UNE Archives - Blog do Wanfil 
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Blog do Wanfil

por Wanderley Filho

UNE

Reinventando a UNE

Por Wanfil em Política

27 de Janeiro de 2017

A UNE e o desafio de reinventar um discurso desgastado com base em desculpas esfarrapadas. (Divulgação)

A União Nacional dos Estudantes, entidade controlada pelo PC do B, que por sua vez é controlado pelo PT, realiza encontro em Fortaleza com o tema “Feira da Reinvenção”.

O evento acontece entre os dias 29 de janeiro e 1º de fevereiro. Para debater a “Reinvenção da economia e as saídas para a crise” foram anunciados do exg0vernador Ciro Gomes, da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM)  e da ex-deputada federal Luciana Genro (PSOL), filha do petista Tarso Genro.

Assunto não falta. Nesta semana, por exemplo, o TCU suspendeu repasses para a Transnordestina após constatar “sério descompasso entre os investimentos e o cronograma físico-contábil”. Ciro Gomes, que entre 2015 e 2016 presidiu a subsidiária da CSN responsável pela obra, pode abordar a reinvenção do financiamento para grandes obras de infraestrutura.

Já Vanessa Grazziontin é a pessoa ideal para falar sobre a reinvenção da privatização de presídios, uma vez que a senadora do Amazonas recebeu pelo menos R$ 2,890 milhões de empresas privadas gestoras de presídios quando concorreu à prefeitura de Manaus, em 2012.

Luciana Genro, que foi contra o impeachment de Dilma, mas que no velório de Teori Zavascki defendeu a Operação Lava Jato, pode comentar sobre a prisão do marqueteiro da ex-presidente e sobre os três processos em que Lula figura como réu.

Diante disso, a UNE poderia incluir na programação um debate sobre a Reinvenção da Corrupção no Brasil na última década. Mas, pensando bem, para que isso fosse possível, seria preciso antes reinventar a própria UNE.

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Desemprego explode e entidades silenciam no Ceará

Por Wanfil em Economia

20 de novembro de 2015

Alguns dados recentes sobre a situação do trabalhador brasileiro, divulgados nesta semana, no final do quinta ano da gestão Dilma Rousseff:

IBGE: o número de desempregados aumentou 67,4% em doze meses, maior patamar para outubro desde 2007;

IBGE: o rendimento médio dos trabalhadores caiu 7% em relação a outubro do ano passado;

Caged (Ministério do Trabalho): Fechadas 169 mil vagas em outubro, pior resultado para o mês desde 1992. Só no Ceará foram eliminados 4.787 postos;

Caged (Ministério do Trabalho):  Nos últimos 12 meses, encerrados agora em outubro, foram perdidos pouco mais de 1 milhão e 380 mil de empregos. No acumulado do ano, no Ceará, já são quase 19 mil empregos a menos.

Reação
Diante desse quadro, o que fazem as entidades representativas de trabalhadores e estudantes? Verifiquei alguns sites para conferir a reação das principais delas.

CUT/Ceará: entre as principais ações destacadas estão a promoção a um debate sobre “os desafios do povo negro brasileiro”, uma marcha em defesa da demarcação de terras para índios de 14 etnias cearenses e a denúncia contra o racismo e a violência de gênero em manifestação ocorrida em Brasília. Sobre desemprego e queda de renda dos que ainda estão empregados, nada;

Conlutas/Ceará: em sua página no Facebook, a entidade critica Dilma por quebrar a promessa de não mexer em direitos trabalhistas. Reclama do ministro Levy e procura uma alternativa à “oposição de direita”. Traduzindo: sonham com a volta da Dilma da campanha eleitoral. Sobre desemprego, nada;

UNE: no site nacional da entidade, que foi às ruas pedir o impeachment de Collor no passado, o foco agora é a ocupação de escolas em São Paulo. No Ceará, a UNE não tem página. Pelo menos, não a encontrei. De toda forma, ao que tudo indica, o quadro de desemprego, recessão, crise política e corrupção, não a preocupa, embora, teoricamente, os demais estudantes que não estão pendurados na máquina estudantil ou na pública mesmo, tenham no horizonte de seus planos a busca por um emprego no mercado, cada vez mais fechado.

Conclusão
O trabalhador, especialmente o trabalhador desempregado, está por conta própria. Não há protestos ou pressão. São todos parceiros na construção da atual conjuntura.

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Manifestação contra o impeachment: a derrota numérica e moral do PT, CUT, MST e UNE

Por Wanfil em Política

21 de agosto de 2015

Que as manifestações contra o impeachment de Dilma seriam muito menores do que aqueles que pedem a saída da presidente, isso todos já sabiam, uma vez que a gestão da petista tem batido seguidos recordes de impopularidade.

Sendo impossível superar os adversários em número, e sem poder abordar, por motivos óbvios, temas como a corrupção, restou ao engajamento chapa-branca organizado pelo Partido dos Trabalhadores e entidades sob o seu comando, notadamente CUT, MST e UNE, rotular de golpe elitista os protestos anti-Dilma.

