universidade Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

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UFC tem 15 mil alunos sem aula por causa da “ocupação”

Por Wanfil em Ceará

17 de novembro de 2016

O blog do Fábio Campos, no portal O Povo, publicou entrevista com o vice-reitor da Universidade Federal do Ceará, Custódio Almeida. É o mesmo que assinou listas de apoio a reeleição de Dilma e contra o seu impeachment. Pois bem, segundo o vice-reitor, dos 28 mil alunos da graduação presencial da instituição, 15 mil estão sem aula por causa das “ocupações” articuladas por militantes de partidos e entidades de esquerda.

Diante disso, que providências foram tomadas? Segue trecho da entrevista: “A reitoria está conversando com as entidades (ADUFC, Sintufc e DCE) e com os diretores em busca de soluções pacíficas e que não causem qualquer prejuízo ao patrimônio e que não impeçam o trabalho administrativo”.

E o prejuízo causado aos alunos que desejam e precisam estudar? E a liberdade do trabalho docente? Como ficam? Um pedido de reintegração de posse seria bastante útil contra esse tipo de manifestação que desrespeita o direito dos outros.

Minha sugestão aos que estão sem poder ministrar ou frequentar aulas, pagas com dinheiro dos nossos impostos, impedidos pela violência dos “ocupantes” de prédios públicos: processem a Reitoria da UFC por prevaricação.

Existe uma ocupação que já dura décadas na UFC, mais conhecida como aparelhamento ou hegemonia. É disso que se trata.

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Greve nas universidades públicas: “O velho que não quer passar e o novo que não quer chegar”

Por Wanfil em Brasil

24 de agosto de 2012

Professores federais no Ceará decidem greve levantando cartões vermelhos, a cor da revolução. Foto de arquivo com aplicação de efeito. Expressão de um passado que insiste em permanecer presente, como um quadro antigo na parede.

Professores da UFC e Unilab-CE encerraram nesta semana uma greve que durou cerca de 70 dias. No entanto, alguns grevistas não concordaram com a decisão e protestaram em frente à sede do Sindicato dos Docentes das Universidades Federais do Ceará (Adufc), que divulgou nota pública: “A ADUFC-Sindicato lamenta que a situação tenha chegado a esse nível de conflito, que vem se agravando desde as últimas assembleias”.

A nova luta

Quando estudei na UFC, entre 1993 e 1998, testemunhei de perto duas greves. As justificativas eram sempre as mesmas, mais ou menos apresentadas de acordo com uma suposta ordem de importância: Por uma universidade pública e gratuita de qualidade; contra a privatização; contra o neoliberalismo; por melhores condições de trabalho; e finalmente, por melhores salários. Evidentemente, em sala de aula e nos corredores da universidade, docentes e agitadores do movimento estudantil afirmavam que a única forma de conseguir tudo isso rapidamente seria derrotar a direita e eleger um companheiro de esquerda, sensível ao papel da educação e com “vontade política”. Mais precisamente, era preciso eleger o operário Lula da Silva.

Como todos sabem, Lula foi eleito, re-eleito e ainda elegeu sua sucessora. E como está a faculdade? Está em greve, ora bolas! É o vício do cachimbo que entorta a boca. Sem o mote ideológico, restou ao espírito do ativismo acadêmico, formado ao longo de quatro décadas, procurar uma nova causa: o aumento salarial, puro e simples, sem cobrança por desempenho, que este é um conceito burguês e capitalista.

Uma das boas coisas de termos a esquerda no poder é a comprovação histórica de que as universidades públicas foram aparelhadas por um projeto político. Agora, sem inimigos ideológicos para combater, nossos “intelectuais” começam a se estranhar entre si. Os alunos que paguem o preço de perder aulas. E os alunos, jovens doutrinados desde o ensino básico, ainda acreditam que tudo isso é por uma causa nobre.

Conservadorismo disfarçado

O filósofo alemão Ernst Bloch (18885-1977), de tendência marxista (veja a ironia), na trilogia O Princípio da Esperança, descreve uma imagem para a Europa que serve perfeitamente para ilustrar a universidade pública no Brasil: “O velho que não quer passar e o novo que não quer chegar”. Os grevistas das universidades não querem as revoluções da boa gestão administrativa ou do mérito individual; querem mesmo é a manutenção de velhos paradigmas e garantia do conforto de grupo, das eternas discussões infecundas, do isolamento diante das necessidades de mercado e das vantagens financeiras. Se a conta não fechar, o Erário que cubra o déficit! É o conservadorismo mais profundo disfarçado de progressismo chique.

