Veja Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

Veja

Médico no HGF pede exame para paciente e descobre: “sem resultado por falta de insumo”

Por Wanfil em Ceará

01 de junho de 2015

Um médico amigo enviou-me a imagem de um simples exame de urina, solicitado para um paciente do Hospital Geral de Fortaleza. Confirma aí no que deu:

Exame
Exame de urina sem resultado por falta de insumos não revela doença de paciente no HGF, mas comprova grave infecção na gestão pública cearense

Sem insumos e muito mais
Do ponto de vista técnico, o exame “sem resultado por falta de insumo” deixa os médicos às cegas, em caso de infecção, sem saber que tipo de germe está presente no organismo do paciente e qual o antibiótico ideal para tratar a doença. Um remédio inadequado pode deixar as bactérias mais resistentes ao tratamento.

Por outro lado, em termos de serviço público, o exame mostra que a saúde no Ceará sofre de uma grave infecção causada pelos germes da incompetência administrativa, falta de planejamento e crise financeira. Uma rede incapaz de realizar um exame de urina está falida. Pior: ilude pacientes e expõe médicos a situações juridicamente arriscadas. Certamente existe uma série de explicações para o ocorrido, como “caso isolado”, “problema na licitação”, “atraso momentâneo”, “burocracia nos repasses” e por aí vai. As matérias na imprensa a respeito estão cheias delas, com as mesmas promessas de “normalização dos serviços” para breve. O que sei é que tenho conversado com profissionais da saúde com frequência e os relatos são os mesmo: a penúria e a falta de condições de atendimento se tornaram crônicas. Um desastre assim não se improvisa, como dizia Nelson Rodrigues.

Exemplo de má gestão
A revista Veja publicou em sua edição desta semana que o Ceará se tornou exemplo de má gestão durante os governos de Cid Gomes. Como prova, mostrou obras que já consumiram milhões, mas estão paradas, sem previsão de conclusão, como o VLT, a Linha Leste do Metrô e o Acquario. Outro ponto abordado foram as finanças. Segundo a revista, o governo usou de truques contábeis para dizer que as contas estaduais estavam no azul, quando, na verdade, conforme critérios utilizados pelo Banco Central, estariam no vermelho.

Lendo bem o exame de urina do paciente no HGF, a denúncia faz todo sentido.

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Senador Pimentel, a pergunta é: o senhor repassou ou não as perguntas da CPI da Petrobras?

Por Wanfil em Política

05 de agosto de 2014

O mais novo escândalo envolvendo a Petrobras tem entre seus protagonistas o senador José Pimentel (PT-CE). Segundo a revista Veja, o parlamentar teria vazado perguntas que seriam feitas a dirigentes da empresa na CPI que investiga suspeita de irregularidades na compra de uma refinaria nos Estados Unidos e na construção de outra em Pernambuco. Mais especificamente, Pimentel, que é relator da CPI e líder do governo no Senado, teria repassado o material a Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras, o mesmo que enrolou os cearenses por anos como fiador da refinaria no Ceará prometida por Lula e Dilma, obra que nunca saiu do papel.

Nota evasiva
O caso é grave, pois seria sabotagem contra o Congresso e, por conseguinte, contra a própria democracia. Em nota, Pimentel disse que “o relator não se reuniu e nem orientou o depoimento dos investigados” e que protocolou requerimentos para que as denúncias sejam apuradas.

A nota é sóbria, porém, evasiva. O senador nega ter feito aquilo o que não lhe atribuem autoria e nada diz sobre a verdadeira acusação. Ninguém disse que Pimentel orientou os investigados. Isso teria sido feito pela própria Petrobras. A revista diz que Pimentel foi um dos responsáveis por entregar as questões a Gabrielli, que depois as enviou para os investigados, para enfim serem orientados nas respostas. A questão central é: afinal, entregou ou não? Isso a nota não esclarece.

Pouca convicção?
Talvez não haja convicção nesse sentido, se é que vocês me entendem. Certa feita José Genoíno, então presidente nacional do PT, negou ter assinado uns documentos referente a empréstimos, para ser desmascarado logo na edição da semana seguinte, pela mesma revista. Acabou na Papuda.

Pimentel, é bom frisar, é inocente até prova em contrário. Mas como relator, a suspeita pesa sobre seu papel na CPI. E a Petrobras continua seu calvário de ingerências políticas na sua administração. Lamentável.

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Cid na Veja mostra que MP e oposição acertam ao desconfiar de licitações

Por Wanfil em Política

19 de novembro de 2013

Trechos da entrevista de Cid Gomes, governador do Ceará, à revista Veja.

O crime: “Os cabras juntam quatro ou cinco construtoras grandes e se acertam no Brasil inteiro: ‘Você fica com o metrô de São Paulo, eu fico com o de Brasília e eu com o de Fortaleza‘. Chegam aqui na cara de pau para dizer o resultado da licitação que você ainda vai fazer. Aí, o governo tem que lutar para ter gente interessada, atrair concorrentes. (…) O projetista se junta com a construtora para acertar sobrepreços.”

Os criminosos: Não há menção aos autores das práticas criminosas denunciadas.

A providência: “Aí, o governo tem que lutar para ter gente interessada, atrair concorrentes (…) sempre querendo o maior número de participantes”.

Generalização

A denúncia merece toda credibilidade, afinal, Cid Gomes tem larga experiência como gestor público. No entanto, sem definir quem seriam os que buscam fraudar contratos celebrados entre empresas privadas e o poder público, a generalização se sobrepõe, inclusive em relação aos que estão em vigência. Se ninguém é culpado, todos são suspeitos.