Militantes profissionais
Mas para que essa estratégia pudesse prosperar seria necessário credibilidade. Entretanto, nesse ponto os organizadores das manifestações de solidariedade à presidente falharam. A começar pela data e hora escolhidas: começo de tarde de uma quinta-feira, ou seja, em pleno horário de expediente, condições que exclui, de cara, o trabalhador comum. A mensagem para o público foi a de que estavam ali, na maioria, militantes “profissionais”, afinal, sábado e domingo é dia de folga até para esses trabalhadores de passeata.

Outro ponto salta aos olhos: de um a profusão de bandeiras vermelhas, enquanto nos atos pelo impeachment prevaleceu o verde-amarelo. De um lado a militância que coloca o partido acima de tudo, do outro, a defesa do país. Qual das duas imagens é capaz de influenciar mais os cidadãos?

Contradição e incoerência
Outro problema foram as contradições entre a defesa do governo e críticas ao ajuste fiscal. Se a administração está errada, por que então mantê-la, mesmo diante de tantos escândalos?

Os que marcharam contra Dilma também expõem contradições internas, no entanto, são unânimes na convicção de que o governo é ruim e mentiroso. No caso dos aliados do petismo, não existe a convicção de que o governo seja minimamente bom em algo, pelo contrário, como se viu, muitos deles também o reprovam. Segundo o Datafolha, na marcha do PT em São Paulo, apenas 54% aprovam Dilma.

Nos embates de guerrilha, a vitória consiste em derrubar o moral do inimigo. Nesse sentido, as manifestações governistas foram duplamente vencidas, já que nem em suas próprias fileiras elas foram eficazes.

Os fatos
Por último, CUT, UNE, MST e PT foram às ruas no mesmo dia em que o IBGE informou aos brasileiros que o desemprego subiu para 7,5%, maior índice desde 2009. Depois, no momento de trabalhar a repercussão dos atos, o Caged apresentou dados sobre a quantidade de vagas de trabalho cortadas no mês de julho passado. Foram 157.905 carteiras que deram baixa, o pior resultado desde 1992.

Moral da história: para ajudar o governo, não bastam palavras de ordem e militantes profissionais. Seria preciso uma boa notícia que fosse para mostrar, um rumo a apontar, uma luz no fim do túnel. Mas isso está em falta, por obra e graça deste governo. Sem isso, não há como escapar do vexame.

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Manifestação contra o impeachment: a derrota numérica e moral do PT, CUT, MST e UNE

Por Wanfil em Política

21 de agosto de 2015

Que as manifestações contra o impeachment de Dilma seriam muito menores do que aqueles que pedem a saída da presidente, isso todos já sabiam, uma vez que a gestão da petista tem batido seguidos recordes de impopularidade.

Sendo impossível superar os adversários em número, e sem poder abordar, por motivos óbvios, temas como a corrupção, restou ao engajamento chapa-branca organizado pelo Partido dos Trabalhadores e entidades sob o seu comando, notadamente CUT, MST e UNE, rotular de golpe elitista os protestos anti-Dilma.

Militantes profissionais
Mas para que essa estratégia pudesse prosperar seria necessário credibilidade. Entretanto, nesse ponto os organizadores das manifestações de solidariedade à presidente falharam. A começar pela data e hora escolhidas: começo de tarde de uma quinta-feira, ou seja, em pleno horário de expediente, condições que exclui, de cara, o trabalhador comum. A mensagem para o público foi a de que estavam ali, na maioria, militantes “profissionais”, afinal, sábado e domingo é dia de folga até para esses trabalhadores de passeata.

Outro ponto salta aos olhos: de um a profusão de bandeiras vermelhas, enquanto nos atos pelo impeachment prevaleceu o verde-amarelo. De um lado a militância que coloca o partido acima de tudo, do outro, a defesa do país. Qual das duas imagens é capaz de influenciar mais os cidadãos?

Contradição e incoerência
Outro problema foram as contradições entre a defesa do governo e críticas ao ajuste fiscal. Se a administração está errada, por que então mantê-la, mesmo diante de tantos escândalos?

Os que marcharam contra Dilma também expõem contradições internas, no entanto, são unânimes na convicção de que o governo é ruim e mentiroso. No caso dos aliados do petismo, não existe a convicção de que o governo seja minimamente bom em algo, pelo contrário, como se viu, muitos deles também o reprovam. Segundo o Datafolha, na marcha do PT em São Paulo, apenas 54% aprovam Dilma.

Nos embates de guerrilha, a vitória consiste em derrubar o moral do inimigo. Nesse sentido, as manifestações governistas foram duplamente vencidas, já que nem em suas próprias fileiras elas foram eficazes.

Os fatos
Por último, CUT, UNE, MST e PT foram às ruas no mesmo dia em que o IBGE informou aos brasileiros que o desemprego subiu para 7,5%, maior índice desde 2009. Depois, no momento de trabalhar a repercussão dos atos, o Caged apresentou dados sobre a quantidade de vagas de trabalho cortadas no mês de julho passado. Foram 157.905 carteiras que deram baixa, o pior resultado desde 1992.

Moral da história: para ajudar o governo, não bastam palavras de ordem e militantes profissionais. Seria preciso uma boa notícia que fosse para mostrar, um rumo a apontar, uma luz no fim do túnel. Mas isso está em falta, por obra e graça deste governo. Sem isso, não há como escapar do vexame.