E assim, os anos passam e a história se repete. Leia mais

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Cotas nas universidades federais buscam esconder fracasso na escola pública

Por Wanfil em Brasil

09 de agosto de 2012

Aproveitando a moda de cotas raciais, de gênero ou de renda para criar uma justiça social de ofício, nossos nobres senadores aprovaram a criação de uma reserva de 50% das vagas em universidades e escolas técnicas federais para alunos que tenham cursado o ensino médio integralmente em escolas públicas. O projeto já passou pela Câmara e agora segue para sanção da presidente Dilma Rousseff.

Evidentemente, os defensores da iniciativa alegam as melhores e mais angelicais intenções. Vejam o que disse  senador Paulo Paim (PT-RS) comemorou a aprovação: “Não é justo que o preto e pobre trabalhe de dia para pagar a universidade e estudar à noite enquanto o branco descansa o dia todo.”

Nivelando a educação por baixo

Além de racista, a declaração é reveladora do projeto de país que vivenciamos. A ideia, na prática, protege alunos menos preparados de concorrêr com alunos mais preparados. É a meritocracia ao avesso, é a legalização da mediocridade como parâmetro de políticas públicas de educação superior.

É lógico que, por essa equação, as universidades federais terão que nivelar por baixo para absorver a nova demanda, sendo preciso ensinar o que eles não aprenderam no ensino médio (isso já acontece sem as cotas, imaginem depois).

A má formação de alunos oriundos da escola pública é algo que sensibiliza e essa preocupação é importante. No entanto, em nome da vontade de ajudar não podemos simplesmente aceitar soluções equivocadas, aparentemente fáceis, mas que não resolvem o problema e não mudam a realidade desses jovens.

Solução mágica é cortina  de fumaça

A pergunta a ser feita é: Por que alunos das escolas públicas não conseguem competir por vagas com alunos da escola privada em igualdade de condições? Vejam como a coisa muda de perspectiva. A resposta é óbvia: Porque são mal preparados! Culpa de quem? Do contribuinte é que não é. Assim, essas cotas e servem mesmo é de cortina de fumaça para encobrir a incompetência de nossas autoridades. Cadê o método Paulo Freire formando gênios na escola pública? O desempenho dos alunos brasileiros nos exames internacionais como o PISA é vergonhoso, sempre nas últimas colocações.

Enquanto isso, as escolas públicas continuam sucateadas e carentes de planejamento; o magistério não atrai os melhores profissionais, pelo contrário, com raríssimas exceções. Colocar alunos de um sistema de base falido em universidades pela janela não resolve nenhum desses problemas. Leia mais

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Cotas nas universidades federais buscam esconder fracasso na escola pública

Por Wanfil em Brasil

09 de agosto de 2012

Aproveitando a moda de cotas raciais, de gênero ou de renda para criar uma justiça social de ofício, nossos nobres senadores aprovaram a criação de uma reserva de 50% das vagas em universidades e escolas técnicas federais para alunos que tenham cursado o ensino médio integralmente em escolas públicas. O projeto já passou pela Câmara e agora segue para sanção da presidente Dilma Rousseff.

Evidentemente, os defensores da iniciativa alegam as melhores e mais angelicais intenções. Vejam o que disse  senador Paulo Paim (PT-RS) comemorou a aprovação: “Não é justo que o preto e pobre trabalhe de dia para pagar a universidade e estudar à noite enquanto o branco descansa o dia todo.”

Nivelando a educação por baixo

Além de racista, a declaração é reveladora do projeto de país que vivenciamos. A ideia, na prática, protege alunos menos preparados de concorrêr com alunos mais preparados. É a meritocracia ao avesso, é a legalização da mediocridade como parâmetro de políticas públicas de educação superior.

É lógico que, por essa equação, as universidades federais terão que nivelar por baixo para absorver a nova demanda, sendo preciso ensinar o que eles não aprenderam no ensino médio (isso já acontece sem as cotas, imaginem depois).

A má formação de alunos oriundos da escola pública é algo que sensibiliza e essa preocupação é importante. No entanto, em nome da vontade de ajudar não podemos simplesmente aceitar soluções equivocadas, aparentemente fáceis, mas que não resolvem o problema e não mudam a realidade desses jovens.

Solução mágica é cortina  de fumaça

A pergunta a ser feita é: Por que alunos das escolas públicas não conseguem competir por vagas com alunos da escola privada em igualdade de condições? Vejam como a coisa muda de perspectiva. A resposta é óbvia: Porque são mal preparados! Culpa de quem? Do contribuinte é que não é. Assim, essas cotas e servem mesmo é de cortina de fumaça para encobrir a incompetência de nossas autoridades. Cadê o método Paulo Freire formando gênios na escola pública? O desempenho dos alunos brasileiros nos exames internacionais como o PISA é vergonhoso, sempre nas últimas colocações.

Enquanto isso, as escolas públicas continuam sucateadas e carentes de planejamento; o magistério não atrai os melhores profissionais, pelo contrário, com raríssimas exceções. Colocar alunos de um sistema de base falido em universidades pela janela não resolve nenhum desses problemas. (mais…)