Ficando o dito pela não dito, tudo é vago e as versões se acumulam. Corre por aí a lenda de que certas licitações são direcionadas para beneficiar grupos ligados a gestores públicos. A diferença é que ninguém diz isso em entrevista. Agora fica a dúvida: Quem tentou impor preços na obra do metrô de Fortaleza?

Não precisa fiscalizar?

Diante das palavras de Cid, fica difícil compreender a postura negativa dos governistas cearenses quando opositores, especialmente o deputado estadual Heitor Férrer (PDT), pedem detalhes sobre gastos do governo, como nos casos do buffet, de diversas viagens internacionais do governador, da contratação de artistas para shows, da compra das Hilux. Até dispensas de licitação ficam sob suspeita, vide a obra do aquário em Fortaleza ou a compra de helicópteros para a Secretaria de Ciência e Tecnologia (cedidos depois à Secretaria de Segurança). Aliás, dispensa de licitação não combina com o empenho declarado na entrevista de ter muitos concorrentes nessas disputas, justamente para evitar arranjos mal intencionados…

Essa disposição de agentes externos de cobrar e fiscalizar os contratos públicos deveria ser vista com bons olhos, uma vez que, segundo o governador, “todo mundo quer pegar dinheiro do Estado” (assim mesmo, com pronome indefinido). Na verdade, levando-se em conta as revelações do governador, o correto mesmo é desconfiar de tudo.

Qual a garantia?

Ocorre que não é de hoje que pedidos de prestação de contas são tomados como ofensa pessoal, classificados de “oportunismo” ou “desonestidade”. Às vezes as críticas sobram também para a imprensa e para o Ministério Público. Ficamos assim na inusitada condição de saber que todos querem levar dinheiro público de forma desonesta, conforme explicou Cid, mas precisamos confiar cegamente na boa fé e na capacidade do governo do Estado se autofiscalizar.

Na próxima vez que a oposição ou o MP solicitarem informações sobre gastos, contratos ou licitações, deveriam anexar a entrevista de Cid na Veja.

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Cid na Veja mostra que MP e oposição acertam ao desconfiar de licitações

Por Wanfil em Política

19 de novembro de 2013

Trechos da entrevista de Cid Gomes, governador do Ceará, à revista Veja.

O crime: “Os cabras juntam quatro ou cinco construtoras grandes e se acertam no Brasil inteiro: ‘Você fica com o metrô de São Paulo, eu fico com o de Brasília e eu com o de Fortaleza‘. Chegam aqui na cara de pau para dizer o resultado da licitação que você ainda vai fazer. Aí, o governo tem que lutar para ter gente interessada, atrair concorrentes. (…) O projetista se junta com a construtora para acertar sobrepreços.”

Os criminosos: Não há menção aos autores das práticas criminosas denunciadas.

A providência: “Aí, o governo tem que lutar para ter gente interessada, atrair concorrentes (…) sempre querendo o maior número de participantes”.

Generalização

A denúncia merece toda credibilidade, afinal, Cid Gomes tem larga experiência como gestor público. No entanto, sem definir quem seriam os que buscam fraudar contratos celebrados entre empresas privadas e o poder público, a generalização se sobrepõe, inclusive em relação aos que estão em vigência. Se ninguém é culpado, todos são suspeitos.

Ficando o dito pela não dito, tudo é vago e as versões se acumulam. Corre por aí a lenda de que certas licitações são direcionadas para beneficiar grupos ligados a gestores públicos. A diferença é que ninguém diz isso em entrevista. Agora fica a dúvida: Quem tentou impor preços na obra do metrô de Fortaleza?

Não precisa fiscalizar?

Diante das palavras de Cid, fica difícil compreender a postura negativa dos governistas cearenses quando opositores, especialmente o deputado estadual Heitor Férrer (PDT), pedem detalhes sobre gastos do governo, como nos casos do buffet, de diversas viagens internacionais do governador, da contratação de artistas para shows, da compra das Hilux. Até dispensas de licitação ficam sob suspeita, vide a obra do aquário em Fortaleza ou a compra de helicópteros para a Secretaria de Ciência e Tecnologia (cedidos depois à Secretaria de Segurança). Aliás, dispensa de licitação não combina com o empenho declarado na entrevista de ter muitos concorrentes nessas disputas, justamente para evitar arranjos mal intencionados…

Essa disposição de agentes externos de cobrar e fiscalizar os contratos públicos deveria ser vista com bons olhos, uma vez que, segundo o governador, “todo mundo quer pegar dinheiro do Estado” (assim mesmo, com pronome indefinido). Na verdade, levando-se em conta as revelações do governador, o correto mesmo é desconfiar de tudo.

Qual a garantia?

Ocorre que não é de hoje que pedidos de prestação de contas são tomados como ofensa pessoal, classificados de “oportunismo” ou “desonestidade”. Às vezes as críticas sobram também para a imprensa e para o Ministério Público. Ficamos assim na inusitada condição de saber que todos querem levar dinheiro público de forma desonesta, conforme explicou Cid, mas precisamos confiar cegamente na boa fé e na capacidade do governo do Estado se autofiscalizar.

Na próxima vez que a oposição ou o MP solicitarem informações sobre gastos, contratos ou licitações, deveriam anexar a entrevista de Cid na Veja.