo, a maioria convocada pela internet.

A presidente Dilma falou sobre as multidões nas ruas: “Nunca mais no Brasil nós vamos ver pessoas, ao manifestarem sua opinião, seja contra quem quer que seja, inclusive a Presidência da República, sofrerem quaisquer consequências. (…) Valeu a pena lutar pela liberdade. Valeu a pena lutar pela democracia. Este país está mais forte que nunca”.

Pela fala, os protestos esculhambando o governo fizeram Dilma sentir orgulho de seu passado, como se fossem um legado de sua militância na guerrilha. Se Pollyana (a famosa personagem criada por Eleanor H. Porter) fazia o “jogo do contente” para manter o otimismo diante de situações adversas, a presidente exagera na dose para surgir heroicamente alheia à natureza dos acontecimentos. Em vez de autocrítica, elogios a si mesma.

Por último, uma correção: Dilma lutou contra a ditadura, é fato. Sua atuação se deu em organizações revolucionárias como a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), o Comando de Libertação Nacional (COLINA) e Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares). Esses grupos pregavam a substituição do regime militar por uma “ditadura do proletariado”. Isso não invalida que depois Dilma tenha aderido aos pressupostos democráticos, o que constitui inegável avanço, porém, naquele período, ela e seus companheiros não lutaram pela democracia. Mas o que é o rigor da História para quem é alheio ao presente?